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Olá, gente bonita!

Como vão vocês? Espero que bem. Hoje não vou repetir aquele ritual de “faz tempo que eu não apareço aqui, como sempre” porque não é verdade: estive aqui um dia desses falando de Império Esquecido. Mas posso dizer que hoje, depois de muito tempo sim, venho falar de literatura sem falar de um livro em especial. Vamos falar sobre Literatura. Hoje quero trazer uma discussão que vem formigando na minha cabeça desde que comecei a escrever minha nova empreitada literária e me dei conta de umas coisas... digamos... interessantes. 

 

Em outro post aqui no EL (este aqui), eu problematizei algumas questões sobre a crítica literária e sobre o que é considerado bom e o que é considerado ruim, e como e por quem essas coisas devem ser definidas. De lá até hoje, não mudei de opinião quanto a nada do que disse no post citado, mas essa questão voltou a pipocar na minha cabeça quando eu... bem... me vi, deliberada e conscientemente, lendo coisas “ruins”. 

Antes, deixe-me apresentá-los a uma expressão que um professor de Literatura meu usou e eu acho perfeita: “estamos falando de filé mignon, não de Big Mac”. Esse comentário surgiu em uma conversa de Facebook em que, não me lembro por que, os participantes falavam de grandes obras da Literatura e eu, cheio de graça feito ave Maria, sugeri adicionar 50 Tons de Cinza à lista, e então veio o comentário do meu caro professor. Ultimamente, tenho lido mais Big Mac’s do que filé mignons, e isso tudo se dá, parcialmente, graças a uma plataforma online que descobri por meio da minha colega de trabalho Lorena (autora de Império Esquecido), que também publica textos por essa plataforma. Explico melhor no próximo parágrafo.

Estou me referindo ao Wattpad.  O Wattpad é uma plataforma voltada à publicação independente de material de vários formatos, sendo os mais comuns as fanfics e romances novelescos (daqueles de banca de jornal que eu adoro). Meu interesse por essa plataforma veio, como eu disse, quando, há mais ou menos um mês, tive um insight e comecei a escrever o que eu ainda não sei se vai se encaixar no formato de romance: uma história chamada Vincent (clique aqui para ler[/jabá]). O barato do Wattpad é que, geralmente, as postagens acontecem meio que em episódios, então o leitor lê e espera o autor postar o próximo capítulo (por isso gosto de chamar minha história de web series, haha).

Graças ao sistema de tagsque o site disponibiliza pra ajudar na divulgação das histórias, existe aquela listinha já tradicional de “histórias recomendadas”. Antes de prosseguir, um comentário paralelo sobre um tema que eu tentei encaixar neste mesmo post, mas acho que não consegui: me impressionou seriamente a quantidade de histórias em que a palavra vampire está ou nas tags ou no título. E me impressionou mais ainda a quantidade de leituras que essas histórias recebem (algumas delas têm mais de dois milhões de leituras; isso quer dizer que, somadas as leituras individuais de cada capítulo, mais de dois milhões de pessoas passaram os olhos por ali, e esse número leva em conta o endereço de IP dos usuários, então, por mais que haja uma margem de erro aí por conta de rotatividade de IP, o número é assustador). Eu pensei que esse boom de fantasia envolvendo lobisomens, vampiros e outras criaturas das trevas + mulheres indefesas já tivesse passado, mas, pelo menos no Wattpad, não passou. Enfim, continuando. Na minha listinha de recomendações, baseada nas tags da minha história e nas histórias em que eu clico, aparecem recomendações de histórias de amor homossexual, que é sobre o que eu escrevo, basicamente. Curiosíssimo que sou, parei pra ler três dessas histórias (duas em inglês e uma em português).

Não é querendo me gabar nem nada, mas meus poucos anos de experiência me permitem dizer que eu escrevo muito bem, obrigado. Quando abri a primeira história, comecei a ler sem muito interesse e, logo na primeira página, havia erros de ortografia e inadequações sintáticas que saltavam aos olhos. Com o desenrolar da leitura, parecia que o autor escreveu a história exatamente como se estivesse contando a um amigo em um encontro casual. Aqui e ali entravam umas metáforas bem pobres, que deixavam o texto ainda mais pífio. Depois, fui pra segunda história em inglês. Esta estava um pouco mais bem escrita, mas ainda apresentava uns problemas meio graves, especialmente pra um falante nativo de Inglês. A terceira, então, parecia ter sido extraída de uma comunidade de contos eróticos dos tempos do Orkut, mas, nessa terceira, o cara devia ter um senso autocrítico meio superestimado e se achava escritorzão, o que me deixava ainda mais desgostoso da falta de senso estético do negócio todo.

Mas, feitas essas críticas todas, sabe qual é a pior parte?, que as três hitórias tinham em comum? Eu digo: era IM-POS-SÍVEL parar de ler. Impossível. Baixei o Wattpad pra celular e fui pra cama. Debaixo de cobertor, de madrugada, com tanta coisa mais útil pra fazer (especialmente dormir), eu devorava as histórias. As duas de uma vez (a primeira eu abandonei porque aconteceu um negócio na história que me broxou e eu desisti, e a escrita tava muito sofrida); qualquer hora que eu estava à toa, pegava o celular e ia continuar as leituras. E assim foi; acabei as duas em três dias. Pra vocês entenderem meu drama, vou dar a sinopse das duas histórias que eu terminei: a primeira, em inglês, era sobre um rapaz alegadamente heterossexual que se apaixona, da noite pro dia, pelo capitão do time de futebol americano da escola e eles começam a se envolver quando esse capitão pede pro apaixonado ajudá-lo com os exames finais da escola. Essa história tem uns vinte capítulos e esses vinte capítulos são a descrição mais pastelona do desenvolvimento do relacionamento dos dois. Umas questões familiares são postas em jogo, também; coisa de sair do armário e enfrentar problemas de aceitação. Nada muito profundo e tudo bastante exagerado. A segunda, em português, era sobre o filho de um advogado que trabalhava pra uma grande firma e estava prestes a ser demitido. Pra garantir o emprego, o pai pede pro filho se aproximar e fazer amizade com o filho do dono da firma. O que ele não sabia é que o filho do dono da firma era um dos caras com quem o filho coagido fazia bullying no colégio. O relacionamento deles começa quando o protagonista vai cumprir as ordens do pai e se aproxima do filho do dono da firma. A história segue a mesma linha da anterior, com a diferença de que, nessa, todos os personagens têm seu nível de insuportabilidade; uns mais, outros menos, mas não dá pra se apegar a nenhum deles.

Ainda assim: li tudo praticamente da noite pro dia. Por vezes eu me pegava pensando “PQP, mas que historiazinha mais fuleira!”. Não adiantava: eu não conseguia parar de ler. O nível de idealização romântica das situações postas em ambas as histórias beirava o ridículo e as cenas de sexo, que não eram poucas, só serviam pra aguçar a curiosidade. Eram dois Big Mac’s com molho picante. E, no final, é claro que tudo termina bem e todos os “problemas” que aparecem durante a narrativa são resolvidos sem grandes traumas. A história acaba, nada muda na vida de quem lê, o coração sente aquele lapso de ternura romântica e logo a memória seletiva apaga. É isso que acontece com a maioria das histórias ruins: lemos por curiosidade e, quando elas acabam, falamos mal e as esquecemos em pouco tempo, não é? Pois é. Mas e quando a história ruim te toca?

Anteontem à noite eu comecei a reler um “conto” (tem quase 140 mil palavras, mas o autor jura que é um conto) que foi literalmente tirado da extinta “Contos Eróticos Gays” no Orkut (e atire a primeira pedra quem é gay e nunca deu uma passadinha por lá). Me lembro de ter lido essa história há uns quatro, cinco anos e ter gostado muito, tipo muito mesmo. O autor diz que é tudo verdade, sendo ele mesmo, inclusive, o protagonista da trama, mas há elementos da própria narrativa que condenam a falácia (contudo o pessoal, naquela época, acreditava piamente que era tudo real). “Dois heteros numa balada GLS” é o nome da história (dá pra encontrá-la online (foi o que eu fiz, by the way)). 140 mil palavras é mais ou menos um livro de 400 páginas. Li tudo de anteontem pra ontem, metade antes de dormir e metade assim que acordei. E, olha, mesmo sendo a segunda vez que leio (eu já tinha me esquecido de quase todos os eventos), parece que a história acabou e arrancou um pedaço de mim. 

O padrão da narrativa é o mesmo das três outras histórias que eu já descrevi, o texto é narrado em primeira pessoa de forma bem prosaica, há marcas de oralidade por toda parte, os detalhes eróticos (que são muitos, afinal o romance é, essencialmente, um “conto” erótico) são descritos em minúcias e os três personagens principais, que formam uma espécie de triângulo amoroso, têm seus altos e baixos e seus momentos. A história têm muitas reviravoltas, muitos detalhes desnecessários, o protagonista é irritante, vive sempre num conflito que não se resolve até a literalmente última página, mas, quando acaba... foi uma facada no peito, e olha que ninguém morre. 

Quando terminei de ler, pouco antes de vir aqui escrever, fiquei com isso na cabeça. O que é que existe nessas histórias “ruins” que consegue atrair até leitores mais exigentes, por mais que a maioria deles seja orgulhosa demais para assumir? Em termos de construção artística, de engenhosidade, de técnica, todas as histórias que citei são indiscutivelmente descartáveis, mas em termos de conteúdo, essa última foi um balde de água fria na minha cara, e as outras duas me fisgaram mesmo sendo completamente vazias. Nessas horas, o que conta mais? A forma ou o conteúdo? Ou essas histórias conquistam por despertarem o lado romântico obscuro de quem tem um lado romântico escondidinho lá nas profundezas da empáfia (frases pseudo-intelectuais como essa existem aos montes nas três histórias que li até o fim)?... Fiquei pensando nisso e ainda não consegui chegar a uma resposta. Mas, depois de todas essas leituras, acho que consegui compreender com um pouco mais de empatia as pessoas que leem o romance pornô da E. L. James e se derretem pelo Mr. Grey... Ah, como eu compreendo!... *suspiro* 

Bom, deixe-me voltar pra minha catarse, agora. Com licença. 



Não chorei com Marley & Eu, nunca fui de ficar vendo vídeos de gatinhos no Youtube e detestava filme de animais superdotados na Sessão da Tarde. Por motivos como esses, Um Gato de Rua Chamado Bob nunca teria sido um livro que eu compraria à primeira vista. Mas o destino prega suas peças e eu acabei dando uma chance pro dito cujo, sabe como é, por pura experimentação. E não é que a história de James e o seu amiguinho laranja tem o seu "quêzinho" de fofura?



Um Gato de Rua Chamado Bob é uma obra autobiográfica que narra a vida de James Bowen, um ex-viciado em drogas que sobrevivia fazendo apresentações musicais nas ruas de Londres. Até que um dia James encontra um gatinho laranja na porta do seu prédio, e por mais que James sentisse que não estava no melhor momento para se responsabilizar por nada além de si mesmo, o música acaba se apegando ao pequeno Bob. Aos poucos, James começa a levar o novo parceiro para o seu lugar de trabalho (uma estação de metrô), e enquanto James toca suas músicas em busca de alguns trocados, Bob está lá para lhe fazer companhia... Um Gato de Rua Chamado Bob é um livro caloroso, como um convite para um passeio no parque em um domingo ensolarado.

É, eu sei, estamos falando sobre um livro de um músico de rua que foi "salvo" por um gato e isso pode parecer bem, bem meloso (e não se engane, é muito!). Mas eu devo dizer que o livro tem um charme que me atingiu em cheio, e de uma certa forma, fez crescer dentro de mim uma vontade arrebatadora de ter um gato olhudo para me encarar com cara de "Cadê o meu Whiskas?". Acho que o fator "baseado em fatos reais" (que normalmente mais me desestimula que outra coisa), atingiu o alvo, neste caso em especial: Passei a seguir o twitter #streetcatbob só para ver se James e o seu gato Bob eram reais e, sinceramente, essa parece mesmo ser uma genuína história de amor.

Toca aqui, parceiro!

 Eu acredito que o relacionamento entre James e Bob pode sim ser um bom exemplo de como a companhia de um animal consegue ser benéfica quando passamos por sérios problemas pessoais e, porque não, quando esse problema é uma dependência química. Achei o desenvolvimento de James no livro bem compreensível, apesar das habilidades limitadas de escrita do rapaz, e, admito, torci em alguns momentos em que imaginei que teríamos uma grande tragédia a caminho (e, alerta de spoiler, graças a deus não tem não).

Porém, sejamos sinceros, o livro não é nenhuma obra-prima. É gostoso de ler, leve, sem grandes neuras, mas ponto. Como boa parte dos livros com uma pegada de auto-ajuda, Um Gato de Rua Chamado Bob busca passar uma mensagem emocionante através de uma história de superação improvável e, claro, para algumas pessoas, isso funciona. Eu, como já disse, não costumo me encaixar nesse grupo, mas talvez eu esteja passando por um momento de sensibilidade aflorada (quem já dedicou seis meses da sua vida para uma monografia me entende nesse momento) que me fez apreciar o livro com mais carinho.

De qualquer forma, cá estou eu, seguindo o @streetcatbob e curtindo fotos como essa:

Ain, que fofo. :3

Vai me dizer que não é uma fofura? 


Durante toda a leitura de "Restos Humanos", e durante todos os acontecimentos na história, eu sei que estava chovendo. Aquela chuva bem inglesa: fina, em um dia cinza, que encharca os seus sapatos.  Se a autora nunca precisou me dizer isso diretamente na história, é só porque "Restos Humanos" tem um clima muito, muito bem construído e que salta das páginas. (Em vários momentos eu me peguei lembrando da vibe do seriado de crime The Fall, da BBC, que se passa em Belfast. Se "Restos Humanos" fosse um filme, por mim eles podiam reciclar todo os cenários e elenco de The Fall). 

É um livro obscuro, reflexivo e calmo - não como um dia de férias na praia relaxante, mas como o mar fica minutos antes de uma súbita tempestade.

E a tempestade chega, sim. E com ela temos uma construção não de um whodoneit* (porque trinta páginas do livro e você já começa a ter uma clara ideia de quem é o assassino), mas de um estudo de personagens e suas histórias e motivos.

Capa nacional do livro.
A trama principal de "Restos Humanos" gira em torno de Annabel Hayer, uma analista de informações para a polícia que encontra, por acaso (e com ajuda da sua gata), o cadáver de uma de suas vizinhas em um avançado estado de decomposição. Traumatizada com sua descoberta, Annabel volta ao trabalho e, ao vasculhar os arquivos da polícia, começa a perceber um aumento significativo de casos como este nos últimos meses em sua cidade. Quanto mais Annabel se dedica às suas investigações, mais ela acredita estar nos rastros de um assassino serial... Ainda assim, uma pergunta assombra seus pensamentos: será que alguém perceberia se ela simplesmente desaparecesse?

"Restos Humanos" é um livro sobre as vítimas e os denominadores em comum (além do assassino) que fatalmente as levaram para um mesmo trágico fim. A história de cada uma delas, contadas brevemente por capítulos soltos durante todo o livro, foram as partes mais emocionantes da escrita. Do tipo que me fazia querer ligar para alguém e dizer "Escuta isso" e começar a ler suas histórias, mesmo do nada e fora de contexto. Porque mesmo assim elas seriam interessantes e de partir o coração.

O livro muda de pontos de vista o tempo todo, cada capítulo tem o nome do personagem cujo ponto de vista é retratado. É admirável como a autora consegue criar tantas histórias de personagens tão reais e emocionantes em capítulos tão curtos. Você não se confunde com a quantidade grande de nomes porque apenas alguns personagens são centrais. As vítimas aparecem apenas uma vez, em seus próprios capítulos. Meu capítulo solto preferido foi a de um pianista chamado Noel, mas todas são muito bem construídas.

Elizabeth Haynes.
Eu não posso deixar de mencionar a vida da autora, a britânica Elizabeth Haynes. Ela foi analista criminal e sabe que a profissão, ainda que interessantíssima, envolve uma rotina que está longe de ser um episódio de CSI: Sair de casa cedo, não ter onde estacionar, ligar computadores, fazer café, ouvir conversa de colegas desagradáveis de escritório, analisar dados sobre crimes (em computadores), fazer mais café, fazer chá, sair pro almoço e ouvir esses mesmos colegas te chamando de tia solteirona dos gatos. (Porque, no caso de Annabel Hayer, a personagem do livro, meio que é verdade.).

Aliás. Haynes, Hayer. Eu me pergunto se Elizabeth Haynes também tem um gato?

Annabel é uma personagem com baixa autoestima; do tipo que aceita uma xícara de chá de uma colega que (ela sabe) falou mal dela 10 minutos atrás no refeitório. Mas é inteligente o suficiente para perceber padrões suspeitos em mortes na região, aparentemente dados como causas naturais. Ela é competente e gosta do que faz, e se sua personalidade é um pouco fraca permanece a dúvida: será que ela é assim mesmo, ou esse é apenas um momento em sua vida? (Observação: não leia a orelha da capa do livro, ela conta algo que acontece consideravelmente tarde na história e que muda tudo para a personagem principal, Annabel. Eu li e gostaria que tivesse sido surpresa)

Esse livro também ganha o meu Raspberry Award pessoal para personagem mais cretino, delirante e misógino da literatura. Colin é o oposto de Annabel - ele tem autoestima demais e acredita ser superior e melhor que os outros só porque ele lê bastante livros acadêmicos de estudos e boa literatura. Em vários momentos eu quis dizer pra ele (como eu eventualmente quero pra algumas pessoas na vida) que o fato dele ler Nietzsche, Rilke ou o que quer que seja não faz ele SER o Nietzsche, Rilke ou quem quer que seja.

E não, Colin. Quando uma mulher diz pra você (porque você perguntou) onde fica o banheiro, não quer dizer que ela está sexualmente interessada.

Eu pessoalmente acho que "sacada" que ele tem de tentar analisar comportamento humano por posição dos olhos, mãos e etc é de uma credibilidade extremamente duvidosa hoje em dia, uma vez que desconsidera particularidades de cada pessoa e até mesmo geografia.

Isso sendo dito, o final do livro, em particular o último capitulo, foi muito interessante. Você realmente continua lendo até o último capitulo porque você quer saber o que acontece com essas pessoas, você realmente se importa. Talvez aconteça com você o que aconteceu comigo: no último capitulo, eu consegui entender (ainda que parcialmente) um ponto de vista de um dos personagens que eu nunca tinha conseguido entender até então.  Eu repito: esse livro não é um whodoneit. Não há um fim imprevisível.

Você irá encontrar em "Restos Humanos" um livro cheio de personagens interessantes, uma escrita  que te leva para lugares não muito seguros no conforto (e segurança) de uma história, e te faz sentir (nunca imaginei que iria usar a combinação de tais palavras)  assustado, porém aconchegante. **

E, é claro, um assassino que espera, observa, e está pronto quando você estiver.


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*Whodoneit é o um termo que literalmente significa"quem fez", e serve de categoria para livros de crime e detetive onde você não sabe durante a maior parte do livro quem é o assassino.

** O (hilário) termo Cozy Crime (crime aconchegante) é usado justamente para descrever livros de crime e mistério que você lê (em segurança) em um dia de chuvoso debaixo das cobertas no conforto da sua casa. Usado pra livros da Agatha Christie especialmente, tem uma sessão de cozy crimes inteira do Goodreads e em algumas livrarias estrangeiras você acha o termo impresso até em divisória de gôndola. É a necessidade humana de enfrentar medos e receios em lugares seguros como na literatura e ficção se manifestando.



Muito boa noite!

E lá vamos nós, como sempre, falar de literatura depois de um bom tempo de sumiço. Mas, antes: como vão vocês? Tudo bem? Então tá bom. Nesta noite nublada de quinta-feira, resolvi criar vergonha na cútis e escrever esta resenha que está no forno há pelo menos uma semana. Tempo não faltou, faltou foi coragem, mesmo, porque a procrastinação, ela é meu sobrenome. Mas, criada a coragem que faltava e deixado o ócio de lado pelo tempo em que escrevo este lindo artigo, trago, hoje, a história de uma conhecida e colega de ~ramo~: Lorena Miyuki. E já explico por que somos colegas de ramo.

Quem me encontrou, na verdade, foi a Lorena, não o contrário. Se não me engano, ela estava zanzando pela seção gay do Clube de Autores e se deparou com meu primeiro livro, North Bound, que, se não me engano novamente, chamou a atenção dela pelo fato de a capa ser semelhante à capa de um outro trabalho dela, “Anistia”. Então ela me mandou um e-mail oferecendo divulgação no site dela, Marcado com Letras, e aí a gente começou a trocar figurinhas. Assim como eu, Lorena escreve sobre boys love, um termo que eu desconhecia e que, por óbvio, se refere a histórias de amor entre garotos/meninos/mancebos/rapazes/homens. Minha praia, pra quem (ainda) não sabe. Daí ela resenhou meu primeiro romance (você pode ler a resenha aqui) e eu, algum tempo depois, li Império Esquecido e fiquei de escrever a respeito, e é o que venho fazer agora, depois de muito muito enrolar.

Então vamox lá: Império Esquecido conta a história de dois operários da Usina Nuclear de Chernobyl: Ilya, um russo, e Anatoly, um ucraniano (não sei se sei pronunciar o nome de nenhum deles, mas leio o primeiro como ilhae o segundo como anátoli, que, na maior parte da história, aparece como simplesmente Ana). A narrativa se passa na cidade de Pripyat e começa no ano de 1983. Pripyat foi uma cidade fundada em 1970 especialmente para abrigar os trabalhadores da usina de Chernobyl, e lá Ilya coloca um anúncio no jornal procurando por alguém para dividir apartamento; aí entra Ana na história.

Pripyat (fonte: Wikipedia)
A história é dividida em duas partes e o que a divide é exatamente o acidente de Chernobyl, que faz com que todos os habitantes de Pripyat evacuem a cidade (Pripyat ainda hoje é uma cidade fantasma, como se vê na foto acima). A primeira parte é um pouco mais lenta e elabora o crescimento da relação entre Ilya e Ana, que é bem gradual mesmo e não tem muito segredo: dois caras dividindo um apartamento no frio da Ucrânia (aliás, o frio é um elemento muito importante e muito bem explorado na narrativa) e que, aos poucos, vão se apaixonando sem se dar conta. Os acontecimentos mais marcantes, eu diria, acontecem na segunda parte, no pós-acidente. Nesse momento a relação deles já está em estado bem adiantado, digamos. Nessa segunda parte, também, o foco narrativo sai da terceira pessoa e passa pra primeira, sendo Anatoly o narrador agora. Os problemas começam quando ele é chamado para ser um liquidador. Liquidadores eram os militares responsáveis por “limpar a bagunça” que o acidente deixou em Pripyat. O negócio é que a cidade estava cheia de radioatividade. Ainda assim, Anatoly vai, gerando uma série de conflitos com Ilya por causa dessa decisão.

Não dá pra contar muito sem dar spoilers, então vou parando por aí. Fazendo, agora, minhas considerações, Império Esquecido é uma história muito boa. Demora um pouco pra pegar no tranco, mas, quando pega, vai. Li em uma sentada, ou melhor: deitada só. E quando acabei fiquei meio coisado. Acho que o mais interessante de tudo é que a história é toda baseada em fatos. O acidente de Chernobyl existiu, é óbvio, mas a cidade de Pripyat também existiu, o apartamento em que Ilya e Anatoly viveram também, os liquidadores também existiram, o aviso de evacuação colocado na história é o aviso que realmente foi dado aos moradores da cidade, alguns personagens foram inspirados em pessoas que também estiveram envolvidas no acidente... No final do livro a Lorena coloca a relação completa de referências no mundo e eu achei isso muito legal.

Apesar de ser curta para um romance (menos de 19000 palavras), Império Esquecido é uma narrativa muito rica e uma verdadeira aula de história. A escrita flui bem e não é cansativa nem cheia de arroubos: é na medida — e digo isso porque, se tem coisa que me irrita em literatura, especialmente em escritores “amadores” (considerem-se as aspas), é aquele pessoal que escreve com o Priberam aberto no Firefox pra procurar palavras cult. Se você é essa pessoa, faça como a Lorena e como eu: não seja essa pessoa. Apesar de ser, essencialmente, um romance gay, a trama é mais do que só uma história de amor entre dois homens: é uma história de amor, ponto; e não me refiro ao amor romântico cheio de borboletas, arco-íris e altas doses de fofura, mas ao amor de carne e osso, o amor do dia-a-dia, que anda em falta na literatura contemporânea. 

Império Esquecido está à venda em formato EBook Kindle na Amazon e você pode comprá-lo clicando aqui. Tá baratinho e vale muito a pena. Você pode encontrar mais trabalhos da Lorena acessando o site dela, Marcado com Letras. Lá ela fala de literatura, cinema e coisas mil. [merchan](E não esquece que eu também tenho um blog onde posto uns textículos de vez em nunca. Clique aqui para acessar.)[/merchan]

E é isso. Espero que vocês leiam e gostem tanto quanto eu. Qualquer dia eu volto com outra história ou com outra qualquer coisa. A vida, ela tá dificílima, mas prometo que volto assim que ela der uma melhorada. Enquanto isso, sejam felizes; sempre irmãos, sempre unidos, sempre Brasil que nem Inês Brasil. Um beijinho de luz no coração de vocês e até a próxima. 



Agora que as inscrições do Enem 2014 fecharam novamente, e no espírito literário em que eu frequentemente me encontro, ao invés de pensar sobre coisas úteis (como por exemplo: será que só pode levar barrinha de cereal se ela for preta ou transparente?) obviamente meu cérebro divagou para coisas mais literariamente especificas, tais como:

As 7 Semelhanças entre o Enem e os Jogos Vorazes.
(Alguém, em algum momento, iria fazer esse post. Acabou que foi eu. )

1) É uma competição mental, mas também física.
Muito mais do que apenas compreender textos e matérias, não, Harry, o vestibular não se passa apenas na sua mente. Ele obriga você a ficar horas com sua bunda sentada em uma cadeira ruim, usando roupas desconfortáveis e forçando sua vista para ler. Seu acesso a comida, água, banheiro e materiais é limitado (LÁPIS. VOCÊ NÃO PODE USAR LÁPIS). É um ambiente hostil não apenas para o seu cérebro, mas também para o seu corpo. Você tem que se preparar para isso, além da própria prova.

2) Ele é feito pelo governo, e há toda essa propaganda de "Coisa Certa" a respeito dele, mesmo que todo mundo saiba que não é bem assim...
Sejamos sinceros agora: Você sabe que o Brasil é um país corrupto que rouba dinheiro público que deveria estar indo para a educação, criando mais universidades, pagando bem os professores e dando oportunidades de estudo para todo mundo.

Você sabe que isso não acontece, e eu sei, e o governo sabe, mas mesmo assim você vai ter que aguentar propaganda do governo da tevê com atores sorrindo pra tela e dizendo como o Enem mudou a vida deles e como o Governo é maravilhoso-por-dar-essa-oportunidade. (esquecendo de mencionar que você paga o maior imposto do mundo, e deveria ter acesso a uma boa educação simplesmente para servir ao seu país de forma produtiva sendo qualificado para o mercado de trabalho. Tipo, detalhes.)
O que nos leva a próxima semelhança;

3) Se você tem mais dinheiro, você tem geralmente mais chances de ir bem.
Não apenas o Enem, mas todo vestibular é meio elitista. Elitista porque você tem muito mais chances de ir bem nele se tiver tido uma boa educação e preparo, o que geralmente vem de cursinhos preparatórios e escolas particulares, e de pessoas que tem condições financeiras para estudar a maior parte do tempo. Sim, existem cotas, mas é incontestável que existe poucas coisas mais próximas de um carreirista do que alguém que faz cursinho pra medicina.

4) Você está competindo com pessoas. Quando alguém vai mal, é bom para você, e quando você vai mal é bom pra alguém.
Ninguém morre especificamente, mas sonhos e futuros morrem o tempo todo =(
E em vez de odiar o governo que não abre mais universidades, os alunos acabam odiando uns aos outros. Ou odiando colegas asiáticos que fazem o Poliedro. (eu não te odeio, Watanabe... Mas é só porque eu não to prestando exatas)

... e ela fez Intensivo. No Poliedro. NO POLIEDRO!!1
5) É algo que você meio que é obrigado a fazer...
Sim, você pode optar por não fazer vestibulares. Mas mais ou menos. Porque ao optar por não fazer parte do sistema, você acaba limitando seu acesso a educação e a empregos e a um futuro melhor. Mesmo que você não acredite nos vestibulares, para fazer parte do mercado de trabalho e ter uma vida acadêmica além do ensino médio você precisa aderir a ele e tentar jogar com as suas regras. É como o sistema de Tésseras: Você não é obrigado, mas meio que é.

...okay maybe they do.
6)... Mas eles não sabem bem o que estão fazendo?
Nos Jogos Vorazes, se você optar por comer amoras, vai desencadear um monte de decisões impulsivas da parte dos organizadores. Já no Enem, todo ano tem sempre aquelas pessoas que aparentemente tiraram nota máxima na redação escrevendo receita de bolo.

E você sabia que sua nota é melhor acertando questões fáceis do que questões difíceis? Porque se você erra as fáceis e acerta as difíceis, o vestibular considera que você chutou e diminui seus pontos. Porque pra ele, a forma extraordinária como seu cérebro funciona quando você erra coisas básicas e ainda sim tem talentos avançados não existe.

Expandindo nossa database de livros, já dá pra saber quais dos brilhantes detetives da ficção literária não passaria no Enem. Segue abaixo o trecho em que se explica a  A Teoria do Sótão-Cérebro do Sherlock Holmes.

"Que um ser humano civilizado não soubesse que a Terra se movia ao redor do Sol, era pra mim um fato tão extraordinário que mal podia compreendê-lo.

– Veja – explicou Sherlock  –, acho que o cérebro do homem é originalmente como um pequeno sótão vazio, que temos que abastecer com a mobília que escolhemos. Um tolo pega todo e qualquer traste velho que encontra no caminho, de modo que o conhecimento que poderia lhe ser útil fica de fora por falta de espaço ou, na melhor das hipóteses, acaba misturado com uma porção de outras coisas, o que dificulta o seu possível emprego. Mas o trabalhador de talento é muito cuidadoso a respeito do que coloca no seu sótão-cérebro. Só acolhe as ferramentas que podem ajudá-lo a realizar seu trabalho, mas dessas ferramentas ele tem uma enorme coleção, e tudo disposto na mais perfeita ordem. É um erro pensar que o pequeno quarto tem paredes elásticas e pode se distender em qualquer dimensão. Acredite, chega uma época em que para cada novo conhecimento é preciso esquecer alguma coisa que se conhecia antes. É da maior importância, portanto, não ter fatos inúteis empurrando para fora os úteis.

– Mas o sistema solar! – protestei.

– Que me importa?  – interrompeu impacientemente.  – Você diz que giramos ao redor do Sol. Se girássemos ao redor da Lua, não faria a menor diferença para mim ou para o meu trabalho."


Não faria diferença pra você resolver os maiores e mais misteriosos crimes do mundo, mas faria diferença pra você passar no Enem, Sherlock. 

E, para terminar:

7) Mesmo quando você ganha, há uma chance de que você tenha que fazer tudo de novo ano que vem.
Sim, você foi bem no Enem... em 2008! Você ai achando que ia poder usar sua nota pro resto da vida, mas o Enem tem validade e se você quiser qualquer coisa envolvendo ele, nem que seja um programa de bolsa de estudos, você vai ter que refazer. E ir bem de novo. Ha.



E como eu termino esse post? Não há outra forma de terminar, se não desejando um...


Feliz Enem. E e que a relação candidato vaga esteja sempre a seu favor!

Atenção, marujos! Icem as velas e preparem-se para qualquer coisa! Os mares de Athelgard são belos, é claro, mas também podem ser traiçoeiros. Rezem para seu Herói e torçam para que piratas não apareçam por aqui, caso contrário estaremos perdidos. Não se esqueçam do saltimbanco! Aquele maldito consegue emocionar com suas canções. Sabem usar armas e magias? Nunca sabemos quando será necessário. Preparados? Vamos, então! Embarquemos nessa história cheia de aventuras! Vamos rumo a Ilha dos Ossos!

fonte // eles são gatinhos né? 
O segundo livro da saga iniciada com o O Castelo das Águias tem como protagonista o mago Kieran de Scyllix, atual marido de Anna de Bryke. Tudo começa quando Anna recebe um convite para um evento da Confraria do Ganso, um prestigiado grupo de nobres bardos do Norte de Athelgard que ficou interessado na jovem Mestra de Sagas. Decidida a aceitar a rara proposta, Anna embarca para sua nova aventura. Porém, tudo vira do avesso e Kieran é obrigado a embarcar nas águas de Athelgard, entrando em aventuras memoráveis, encontrando aliados improváveis e segredos tão antigos quanto as histórias contadas pelo vento.

Kieran chama a atenção do leitor desde a primeira frase. Sua personalidade é completamente diferente da de Anna de Bryke: enquanto a Mestra de Sagas é otimista e sonhadora, Kieran de Scyllix é sombrio e fechado. Sua vivência no mundo deu a ele uma visão realista das coisas (além de um pouco macabra). Desde o começo, o protagonista refere a si mesmo como alguém capaz de cometer maldades, mas isso não o torna um vilão. No primeiro livro, Anna o descreve de forma totalmente apaixonada - enquanto agora, ele é frio em relação a si mesmo: aponta suas próprias falhas, não para julgar-se, mas para mostrar que não é perfeito.

Ana Lúcia Merege mostrou maestria ao deixar "pingos" do passado do mago durante a sua narrativa em primeira pessoa. Kieran casualmente diz coisas como "fui capaz disso" e "já fiz aquilo", mas como algo passageiro, que não é do interesse geral: o foco deve estar na história que ele conta. Isso apenas apetece o leitor, que fica cada vez mais curioso para conhecer o personagem. Somos feitos dos olhos do mago, e isso é uma experiência encantadora, assustadora, um pouco triste, mas intensa ao extremo.




Kieran ao longo da história vai passando por diversos cenários e encontra vários outros figuras que servem como seus companheiros. Os personagens que aparecem são capazes de sustentar suas próprias histórias, deixando A Ilha dos Ossos mais realista. Somos, por exemplo, em determinado ponto do livro, apresentados a Ilya e seu filho Yegor, dois barqueiros que acompanham Kieran por um tempo. Eu simplesmente me apaixonei pelos dois - tão profundos que eram! E não apenas esses, o livro possui uma dezena de outros personagens completamente bem estruturados: como a figura de Stávro, o saltimbanco que derrete o coração do leitor, ou o Insaciável, que congela a alma. E, tendo um protagonista tão bom, não poderíamos esperar menos do antagonista, que me cativou completamente.

Os diálogos são naturais  e complementam ainda mais os personagens apresentados. Pelas falas e expressões descritas, temos cenas de comédia em ambientes completamente inesperados e situações improváveis acontecem a todo instante.

A história é cheia de reviravoltas que tiram o fôlego do leitor a cada instante - o ritmo é ótimo, quase como o de um filme de ação. O roteiro dá curvas que nos deixam completamente pirados. Além disso, todo o arco de acontecimentos presentes em A Ilha dos Ossos está detalhadamente relacionado ao que rolou no ótimo O Castelo das Águias. Ana Lúcia Merege é mestra em criar desfechos impressionantes, e quem já soube disso pelo primeiro livro da saga, vai apenas assinar abaixo da minha afirmação.

É impossível falar de A Ilha dos Ossos sem falar de O Castelo das Águias. Tanto no primeiro, quanto no segundo volume, o leitor poderá ter vários tipos de interpretações da história: pois elas aguentam vários níveis de leitura. "Superficialmente", ambos os livros nos darão ótimas histórias que nos divertirão e emocionarão ao extremo. Porém, podemos nos aprofundar ainda mais: em O Castelo tivemos uma mensagem de espiritualidade e até mesmo meio ambiente; o livro também de certa forma mostrava a parte boazinha de Athelgard. Em A Ilha dos Ossos, somos alertados para os perigos que existem no mundo - e aqui entra a parte que nos fala que ninguém pode ser taxado de cara como bom ou mau, mas que devemos ter consciência de que ambas as qualidades existem - e que, às vezes, é bom desconfiar de algumas coisas.

A Ilha dos Ossos cumpriu seu papel: nos mostrou que Athelgard é maior do que pensávamos, e não tão bonzinho e colorido não. Personagens complexos e bem montados aliados à uma história coerente colocados em um ritmo cheio de aventuras sem fim, essa é a receita para a qualidade aqui apresentada. Somos pegos de surpresa, e temos a impressão de que passamos todo o tempo de leitura em mar aberto, sem saber o que pode acontecer.

O livro é ótimo, não apenas em qualidade de texto e história (que são arrebatadores), mas também em sua qualidade. A capa é muito bem desenhada, e ele é impresso em um papel resistente e bonito, além da ótima diagramação.

Essa é, assim como Castelo, uma leitura que ninguém se arrependerá. Athelgard se funda sob os pilares da literatura nacional, e se edifica cada vez mais nas mentes dos leitores ávidos, que, animados, descobrem que tudo é possível, e navegam na imaginação através dessas páginas de emoção e aventura.





Neste dia 6 de junho, o site Netflix estréia a segunda temporada de Orange Is The New Black, uma viciante série sobre as experiências de Piper Kerman em uma penitenciária feminina. E para nós, brasileiros, a notícia boa não termina por aí: A editora Intrínseca está lançando este mês também o livro que originou o programa, para que todo mundo possa ficar por dentro desta hilária e emocionante obra!

A história de Orange Is The New Black passeia entre a comédia de humor negro e um intenso drama auto-biográfico. A autora Piper Kerman relata em seu livro todos os acontecimentos após ter sido presa por tráfico de drogas (fato que aconteceu após namorar uma traficante de drogas internacional), sendo condenada a passar quinze meses em detenção. 

A personagem do livro (interpretada no seriado pela atriz Taylor Schilling) apresenta casos curiosos, perturbadores, comoventes e divertidos do dia a dia no presídio. Cercada de criminosas, logo percebe que aquelas mulheres são muito mais complexas do que ela imaginava. Ao mesmo tempo que aprende a conviver com regras arbitrárias e um rigoroso código de conduta, Piper revela as alegrias e angústias das presidiárias e analisa a crueldade com que o sistema carcerário as desumaniza e faz com que sejam invisíveis ao mundo exterior.

A capa nacional do livro.

Os fãs da série já podem aproveitar a partir de hoje os novos episódios disponibilizados na plataforma Netflix. E para quem ainda não teve nenhum contato com a série, o livro está chegando no Brasil tanto em cópias físicas como digital, para que ninguém deixe de ficar viciado neste audacioso fenômeno da cultura pop.