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Como uma criança fascinada por poções polissuco e pedras do sol, muito me assustava o constante desinteresse que sentia quando o assunto era fantasia nos últimos anos. Abdiquei quase que completamente da literatura fantástica, e se pudesse contar o número de livros do gênero que li de 2010 para cá, talvez não chegue nem a todos os dedos de uma mão. Antes que me repreenda com um "E Game of Thrones?", vou logo levantando um escudo - Ainda não estou na vibe (ok, eu vi as duas temporadas da série da HBO e não, não me empolgou a pegar nos livros). Mas felizmente, como o meu interesse por terror sempre foi acima do normal, dei uma pesquisadinha e encontrei um subgênero que me apeteceu logo de cara: Dark Fantasy. E é com Necrópolis, um universo sobrenatural repleto de misticismo, que o paulista Douglas MCT conseguiu renascer uma esperança dentro de mim.

O amor fraterno é algo imensurável. Isso ficou claro para Verne Vipero quando o primeiro instinto que sentiu ao perder o seu irmão mais novo, Victor, foi o de encontrar alguma forma de trazê-lo de volta a vida. Apesar do seu ceticismo, Verne descobre que há uma forma de burlar o ciclo natural da existência, e para isso, terá que partir em uma jornada para Necrópolis, um dos dois mundos que integra Moabite, o sétmo entre os oito Círculos do Universo. Entretanto, mal ele sabe que a sua viagem desencadeará uma sequência de fatos irreversíveis que afetará tanto a vida na Terra quanto a sobrevida no Submundo Necropoliano. 

Como o primeiro livro de uma série, A Fronteira das Almas consegue em poucas páginas (o livro possui 293 páginas, contando com um extenso glossário, agradecimentos e um epílogo da sequência!) apresentar um universo que me deixou bobo. Falo isso porque o autor criou uma mitologia própria riquíssima, com todo o direito do superlativo, que engloba fantasmas, zumbis, lycans, vampiros, duendes, anões, fadas e milhares de outras criaturas mágicas que poderiam facilmente causar um samba de criolo doido, mas, choquem-se, funciona. Acho que o maior problema que vinha tendo com qualquer título de fantasia era a mistureba desconexa que todas pareciam ter; como um liquidificador de mitologias que apenas "grudava" as espécies em uma história qualquer. Em Necrópolis, raras foram  as vezes que eu não vi a química entre os personagens e só por isso, eu já abri um sorriso no rosto.

Além disso, acompanhar a trajetória de Verne não é nem um pouco enfadonho, graças ao incrível talento que o autor tem em tecer os pontos-chave da história, explicando a passagem de Verne para Necrópolis e seu encontro com Simas, Karolina, Ícaro e os vários outros personagens no trajeto de sua aventura sempre dando um ~gostinho de novidade~ para o leitor. Sério, foram tantos lugares, inimigos e acontecimentos novos que eu AINDA estou impressionado que o livro seja tão curto.  Praticamente a cada capítulo o protagonista está em um cenário diferente ou a narrativa muda para outro espaço temporal da história e isso ajuda bastante em nos deixar submersos na obra. Não vou dizer que isso não tenha tidos seus momentos perigosos, (sempre tem aqueles núcleos de personagem que você não se importa tanto quanto os outros - Cof cof capítulos centrados no Simas cof cof) mas, honestamente, achei um ponto positivo para a trama.

No entanto, como nem tudo é perfeito, achei alguns desfechos da narrativa muito "convenientes",  por assim dizer. Não sei se comprei todas as pessoas que apareceram no caminho de Verne tãããããão propensas a ajudá-lo em sua missão - Quase como se o personagem carregasse um nível de carisma a lá Miss Universo (e diga-se de passagem, ele não carrega.). Se levarmos em conta o perigo absurdo que esta viagem representava, achei até absurdo a devoção que alguns personagens colocavam no protagonista, principalmente por este ser, teoricamente, um completo estranho para eles. Para completar, achei Verne um personagem muito limitado, e eu odeio quando os personagens secundários parecem ter uma profundidade muito maior que o protagonista. Cito aqui o próprio Simas,  que apesar de não ser o meu favorito (Karolina <3), conseguiu me convencer muito mais em seus capítulos próprios do que Verne no livro inteiro.

Mas, honestamente, eu poderia até ser mais chato com estes detalhes, mas dessa vez, digo que dá pra deixar tudo isso passar. Necrópolis é redondo, uma experiência maravilhosa que até conseguiu me deixar com medo em alguns trechos (A própria introdução é um bom exemplo disso.) Deixo aqui para vocês o book trailer para conhecerem melhor essa obra que, sinceramente? Não deve nada para qualquer livro estrangeiro de fantasia.

P.S: Eu encontrei alguns errinhos de digitação, fica aí uma recomendação para a editora: Revisão, já!

P.S²: Eu quero ler o segundo livro! Nem acredito que tô falando isso, mas estou E-M-P-O-L-G-A-D-O! 

P.S³: Para quem acha que livro nacional de fantasia nunca é bonitinho, Necrópolis tem ATÉ mapinha ilustrado, tá, meu bem?
 
Havia comentado há algumas semanas atrás no post da Bienal do Livro que consegui o meu primeiro autógrafo ~estrangeiro~ com ninguém menos do que Emilly Giffin. Para quem não conhece, Emily é a autora dos bestsellers americanos Ame o Que é Seu e O Noivo da Minha Melhor Amiga, esse último adaptado para os cinemas em 2010. Como nunca havia pegado nenhum de seus romances, optei por comprar no evento o último lançado aqui no Brasil - Baby Proof, traduzido para Uma Prova de Amor (Sem comentários) - pois era a obra que Emily veio promover na visita. Me pergunto se essa foi a melhor forma de conhecê-la...

Em Uma Prova de Amor, somos apresentados a Claudia Parr, uma editora de livros nova-iorquina muito bem casada e sem filhos. Mas não, ela não "decidiu esperar". Claudia Parr NÃO quer ter filhos por livre e espontânea vontade. Quando conheceu Ben em um encontros às escuras, mal imaginava ela que encontraria o homem de sua vida. Ben era carinhoso, bonito, engraçado e, como se não fosse o suficiente, compartilhava da mesma filosofia no assunto "bebê" - Motivo que deu o empurrãozinho final para Cláudia decidir juntar os trapos sem nem pestanejar. No entanto, os anos passam e o inesperado acontece: Ben muda de ideia. E como em todo casamento perfeito, uma simples mudança pode colocar tudo a perder.

Exposta a sinopse, fica mais fácil explicar o que me desagradou nessa escolha. Uma Prova de Amor entrega, da sinopse até a introdução, passando pelo desenvolvimento dos personagens e chegando nas últimas páginas, uma ideia de fórmula pronta. Talvez eu esteja sendo duro demais com a autora, mas senti durante boa parte da leitura, uma sensação de que o livro tinha um prazo para entregar; como se o manuscrito precisasse ser finalizado o mais rápido possível e por isso, não houvesse tempo para emperequetar muito o fio narrativo. Era tanto lugar comum junto - personagens-padrão, expressões clichês, diálogos vazios, situações típicas - em um tema que por si próprio já é saturado ao extremo no mercado literário ("Ter filhos ou não?" ZZZZZZZZZ) que eu cheguei ao ponto de ler o livro no automático. E eu detesto quando isso acontece.

Ok, deixa eu explicitar melhor essa ideia. Ler no automático, na minha concepção, é aquele estado em que não estamos lendo um livro pelo prazer da história; seja por criar uma emoção ou por um beliscão de curiosidade no âmago do peito. É uma leitura sem cor, em que zapeamos pela linhas das páginas depressa, sem se se preocupar com as descrições ou com o alívio estético de cada capítulo. É um livro feito puramente para distrair, sem nem se importar em deixar uma marca no leitor. Como uma música pop entupida de filters e dubstep; um filme blockbuster de Hollywood de roteiro questionável; um comercial colorido e bonito de cerveja. Baby Proof não é mal-escrito nem nos faz de idiota; é apenas desnecessário. E talvez não haja coisa pior para um livro do que nos deixar... Indiferente.

Por isso, penso que essa obra não foi a melhor decisão que poderia tomar para conhecer a autora. O drama de Claudia é até palpável, cheio de reviravoltas e com o desenvolvimento bem elencadinho; mas o que importa uma boa técnica sem a desenvoltura de uma história saborosa? Provavelmente deveria ter partido para os seus maiores sucessos neste primeiro momento (a trilogia Something Borrowed) que, provavelmente, exigiram um pouco mais de Emily para agraciar sua base de fãs com um obra divertida e gostosa; como os chicklits devem ser. E não se enganem - Isso não é uma crítica ao gênero. Eu AMO comédias românticas, com todo o seu açúcar e utopia. Vejo nelas uma necessidade no mundo, que às vezes é realista demais e precisa da suavidade de um bom romcom. Mas até os romances precisam de seu carisma, e isso, infelizmente, dessa vez me passou despercebido.

Desculpe, Emily, não foi dessa vez. Mas talvez eu ainda leia O Noivo da Minha Melhor Amiga.


O hype diz tudo. Gillian Flynn conseguiu conquistar o mundo inteiro com o suspense arrebatador presente em Garota Exemplar. Atualmente, é quase impossível entrar em uma livraria e não encontrar ao menos uma pilha de seus livros na prateleira dos mais vendidos. Como adoramos ficar atentos ao que está acontecendo no mundo da literatura, a nossa equipe correu para encontrar uma boa entrevista com a autora americana pela web e, felizmente, conseguimos traduzir essa matéria super divertida feita pelo Entertainment Weekly. Dá para acreditar que por trás de tanto talento existe uma autora tão simpática?

(Nota: A matéria foi publicada originalmente no dia 26 de junho de 2012. Favor se atentar aos lapsos de tempo)
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Com o seu último romance Garota Exemplar, Gillian Flynn  - uma antiga crítica de TV da EW e autora das obras Sharp Objects e Dark Places - escreveu o livro do verão. Ontem, Amazon nomeou Garota Exemplar o melhor livro de 2012 até então, e no mês passado, a EW preveu que esse seria o trabalho que a levaria ao estrelato. Flynn conversou comigo sobre o processo de ideias que rolou por trás de seu perturbador thriller psicológico. (Alerta de Spoiler: Nenhum grande segredo é revelado aqui, mas é melhor saber o menos possível sobre o Garota Exemplar antes de ter a chance de lê-lo). 

ENTERTAINMENT WEEKLY: Como você criou a premissa de Garota Exemplar?
GILLIAN FLYNN: Eu queria escrever sobre casamento. Nos meus dois primeiros livros, meu protagonistas eram solteiros quase ao ponto de não terem ligação com ninguém no mundo. Eu queria explorar o completo oposto disso - quando você se une a outra pessoa para sempre, e o que acontece quando tudo começa a dar errado. Durante o livro, eu brinco com a ideia de cortejar alguém como se fosse um jogo de trapaça. Você quer que a pessoa goste de você, logo você nunca irá mostrar para ela os seus piores defeitos antes de ser tarde demais. 

EW: O romance é uma mistura de gêneros: É parte drama doméstico, parte thriller policial.
GF: Você está certo. Não há nenhum cadáver ou mortes em abundância. O suspense vem a partir deste casal,  Nick e Amy, e de tentar descobrir quem é que está falando a verdade. É um cabo-de-guerra de "ele disse, ela disse".

EW: O livro também parece com um daqueles casos misteriosos que passam no Dateline. 
GF: Eu sou aficionada por crimes verídicos. Não é algo que eu particularmente me orgulhe, mas eu não consigo evitar. Você assiste um desses shows como qualquer outra pessoa. Uma esposa desaparece; você assume que o culpado é o marido. Para mim, essa era uma ideia realmente interessante.  

EW: Você se baseou em algum caso real para criar a história de Garota Exemplar?
GF: Eu definitivamente não queria fazer nada específico. Alguns podem fazer referência ao caso de Scott e Lacey Peterson - eles eram com certeza um casal bonito. Mas eles sempre são casais bonitos. Esse é o motivo deles acabarem passando na TV. Você não vê normalmente pessoas que são incrivelmente feias que desapareceram e que viraram uma sensação na mídia. Pode ser qualquer caso deste tipo, mas isso era o que chamava a minha atenção: a seleção e a montagem de uma tragédia. De certa forma, eu construí essa ideia ao contrário no livro: O que vai dar o ânimo para deixar a mídia mais interessada e o que vai deixar a história mais crível para que a imprensa desça o verbo sobre?

EW: Seus personagens são tão espertos! Eles sabem exatamente aonde a mídia irá se prender.
GF: Eles são espertos! Todos nós somos bem espertinhos. Esse é um outro tema que eu estava interessada em brincar no livro: a ideia de que é difícil para qualquer pessoa afirmar que não sabe como essas coisas funcionam (a mídia), porque nós estamos tão imersos nesse mundo, na internet, na TV e nos filmes. Não há mais novas histórias. Eu sinto como se nós estivéssemos caminhando para um lugar onde tudo ricocheteia de outra coisa, despertando uma memória, uma referência ou um pensamento já visto. Isso acabaria chegando ao ponto de eu ter conversas com amigos que dizem "Essa não é uma história que alguém me contou, ou um livro que eu já li ou talvez algo que vi em um programa de TV?" e aí você perderia 10 minutos tentando entender porque vocês dois tem essa mesma sensação, até se lembrar que isso veio de um velho episódio de Cheers ou algo louco do tipo; e isso fica gravado na sua cabeça.

EW: Parte da diversão encontrada em Garota Exemplar está na hora de escolher um lado. Team Amy ou Team Nick?
 GF: Exatamente! A todo momento, a perspectiva de quem eu estava escrevendo era o lado o qual eu estava apoiando. Claro que eu fazia isso sem entregar muito da trama - Afinal, nenhum deles fazia a coisa certa o tempo todo. *risos* Ao mesmo tempo, os dois começaram de um ponto em que pensavam ter encontrado a alma gêmea de suas vidas. Eu não consigo imaginar nada mais devastador do que descobrir, lentamente, ao passar do tempo, o quão errado você estava sobre alguém.

EW: Como você tem visto as reações dos seus leitores e leitoras quanto ao casamento de Nick e Amy?
GF: Vários dos meus amigos homens se identificam com o sentimento de "não importa o que você faça, não será bom o suficiente" - a ideia de ser sempre visto como o palerma da relação matrimonial. Isso parece ser um ponto que os atingem. Já para as mulheres, o sentimento de sempre ter de estar no controle de tudo é algo que as incomodam. Alguns homens acham que Amy é a melhor e pensam que ela está completamente no seu direito de fazer o que quiser, e eles até o teriam feito também. É engraçado descobrir aquilo que chama a atenção das pessoas.

EW: O que o seu marido achou do livro?
GF: Primeiro ele me comprou flores. "Está tudo bem, querida?" *risos* Não, não, ele estava empolgado com tudo, não quis que eu mudasse nada por sua causa.

EW: Nunca foi estranho se aprofundar na vida de um casal tão dark e depois ter que voltar para a sua própria na hora do jantar?
GF: Eu costumava escrever algumas cenas no meu escritório no porão enquanto escutava meu marido no andar de cima. Aí eu falava para mim mesma "Deixa disso, Flynn. Mantenha a loucura no andar de baixo." Eu deveria fazer uma camiseta com isso.

EW: Você costumava escrever sobre cultura pop. Quais filmes você estava pensando enquanto escrevia o romance?
GF: É uma peça que virou um filme, mas com certeza "Quem tem Medo de Virginia Woolf?". Os diálogos são tão bons. Além desse, também tem "A Guerra das Rosas", que é uma das melhores comédias de humor negro de todas. Eu fui ver de novo e fiquei muito feliz por ainda continuar tão louca, triste e hilária quanto eu me lembro.

EW: Há alguma música que te inspirou para a história?
GF: Isto vai soar muito estranho, mas existe esta velha balada sobre assassinato que às vezes é chamada de "Rose Connelly" e às vezes de "Down in the Willow Garden" que eu sempre pensei que fosse o tema solitário que embala o livro. Ela é cantada por um homem que fala sobre matar a sua namorada grávida. É um belo, elegante e lúgubre tipo de música que eu conseguiria ver Amy dramatizando sobre, escutando enquanto escrevia em seu diário e se divertindo com a tragédia da coisa.

EW: Como você se sente quanto a Amy Adams interpretar a personagem Libby do seu último trabalho, Dark Places?
GF: Eu não conseguiria sonhar com alguém mais fantástico. Nós já temos um diretor oficial, Gilles Paquet-Brenner, e ele está realmente se dedicando no filme. Eu li o roteiro e está maravilhoso. Trabalhei na EW porque eu amo filmes, TV e livros, então para mim, ter um dos meus livros adaptado em um filme é uma das coisas mais legais.

EW: Eu conversei com a Patricia Cornwell uma vez sobre essa mudança do gênero criminal de algo puramente procedural para algo mais trabalhado no desenvolvimento do personagem, que é um  dos foco principais do seu trabalho. Você também percebe essa mudança? 
GF: Sim, eu não sei bem o porquê disto acontecer, mas eu acho que as pessoas são atraídas pelo desenvolvimento dos personagens se esses estão presos em um mistério. Acho que é uma boa forma de contar uma história e eu acho que cada vez mais os bons autores tem se interessado por esse tipo de narrativa. Para mim, tudo começou com Sobre Meninos e Lobos e Dennis Lehane. Eu lembro de ter o lido quando eu ainda trabalhava na EW e escrevia Sharp Objects. Li o livro em uma noite, tinha que ir trabalhar no dia seguinte e eu ainda estava completamente obcecado com ele, refletindo sobre sua trama e eu pensei: "É assim que eu tenho que contar esta história." Foi dessa maneira que decidi escrever Sharp Objects. Ele foi uma grande influência. Eu acho que escritores de mistério e de suspense - seja lá qual é o gênero que você queira chamar isso - estão pegando os maiores e mais interessantes tipos de problemas socioeconômicos e utilizando-os das formas mais interessantes e atraentes.
 
Entrevista com Gillian Flynn, a autora de Garota Exemplar é uma tradução exclusiva do Escolhendo Livros 












Boa noite, gente bonita!

Dessa vez eu não demorei a voltar, conforme prometido (não me lembro se prometi isso). A vida tá mais sossegada agora, mas neste momento estou caindo de sono pois estou trocando o dia pela noite e vice-versa, portanto meus horários estão alternados. Agora é hora de eu estar dormindo, por exemplo, mas estou aqui e é tudo bem. Enfim. Como vocês estão? Bem, eu espero. Eu também estou bem, obrigado e hoje o post é 2 em 1 e é polêmico, mais do que mamilos. Sigam-me os bons.


Primeiro, eu gostaria de fazer uma ressalva: esse pessoal que ganha a vida com o YouTube tem que ganhar dinheiro mesmo (embora aqui no Brasil existam poucas pessoas que fazem isso). O post de hoje é um mix de Vamos falar sobre Literatura + vlog, que eu comecei a gravar ontem por volta das 11h da manhã e fui concluir por volta das 18h da tarde/noite, isso sem contar nas horas extras que eu gastei tentando tirar a cor de terracota que o media player estava deixando a minha cara — até que descobri que o problema era o player, não o vídeo. E dá muito trabalho. Mesmo. Mas valeu a pena.

Hoje eu falo sobre um tema que muito me ~agrada~: Literatura gay. Na verdade eu não falo sobre Literatura gay abrangentemente, mas comento uns pontos que me fazem refletir. Isso se dá, inclusive, por esse assunto não ser tão comum na sociedade. Vê-se muita ficção, fantasia, romances-fantasia, romances-vampirescos-lobisomescos, romances água com açúcar, auto ajuda, romances de banca de jornal (♥♥♥♥) e por aí vai, mas muito pouco se fala sobre ou se veem romances homossexuais nas livrarias. Eu, particularmente, nunca vi. Aliás, minto: vi um, uma vez, PUTS! ESQUECI DE FALAR SOBRE ELE NO VÍDEO!!!!!!........ Mas tudo bem. É um romance gay, mas não se enquadra no perfil das histórias que eu analisei porque aborda um outro viés da questão. Bom. Existe, também, o fato de que muito pouco se escreve sobre esse assunto. Eu devo conhecer três ou quatro autores de romances gays, sendo que, destes, sei que escreveram só um ou outro romance; não foram autores de bibliografia extensa a esse respeito. Não sei se é porque não existem assim tantos autores gueis (mentira, existem sim) ou se é porque o Brasil ainda não está culturalmente preparado pra ter esse tipo de Literatura exposta nas vitrines das livrarias, ou se em países estrangeiros também é assim... Não sei o que se passa.


Por outro lado, percebo que existe muito homoerotismo enrustido ou referências homossexuais dentro de personagens em histórias mais famosas, como O Retrato de Dorian Gray, por exemplo. Ou O Grande Gatsby, ou Sonho de uma Noite de Verão (tem um personagem (não lembro o nome) que, puts, muito viadão). Mas é tudo muito velado... Não entendo. E também não sei por que estou levantando essas questões aqui, já que o post não é nem sobre isso, não é meishmo? Vamos ao vídeo então. Depois que assistirem, voltem aqui que tenho umas considerações finais. AH! Detalhes importantes: gravei o vídeo com a minha oebe cam, que é o único recurso de que eu disponho, e isso justifica a qualidade medíocre do vídeo (embora eu tenha jogado duas toneladas de efeitos pra ficar menos pior) e eu não estou 100% certo de que a minha cara cor-de-terracota foi consertada, mas eu tentei até a exaustão ontem. Se tiver dado certo, ótimo!, senão, tá justificado. Aperta o play! 




E é isso, gente. Se você não assistiu o vídeo pelo YouTube, aqui estão os links que eu citei:

Um Estranho Dentro de Mim (para comprar) - clique aqui

O Terceiro Travesseiro (para comprar) - clique aqui

Brokeback Mountain (texto original) - clique aqui para ler (Inglês)

O Segundo Travesseiro (texto online) - clique aqui

O Preço de Ser Diferente (livro que eu citei por último, mas não apareceu no vídeo) - clique aqui

North Bound (meu livro, para comprar) - clique aqui

Meu blog - clique aqui

Todos esses livros podem ser encontrados sem muita dificuldade na Internet, mas, ainda assim, acho justo divulgar o link pra venda, afinal os autores merecem ter seus trabalhos valorizados. Caso algum dos autores citados neste post venha a lê-lo e sentir que teve seus direitos autorais violados de alguma forma, por favor, entrem em contato conosco!

Tenham vocês uma linda noite e a gente se fala em breve. Beijinho




Os conservadores podem até me linchar por dizer uma coisa dessa, mas acho fenomenal a utilização da gíria piriguete hoje em dia. Depois de anos sendo uma denominação estritamente popular - mais visível nas músicas de forró e no boca-a-boca da periferia - hoje, ser uma mulher "saidinha" é carregar uma grande conflito social nas costas. Falo aqui desta "nova" briga entre os que acreditam que as piriguetes são um fruto da degradação feminina e aqueles que levantam a bandeira da libertação sexual (A Marcha das Vadias que o diga). Aí eu penso: Quantas mulheres da história não gostariam de dar um pitaco sobre o assunto agora? Princesa Diana, Joana D'Arc, Isabel do Brasil... E a Emma Bovary, minha gente, porque se enfiarmos literatura no meio, esta aí ia jogar muita lenha na fogueira.

O casamento (fail) de Charles e Emma Bovary. 
Quando Gustave Flaubert escreveu Madame Bovary em 1856, Paris virou de cabeça para baixo com tamanha audácia. O choque veio devido a natureza questionável da heroína, que fugia completamente do esteriótipo impecável que as mocinhas deveriam ter. Emma era uma mulher romântica que se acomodou com o primeiro rapaz que lhe fez corte; Charles Bovary, um médico bondoso, mas intelectualmente limitado e de gênio fraco. Com o passar dos anos, Emma se vê entediada com a rotina, uma insatisfação tão grande que facilmente se transforma em ódio e raiva. Para ela, Charles é o culpado por afastá-la da felicidade de encontrar o homem viril e galanteador que tanto sonhava. É só somar um mais um para entender aonde essa história vai parar e principalmente, o motivo de tanto burburinho na França do séc. XIX.

Flaubert foi tão criticado pela obra que chegou a ir a julgamento, acusado de ofender à moral e à religião. Surpreendentemente, foi declarado inocente de todas as acusações, soltando uma de suas frases mais famosas no meio do tribunal: "Madame Bovary c'est moi!" ("Madame Bovary sou eu!", em francês). Lendo o livro hoje, dá pra entender muito bem o quão corajoso o autor foi ao mandar uma obra dessas para a publicação. Madame Bovary é a primeira piriguete da literatura realista.

Sou bem sincero: Eu me acabei de rir com as desculpas dramáticas que Emma Bovary dava para minimizar os seus ~desejos internos de liberar geral~. Boa parte do livro, a heroína sofre entre a pressão de ser a esposa dedicada de um chato de galochas e a vontade de fugir com o seu amante da vez (Sim, da vez). O autor é severo em suas descrições, sabendo exatamente como desenhar cada personagem, desde as belas qualidades até os piores defeitos; fazendo jus ao cargo de precursor do realismo. Tiro por exemplo o personagem de Charles, que foi tão bem elaborado, que consegui imaginá-lo na minha cabeça como se fosse um parente de família (aquele chato que nunca fala nada nos encontros de domingo na casa da vovó). 

Muitos podem jogar a culpa toda pra cima de Emma, mas a berlinda do livro também pertence ao Senhor Bovary. Não dá para ignorar o quanto Emma foi obrigada a se casar sim, não tanto por uma força física e representativa, mas sim psicológica. A realidade da época estava incrustada na cabeça de todas as mulheres; Emma sabia desde menina o quanto uma mulher devia se casar cedo, sob risco de ter o seu nome correndo nas ruas. Não existia amor sincero ali, mas a obrigação de cumprir um objetivo de vida, tanto da parte de Emma - ser a parte submissa de uma família - quanto da de Charles - se apossar de uma esposa. Por mais que fique claro no livro que Charles realmente ama a mulher, esta paixão não é nutrida pela pessoa que Emma é, mas sim pelo que ela aparenta ser, ou melhor, o que ela representa para o status quo de Charles.

A obra é impecável ao construir uma crítica social madura sobre o papel social da mulher na sociedade e por mais que eu tenha ficado um pouco enojado com a Emma em algumas partes (Queridinha, você não é Jesus Cristo crucificado!), é compreensível entender os infortúnios de sua vida. Madame Bovary ainda consegue ser uma personagem atual, o retrato da piriguete incubada, que hoje teria a chance de deixar a sua insatisfação de lado e viver a vida intensamente. Mas não é que isso da corda para uma boa readaptação da obra?


Cá estamos nós com mais um pouco de Laísa Couto, queridos leitores! Hoje temos o grand finale da série O Encontro, que vocês conheceram no finalzinho de julho. Mas podem ter certeza que muitas surpresas da nossa autora ainda estão por vir. Logo nós traremos uma nova saga aqui no Escolhendo Livros.

Se você ainda não leu a primeira parte, clique aqui. 


Encontro
                                                                       por Laísa Couto

Eu funguei, mas não consegui evitar que uma lágrima teimosa caísse, levando outras tantas consigo.

         - Não sei se posso... Se consigo – digo eu, entre os soluços. - Parece tudo grande demais e que eu nunca vou alcançar! - completei, revoltada comigo mesma.

          - Não, não chore, menina! - disse Zagut oferecendo-me um lenço. - As suas lágrimas são tesouros preciosos e não deve desperdiçá-las dessa maneira. Lembra-se do que eu disse no começo? Nunca achei que tivesse medo – repetiu o mago. - E continuo a ter essa certeza, sei que não tem medo  do inusitado, do surreal, mas sinto que uma pontinha de receio ainda a assombra. Eu queria muito que meus conhecimentos mágicos pudessem afugentar esse sentimento, mas fazer isso só pioraria as coisas. Não quero lhe trazer uma falsa alegria... Não fui criado pela sua imaginação para isso, você bem o sabe, minha cara. Bem o sabe.

         Eu enxuguei meu rosto e percebi o sorriso afável de Zagut. Aquilo me aquecera de forma misteriosa. Eu sorri de volta, sem força, mas sorri. Lembrei de quando duas pequenas crianças encontraram o mago pela primeira vez, elas morrendo de medo... Zagut conseguia isso quando queria, porém eu sabia que a maldade não fazia parte da personalidade dele. De repente, como se uma bola de neve tivesse caído sobre minha cabeça e me despertado, dei um salto guardando o caderninho no bolso da jaqueta jeans.

           - Ai, já está tarde! Preciso ir, Zagut!

       - Ora, você não pode sair por aí agora! - repreendeu Zagut levantando-se com auxílio do cajado. - A mata d'Os Vales Adormecidos é perigosa durante o dia e ainda mais durante a noite! Não a deixarei padecer adormecida entre as árvores sinistras desta velha floresta que nos rodeia. Até parece que se esqueceu dos perigos que sua imaginação fértil criou!- terminou ele, rindo nervosamente.

        Eu dei um sorriso amarelo.

        - O que devo fazer, então? - perguntei.

       - Pode passar a noite aqui. Amanhã tomarei providências seguras para que amanheça em casa. - Ele foi até um armário, que até então eu não tinha notado pois estava escondido atrás de livros que se equilibravam fragilmente uns sobre os outros e trouxe-me uma coberta, já um tanto gasta e mal cheirosa pelo desuso. Mesmo assim eu agradeci, pois o frio estava de congelar. - Me desculpe, mas terá que passar a noite aqui na minha sala, ou então os duendes fariam alarde pelas Três Torres sobre sua presença, o que seria desagradável.

      - Eu entendo, Zagut, não tem problema. – eu disse, abrindo o cobertor e atirando-me na poltrona mais próxima da lareira.

    - Eu não irei embora. Tenho coisas a fazer, muito trabalho – e mirou a mesa cheia de pergaminhos. - Qualquer coisa, é só me chamar. Tenha uma boa noite, querida. - despediu-se o mago.

       - Obrigada. Você também, Zagut.”

      Eu adormeci em instantes, um fato inusitado para quem tinha noites insones, ou dormia na companhia de sonhos desagradáveis. Eu esperei nunca ter que acordar, o sono estava satisfatoriamente bom e ele não merecia ter fim. Mergulhei pelos mundos mais distantes, empurrada por um fluxo constante de um torpor. Senti-me desvanecer dentro de um vácuo, como se meu corpo sólido se tornasse tão fluídico a ponto de se desmanchar, era uma sensação estranha essa, a alma ganhando liberdade por uma noite.

      Foi um momento breve e longo, a urgência pedia passagem e a paciência a sufocava. Senti o desespero me abater, não conseguia encontrar o caminho de volta. Procurei uma saída na inexistência, o tempo estava acabando e se eu não conseguisse encontrar o caminho certo ficaria perdida alí para sempre – entre os sonhos. Então, num repente, um vácuo abriu sob meus pés e eu fui sugada por ele – sem ar, sem vida, apenas escuridão, e um grito – o meu.

         Acordei ofegante, a cabeça rodopiava e quando finalmente parou, percebi que estava no meu quarto, na primeira manhã do ano. Eu sabia disso porque continuava a chover lá fora. De súbito, toda uma alegria misteriosa sumiu, deixando um vazio estranho. Meu olhar arrastou-se pelos móveis, nada surpreso pela imagem familiar e comum da rotina. Então meu olhar estacou sobre o criado-mudo. Haviam uns livros que eu estava lendo pela segunda vez, uma caixinha de madeira, folhas de papel e um caderninho. Prontamente o abri esperando sei lá o que, talvez os números da mega-sena. No entanto, vi algumas palavras escritas aleatoriamente como “O mistério tem vida própria”, “As notas melodiosas do seu coração”, “Vontade e coragem”, “Agora não é mais pela dor"... Eu me perguntei quando eu havia anotado aquelas coisas, então me lembrei de uma coisa, tomando-me de total excitação – havia esquecido minha caneta em Lagoena!

Fim.




Foto: Nikos Lima
Promessa é dívida. É com orgulho no peito e saudades na alma que eu lhes apresento a cobertura oficial do EL na Bienal do Livro 2013 no Rio de Janeiro, um pedacinho da experiência (e do sufoco) que tive no terceiro dia do evento. Não vou mentir; nem tudo foram rosas. Por mais que este seja o meu debut na Bienal, tentei não me cegar aos problemas - fator típico de toda "primeira vez" -  para que pudesse escrever um post sincero e verídico. Mas não fique aí pensando que eu vou ficar criticando deus e o mundo não! Uma coisa que não deveria ser surpresa para ninguém, mas que vou reforçar aqui é o quanto tudo vale a pena no final. Pois por trás de toda a correria, há uma sensação acalentadora de que estamos vivendo algo único e inesquecível.

No dia 31 de agosto, mais precisamente às 9h30 da manhã, cheguei no Rio Centro com a alma lavada. Digo isso porque eu e os amigos que me acompanhavam conseguimos não pegar tanto engarrafamento no caminho para o local e tudo indicava que não iríamos pegar filas demasiadamente assustadoras. Afinal, havíamos chegado cedo; o pessoal que já estivesse ali provavelmente estava vindo na mesma maré que a nossa. Até mesmo quando saltamos do taxí e olhamos para os ônibus escolares entupidos de gente no estacionamento, pensei "Hey, lá dentro deve estar vazio ainda."

Que fique como um lembrete para próximas vezes: Ah, como você é inocente, Trinta.


Foto: Nikos Lima
A entrada direta para o pavilhão laranja estava praticamente cuspindo gente para fora, uma bagunça visual claustrofóbica. Eram famílias com carrinhos de compra para um lado, encontro de blogueiras pro outro e muita gente (como sempre) se aproveitando das filas desorganizadas.

Imagem meramente ilustrativa, qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência. Ou não.
Quanto a isso, deixe-me explicar o problema: Cada guichê dava para uma fila teoricamente única, que serpenteava em várias curvas para caber dentro do salão de entrada. Porém, perto do balcão de ingressos, haviam barras de ferro montadas com o intuito de arrumar o povo horizontalmente aos guichês, para que os seguranças designassem as pessoas uma a uma em direção aos atendentes livres - Tipo uma fila de banco. Sabe o que isso significa? Que a estratégia do começo da fila não foi a mesma do final. A técnica utilizada só mostrou o despreparo da equipe, pois as filas iam se condensando a medida que o povo se aproximava dos guichês de atendimento, misturando todo mundo em interseções apertadas, com direito a muito calor, cotoveladas e empurrões. Durante mais de uma 45/60 minutos, passamos um aperreio digno de Rock in Rio e eu, honestamente, concordo com o que o meu namorado disse: "Os organizadores do evento ainda veem a Bienal como aquela de 15 anos atrás, quando o número de visitantes era muito menor." Uma conclusão direta e precisa.

Assim que finalmente entrei no Pavilhão Laranja, senti o leitor dentro de mim dar cambalhotas de alegria. Quase todos os stands faziam promoções, disponibilizavam bottoms e marcadores de texto. Logo de cara peguei uns muito bonitinhos de uma editora infanto-juvenil, incluindo um da Brinque-Book. Perto de uma propaganda enorme da Globo, uma moça estava disponibilizando jornalzinhos com o mapa e eu não fui burro de deixar isso passar despercebido: Nele, ficava claro que boa parte das grandes editoras de ficção - Intrínseca, Rocco, Arqueiro, Novo Conceito etc - estavam no Pavilhão Azul, o que significa que o Trinta já tinha um objetivo. Passeei rapidamente pelo Laranja e descobri que ele era voltado em geral para crianças de 1 a 8 anos, com promoções de cinco a dez reais em livros dobráveis e coloridos (Esses livros sempre costumam ser muito caros em livrarias, acreditem no meu deslumbre!). Minha amiga comprou vários para os seus alunos e disse que eram livros realmente bons (Ela é professora de maternal).

A diferença clara que você tem quando passa do Pavilhão Laranja para o Pavilhão Azul é visível, ou melhor, audível, pela quantidade de garotas histéricas por metro quadrado. Caso não saibam, no auditório Rachel de Queiroz aconteceria um encontro de fãs com o autor Nicholas Sparks, o queridinho das adolescentes. Particularmente, eu não sou fã de seus livros (Já li Querido John e A Última Música, e apesar do segundo ser tragável, já entendi a fórmula do xarope de ouro do sujeito) mas queria ver a palestra inicial porque não dá pra negar que o sujeito é um grande nome da literatura mundial. Sou do partido que toda experiência gera conhecimento e não me faria mal ir lá bater o cartão, né? Pois é. Agora vamos voltar para o lembrete inicial...

Ah, como você é inocente, Trinta.

A fila estava dando VOLTAS no pavilhão, as garotas estavam gritando "COMEÇA, COMEÇA!" a cada rangido da porta e ainda faltavam horas pro indíviduo chegar para a palestra. A mesma amiga que comprou os livros infantis foi para lá com o namorado (Corajoso o menino) e disse que estava impossível de esperar ali e acabaram desistindo de participar do programa. Não que eu exatamente culpe os fãs (eu faria a mesma coisa pela J.K Rowling e a Lionel Shriver, por exemplo), mas eu fique triste pela mãe de uma amiga que veio com a gente - uma senhora já idosa que é fã assídua do Sparks - não conseguir entrar na fila. Não dava para correr o risco. Mas felizmente eu e ela tivemos uma recompensa muito legal quando entramos na Editora Nova Conceito ainda vazia. Já já eu explico.

Foto: Nikos Lima
Como vocês podem ver aí em cima, esse é o stand que eu mais gostei da Bienal no quesito estética. Ficou realmente bem elaborada a fachada de livros, por mais que nenhum dos títulos escolhidos seja do meu gosto (Mas eu entendi que eles queriam enaltecer os últimos lançamentos do mês). Por sorte, assim que entrei com a mãe da minha amiga, nós dois conseguimos uma senha para a fila de autógrafos com a Emily Giffin, uma autora que eu só conhecia por ser a dona da série Something Borrowed, que deu origem para um filme de 2011 com a Kate Hudson e a Ginnifer Goodwin (A Branca de Neve de Once Upon a Time!). A equipe da editora é muito simpática, exalando um carinho pelo seu trabalho visível desde o jeito educado de lidar com os fãs até a forma como arrumavam o stand. E foi bem aí que a Bienal sofreu um dos seus maiores problemas do dia: Durante várias horas, o Pavilhão Azul ficou com problemas no sistema de cartão de crédito e débito local e as únicas compras aceitas eram em dinheiro vivo. Muita gente, incluindo o meu grupo, passou sufoco nessa hora - Até porque, eu já estava na fila para comprar o Uma Prova de Amor da Emily Giffin.

Obviamente eu comprei um livro da dita cuja para não pagar o mico de ir pedir autógrafo sem nada para ela assinar. Quando nós voltamos quase no fim do dia para pegar o autógrafo (Meu número era 385), ela já estava MORTA de cansada e tudo que consegui falar na hora era "I'm so excited to get to know your work" (Estou muito empolgado para conhecer o seu trabalho em inglês). Ela respondeu com um "Thank You" super alheio de quem estava pedindo arrêgo a horas e eu acabei ficando com um pouco de peninha. Se um dia eu ficar famoso, tenho medo de como deve ser aguentar horas de assina, foto, assina, foto. 


Foto: Nikos Lima
Além disso, um grande destaque da Bienal foi o trono do Game of Thrones montado pela Editora LeYa. Adorei a forma de divulgação e acredito que muita gente se sentiu ao tirar fotinhas ~poderosas~ no tronão.

Oi.
Outro momento foto que tive foi com o Wimpy Kid do "Diário de um Banana", que rebolava para as fotos mais que uma tchuchuca do Funk. Achei-o super animado e quase não consegui segurar o riso para a câmera. Palmas para a Editora Vergara & Riba!


Pensando um pouco agora, ele parece com o filho do Slender.

Para que eu não precise detalhar cada stand que eu visitei pela Bienal, fica aqui as comprinhas que eu fiz no evento:

1) Necrópolis, do brasileiro Douglas MCT. Editora Gutenberg - Comprei no stand aonde a Paula Pimenta, autora do Minha Vida Fora de Série, estava fazendo sessão de autógrafos. Ela parecia uma fofa e estava falando para Deus e o mundo que o seu novo vício era a série Divergente! Será que ela já sabe sobre o filme?
2) Cidade Mágica, Drew Lerman. Editora Bertrand Brasil. - Fui capturado pelo "Quem leu O Apanhador no Campo de Centeio vai gostar desse livro". O Stand da Editora tava muito bom também, com uma variedade interessante de títulos. Meu namorado comprou o livro do Starcraft (Ele só lê coisa de videogame, praticamente) e acredito ter sido o stand que ele mais se divertiu, com exceção dos stands de HQs (Comix, Panini e Devir).
3) Death Note, Black Edition Vol.1, Tsugumi Ohba. Editora JBC. - O Stand que comprei mais quadrinhos foi na Comix que estava LO-TA-DO de gente. Sempre quis dar uma chance pra DH e acredito que essa edição nova, mais bonitinha, me ajudou bastante a criar coragem para voltar a ler mangá. P.S: Eu terminei o volumão antes mesmo de voltar de viagem, tão bom que a história era. Recomendo!
4) Estado de Graça, Ann Patchett, Editora Intrínseca. - Tava apenas dez reais na Intrínseca, então decidi dar uma chance. O livro narra a história de uma médica que viaja para a Amazônia Brasileira a procura da casca de uma planta que pode resolver o problema de fertilidade feminina em todo o mundo e, aparentemente, a autora ganhou o Prêmio Orange pela obra.                                                                                   5) O Jogo do Exterminador, Orson Scott Card. Editora Devir. Esse livro é um clássico da ficção científica RARÍSSIMO de encontrar. Encontrei  uma edição no stand da Devir, quase chorando de emoção. Para quem não sabe, no final do ano ele virará filme com o Harrison Ford e a Abigail Breslin.                                                                                     6) Dupla Falta, Lionel Shriver. Editora Intrínseca. Finalmente vou ler mais um livro da minha autora preferida! E é claro que eu comprei também...                                               7) Tempo é Dinheiro, Lionel Shriver. Editora Intrínseca.  Que é o que eu acho que vou mais gostar simplesmente pelo tema polêmico: Saúde Pública. Já consigo até imaginar o quanto a língua ferina da Lionel vai atacar.
Gostaram do post? Pois eu adorei escrevê-lo, principalmente para relembrar o quanto eu me diverti e sonhei ali dentro. Se você foi na Bienal do Livro, não deixe de comentar um pouco de como foi participar do evento! Queremos ouvir a sua opinião também.

Até a próxima, leitores! ;)