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Admito: Faz tempo que eu não falo sobre um livro nacional por aqui. Poderia até listar alguns motivos tolos, mas a verdade é que eu ando sem tempo para ler.  Para remendar isso, trouxe hoje uma verdadeira relíquia da literatura contemporânea; um romance curto, gostoso e saudoso que tive o prazer de conhecer em minhas zapeadas pela internet. Os fãs do consolidado estilo literário "boy-meets-girl" podem até pensar que isso é fruto de Nicholas Sparks, mas sinceramente? É com a tempestuosa Lavínia que eu tive a certeza que uma pessoa realmente pode mudar a vida de alguém da água pro vinho e do vinho para o sangue. E tem gente que ainda chama isso de amor.

Sem mais delongas, apresento a vocês Cauby, um fotógrafo itinerante, cheio de experiências e aventuras para contar. Entretanto, Cauby nos revela que nenhuma de suas aventuras se compara as suas lembranças de Lavínia, a mulher de um pastor evangélico que conheceu em uma cidadela no interior do Pará. Lavínia é uma mulher ácida, quente, bipolar, complicada e irresistível, dona de um poder de atração que conquistou a luxúria de Cauby e desintegrou a fé do pastor Ernani. Aos poucos vamos conhecendo com mais profundidade o passado desses três personagens, em uma narrativa emotiva que facilmente consegue tirar algumas lágrimas dos olhos.

Digo isso porque não foi difícil para mim entender a paixão avassaladora de Cauby por Lavínia. Apesar de ser uma mulher de lua, Lavínia possui bons motivos para sua instabilidade. Muitas vezes, me perguntei durante o romance porque ela nunca parecia estar satisfeita, afinal, como um ex-garota de programa, Lavínia era agora mulher de um cara de posses, um homem bondoso que lhe daria até as estrelas se ela pedisse com jeitinho. Mas a verdade é que as coisas são sempre - seja na literatura ou na vida real - muito mais complicadas do que aparentam e o autor soube muito bem explicar esse velho mantra. Seja pelo olhos de Cauby por Lavínia, Lavínia pelo Pastor Ernani, Ernani por Lavínia ou Cauby por Ernani, não há dúvidas que o amor, às vezes, é inexplicável e doentio.

Ao lado dessa rede de intrigas, Marçal Aquino inseriu uma boa dose de personagens secundários interessantes, capazes de equilibrar a história com humor, drama e romance na medida certa. Um exemplo é o melhor amigo de Cauby, Viktor Laurence, um homem culto e dissimulado que inspira uma série de comentários cômicos do autor no meio da narrativa. A história de Seu Altino  e seu eterno amor platônico também nos absorve pra dentro do livro, principalmente pela sagacidade de Aquino em brincar com as palavras e metáforas (Será que dá para ser o amor da vida de um amor platônico?) E como se ainda não fosse o suficiente, Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios carrega um trunfo que eu, honestamente, não esperava: Os twists. O ritmo da narrativa é recheado de reviravoltas muito bem trabalhadas, uma característica que torna a leitura ainda mais voraz.

Para quem não sabe, o livro teve sim um filme produzido em 2011 - Uma adaptação que colocou Camila Pitanga como a sensual Lavínia (uma escolha, na minha opinião, sábia). Mas serei bem franco - Não ousem ver o filme primeiro que o livro. Boa parte da história foi cortada, como de costume, e a intensidade de Aquino, as minúcias amorosas tão bem contadas pelo escritor não foram ilustradas para as telonas do jeito que tanto mereciam. Normalmente eu evito fazer comparações tão drásticas, mas dessa vez eu preciso abrir um parênteses. Este livro se tornou, facilmente, o meu romance nacional favorito e é meu dever mostrar isso para vocês (Eita menino dramático, hein?). Sei que não são poucos que encontram dificuldade em acreditar na literatura nacional (O trauma dos "paradidáticos obrigatórios" do colegial realmente é forte, eu sei), porém alguns medos foram feitos para serem superados. A nova safra da literatura brasileira pode te surpreender. 




Boa tarde, gente bonita!

Como vão vocês? Bem, né? Eu também vou bem, obrigado, tirando o fato de estarmos todos endomingados neste maravilhoso dia das mães inclusive um dos mais belos já vistos nesta instituição o ´´escolhendo livros´´. Estou muito zoeiro hoje, vejam só. Brincadeiras à parte, hoje o Escolhendo Livros traz mais um top 10. Como estamos em pleno domingo das mães, é claro que esse top 10 só poderia ser sobre elas, né? As mamães mais queridas da literatura, só que ao contrário!


Todo mundo já leu aquele livro em que tem uma mãe filha da mãe, que no caso é a avó. Se não leu, pelo menos já ouviu falar, não é? É. E a tradução exclusiva de hoje traz dez dessas mães fofíssimas que mereciam uma surra de <insira aqui o objeto> bem no meio da fuça. Estão curiosos saber quem são as gatíssimas? Então vem com o tio Natan!

10. A mãe de Jeanette de Fruta Proibida, de Jeanette Winterson

A personagem principal é uma jovem chamada Jeanette, que é adotada em uma comunidade religiosa fundamentalista. Conforme Jeanette cresce, ela descobre que é lésbica e encontra amor e felicidade com outra garota do local. Quando sua mãe psicótica descobre, esta condena publicamente a garota na frente da igreja/cidade e procede amarrando a garota e tentando dois longos exorcismos: um através de 14 horas de espancamento e outro de 36 horas trancada em um salão sem comida.


9. Sarah de Criancinhas, de Tom Perrotta

Sarah se junta ao ranking da litania das mães da literatura que negligenciam seus filhos para se concentrarem na autogratificação de um caso amoroso. Embora não seja a única mãe da literatura a cometer esse pecado maternal que destacamos, só posso ter dez mães na lista.


8. Gertrude de Hamlet, de Shakespeare.

O fato de ela se casar com seu cunhado, que matou seu marido, é prova de que ela é biruta. Mas o que realmente torna Gertrude uma psicopata certificada é que, apesar de todo o adultério e assassinato, ela força a barra para mostrar compaixão a Hamlet, dando à criança um sério Complexo de Édipo.


7. Jocasta de Édipo Rei, de Sófocles.

Falando em Édipo... Todo mundo nessa história é babaca e egoísta demais para descrever e Jocasta não é exceção. Orgulhosa demais para matar um filho para proteger seu reino, estúpida demais para não dormir com alguém que tem metade de sua idade quando os deuses proclamaram que ela cometeria incesto, e desalmada o bastante para não perseguir quem matou seu marido. Ela e o resto da família são os instrumentos perfeitos para entreter os deuses gregos.


6. Sophia Portnoy de O Complexo de Portnoy, de Philip Roth

Alexander Portnoy é um neurótico descontrolado que, incapaz de apreciar o sexo, continua a procurar alívio nos mais bizarros e esdrúxulos atos. Para encontrar a raiz dos problemas de Alexander, não é necessário olhar muito além de sua mãe sufocante, provocadora, ranzinza, que jamais sequer deixaria que ele usasse o banheiro sem observar o que ele havia feito por lá.


5. A mãe/madrasta de João e Maria, dos Irmãos Grimm

Ela convence seu marido lenhador a deixar as crianças para a morte na floresta. As crianças mostram inteligência e esperteza para conseguirem voltar para casa quando a mulher faz o marido arrastar as crianças para ainda mais longe floresta adentro. Trabalho infantil teria até sido uma opção mais maternal, e era praticamente moda no século XIX. Abandonar = ser uma mãe má. Pelo menos ela acaba com isso no final.


4. Norma Bates de Psicose, de Robert Bloch

Enquanto a maioria de seu abuso emocional e de suas declamações sobre os males das mulheres e do sexo acontecem por detrás das cenas neste romance, os frutos assassinos emocionalmente aleijados de seu trabalho se tornam o centro das atenções. Norma Bates define o papel da mãe psicótica na ficção.


3. Margaret White de Carrie, de Stephen King

Mãe de Carrie White, Margaret era uma fanática religiosa que acreditava que praticamente tudo era pecado. Tornou-se física e emocionalmente abusiva à sua filha, em um esforço para fazê-la se adaptar ao seu estilo de vida devoto, normalmente trancando-a em um closet até que Carrie rezasse por perdão. Esse tipo de mãe faria qualquer um ter um ataque telecinético.


2. Petal de Chegadas e Partidas, de Annie Proulx

Ela abandona seu marido pouco depois que os pais dele cometem suicídio e foge
com seu amante, mas não antes de vender sua filha a uma agência de adoção do mercado negro... Sua única qualidade redentora era que ela morre em uma batida de carro logo no início da história.


1. Corinne Dollanganger de Flores no Sótão, de V. C. Andrews

Depois de se casar com o meio-irmão de seu pai, Corinne Dollanganger fica viúva e é forçada a voltar à sua família mal quista com seus quatro filhos. Sua mãe concorda em deixá-la voltar sob a condição de que Corinne esconda os filhos (ilegítimos) de Malcolm, seu marido e pai de Corinne, até que ele morra. Em vez de dar um jeito na situação, ela prende as crianças em um sótão por anos, onde eles geralmente são ignorados e se tornam desnutridos, desiludidos, incestuosos e desenvolvem todo tipo de anormalidade social no livro. Ah, sim, ela também tenta matá-los.


E a menção honrosa vai para Viviane Joan, de Os Divinos Segredos da Irmandade Ya-Ya, de Rebecca Wells

Vivane (Vivi) é uma mãe muito boa, mas a vaidade toma o melhor dela quando ela vê uma entrevista com sua filha (Siddalee) na revista Time, na qual Siddalle expressa sua opinião sobre uma infância infeliz. Vivi começa a agir como uma garota de quatro anos e perde o controle, declarando guerra contra sua filha, se recusando a conversar com ela e até tirar fotos de família... forma de engolir a história e controlar o ego da Vivi de família. Vivi entraria na lista exceto pelo fato de que, no final da história, tanto ela quanto a filha mais uma vez se olham olho no olho e Vivi se sente realmente culpado por ter se importado tanto. 

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Olha, eu graçaizadeus (como diria Inês Brasil) não tenho o que reclamar da minha mãe. Muito pelo contrário, tenho é que achar muito bom, pois sempre fomos muito amigos e ela sempre fez/faz o que pôde/pode para me ver bem, lindo e feliz. Não vou desejar um feliz dia das mães a ela por aqui porque já o fiz pessoalmente e porque ela não tem Facebook nem lê o blog pois mal sabe mexer no celular, quanto mais utilizar esta ferramenta o ´´pc´´. Maaaas, caso este lindo blog de família possua alguma leitora mamãe, eu e toda a equipe escolhendolivrense desejamos a vocês um


Tenham todos uma ótima semana e um feliz domingo de mães. Vemo-nos em breve. Beijo!



As piores mães da Literatura é uma tradução exclusiva do Escolhendo Livros deste artigo do BookFinder.com Journal


Fãs deste filme irão entender a imagem.

Se existe uma fórmula divertida de estimular a leitura essa seria a ideia de manter um clube do livro entre amigos. Mas sejamos sinceros: Quantas vezes já tentamos chamar uma galerinha, escolhemos um livro de comum acordo entre todos, marcamos uma data acessível e... Bem, todo mundo  perdeu a vontade/se esqueceu/não começou a ler nem as primeiras páginas antes do fim do prazo? Não, isso não aconteceu só com você; TODO mundo que já teve vontade de ter o seu grupinho literário já teve um clube do livro fail... Problema do passado, queridos. Pois agora, o Escolhendo Livros decidiu ajudar você com uma série de dicas e um esquema super bacana para trazer o crítico literário dentro de você finalmente à tona!

Antes de mais nada, vamos deixar bem claro que, apesar do nosso esforço e dedicação para ajudá-lo nessa empreitada fazendo este post super especial, devemos lembrá-lo que tudo depende da sua vontade e, principalmente, do comprometimento de todos os envolvidos neste projeto. É difícil assimilar porque todos nós sabemos que isso não é exatamente algo que pode ser empurrado garganta abaixo nas pessoas, mas a dura verdade é que um Clube do Livro bom é um Clube do Livro em que todos querem participar. Nunca tente "obrigar" ninguém a fazer parte dele, pois tudo que você conseguirá é destruir a vontade de todas as outras pessoas que realmente queriam participar desde o começo (e tudo isso porque uma pessoa não quis levar a sério a dinâmica). Essa, sinceramente, é a regra básica e inicial que colocaremos nesse guia e, se você sente que absorveu a ideia, vamos começar o nosso esquema:

Clube do Livro: Um passo-a-passo detalhado e honesto

1) Convide de 4 a 6 (estourando!) amigos seus que gostem de leitura. Tente seguir com esta quantidade por uma questão de organização e viabilidade na hora de marcar as datas dos encontros - Afinal, quanto mais gente, mais complicado será encontrar um dia em que todos poderão participar. Se você quiser convidar alguém que não tenha o hábito de ler não tem problema; só lembre-se que é melhor a maioria do grupo ser composta de leitores um pouco mais experientes para que todos possam estimular o leitor iniciante.

2) Crie um sistema para quem escolherá o livro do mês (nomearei está pessoa de "Leitor", para ficar um pouco mais didático). Uma ideia interessante é escolherem o primeiro Leitor através de um sorteio justo e, a cada final de encontro, o primeiro escolhido deverá indicar o próximo a escolher, criando assim uma dinâmica de "passa ou repassa" bem divertida. Caso acredite que isso seja injusto com alguns participantes (vai que o seu grupo tenha uma ovelha negra que ninguém queira indicar, não vamos brincar de bonzinhos que a gente sabe que sempre tem um), faça o primeiro sorteio de forma que crie uma sequência inteira dos próximos meses, assim todos terão uma vez. No entanto, lembre-se que é sempre divertido inovar nesse sistema, afinal, quanto mais livre e empolgante ele for, mais as pessoas vão querer manter o clube. Separar os meses em gêneros diferentes de livros (para que cada um dos integrantes do grupo escolha qual o gênero que mais sinta afinidade para ser o Mestre) ou fazer uma votação para o Leitor da vez são apenas algumas sugestões que você pode usar para criar o seu próprio sistema.

3) Com o Leitor escolhido, preocupe-se com as regras das escolhas. O ideal é o grupo iniciar com um tema livre, pois já começar com algum gênero específico poderá ser uma complicação desnecessária na hora de cativar todo mundo em um primeiro momento. Caso queira separar os encontros através de temas, deixe isso para depois de pelo menos três encontros. No entanto, para que este Leitor escolha o livro pela primeira vez, é interessante recomendar a ele que o livro seja:
  •  não muito longo (Começar com um A Viagem de Théo e suas 632 páginas vai ser um desestímulo para leitores de primeira viagem); 
  • de um gênero que o Leitor imagine que irá ser apelativo para todos. Lembre-se que um primeiro encontro bem-sucedido é a chave para uma boa continuidade. Depois disso o clube poderá liberar o uso de temas específicos e livros mais desafiadores, mas ainda de forma gradativa - Sejamos pacientes.

4) Monte um grupo secreto no facebook só para o Clube do Livro. Não, não vem olhando com essa cara de descrença para essa ideia não. A verdade é que utilizar da rede social para criar um vínculo entre os amigos será essencial para manter o espírito de unidade entre todos. Faça um post com as regras, crie um evento interno com a data do próximo encontro e, principalmente, estimule todos a deixarem trechos do livro que acharam interessantes, enigmáticos ou bonitos ao decorrer da leitura. Seja em posts separados por cada um ou em um post único para todos colocarem o seu trecho nos comentários. Essa é uma forma muito boa para manter o grupo ativo e envolver a todos numa espécie de checklist de leitura hibrido e interpessoal. Caso algum integrante do grupo não seja  fã de facebook, crie um blog do clube, um grupo de email ou pelo menos liguem um para os outros periodicamente para manter contato com os membros do grupo. Não perca contato! Sempre mantenha isso na cabeça.

5) Que tal clube de livros misturado com um clube de culinária? Okay, essa é só uma recomendação, mas por que não organizar o grupo para que cada um leve um prato diferente na reunião da vez? Livros combinam com comida. Just saying...

6) Na hora da reunião, deixe o Leitor apresentar o livro.  Ele provavelmente o escolheu por ter uma ânsia de falar e discutir a obra. Logo, uma breve introdução dos motivos de sua escolha e sua visão geral do livro é uma boa forma de aquecer a todos. A partir daí, a reunião pode ser conduzida de duas formas:
  • Faça uma ordem para cada um falar suas impressões, dizendo o que gostou e o que não gostou. Provavelmente a conversa irá seguir em frente sozinha a partir daí, e caso você goste de um pouco mais de liberdade, essa é a alternativa mais condizente para quem aprecia grandes supresas e calorosas discussões.
  • Faça o Leitor criar uma pequena série de perguntas iniciais antes da reunião. Esta será a ata do encontro e o direcionamento da discussão deverá ser conduzido  pelo Leitor. E policiado! Vai por mim, tem cada livro digno de fight que não vou nem entrar em detalhes...
7) Divirta-se! A partir daí é só seguir a discussão e levar os encontros pra frente seguindo todos os passos arrumados aqui. No entanto, para ajudar vocês ainda mais, preparei um pequeno modelo de planejamento de clube do livro especialmente para os nossos leitores que tiveram o saco de chegar até o fim deste post (haha). Ele os ajudará a organizar as datas dos encontros, os livros e as perguntas do Leitor da vez e até os pratos que cada um levará (Pois é, eu vou levar essa coisa de clube de livro/clube de culinária até o fim!).

Você pode baixar o Planejamento de Clube do Livro do Escolhendo Livros clicando aqui. 

Gostou do post? Tem mais dicas? Compartilhe aqui no site para deixar esse guia ainda mais completo!



Sempre fui muito interessado por dramas familiares. Paternidade, Traição, Divórcio, Lealdade; todos esses temas especialmente recorrentes deste gênero tem um valor especial na minha zona de interesses, e por isso, não deve ser surpresa para vocês a minha afeição por uma autora como Jodi Picoult. Mais conhecida pelo polêmico A Guardiã da Minha Irmã (Aquele livro que virou filme com a Cameron Diaz e a Abigail Breslin, lembram?), Jodi possui um senso crítico que me conquistou desde o primeiro livro dela que pus em mãos, o Pacto, o qual eu tive a chance de resenhar aqui no ano passado.  Dessa vez, apresento aqui no EL o virtuoso O Filme Perfeito, um livro capaz de questionar aquela velha ideia do casamento dos sonhos... Deus do céu, ainda bem que eu ainda não sou casado. 

Em sua primeira noite em Los Angeles, o novo policial das redondezas Will Cavalo Alado dirige pelas ruas da cidade afim de conhecer um pouco mais do seu novo lar. Se você já está se perguntando o porquê desse sobrenome tão peculiar, a razão dela é muito bem explicada: Will é descendente de uma tribo indígena - os lakota - fruto de uma herança genética que nunca realmente lhe agradou. Após abandonar a Reserva Pine Ridge, o rapaz busca uma espécie de porto seguro na metrópole, mas o que realmente aparece a sua frente é muito mais do que isso; pois assim que passa com seu carro pela frente de uma igreja, Will descobre uma mulher desamparada, perdida, sem documentos ou qualquer lembrança de suas origens. Não demora muito até  conhecermos quem ela realmente é: Esta é Cassie Barret, uma renomada antropóloga que carrega o título de esposa de Alex Rivers, o ator mais desejado de Hollywood.

Até aqui já deu para notar o quanto "O Filme Perfeito" trabalha dois arcos "completamente" diferentes. Em primeiro lugar temos Will, um mestiço que foge de sua natureza pelo seus problemas com a sua própria tribo (e sua natureza). Ao lado disso, temos Cassie que é apresentada (ou reapresentada) a um mundo que deveria desde o início ser o seu lugar; a mansão, o glamour e o amor de um astro de cinema que representa tudo aquilo que uma típica mulher desejaria para si mesma. No entanto, essa diferenciação de histórias serve perfeitamente como uma forma de unir dois caminhos para um mesmo destino. Jodi Picoult nos quis entregar em Picture Perfect uma história de identidade, revitalizando a ideia de que uma pessoa apenas encontrará a força que precisa para seguir em frente quando se encontrar consigo mesmo.

Como toda história de amnésia, vamos descobrindo quem Cassie realmente é junto da própria personagem, e com isso, nos aprofundamos dentro de um segredo que nem Hollywood imaginaria de seu tão querido marido. Alex Rivers se revela como um homem possessivo e violento, um ator descontrolado que parece nunca estar mostrando sua verdadeira faceta. E é neste ponto que Jodi marca um grande acerto com Picture Perfect: A densidade dos personagens, mais uma vez, é um mar de mistérios e tonalidades, capaz de nos levar a questionamentos realmente sinceros quanto a culpa ou a redenção de cada um dos peões deste jogo.

Porém, contudo, todavia, isso não consegue apagar o quão o livro beira a bagunça em vários momentos de sua trama. Só para vocês terem uma ideia, existe uma espécie de "mega flashback" no livro, uma alinearidade com o tempo da história que, honestamente, fez mais confundir que ajudar a entender o desenvolvimento. Primeiro porque eu estava esperando que isso fosse apresentado de uma forma menos óbvia e drástica (o flashback começa tão "do nada" que eu pensei que tivesse pulado algumas páginas); segundo porque eu senti que eu passei mais tempo do livro lendo uma sequência de flashbacks do que uma sequência de fatos no presente, o que acabou jogando de lado alguns personagens que podiam ser bem mais explorados (Will e Ofélia, principalmente). Não falo aqui que não faça sentido usar este artifício neste romance - até porque é um livro de amnésia, poxa! - Mas houve uma certa "priorização do passado" que me fez pensar que a história poderia ter sido muito mais bem contada se Jodi tivesse optado por uma escrita linear. 

Infelizmente, devo admitir para vocês que Jodi Picoult não conseguiu manter para mim o nível de inserção no enredo que a autora majestosamente enfiou em mim garganta abaixo com O Pacto. Mas não quero que pensem que o livro é mal escrito não; sem sombra de dúvidas este não é o problema de O Filme Perfeito. Eu apenas espero que, em minhas próximas tentativas com a autora, eu volte a perder o fôlego com o quão excitante sua narrativa consegue (e sim, eu sei que consegue) ser. 


Interessado em um exemplar do livro mais esperado de 2012, "Morte Súbita", da J.K.Rowling? Ou que tal um ganhar o novíssimo livro do John Green, "O Teorema Katherine"? Confira nossa promoção do mês de Maio e participe!

O Escolhendo Livros vai celebrar o mês de Maio (o mês do dia da toalha!) sorteando não apenas um, mas dois livros! Em troca queremos apenas... uma foto da sua estante de livros! Oras, Nada mais justo, certo?


Nossa ideia surgiu do dicionário do Douglas Adams chamado The Meaning of Liff, através de uma palavra (Ahenny) cujo significado tocou profundamente nossa alma de leitor curioso/fuçador de estante:

Nosso objetivo é montar um acervo de fotos das mais variadas estantes de livros de todos os tipos de leitores, para publicar no EL ao longo do ano. Você pode pedir que a foto da sua estante seja publicada anonimamente, apenas identifique-se no e-mail.
Para participar,
  • Curtir a nossa página no facebook. 
  • Compartilhar a postagem da promoção.
  • Escolher qual dos dois livros você quer (Morte Súbita ou O Teorema Katherine) e comentar aqui embaixo no post da promoção. Os comentários devem ser feitos logado no facebook, para sabermos quem é você e entrarmos em contato caso você seja sorteado! Apenas um comentário válido por pessoa.
  • Mandar uma foto da sua estante de livros e o seu nome para escolhendo.livros@gmail.com 
Os participantes serão coletados e o sorteio será feito por meio de um aplicativo confiável de sorteio. (Não estaremos mais utilizando o giveaway do facebook, pois ele deixou algumas pessoas na mão e não funciona para todos.)
A promoção irá até o dia 31 de julho! (Aniversário da querida J.K.Rowling). Então dá tempo de caprichar em uma foto da sua estante de livros!


O ano nem passou da metade e cá estou eu brincando de profeta; Hoje, este Trinta aqui do Escolhendo Livros quer nomear o que ele acha ser os cinco romances mais instigantes que ele "bateu por aí", por acaso, nas livrarias, sites e tumblrs da vida. Não prometo para vocês, caros leitores, uma lista sem alguma parcialidade, pois isso seria fisicamente impossível. Mas como sou um menino muito dedicado, cof cof,  tentarei ao máximo me focar em gêneros, nacionalidades e autores diferentes para deixar todo mundo feliz. E não tenham medo de discordar! O que quero abrir aqui é uma discussão tanto para criticar as minhas escolhas como para indicar possíveis outras obras que tem tudo para bombar nesse ano pós-apocalíptico.



O título responsável por (finalmente!) tirar Cinquenta Tons de Cinza do topo das vendas merece seu posto no pódio. Garota Exemplar (Título Original: Gone Girl)  foi lançado lá fora em 2012, mas chegou em terras tupiniquins apenas este ano. Composto por um suspense voraz cheio de reviravoltas, a autora Gillian Flynn relata os fatos acontecidos no quinto aniversário de casamento do casal Nick e Amy Dunne quando Amy simplesmente desaparece sem deixar vestígios de sua mansão no Mississipi River. Como o marido perfeito, Nick desata a procurar por sua esposa, encontrando pistas não apenas dos motivos de seu desaparecimento, mas de segredos que nunca deveriam ser descobertos. Para os cinéfilos, não precisa nem esperar muito! A produtora da atriz Reese Witherspoon já está trabalhando no screenplay da obra!. Mas se Reese se prestará a fazer o papel principal, aí é outra história...

                                                           

Quem nunca ouviu falar de O Iluminado? Pois é, sempre quando penso nessa obra-prima de Stephen King, me lembro da cara de louco de Jack Nicholson na versão para os cinemas de Stanley Kubrick. Pois para quem ainda não teve a chance de se informar sobre o assunto, o mestre do terror já escreveu e tem a data para o lançamento da sequência de The Shining firmada: 24 de Setembro de 2013. Doctor Sleep continuará a história de um agora envelhecido Dan Torrance que terá que salvar uma garotinha de doze anos muito especial das garras de uma equipe de paranormais. A grande surpresa dessa história é que a temática "vampiros" será abordada... Mais. Uma. Vez. Será que O Iluminado combina mesmo com os filhos da noite?


Ganhador do prêmio Debut Novel, listado na National Bestseller Prize e nomeado para o Russian Booker. Este é Petroleum Venus, um livro russo tragicômico repleto de temáticas variadas como síndrome de down, paternidade e o misticismo de uma obra de arte.  Este livro debut do autor Alexander Snegirev conta a história do arquiteto Fyodor, pai de um menino com síndrome de down que apenas lhe dá dor de cabeça. Na verdade, o garoto é uma vergonha para Fyodor, que detesta a dependência quase absoluta da criança consigo. Mas assim que um acidente de carro acontece e uma pintura místeriosa aparece em sua vida, a visão de Fyodor sobre o relacionamento com o seu filho dá uma volta de 360 graus. Um must read para qualquer pessoa que se interesse por um drama inteligente e cheio de simbologias. No Brasil, Petroleum Venus ainda está sem previsão de lançamento, infelizmente.

                                                          

Apesar da série ter sido lançada de 2009 para 2010, o livro "1Q84" apenas foi chamar a minha atenção recentemente em uma visita à Saraiva (que finalmente decidiu deixar o livro "mais exposto" devido a essa febre distópica no mundo editorial). O romance já vinha atraindo uma legião de fãs tanto nipônicos quanto ocidentais desde 2011, quando em 25 de Outubro, as livrarias americanas tiveram que ficar abertas até a meia-noite para atender todos os clientes. O autor Haruki Murakami faz uma alusão ao romance 1984 de George Orwell ao contar as histórias entrelaçadas de uma assassina que descobre um universo alternativo escondido em uma escada de incêndio (Cuma?) e a de um professor de matemática que precisa reescrever a história de uma menina de 17 anos. O que uma coisa tem haver com a outra? Onde está a alusão à Orwell nisso? Tsc, tsc. Assim o mistério perde a graça, pô!

Chegando no Brasil só agora, O Teorema Katherine é o novo livro do nerdfighter John Green lançado aqui no país. Não é preciso nem explicar o motivo de eu já ver o livro com bons olhos, não é? Tem Green no meio eu já fico curioso! E como a história de An Abundance of Katharine é um tanto absurda, o romance acaba chamando ainda mais atenção: Colin Singleton gosta de Katherines. Não Kat, Catarina, Carolina, nada disso. Ka-the-ri-ne. No total, já foram onze namoros, todos com garotas do mesmo nome, fato que o inspirou a criar o Teorema Katherine: Uma série de cálculos bizarros e totalmente insanos de como o seu namoro irá terminar antes mesmo dele ter começado. Só o enredo em si já me dá vontade de comprar o ebook. (Falando nisso, porque eu ainda não comprei!?) Wishlist approved!

 Gostaram da listinha? Críticas? Recomendações? Cortes? Xingamentos? Pode meter o pau, eu deixo. (Não.)




Para desenvolver um livro astuto sobre um tema complexo como a vida de alguém com uma doença terminal, é necessário muito mais do que dedicação e tato, mas também uma entrega emocional ao assunto. Como já vimos nas partes anteriores, o nosso querido John Green não pulou nenhuma dessas etapas para construir esse sucesso chamado A Culpa É Das Estrelas. Merecido, vocês não acham? E o que mais ajudou o autor a desenvolver esse conto de perseverança e altruísmo? Finalizando essa maravilhosa entrevista do Goodreads, o Escolhendo Livros traz mais uma vez para você as palavras do nerdfighter mais famoso do mundo!

                                       Se você não leu ainda a primeira parte, clique aqui. 
                 Mas se é a segunda parte que ficou faltando para você, o clique é bem aqui.
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GR
: Você já disse que o relacionamento de Hazel com o autor fictício de "Uma Aflição Imperial" Peter Van Houten é bem similar com a sua com o Infinite Jest. Me conte mais sobre sua experiência com esse livro.



JG:  Eu li quando eu era um calouro na universidade. Li duas vezes naquele ano. 


GR: Duas? A maioria das pessoas estão mentindo quando dizem que leram a coisa inteira uma vez!



JG: A linguagem é tão nova, vivaz e clara que eu nunca o achei um peso. Como jovens leitores, nós ficamos muito mais confortáveis não sabendo exatamente o que diabos está acontecendo. Isso foi muito importante para mim e teve horas que eu me senti como se estivesse lendo uma escritura, profecia, não apenas uma boa ficção mas algo tremendamente relevante pra minha vida de minuto a minuto. Isso ainda é profundamente relevante, não apenas por ser como eu penso sobre ficção mas também como eu me relaciono com o mundo todas as manhãs. 

Sua ideia de que a obrigação central do ser humano é ser observador e responder aquilo que ele vê empaticamente e compassivamente, o que é está no centro de todos os seus trabalhos na verdade, essa ideia é um dos princípios da minha vida.  

GR: O universo apenas quer ser notado. 

JG: Certo. 

GR: Foi importante para você conservar um fio de esperança nessa história? 

JG: Eu acho que todas as histórias verdadeiras são histórias repletas de esperança. Eu não acho que há espaço para narcisismo entre os seres humanos, eu acho é que é errado. Desculpe, eu quis dizer niilismo. Eu acho que é um erro. Eu não vejo qual o ponto do niilismo.. Assim como os niilistas não devem ver o ponto em nada. 


GR: Vamos falar sobre as suas influências. Para mim, o mundo de John Green passa um sentimento parecido com o de um Holden Caulfield lendo um artigo da Sassy Magazine, mas isso tudo é de um bom tempo atrás. Como você mantém os seus personagens tão contemporâneos?

JG: Eu sou interessado nas culturas da Internet. Sou interessado no que os adolescentes que controlam a cultura da Internet são interessados. Eu sigo suas tendências - Eles vão pro tumblr, eu vou pro tumblr. O que realmente me absorve é o quanto eles são envolvidos em utilizar convenções e ferramentas da internet que nós adultos associamos com o desapego e o desligamento para fins inteligentes. Como pegar GIFs animados do Honey Boo Boo e fazê-los falar sobre macroecon e quotar John Maynard Keynes. São coisas sutís que nós associamos com distrações, mas na verdade são revitalizadoras.  

GR: Você tem algum ritual para escrever? Alguma coisa que você faz para te colocar no clima? 

JG: A única coisa que eu faço é que eu mudo o meu teclado a cada livro.  Normalmente eu faço uma boa pesquisa de campo para comprar um novo. Eu sou muito afficionado pela sensação física de pressionar as teclas. Tem que ter o molejo certo. Eu tendo a achar as teclas embutidas muito insatisfatórias, elas são discretas e não fazem muita coisa - Eu quero me sentir como se estivesse dactilografando.

GR: O que você está lendo no momento?

JG: Eu realmente estou tentando acabar com Wolf Hall da Hilary Mantel. Eu estive o lendo já por algumas semanas, é realmente bom, mas tão longo! 

GR: E que vlogs você tem visto?

JG: Bem, eu tenho trabalho em vídeos educacionais com o Youtube agora,  então boa parte dele são educacionais. Eu vejo Minute Physics, eu gosto bastante de  Vi Hart. Também vejo CGP Grey  ele faz essas animações bizarras que explicam como as coisas funcionam. 

GR: Além de Infinite Jest, tem algum outro livro que realmente influenciou você? 

JG: Ao crescer em Orlando, eu tive um relacionamento bem forte com Zora Neale Hurston e Their Eyes Were Watching God. Eu acho que nós tivemos que a ler para a escola na quinta série e eu realmente gostei e procurei ainda mais por coisas do gênero. 

GR: Uma pergunta que segue a mesma linha da usuária do Goodreads Maddison: "Qual é o livro que você pode ler de novo e de novo e nunca se cansar?" 


JGGatsby. Eu não me canso dele nunca. 



GR: Pergunta final: O que você irá fazer quando o seu filho crescer e se apaixonar por uma pixie dream girl maníaca? 

JG: Ha! Eu o farei pegar em Looking for Alaska e contarei para ele que essa ideia de um ser humano que é mais do que um ser humano é uma ideia errada e que no fim não ajuda nem a ele e nem a pessoa que ele tanto imagina. Esse pensamento tem sido inserido tão forte na cultura americana, e como alguém que escreve sobre pessoas jovens se apaixonando, eu sinto como se eu não pudesse ignorar isso. Mas eu tento esclarecer que a vida funciona melhor quando nós pensamos em pessoas como pessoas.    
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