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Eu tenho um segredo. Não sei se devo compartilhá-lo com vocês, até porque, "contar um segredo" deveria ser considerado um paradoxo. Mas como isto não é nada que eu tenha vergonha de divulgar, lá vai: Eu não consigo me concentrar nos estudos sem um fone de ouvido. Sim, muita gente acha esta "peripécia" um tanto perturbadora, mas em minha defesa, é apenas uma espécie de ritual que tenho comigo mesmo (Nossa, isto definitivamente não está ajudando). Calma, Trinta,  é melhor você se explicar melhor.

Sabe, eu gosto de fazer playlists. Mas eu não diria que são apenas playlists (afinal, quem já não se divertiu fazendo seleções de suas músicas favoritas, certo?). A minha "coisa", a essência deste meu hobby, é que eu gosto de fazê-lo com as temáticas mais aleatórias, inúteis e idiotamente específicas do mundo. Quero dizer,  pessoas normais fazem seleções como "Balada", "Love Songs", "Fossa", etc. E eu... Bem, para você ter uma idéia, eu tenho, literalmente, uma playlist chamada:

                           "Playlist para fazer playlists"


Cri. Cri. Cri. Cri.

Silêncio mórbido à parte, TUDO na minha vida merece a inspiração de uma trilha sonora, e como já deu para perceber, este tudo não é um "tudo" genérico - É tudo mesmo. De volta para o meu segredo inicial, lembro que no segundo ano do ensino médio eu fiz uma "playlist" só para estudar uma matéria de História - Para ser mais específico, Revolução Russa - e por mais "hã?" que isso possa soar, até hoje eu relaciono Own My Own, do musical Les Misèrables com a história daquela duquesa Anastasia Romanov (Aquela que deu origem ao animação de 1997, "Anastasia"). Muitas misturas divertidas já saíram deste meu "laboratório sonoro", como Metallica e Grécia Antiga, Elvis Presley e feudalismo, Beyoncé e anos 60, Dido e Química Orgânica (!?!?) e mil e outras matérias que, através das minhas associações bizarras, acabei absorvendo assunto com MUITO mais facilidade. 

E como livros são livros, sendo didáticos ou não, eu não fugi a regra com as minhas leituras de lazer. Assim que pegava o feeling da história, ia logo zapear o meu reprodutor de músicas no PC em busca de uma lista bem especial para o que eu sentia ser "o som das páginas". E é através deste meu passatempo weirdamente compulsivo que eu decidi lançar o "Se Eu Pudesse Escutar..." aqui no Escolhendo Livros, uma playlist totalmente inspirada no que eu senti ao ler um livro, que talvez não seja o que você irá sentir se resolver dar uma chance, mas que eu adoraria compartilhá-la com você e - Quem sabe? - instigá-los a este fetiche curioso que é transformar o que você lê em música.

E para estrear este Especial (que planejo tornar recorrente aqui), eu escolhi um livro talvez não muito conhecido para vocês, mas que deu origem a uma das minhas listas mais executadas do Itunes (Hispter Mode off), e que sinceramente, parece que foi construído para ser lido com um background  à la Charles Chaplin. Ou Fred Astaire.

Menina de Vinte é um chicklit adorável sobre Lara Lington, uma jovem de vinte e poucos anos tentando sobreviver ao término do que ela ainda acha ser o "amor da sua vida". No meio desta fossa, a chegada da efervescente Sadie, sua tia-avó cheia de gás e impulsividade, não poderia ser mais inoportuna. Até porque, bem, ela está morta. Com a fisionomia da flor de sua idade (encaixe aqui "em plenos vinte anos de praia"), Sadie procura ajudar Lara a superar seus problemas , algo que irá gerar constantes choques entre estas duas gerações. Além disso, Sadie tem uma missão pessoal: Através da ajuda de sua sobrinha-neta, ela sonha em reencontrar um colar que lhe pertenceu durante os 75 anos do qual foi viva. Tudo isto embalado no ritmo efusivo de Charleston, - um gênero musical típico dos anos 20 o qual ela praticamente era uma dançarina profissional! - que irá conduzir este romance super gostoso no melhor estilo Sophie Kinsella de ser.


Eu preciso dizer qual é o som de Twenties Girl? Alegre, suave  e sapateante, o livro carrega esta energia cítrica que transforma o peso de suas 497 páginas na leveza de uma pena. É óbvio que não é um livro super original que irá mudar a razão do seu viver; Afinal, é um livrinho para garotas. Mas no quesito entretenimento e  doçura, "Menina de Vinte" me inspirou a fazer esta playlist digna de ficar no repeat em um domingão ensolarado, com direito a músicas da geração de vinte, 60's jazz e um pouco de soul contemporâneo.   Vamos lá!




1) Happy Feet - Pasadena Roof Orchestra (2010)


"Happy feet, I've got those happy feet!"

Peguem seus sapatos de dança que esta é pra deixar qualquer um serelepe! Happy Feet, intepretada pela Pasadena Roof Orchestra é uma daquelas músicas que faria qualquer casal das antigas chacoalhar no salão! Apesar de ser até recente, - Presente no seu álbum também chamado "Happy Feet" de 1987 - é inegável que está música traduz bem a alegria contagiante que o tiririrulá dos 20's tinha! Inúmeras vezes imaginei este clássico do Charleston nos bailes de Sadie e, se você já leu o livro, diz aí: Não seria maravilhoso ver esta  fofa acompanhando os passos de dança? 

2) Dance With Me Tonight - Olly Murs (2011)



"My name's Olly, nice to meet you, can I tell you, baby?"

Com uma batida Jazzy deliciosa, Dance With Me Tonight, do britânico Olly Murs, mostra que a música contemporânea ainda pode ter aquela alma vivaz de antigamente. Pegajosa, no bom sentido, foi uma das primeira músicas que veio a minha cabeça quando Eddie e Lara saem para dançar. Tem algo nela - uma força muito parecida com que senti ao ler livro - que parece te obrigar a a balançar a cabeça. Como não amar isto? 

3) Ain't We Got Fun - Peggy Lee (1959)


"But smiles were made, dear, for people like us"

Música da década de 20, mas em uma versão vivaz  de 1959, Ain't We Got Fun é a alma de Sadie. Ela é uma mulher que preza o momento, a diversão, a vitalidade da vida. Afinal, "Mesmo sem dinheiro, oh mas querido, nós não nos divertimos?" Os versos cantados por Peggy Lee explicitam uma das principais "morais"-  Ignora que eu usei este termo;  eu ODEIO dizer que livro tem moral!  -do livro. Ninguém vive de pensar no futuro, a felicidade é passageira, volúvel, instável. Tenha certeza de que no final de tudo, ao menos você sorriu uma vez.


4) You've Changed - Sarah Vaughn (1960)



"The sparkle in your eyes is gone, your smile is just a careless yawn"


Todo momento fossa exige uma música fossa. E o chororô de Lara pelo ex-namorado se encaixa perfeitamente neste clássica versão da década de 60 da balada "You've Changed". A voz de Sarah carrega um timbre poderoso, tristonho, que completa qualquer momento corno ruim da vida. Eu particularmente adoro a forma como a melodia embala o ouvinte junto com o sentimento da cantora, como se ela fosse uma atriz vocal, desabafando seus sentimentos no seu ouvido. Admito que esta trama da Lara no livro irrita um pouco, mas fazer o que, até as chatices tem que ter sua música.

5) When' You're Smiling - The Empire Girls (1930)



"Bump-ti-bumptun-tun-ti-pum-tun-tun-ton!"


Se você quer conhecer como é mesmo a tradicional dança do Charleston, vai se surpreender com este vídeo. Dançando a instrumental When You're Smiling, a equipe da The Empire Girls dá um show de dança que daria inveja aos melhores finalistas do So You Think You Can Dance! Junto com Happy Feet, é uma das músicas escolhidas diretamente dos twenties que eu mais relaciono ao livro.Porém, diferente de HF, eu parecia escutar When You're Smiling durante boa parte do livro justamente por ser mais focada na orquestra em si do que no cantor. Quase como uma "música-tema".

 6) Save the Last Dance For Me - Michael Bublé (2007) 


"And don't forget who's taking you home or in whose arms you're gonna be"


Irresistível. Eu poderia falar mil e uma coisas sobre esta escolha, mas sinceramente, é Michael Bublé e só. Esta uma daquelas músicas feitas para serem dançadas um dia, e principalmente, dançadas com alguém. Coladinho e com muita amor no coração (Err, sim, tá?). E, apesar de ter uma idéia parecida com a de Dance With Me Tonight, está aqui carrega um romantismo bem mais caliente (ui), logo, eu imaginei (Podem jogar pedras em mim, haters gonna hate!) ela especialmente para o momento entre a Sadie e o Eddie.


 7) I Wanna Be Loved By You - Helen Kane (1928) 


"I wanna be loved by you, just you, nobody else but you!"

Sim, é exatamente o que você está pensando: Quem está cantando é a Betty Boop! Ok, na verdade é a cantora/dubladora dela, Helen Kane, que também foi a grande inspiração visual para a criação do ícone dos anos 20 e 30. Quer dizer, a quem estamos enganando, compara só estes biquinhos: 

A música, I Wanna Be Loved By You é uma daquelas músicas fofinhas que completam a essência adociçada de "Menina de Vinte", sem contar que a Betty Boop é quase uma personificação de como Sadie deve ter sido em sua época: Uma garota espevitada, totalmente além da sua época. Por falar nisto, esta música foi regravada, anos depois, por nada mais nada menos que Marilyn Monroe. Sexy é pouco.

8) Creative - Leon Jackson (2008)  



"Everytime you're near... I get creative."


Outra música à la "dança de salão", mas com aquela pitadinha de romance provocante que desenha bem os traços dos primeiros momentos entre Lara e Eddie. Leon Jackson tem uma vibe Michael Bublé adorável, com a ótima adição de um vozeirão old school. Dá para acreditar que ele só tinha 19 anos na gravação deste clipe? Pois é. Creative tem a mesma pimentinha ponderada que Menina de Vinte esconde debaixo da manga - Nada muito pesado, mas ela está lá, na troca de olhares entre o casal principal. 

9) Love That Will Last - Renee Olstead (2004)  



"I don't do drama, my tears don't fall fast... I want a love that will last."

Escute. Sério, pare e escute a Renee. Sinceramente, eu gosto de TUDO nesta música A melodia suave, a voz sonhadora, a letra cheia de promessas de um amor que ainda nem existe... Se há uma música perfeita para o ato final do livro é A Love That Will Last. Muita gente conhece ela da trilha sonora de Princess Diaries 2 ou Ugly Betty, mas a que eu maior conexão que eu fiz, na minha cabeça, é na forma como Eddie vê Lara em sua cabeça. Algo que ele sempre quis, sem grandes complexidades, mas simplesmente perfeito para ele. Ela continua o tom alegre do filme sem cair num melosismo forçado - Ela tem o tom certo do livro. Nada muito dramático, nada muito manjado. Apenas suave. 


P.S: Eu espero que tenham gostado deste novo Especial. Acreditem, se tem algo que eu amo é música e livros (e filmes, e séries, e calaboca,Trinta!). Procurar encaixá-los um no outro sempre foi uma das minhas brincadeiras favoritas e divulgá-las para vocês deixa esse 30 até vermelhinho. Sinta-se à vontade pra criticar meu gosto musical - E fazer as suas próprias listas! Prometo que da próxima vez escolherei um livro um pouco mais conhecido.


P.S. II: Se você ficou curioso para saber o qual é a minha playlist para fazer playlists, imagine uma mistura de The Beach Boys ("Woooouldnt it be nice if we were older? Theeeen we wouldn't have to wait so loooong!") com a música tema de The Sims 2.


P.S III: Se você AMA flash mob como eu...







Outono de 1996, Inglaterra. Uma solteirona de meia idade ganha espaço nas prateleiras de várias livrarias britânicas no que seria a proposta de “uma Elizabeth Bennet dos anos 90” em formato de diário. Pretensioso demais? É, talvez a capa não grite “revolucionário”. Porém, as confissões constrangedoras de Bridget Jones sobre sua luta contra a balança, a vida amorosa inexistente e as relações ariscas com os familiares atingiram a autoestima de inúmeras mulheres inglesas (e logo depois, do mundo inteiro) em um processo de identificação com o personagem tão espetacular que lhe concedeu o prêmio de British Book of the Year (“O livro do ano da Inglaterra”) dois anos depois de ser lançado. Helen Fielding, em uma conferência na Oxford Union em 2009, afirmou que a sua ideia principal era ridicularizar as mulheres obcecadas por um padrão de beleza utópico e muitas vezes inalcançáveis, causa pela qual costumam, muitas vezes, correr atrás de livros de autoajuda e dietas milagrosas.



“É uma doença moderna. Percebi isso me atingir quando ia para sessões de fotos e depois olhava as capas de revistas comigo completamente modificada e pensava: Quem dera que eu fosse assim. (...) Mesmo que eu tenha negado tantas vezes que eu era a Bridget... Eu realmente era.”
                                                                                                                             
                                                                        Helen Fielding





O retrato de uma geração crescente de mulheres inseguras e solitárias instigou um novo mercado de consumidoras nada convencionais: As encalhadas. Por mais frio que isso possa soar, o grupo de cat ladies (termo americano para as solteironas de meia idade) popularizado em uma época pós-feminismo dos anos 60 se tornou, praticamente, uma casta social da atualidade. E a literatura, como qualquer outro tipo de produto nos dias de hoje, acompanhou – e influenciou – a formação desse cenário com o fenômeno do Chicklit.

Desconhece o termo? Vamos logo direto ao ponto: Chicklit, do inglês “literatura para garotas”, abrange uma série de livros nos quais uma protagonista do sexo feminino vivencia inúmeras situações típicas do complexo universo da mulher moderna. Muitas pessoas acreditam que o romanceé a principal característica do gênero, mas não – Família, amizade, dinheiro, trabalho, sexo e drogas estão constantemente presentes dentro da lista de temáticas possíveis de se encontrar em seu conteúdo. Depois do sucesso do livro Bridget Jones, a década de 90 presenciou uma verdadeira enxurrada de títulos parecidos com a obra de Fielding, como o posterior sucesso de Melancia de Marian Keyes (1995), a boca suja de Sex and the city de Carrie Bradshaw (1997) e os cartões de créditos estourados de Os Delírios de Consumo de Becky Bloom da Sophie Kinsella (2000), autoras que até hoje fazem sucesso no grupo da velha guarda chickliteira.

Foi nas mãos da dona do gato de um olho só mais famoso do mundo que a transição do chicklit para o território adolescente foi feita, e não demorou muito até o nome de Meg Cabot ficar conhecido por trazer Mia Thermópolis ao mundo dos livros. O Diário da Princesa (2000) apresentou aquela garota insegura que já conhecemos, porém, inserida em um contexto teen repleto de mean girls (as “líderes de torcida antipáticas”) do ensino médio, puberdade e aquele amor platônico comum da adolescência. O livro entretanto, insere um elemento interessante a trama – A quebra do enredo rotineiro. Em The Princess Diaries,Mia descobre que é a herdeira do trono de Genovia, e  através dos ensinamentos de sua avó, ela deve se desligar da vida de uma adolescente comum para se transformar em uma verdadeira princesa.

“Eu fui inspirada a escrever O Diário da Princesa quando minha mãe, depois da morte do meu pai, começou a namorar um dos meus professores, assim como a mãe de Mia fez no livro! Eu sempre tive uma “coisa” por princesas (meus pais costumavam brincar que, quando eu era pequena, eu dizia que meus “verdadeiros” pais eram um rei e uma rainha, e que era melhor eles me tratarem MUITO bem!), então eu coloquei uma princesa no livro só para testar... E VOILÀ! O Diário da Princesa nasceu.”
                                                                                                                                                                     
                                                                                        Meg Cabot




A história de Mia deu para as garotas adolescentes do começo dos anos 2000 uma “melhor amiga” destrambelhada e cheia de problemas tão parecidos quanto os dela, com a adição do velho sonho americano: “Coisas incríveis podem acontecer com qualquer um”. Garotas podem sonhar? Meg Cabot presenteou cada menina com a capacidade de ver sua própria vida através de um diálogo interno cheio de humor, transformando o desespero de garotas nerds e tímidas em características de uma possível heróina, algo que até o momento, não se via representado nem em filmes da Disney. A partir daí, vários títulos seguiram a linha no mercado teen, em títulos como A Irmandade das Calças Viajantes de Ann Brashares (2001) e Gossip Girl (2002) de Cecily Von Ziegesar


Os anos passaram, autores se consagraram e o universo feminino entrou em um processo de estagnação. Tudo parecia normal até uma das maiores reviravoltas na ideologia chicklit mudar completamente a literatura adolescente: Chegamos na época Crepúsculo, a galinha dos ovos de ouro de Stephenie Meyer. 



Em 2005, Stephenie Meyer publicou pela primeira vez o primeiro livro da saga Twilight, um romance sobrenatural sobre o amor de uma garota humana e um vampiro de quase  104 anos de idade. O livro, descrito pelos críticos como “um romance obscuro que contamina até a alma” é aclamado pela “forma como captura perfeitamente a tensão sexual e a alienação dos adolescentes”. Mas a sua fama alcançou as grandes massas quando em 2008 a adaptação cinematográfica do livro veio à tona pelas mãos de Catharine Hardwicke, o que foi responsável por arrecadar mais de 392 milhões de dólares ao redor do mundo. O sucesso garantiu uma nova vertente dentro dos patamares chickliteiros – O desejo pelo diferente, sombrio, novo e surreal.


"Eu não escrevi esses livros especificamente para o público jovem. Eu os escrevi para mim. Eu não sei por que eles os separam tanto por idades, mas eu acho confortante que várias mulheres de trinta e tantos anos com filhos, como eu, respondam tão bem por essa série – Então não é só por eu ter uma garota de quinze anos dentro de mim!"
                                                                                                                                        
                                                                          Stephenie Meyer






Sucesso é algo que não pode ser contestado. Entretanto, o que dizer sobre a experiência de conhecer Bella Swan? Lembro-me bem de ter comprado o primeiro livro perto do filme ser lançado, quando o modismo dava seus primeiros passos. O que constatei no estilo de Meyer escapou completamente do que eu esperava. Em uma mistura de literatura de banca com resquícios de tudo que Anne Rice não usaria,  Meyer proclamou uma história de amor fadada ao melosismo - Fato que pelo qual um amplo grupo de feministas odeiam a autora, principalmente pela insustentável dependência de Bella por um vampiro, no retrato de uma "relação abusiva". Meyer jogou a posição da garota anos luz para trás, tirando os seus trejeitos de uma mulher racional e a transformando quase em um objeto sub humano. Críticas as quais eu não posso fazer nada a não ser balançar a cabeça em concordância. 

A ideologia de Meyer espalhou uma onda de livros sobre vampiros, lobisomens, anjos, imortais, zumbis e curupiras (?). O mercado de chicklits saturou as estantes com obras como Sussurro (2009)de Becca Fitzpatrick, Para Sempre (2009) de Alyson Noël, House of Night (2007) de P.C Cast e Kristin Cast entre tantos outros trabalhos que seguiram essa nova tendência. As livrarias nunca estiveram tão recheadas de histórias sobre girl meets vampire, anjos que reencarnam até reencontrar o amor da sua vida, lobisomens selvagens lutando por meninas indefesas etc.

A garota moderna não deve mais ser a menina dos holofotes, uma Miss Simpatia de cabelos loiros e com o título de representante de classe. Não há mais tanto bláblábláde popularidade, principalmente porque ninguém mais quer ser aquela que é padrão para todo mundo e com uma coleção completa de roupas de marca da estação. Estamos nos tempos da menina indieenvolvida com política, com um guarda-roupa de camisa flanelada, fã de rock alternativo e dona de um tumblr sofisticado. Estamos vivendo o momento de se expressar.Ser diferente é ser normal em 2012. O círculo vicioso continua e tudo que vemos é o quanto, no final das contas, fugir do padrão virou um padrão e mesmo que as maquiagens básicas tenham atacado o lápis gótico, a verdade é que isso não tornou nada mais inovador... Apenas trocou de naipe. O chicklit conta a história da garota de hoje, tanto quanto contou a de ontem e irá, um dia, se transformar na do futuro. Independente do orgulho dos conservadores, do preconceito pelo modismo, da razão de Sookie Stackhouse ou a sensibilidade de Becky Bloom... Um livro começa pela persuasão de suas palavras.

Esse post é uma homenagem as alfinetadas de uma mulher que tornou tudo isso possível.
Jane Austen 
1775 - 1817