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Por mais jovem que eu ainda seja, a vida já me pregou algumas peças colossais; artimanhas maldosas que, honestamente, não sei até hoje como consegui superar. Quando recebi pelo correio Perspicácia, enviado para mim pelo próprio autor Marco Antonio Rodrigues, acabei me sentindo um pouco nostálgico quanto a essas dores do passado. Não esperava que fosse encontrar uma obra tão completa sobre as diversas fases da vida. Mas como nunca fui de abandonar o barco por causa de previsão de tempo, larguei de manha e me prestei a ler pelo menos um texto por dia, em uma espécie de maratona perspicaz. E hoje, posso dizer que cheguei na linha de chegada com o orgulho de um vencedor.


O livro é composto por uma seleção de crônicas inteligentes e divertidas, abordando assuntos recorrentes no nosso dia-a-dia como a insatisfação inconstante do homem, as escolhas que somos submetidos, o companheirismo dos cães, o amor das mães e até o dom de envelhecer o corpo sem corroer a alma. Cada texto nos entrega uma reflexão diferente, sempre finalizando com uma palavra-chave que resume exatamente a ideia da crônica: "Aceite-se", "Aventure-se". "Usufrua." Pessoalmente, me deliciei bastante com o estilo de escrita do autor, sempre tendo insights interessantes sobre o mundo ao nosso redor. Acredito que Perspicácia carregue uma parcela de pessoalidade bem grande - Como se na verdade suas crônicas fossem pedaços de uma narrativa alinear da história de Marco Antonio Rodrigues. Não é à toa que dizem que uma obra de arte é, nada mais nada menos, o retrato de um artista. 
 
"Todos, sem exceção, estamos fadados a crescer. E,  mesmo que você não queira, terá que se despedir da infância, depois da adolescência. Mais adiante, a juventude acenará com a mãozinha dando tchau e lhe apresentará a maturidade que anda de mãos dadas com a velhice, a qual, por sua vez denota o término"
                                                                                       (Texto "Embarque e Desembarque", pág. 65) 
 

 O trecho acima faz parte da minha crônica favorita do livro, Embarque e Desembarque. Nela, o autor compara a vida a uma viagem de ônibus, onde as pessoas desembarcam nos bairros da adolescência, da juventude, da maturidade e da velhice até chegar a linha final. Curiosamente, os questionamentos dos passageiros dentro da condução se assemelham aqueles que fazemos constantemente a nós mesmos, dúvidas que mordem nossa sanidade todo dia e permanecem sem respostas até a morte. Para não dar mais detalhes, adianto que o final soltou um sorriso do meu rosto tão espontâneo que eu tenho certeza que foi um dos motivos do livro me ganhar de imediato.
 
Autoavaliar-se com honestidade ainda é tarefa difícil para muitos, mas analisar o outro é comum, fácil e, em alguns casos, até um hábito pernicioso. Por que então não extrair algo positivo dessa conduta equivocada? Por que não aquilatar-me, avaliando com honestidade a conduta das pessoas com quem tenho estreita convivência, a energia dos ambientes que frequento. Eles refletem meus gostos, minha personalidade, o que me atrai. É como se eu estivesse analisando a mim mesmo.

 
(Texto "Afinidades", pág.135)
 
Como se me enviar o livro não fosse o suficiente, fecho esse post mostrando um pouquinho do carinho do autor com seus leitores. Olha só que legal o autógrafo que ele fez para mim:

 
 
Veja também o Book Trailer de Perspicácia!
 

                                                                                                                     


Leitores do meu coração, nós do Escolhendo Livros fomos convidados pela Thalita do blog Fantasiando com os Livros para conceder uma pequena coletiva de imprensa exclusiva. E como encontramos uma brecha na nossa agendinha, decidimos aceitar esta proposta tão acalentadora.
Ok, gente, é só mais uma tag fun-fun-fun pro EL participar, ok? A gente é desocupado mesmo. ):

Regras:
1. Escrever 11 coisas aleatórias sobre mim.  
2. Falar de quem recebeu. 
3. Responder as 11 perguntas enviadas e repassar outras 11 perguntas. 
4. Avisar os blogs "tagueados". 
5. Não enviar a TAG de volta.

Para não deixar o nosso post enorme demais (Somos uma equipe de quatro membros, né?), decidimos pular o primeiro item e partir direto para as perguntas. :D

As perguntas enviadas para nós foram:

1. Com que idade você começou a se interessar por leitura? 
Trinta: Se contar gibi como leitura, seis anos. Mais com oito eu já me lembro de ler alguns livros com mais de 100 páginas...
Patrícia: Seis? Provavelmente Seis.
Natan: Quatorze anos.
Julio: Pelos cinco, quando aprendi a ler.
Laísa: Talvez 9, 10 anos mas tive fases anteriores.

2. Qual o seu personagem de livro preferido? 
Trinta: Mudo constantemente... O último que não sai da minha cabeça é o Lawrence de O Mundo Pós-Aniversário. Já citei ele por aqui.
Patrícia: Não sei, muitos personagens mesmo. Jude Fawley em Judas O obscuro, provavelmente.
Natan: Modéstia à parte, um personagem que eu mesmo criei, do meu segundo livro.
Julio: Bilbo.
Laísa: Aslan. 

3. Na sua opinião, qual é o livro que TODAS as pessoas do mundo deveriam ler? 
Trinta: Precisamos Falar Sobre o Kevin. Eu pago pau demais pra Lionel Shriver pra não citar ele. E honestamente, é o tipo de romance que todo mundo precisa ter uma opinião sobre.
Patrícia: Harry Potter, sim eu sempre vou ter doze anos mentalmente e achar que esse é o livro da vida de todo mundo.
Natan: Aqueles livros de banca de jornal com nome de mulher (Trinta seconds that).
Julio: A Menina que Roubava Livros.
Laísa: A Descoberta do Mundo - Clarice Lispector.

4. Qual é o seu lugar preferido para ler? 
 Trinta: Cama. Adoro uma preguiça.
Patrícia:
 Em frente a uma lareira com uma árvore de natal do lado? sentado do lado de uma janela com chuva? meu ponto é: sempre pode ter um lugar melhor pra ler do que o lugar onde você se encontra, o livro bom é aquele que você lê independente do lugar. 
Natan: 
Minha cama.
Julio: Cama.
Laisa: Rede

5. Que lugar fictício de livro você gostaria de conhecer?
Trinta: Hogwarts. Mais precisamente o Salão Comunal da Corvinal!
Patrícia: Hogwarts.
Natan: Hogwarts.
Julio: Terra Média.
Laísa: Nárnia. 
 6. Você prefere ler o livro antes do filme ou o contrário?
 Trinta: Gosto de ler o material original primeiro (Seja ele o livro ou o filme). Porém, não é sempre que estou com força de espírito pra seguir isso ao pé da letra, né? xD
Patrícia: Se o livro parecer interessante, livro antes do filme. Se o livro não parecer, filme antes e aí quem sabe dar uma chance pro livro (quem sabe).

Natan: O Contrário.
Julio: Ler antes.
Laísa: Tanto faz.
7. Por qual personagem de livro você é apaixonado (a)?
Trinta: Lawrence, de O Mundo Pós-Aniversário, Heathcliff de O Morro dos Ventos Uivantes e Luna Lovegood, Harry Potter.
Patrícia:  Não sei, mas eu tenho uma coisa meio maternal com a Molly Moon, do tipo que eu quero adotar ela, eu sempre quis mesmo quando a gente tinha a mesma idade.
Natan: O mesmo da resposta 2 HAHA
Julio: Robert Langdon.
Laísa: Não me apaixonei por nenhum ainda rs
8.  Quem é o seu(ua) autor(a) favorito(a)?
Trinta: Lionel Shriver, JK Rowling e John Green.
Patrícia:  Douglas Adams e J.K. Rowling, empatados em categorias diferentes. Thomas Hardy por causa de um livro.
Natan: Stella Carr (RIP)
Julio: Tolkien.
Laísa: Só pode um? Tolkien.
9. Você julga o livro pela capa?
Trinta: Depende do dia, hora, estado de humor e nível de fome. Mas sinceramente? Julgo sim. Mas leio mesmo que o livro tenha uma capa bizarra (Livro com a capa feia chama atenção!).
Patrícia: Julgo a editora que faz a capa, não o livro. Capa ruim não me impede de continuar a história, capa boa me faz pegar um livro que eu talvez ignorasse.
Natan: Às vezes né.
Julio: Sempre. Embora acredito que mais pelo título.
Laísa: Dificilmente.
10. Que personagem de livro você gostaria de ser?
Trinta: Suzanna, A Mediadora. :3
Patrícia: Não sei, eu teria que pensar, posso voltar nisso depois?
Natan: Nunca pensei a respeito, eu acho...
Julio: Que personagem de livro você gostaria de ser?
Laísa: Galadriel, que ousadia hehe.
11. Qual o melhor livro que você já leu?
Trinta: Precisamos Falar Sobre o Kevin.
Patrícia: Impossível responder sem ter que voltar aqui pra editar toda semana (e o que eu faço se em 10 anos eu perder a senha?)
Natan: "À Procura do Encontro", de Cristine Baptista.
Julio: Qual o melhor livro que você já leu?
Laísa: Melhor livro? Falar só de um seria egoísmo. Voto na Trilogia O Senhor dos Anéis.

Nossas perguntas:

1) Se você fizesse parte de um livro, seria vilão, mocinho ou do elenco de apoio?
2) Qual autor famoso simplesmente nunca te convenceu?
3) Qual o seu maior sonho literário?
4) Você gosta de trocar livros?
5) Você compraria um livro usado? Se não, por quê?
6) Que livro você acha superestimado?
7) Alguém já te fez ler um livro que você nunca pensou que iria ler? Se sim, você gostou?
8) Para você, marcar livro com uma dobra na página é pecado ou necessidade?
9) Tem algum personagem de livro que já te tirou do sério?
10) Você já desejou não ter lido um livro? Se sim, qual?
11) Tem alguma mania de leitor?

Blogs Tagueados:

1) Babi Dewet
2) Epílogos e Finais
3) Escrev'Arte.

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7)  Livros & Bolinhos

Até a próxima, pessoal!
E então, Patrícia, o que você cresceu ouvindo que não era pra fazer mesmo? Ah é, não julgar o livro pela capa. E o que você faz? Você cria um quadro no seu site de livros só pra fazer isso.

Funciona assim: Cada um dos dois (Patrícia e Trinta) escolhe um livro que leu, mas sabe que o outro não leu (e nem faz ideia do que se trata). Trocamos as capas dos livros e, só com ela, tentamos adivinhar a sinopse. Depois do monte de achismos cômicos (porque é claro que vai ser), cada um escreve sobre o real conteúdo do livro que escolheu.

Livro que a Patrícia escolheu pro Trinta adivinhar:



Pela capa, o Trinta acha que a sinopse do livro é...
"Para receber o seu diploma de Literatura Inglesa na faculdade comunitária de Arizona Hills, Farah Denver precisa entregar um projeto de monografia o mais rápido possível. Apesar da ajuda de suas amigas Tracy e Lianne, Farah sempre acaba tendo ideias mirabolantes demais para cair nas graças de seu instrutor ranzinza, Mr.Wrinkles, um professor conservador que só aceita projetos com influências neoclassicistas. Mas é quando Farah sai de noite para uma breve caminhada que ela descobre na vitrine de uma doceria os cupcakes de morango que mudariam seu futuro. Para muitos (ou todos) aquilo não fazia nenhum sentido, mas para Farah, Morantologiaseria um novo conceito de estudo para a arte de estudar morangos e sua produção em massa para suprir o novo mercado de cupcakes hipsters. Será que nossa querida protagonista irá conseguir convencer a bancada de seus ideais... frutíferos?"
Patrícia falando sobre o que realmente é o livro:
Ideais frutíferos. Tá ai, por que não? Tanto livro de romance café com leite sendo escrito todos os dias, por que não um livro sobre ir estudar morangos do nada só pra passar num tcc? Aprovo altamente a utilidade dessa história no mercado atual que só sabe falar de cupcake, mas não sabe falar dos ingredientes que vão nele. (Tá achando que morango nasce em árvore?)

Quem aprovaria também é a jornalista feminista britânica Caitlin Moran, que certamente curte um cupcake (ou talvez doze). Ela de fato escreveu Moranthology, que não é sobre morangos, nem é um livro de ficção. (Mas deve ter algo sobre alguém chamado Mr.Wrinkles, isso eu não descarto em nenhum livro)

 Moranthology é uma compilação de artigos escritos por Moran no jornal britânico The Times ao longo de vários anos (ela incrivelmente escreve desde os 13, publicada). Os temas são: todos os assuntos possíveis. Tv, livros, cultura, filmes, feminismo, política, sua vida pessoal (dentre outras coisas, como foi crescer em uma família muito pobre vivendo de benefícios no conservador governo da Thatcher) e a vida de pessoas públicas (ela faz várias entrevistas, todas escritas de uma forma muito descritiva, calorosa, entusiasmada e poética como se fosse, de fato, um livro por si só).

A constante em todos os artigos são sempre as ideias feministas e o senso de humor, e o senso de humor de novo (porque é tanto humor que ocupa duas tags de descrição). É humor do tipo que se você pega, boa sorte. Porque eu, por exemplo, parava no meio do livro a cada meia hora porque meu maxilar doía e precisava repousar. Eu queria um Moranthology pra carregar por aí como um kit de primeiros socorros. Eu cheguei ao ponto de desejar muito uma assinatura online do The times, só pra poder ler os possíveis um milhão de artigos que ela já escreveu (Moran escreve por volta de um artigo por semana, desde 92. Façam as contas se você for o tipo de pessoa que liga).

Se assinar o jornal não é possível (cancelamentos são por telefone, e estranhamente meu bônus da vivo não cobre ligação pro Reino Unido), Moranthology surgiu pra salvar minha vida! (Não, mas quase)

Recomendo também o outro livro que ela escreveu, sobre feminismo, chamado How to be a woman (Como Ser Mulher - Um Divertido Manifesto Feminista, publicado no Brasil pela Editora Paralela). Se você sabe inglês, leia em inglês. Tenho minhas dúvidas se é um senso de humor que traduz bem, mas se não sabe, leia em português mesmo. Especialmente recomendado se você acha que o feminismo podia ser mais legal - amiga, não fica mais legal do que isso, pelo menos que eu saiba. Mais legal só se o livro viesse com um bolo atachado (de morango, talvez?).

Livro que o Trinta escolheu pra Patrícia adivinhar:

 Pela capa, a Patrícia acha que a sinopse do livro é...
O livro é um whodoneit! “Bee Belawa é uma detetive obrigada a se afastar do posto por estar com transtorno de estresse pós-traumático após um sequestro horrível que sofreu durante a resolução de um crime. Aconselhada a procurar outra ocupação, algo zen e sem estresse, Bee sente que perdeu a sua verdadeira função no mundo, até o dia em que se depara com um antigo livro de cultura de abelhas e produção de mel que pertencia a sua mãe (que a chamava de Abelinha quando Bee era criança). No começo, Bee percebe que possui um novo talento e simplesmente decide abrir uma loja natural de produtos de mel, mas ao progredir nas páginas do livro percebe que este é muito mais do que apenas um guia para fazer pão de mel... e sim um segredo de família. Bee descobre que abelhas são muito mais inteligentes do que ela imagina, e a detetive dentro de si começa a se manifestar novamente utilizando as abelhas para... resolver crimes! Afinal, quem melhor do que uma abelha para espiar o mundo do crime sem ser notada?”

Trinta falando sobre o que realmente é o livro:
Ok, Patrícia, parabéns. Você acaba de conseguir fazer a história original de Chris Cleave soar menos atrativa em comparação com esta relíquia que você criou em um parágrafo! Como não existe um whodoneit assim no mundo editorial? Primeiro que a história de uma detetive aposentada que vira dona de uma loja de mel e redinhas de capturar abelhas (Quero dizer, eu sou meio acéfalo quanto a equipamentos de abelhas) pre-ci-saser contada. Segundo que eu quero saber como as abelhas podem resolver casos. Talvez o termo “pessoa abelhuda” ganhe mais sentido depois de uma zapeada por esta versão alternativa de Pequena Abelha.

Mas se você quer saber, minha amiga escolhedora, a ideia de Chris Cleave ao pensar em uma capa para Little Bee sempre foi criar este mistério em torno do enredo. A sinopse disponível na contra-capa do romance propositalmente não fala nada sobre sua trama, obrigando o leitor a ler o livro sem nenhum preconceito ou expectativa. Na verdade, Pequena Abelha fala sobre duas mulheres  que tem suas vidas entrelaçadas: Sarah, uma jornalista britânica bem-sucedida e a Pequena Abelha, uma garota nigeriana que fugiu de seu país a procura de asilo político na Inglaterra. E como sou boa gente, pode ter certeza que não vou contar mais do que isso. Nunca li um livro tão amargo quanto Little Bee, principalmente por se tratar de uma crítica sócio-econômica tão interessante.

Em breve, mais livros na sessão Escolhendo Livros do jeito que você não deve!




 O The Elephant house, um café/restaurante confortável em Edimburgo, na Escócia, com suas paredes vermelhas e mobília com a temática de elefantes de madeira, tem uma história que todo fã dos livros mágicos da série Harry Potter conhece ou precisa conhecer.


 Foi lá que Jo Rowling escreveu boa parte dos livros da série (incluindo o primeiro, A pedra filosofal) enquanto sua filha dormia ao seu lado em um carrinho de bebês. O café pertence a um parente de Jo (o que era ótimo já que na época ela estava meio quebrada financeiramente e podia ficar escrevendo por horas sem precisar consumir muitas xícaras de café).

O castelo de Edimburgo, visto pela janela do The Elephant house.
Os anos passaram e o lugar ganhou reformas e virou um ponto turístico para fãs do livro ou qualquer pessoa que simplesmente procura um lugar confortável e legal pra comer (lá você encontra desde bolinhos e lanches quentes, até almoços completos e café da manhã típico britânico... e, é claro, café!)

Endereço:
21 George IV Bridge (street view abaixo)
Edinburgh EH1 1EN

Ver mapa maior

Uma entrevista com a J.K.Rowling feita no The Elephant House:
 

E um link para uma webcam do café que fica ligada o dia todo (e online) para assistir o que está acontecendo por lá.
Se um dia você for visitar, nos avise para checar você comprando um scone ;)

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Fonte: Gaming Talk
Os casos de Law & Order que me desculpem, mas no meu hall da fama dos advogados fictícios, é um rapaz de cabelo espetado e terninho azul frufru que sobe no primeiro lugar do pódio. Descrevo aqui Phoenix Wright, o charmoso protagonista da franquia japonesa Ace Attorney (Gyakuten Saiban 逆転裁判), um dos meus jogos favoritos dentre todos os consoles portáteis da Nintendo (Com títulos lançados no Game Boy Advance, Nintendo DS e, futuramente, no 3DS). Repleto de casos enigmáticos, twists excitantes e personagens MUITO, mas MUITO engraçados, Ace Attorney é a prova que até um videogame de jogos majoritariamente casuais pode ter surpresas para as mentes mais aguçadas. Pois é, minha gente, portátil da Nintendo já deixou de ser só para jogar Pokémon há muito tempo.

Phoenix Wright sendo lindo.
Fonte: Ace Attorney Wikia
Quando comecei a jogar Phoenix Wright: Ace Attorney, o primeiro título da série, lembro de achar o mote do jogo bem simples: O player assume o papel de um advogado de defesa iniciante que precisa inocentar os seus clientes e descobrir o verdadeiro culpado de cada um dos crimes que enfrenta nos tribunais. Para te ajudar durante o seu primeiro caso, você tem uma mentora, Mia Fey, a qual te guiará durante o processo, ensinando a pressionar as testemunhas, apresentar evidências e analisar as pistas. Logo em sua estréia como advogado, Phoenix Wright precisa defender seu melhor amigo do colégio, Larry Butz, um daqueles caras azarados que sempre leva a culpa das coisas (com razão às vezes). O imbecil... Quer dizer, réu é acusado de matar sua namorada, Cindy Stone, por teoricamente ter visitado o apartamento dela na exata hora do crime.
Porém, não é a aparente simplicidade que melhor caracteriza o game. A medida que vamos pegando a manha da jogabilidade, percebemos o quanto os quebra-cabeças propostos por cada caso são muito bem pensados, nos obrigando a sempre matutar uma solução das maneiras mais absurdas (ou às vezes, descaradas) possíveis. Mais do que isso: O criador da série, Shu Takami, conseguiu tornar um jogo de texto (a grosso modo, o jogador passa 99% do tempo apenas lendo textos e escolhendo as opções certas) uma experiência dinâmica e empolgante, o que sempre foi um desafio para os jogos do gênero.

Apontar um dos atalhos escolhidos para evitar este problema é fácil para qualquer fã da série: O roteiro impecável. O timing cômico de Takami é tão inteligente que não tem como não jogar Ace Attorney sem soltar uma risada aqui e ali, se apaixonando por cada um dos personagens sem fazer esforços. Seja o irônico Phoenix Wright, a fofa Maya Fey (irmã da Mia), o poderoso advogado de acusação Miles Edgeworth, o bobo detetive Gumshoe, as bizarras e incontáveis testemunhas ou até o próprio Juiz, que sempre solta umas sacadas clássicas. São tantos presentes para o nosso coraçãozinho de jogador que eu vos falo, com toda a sinceridade, que eu nunca joguei um título que me passasse tanto "calor humano". Sabe quando você sente que algo foi feito com carinho? Eu tenho plena certeza que Ace Attorney é a obra da vida de Takami.

Infelizmente, por não ser um jogo de muito apelo comercial (vai entender o porque das pessoas não gostarem de um material de qualidade como esse), o novo jogo da franquia feito para Nintendo 3DS não será disponibilizado fisicamente nos Estados Unidos e, muito menos, no Brasil. Eu até entendo que a nova onda de comprar jogos na nuvem ajude a não termos mais esse problema de distribuição. Mas admito que este seria um jogo que eu faria questão de ter na minha estante.

Para dar um gostinho desta delícia chamada Ace Attorney, preparei dois momentos bem engraçados e marcantes da saga. Um conjunto de gags que só um jogo desta série maravilhosa tem.




A promíscua  vendedora de marmitas (?) Angel Starr 
fonte: firetooth


 

Aquele momento que a sua estratégia de defesa é um tanto... Awkward.
Fonte: kimmygawa

Ainda está com dúvidas se deve jogar ou não? Vai logo baixar um emulador e um rom do jogo comprar um Nintendo DS e uma cópia do jogo, meu filho!






Admito: Faz tempo que eu não falo sobre um livro nacional por aqui. Poderia até listar alguns motivos tolos, mas a verdade é que eu ando sem tempo para ler.  Para remendar isso, trouxe hoje uma verdadeira relíquia da literatura contemporânea; um romance curto, gostoso e saudoso que tive o prazer de conhecer em minhas zapeadas pela internet. Os fãs do consolidado estilo literário "boy-meets-girl" podem até pensar que isso é fruto de Nicholas Sparks, mas sinceramente? É com a tempestuosa Lavínia que eu tive a certeza que uma pessoa realmente pode mudar a vida de alguém da água pro vinho e do vinho para o sangue. E tem gente que ainda chama isso de amor.

Sem mais delongas, apresento a vocês Cauby, um fotógrafo itinerante, cheio de experiências e aventuras para contar. Entretanto, Cauby nos revela que nenhuma de suas aventuras se compara as suas lembranças de Lavínia, a mulher de um pastor evangélico que conheceu em uma cidadela no interior do Pará. Lavínia é uma mulher ácida, quente, bipolar, complicada e irresistível, dona de um poder de atração que conquistou a luxúria de Cauby e desintegrou a fé do pastor Ernani. Aos poucos vamos conhecendo com mais profundidade o passado desses três personagens, em uma narrativa emotiva que facilmente consegue tirar algumas lágrimas dos olhos.

Digo isso porque não foi difícil para mim entender a paixão avassaladora de Cauby por Lavínia. Apesar de ser uma mulher de lua, Lavínia possui bons motivos para sua instabilidade. Muitas vezes, me perguntei durante o romance porque ela nunca parecia estar satisfeita, afinal, como um ex-garota de programa, Lavínia era agora mulher de um cara de posses, um homem bondoso que lhe daria até as estrelas se ela pedisse com jeitinho. Mas a verdade é que as coisas são sempre - seja na literatura ou na vida real - muito mais complicadas do que aparentam e o autor soube muito bem explicar esse velho mantra. Seja pelo olhos de Cauby por Lavínia, Lavínia pelo Pastor Ernani, Ernani por Lavínia ou Cauby por Ernani, não há dúvidas que o amor, às vezes, é inexplicável e doentio.

Ao lado dessa rede de intrigas, Marçal Aquino inseriu uma boa dose de personagens secundários interessantes, capazes de equilibrar a história com humor, drama e romance na medida certa. Um exemplo é o melhor amigo de Cauby, Viktor Laurence, um homem culto e dissimulado que inspira uma série de comentários cômicos do autor no meio da narrativa. A história de Seu Altino  e seu eterno amor platônico também nos absorve pra dentro do livro, principalmente pela sagacidade de Aquino em brincar com as palavras e metáforas (Será que dá para ser o amor da vida de um amor platônico?) E como se ainda não fosse o suficiente, Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios carrega um trunfo que eu, honestamente, não esperava: Os twists. O ritmo da narrativa é recheado de reviravoltas muito bem trabalhadas, uma característica que torna a leitura ainda mais voraz.

Para quem não sabe, o livro teve sim um filme produzido em 2011 - Uma adaptação que colocou Camila Pitanga como a sensual Lavínia (uma escolha, na minha opinião, sábia). Mas serei bem franco - Não ousem ver o filme primeiro que o livro. Boa parte da história foi cortada, como de costume, e a intensidade de Aquino, as minúcias amorosas tão bem contadas pelo escritor não foram ilustradas para as telonas do jeito que tanto mereciam. Normalmente eu evito fazer comparações tão drásticas, mas dessa vez eu preciso abrir um parênteses. Este livro se tornou, facilmente, o meu romance nacional favorito e é meu dever mostrar isso para vocês (Eita menino dramático, hein?). Sei que não são poucos que encontram dificuldade em acreditar na literatura nacional (O trauma dos "paradidáticos obrigatórios" do colegial realmente é forte, eu sei), porém alguns medos foram feitos para serem superados. A nova safra da literatura brasileira pode te surpreender. 




Boa tarde, gente bonita!

Como vão vocês? Bem, né? Eu também vou bem, obrigado, tirando o fato de estarmos todos endomingados neste maravilhoso dia das mães inclusive um dos mais belos já vistos nesta instituição o ´´escolhendo livros´´. Estou muito zoeiro hoje, vejam só. Brincadeiras à parte, hoje o Escolhendo Livros traz mais um top 10. Como estamos em pleno domingo das mães, é claro que esse top 10 só poderia ser sobre elas, né? As mamães mais queridas da literatura, só que ao contrário!


Todo mundo já leu aquele livro em que tem uma mãe filha da mãe, que no caso é a avó. Se não leu, pelo menos já ouviu falar, não é? É. E a tradução exclusiva de hoje traz dez dessas mães fofíssimas que mereciam uma surra de <insira aqui o objeto> bem no meio da fuça. Estão curiosos saber quem são as gatíssimas? Então vem com o tio Natan!

10. A mãe de Jeanette de Fruta Proibida, de Jeanette Winterson

A personagem principal é uma jovem chamada Jeanette, que é adotada em uma comunidade religiosa fundamentalista. Conforme Jeanette cresce, ela descobre que é lésbica e encontra amor e felicidade com outra garota do local. Quando sua mãe psicótica descobre, esta condena publicamente a garota na frente da igreja/cidade e procede amarrando a garota e tentando dois longos exorcismos: um através de 14 horas de espancamento e outro de 36 horas trancada em um salão sem comida.


9. Sarah de Criancinhas, de Tom Perrotta

Sarah se junta ao ranking da litania das mães da literatura que negligenciam seus filhos para se concentrarem na autogratificação de um caso amoroso. Embora não seja a única mãe da literatura a cometer esse pecado maternal que destacamos, só posso ter dez mães na lista.


8. Gertrude de Hamlet, de Shakespeare.

O fato de ela se casar com seu cunhado, que matou seu marido, é prova de que ela é biruta. Mas o que realmente torna Gertrude uma psicopata certificada é que, apesar de todo o adultério e assassinato, ela força a barra para mostrar compaixão a Hamlet, dando à criança um sério Complexo de Édipo.


7. Jocasta de Édipo Rei, de Sófocles.

Falando em Édipo... Todo mundo nessa história é babaca e egoísta demais para descrever e Jocasta não é exceção. Orgulhosa demais para matar um filho para proteger seu reino, estúpida demais para não dormir com alguém que tem metade de sua idade quando os deuses proclamaram que ela cometeria incesto, e desalmada o bastante para não perseguir quem matou seu marido. Ela e o resto da família são os instrumentos perfeitos para entreter os deuses gregos.


6. Sophia Portnoy de O Complexo de Portnoy, de Philip Roth

Alexander Portnoy é um neurótico descontrolado que, incapaz de apreciar o sexo, continua a procurar alívio nos mais bizarros e esdrúxulos atos. Para encontrar a raiz dos problemas de Alexander, não é necessário olhar muito além de sua mãe sufocante, provocadora, ranzinza, que jamais sequer deixaria que ele usasse o banheiro sem observar o que ele havia feito por lá.


5. A mãe/madrasta de João e Maria, dos Irmãos Grimm

Ela convence seu marido lenhador a deixar as crianças para a morte na floresta. As crianças mostram inteligência e esperteza para conseguirem voltar para casa quando a mulher faz o marido arrastar as crianças para ainda mais longe floresta adentro. Trabalho infantil teria até sido uma opção mais maternal, e era praticamente moda no século XIX. Abandonar = ser uma mãe má. Pelo menos ela acaba com isso no final.


4. Norma Bates de Psicose, de Robert Bloch

Enquanto a maioria de seu abuso emocional e de suas declamações sobre os males das mulheres e do sexo acontecem por detrás das cenas neste romance, os frutos assassinos emocionalmente aleijados de seu trabalho se tornam o centro das atenções. Norma Bates define o papel da mãe psicótica na ficção.


3. Margaret White de Carrie, de Stephen King

Mãe de Carrie White, Margaret era uma fanática religiosa que acreditava que praticamente tudo era pecado. Tornou-se física e emocionalmente abusiva à sua filha, em um esforço para fazê-la se adaptar ao seu estilo de vida devoto, normalmente trancando-a em um closet até que Carrie rezasse por perdão. Esse tipo de mãe faria qualquer um ter um ataque telecinético.


2. Petal de Chegadas e Partidas, de Annie Proulx

Ela abandona seu marido pouco depois que os pais dele cometem suicídio e foge
com seu amante, mas não antes de vender sua filha a uma agência de adoção do mercado negro... Sua única qualidade redentora era que ela morre em uma batida de carro logo no início da história.


1. Corinne Dollanganger de Flores no Sótão, de V. C. Andrews

Depois de se casar com o meio-irmão de seu pai, Corinne Dollanganger fica viúva e é forçada a voltar à sua família mal quista com seus quatro filhos. Sua mãe concorda em deixá-la voltar sob a condição de que Corinne esconda os filhos (ilegítimos) de Malcolm, seu marido e pai de Corinne, até que ele morra. Em vez de dar um jeito na situação, ela prende as crianças em um sótão por anos, onde eles geralmente são ignorados e se tornam desnutridos, desiludidos, incestuosos e desenvolvem todo tipo de anormalidade social no livro. Ah, sim, ela também tenta matá-los.


E a menção honrosa vai para Viviane Joan, de Os Divinos Segredos da Irmandade Ya-Ya, de Rebecca Wells

Vivane (Vivi) é uma mãe muito boa, mas a vaidade toma o melhor dela quando ela vê uma entrevista com sua filha (Siddalee) na revista Time, na qual Siddalle expressa sua opinião sobre uma infância infeliz. Vivi começa a agir como uma garota de quatro anos e perde o controle, declarando guerra contra sua filha, se recusando a conversar com ela e até tirar fotos de família... forma de engolir a história e controlar o ego da Vivi de família. Vivi entraria na lista exceto pelo fato de que, no final da história, tanto ela quanto a filha mais uma vez se olham olho no olho e Vivi se sente realmente culpado por ter se importado tanto. 

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Olha, eu graçaizadeus (como diria Inês Brasil) não tenho o que reclamar da minha mãe. Muito pelo contrário, tenho é que achar muito bom, pois sempre fomos muito amigos e ela sempre fez/faz o que pôde/pode para me ver bem, lindo e feliz. Não vou desejar um feliz dia das mães a ela por aqui porque já o fiz pessoalmente e porque ela não tem Facebook nem lê o blog pois mal sabe mexer no celular, quanto mais utilizar esta ferramenta o ´´pc´´. Maaaas, caso este lindo blog de família possua alguma leitora mamãe, eu e toda a equipe escolhendolivrense desejamos a vocês um


Tenham todos uma ótima semana e um feliz domingo de mães. Vemo-nos em breve. Beijo!



As piores mães da Literatura é uma tradução exclusiva do Escolhendo Livros deste artigo do BookFinder.com Journal