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Fonte: ebook3000. PS: que capa linda. 

Queridos Escolhedores de Livros, vamos partir para a aventura! Não faça muitas perguntas, apenas se apresse! Pegue uma mochila, arrume suas provisões, sele os cavalos (ou pôneis, dependendo da sua estatura) e se aprume para uma longa viagem. Ah, e não se esqueça de levar uma harpa, pois as canções e os perigos serão as nossas únicas companhias! O que?! Você não está preparado? Isso não é desculpa! Temos um objetivo e precisamos de sua companhia (mesmo sem saber o motivo de tal necessidade!), apenas se arrume e vamos, vamos! O caminho é longo!

Como você se sentiria caso um grupo simplesmente chegasse na sua casa, partilhasse de suas refeições e praticamente o obrigasse a partir em uma aventura para um longínquo lugar cheio de perigos e temores? Claro, haverá uma recompensa, mas você não se sente preparado para encarar tal coisa... O que você faria? Vamos conhecer a história do hobbit Bilbo Bolseiro. 



"Num buraco no chão vivia um Hobbit".
Fonte // A Colina, ilustração de J.R.R. Tolkien.
Não é um lugar agradável?
Escrito para seus filhos e lançado em 1937, O Hobbit nos apresenta a história de Bilbo Bolseiro, um Hobbit da Colina, terra de paz e fartura na Terra Média. Vamos esclarecer uma coisa: o que é um hobbit? Imagine um ser pequeno, barrigudo, e com pés e pernas tão peludos quanto os cabelos. Esse é o Hobbit, uma raça pacífica e sem muita participação no vasto terreno da Terra Média, o mundo criado pelo fiólogo e escritor J.R.R. Tolkien. Mas, isso não é tão importante agora: vamos nos focar na história de Bilbo. Bilbo é um hobbit muito calmo, que vive em sua rotina sossegada e sem problemas. Como a maioria dos da sua raça, ele gosta de aproveitar as coisas simples da vida: várias refeições por dia, assistir o pôr do sol e o cheiro de um bom chá. Um dia, porém, ele recebe a visita inesperada de Gandalf, o Cinzento, um amigo muito seu amigo. Depois de uma conversa curta, ambos seguem seus caminhos. O que Bilbo não esperava era a visita de treze anões em seu domicílio no dia seguinte. A partir desse ponto é que podemos dizer que a história realmente começa. 

Os anões iriam partir em uma aventura para além do Ermo (essas terras são conhecidas por serem extremamente perigosas), mais precisamente, cruzando as Montanhas Sombrias (lar de orcs) e, depois de mais viagem ainda, chegar até a Montanha Solitária, o seu objetivo. Lá, outrora fora o lar dos anões, que forjavam as suas riquezas e viviam em paz com os homens do Vale. Porém, como nada é certo nessa vida (acredite, nem mesmo na Terra Média), um dia Smaug foi atraído pelo enorme tesouro dos anões (essas criaturas são atraídas por coisa do tipo) e destruiu tudo, conquistando a Montanha e matando milhares, fazendo os sobreviventes se refugiarem em diversos cantos.

Os visitantes de Bilbo, junto com o mago, querem recuperar o seu tesouro (muito precioso para os anões), e, é claro, se vingarem pelo seu povo. Bilbo é incluído na história como um ladrão - e Gandalf profetiza que os anões irão muito apreciar os seus dons, mesmo que o próprio hobbit o desconheça.
E assim começa a aventura, onde, em um ano, o grupo conhece elfos, orcs, humanos e outras criaturas. Fazem amigos e (muitos) inimigos. As canções são parte crucial da história, assim como as surpresas no caminho. Quando chegam ao final da sua jornada, mudanças enormes acontecem na trama, deixando o leitor cada vez mais ávido e surpreso, mostrando a genialidade do autor.

Fonte// Smaug sobre o tesouro dos anões,
ilustração de J.R.R. Tolkien.
Tolkien surpreende com uma narrativa original e criativa, da qual eu gosto de chamar de narrativa vento: aquela da qual não têm o ponto de vista de um personagem, mas sim do cenário, do vento, do mundo. Ele brinca com isso, contando histórias do passado, dando indiretas sobre o futuro e sobre outras aventuras (como O Senhor dos Anéis, que tem muita ligação com O Hobbit). A história agrada por que não há nada que indique ficção nela. Somos levados a acreditar que a Terra Média é real, e nada é surpreendente ou surreal na narrativa. O livro é mesmo infantil, mas a sua história pode ter a quantidade certa de drama e ação para prender a atenção de todos os públicos.

Tolkien mostra que é mesmo o Rei da fantasia, o progenitor desse gênero que tanto cresceu e apaixona milhões de pessoas no mundo todo. Li e tornei-me fã, e, honestamente, convido todos a fazerem suas provisões e conhecerem a magnífica história do Hobbit.


Eu realmente não sabia o que falar nesse vídeo, então, por dica do Natan(se pronuncia Natân, só por via das dúvidas, admito meu erro), peguei uma pilha de 7 livros. Alguns eu li, outros não li, e resolvi começar a falar sobre eles. Têm aí as minhas expectativas, futuras resenhas e pontos específicos dos livros que mais me agradam, além de uma resenha surpresa. Aproveitem!

Segue a lista de livros abordados no vídeo:

  • J.R.R. Tolkien - O Hobbit
  • Dan Brown - Ponto de Impacto
  • A.S. Franchini & Carmen Seganfredo - As Cem Melhores Histórias da Mitologia
  • J.K Rowling - Morte Súbita
  • C.S. Lewis - As Crônicas de Nárnia (versão única)
  • Eduardo Sporh - A Batalha do Apocalipse
  • Dan Brown - O Código da Vinci



Vocês não vão acreditar no motivo que eu tive pra ler este livro. Muitos me considerarão bobo e inculto. Outros provavelmente me olharão com uma cara de "Você não tem mais nada para fazer da vida?". Eu, no entanto,  espero que exista um terceiro grupo que apenas solte umas risadas e replique um "Ok, acho que eu já fiz algo parecido". Bom, por onde começar? Alguém aqui já viu O Clube de Leitura de Jane Austen? Eu sei, eu sei, não exatamente o começo mais esperado para essa história...

Bem, existe uma personagem nesse filme chamada Jocelyn que é o que eu chamaria de uma Emma da atualidade. Após a separação de sua melhor amiga com o marido, a doce casamenteira tenta reencontrar um amor para sua velha parceira...  Amor o qual, ela acredita estar no charme de Grigg, um jovem nerd um pouco fora dos padrões. Assim, Jocelyn o convida para participar de um clube de leitura só de livros da Jane Austen para, quem sabe, juntar o casalzinho indiretamente. Só que Grigg, na verdade, se interessa por Jocelyn e tenta constantemente interessá-la em seus ~livros estranhos~ de ficção científica. E entre esses livros estava, nada mais nada menos que A Mão Esquerda da Escuridão da Ursula K Le Guin. (Sim. Foi um personagem fictício que me fez ler esse livro, me apedrejem!)


Isn't he like... adorkable?

Ok, ok, deixando o Grigg de lado, foi através dessa viagem que conheci esse clássico da Le Guin, uma obra de 1969 que revolucionou o universo sci-fi ao incorporar política e feminismo dentro de  uma narrativa fantástica. Em A Mão Esquerda da Escuridão, Ursula nos apresenta para o emissário Genly Ai, um alienígena que vive a dois anos no planeta Inverno para tentar convencer seus habitantes a se unirem ao Conselho Ecumênico, uma organização composta por vários planetas (incluindo a Terra) para construir um meio de comunicação entre as espécies. Entretanto, Genly Ai logo descobre que sua tentativa de abordagem pacífica ao planeta - afinal, ele foi o único enviado do conselho para realizar a missão - se mostra  uma estratégia pouco convincente para cair nas graças do Rei Argaven de Karhide e mesmo com a ajuda um tanto questionável do primeiro ministro Estraven, sua jornada em busca da união entre povos levará muito mais tempo do que imaginava.

Fonte: site da Ursula Le Guin
"Conselho Ecumênico é um organismo místico, não um organismo político. Eles consideram todo começo muito importante. Começos e meios. Sua doutrina é justamente o oposto daquele em que os fins justificam os meios. Sendo assim, agem de modo sutil e vagaroso, ao mesmo tempo estranho e arriscado, do mesmo modo que a evolução, que, em certo sentido, é seu modelo..." (pág 208)

Genly Ai, por ser um estranho nesta região de Gethen, passa a vivenciar de perto toda a organização social, política e cultural dos povos de Inverno, mais especialmente das terras inimigas de Karhide - uma monarquia abrupta e cheia de reviravoltas - e Orgaryen - uma burocracia parlamentar onde as decisões são tomadas quando você menos espera. Aos poucos, vamos conhecendo esse território fantástico e ganhando uma nova visão não apenas desse vasto universo criado por Ursula mas até de nós, seres humanos, ao compararmos nossa raça aos gethenianos. Há um ponto crucial para entendermos a série de questionamentos levantados durante a obra - Os habitantes de Inverno são ambissexuais, ou seja, possuem dentro de si tanto o sexo masculino quanto feminino. É como um mundo em que nenhuma dicotomia entre os sexos é feita e o yin e yan é realmente visto como um só.  

"Vida e morte são como amantes na unidade do êxtase - dois em um - como mãos postas, uma contra a outra, são o princípio e o fim."(pág. 188)
 Além de me surpreender com os rumos que a história tomava a cada capítulo (O livro é dividido entre as narrações de Genly Ai e Estraven, o que nos presenteia tanta com a visão alienígena dos fatos quanto a perspectiva de um habitante local), A Mão Esquerda da Escuridão é rápido e abrupto, uma leitura muito mais leve do que eu aparenta. Os poucos momentos que diminui o passo foram por puro deleite da escrita de Ursula, que nos dão belíssimos quotes como esse:

"Um estranho é uma curiosidade, dois são uma invasão." (pág. 166)
Sem grandes floreios, Ursula nos coloca para refletir em cada uma de suas passagens, lançando perguntas estupidamente óbvias  referentes a questões como a natureza da guerra e a supremacia que a história sempre deu ao sexo masculino (Uma crítica fielmente encaixada com o contexto histórico e social da autora). Em diversos trechos, tive que soltar um "uau" baixinho  pela sagacidade da mulher. Simplesmente fantástico. Um trabalho feito para ser lido, discutido e repassado para todos que ainda procuram por alguma fé na humanidade.
Fonte: tudo sobre livros e mais.
Fonte: tudo sobre livros e mais.

Gente, definitivamente não há nada no mundo que eu ame mais que História - que, inclusive, é o curso que escolhi pra faculdade. E, dentro de História, nada me fascina mais do que a Mitologia Grega. As histórias dos heróis, monstros e Deuses que caminham pela terra simplesmente me deixam de boca aberta, ainda mais quando penso que essas histórias eram consideradas realidade e todas tinham cunho religioso (inclusive, para algumas pessoas, como eu, essas histórias têm cunho religioso até hoje). Baseado em toda essa paixão pela mitologia, eu li então os livros de Rick Riordan, O Ladrão de Raios e O Mar de Monstros, que fazem parte da saga Percy Jackson e os Olimpianos. Imagine o seguinte: você é uma pessoa normal vivendo a sua vida. Então, um belo dia, descobre que os Antigos Deuses da Grécia estão vivos, e caminham entre nós - batalhando e governando o Universo. Assim, do nada! O que isso iria mudar na sua vida? Qual seria a sua nova concepção da Criação? A sua fé mudaria? Pior que isso: você descobre que é filho de um dos Deuses mais famosos e poderosos de toda a Mitologia e que necessita de um treinamento especial. O que você faria? 

Fonte:crazyingicons
Começamos pelo Ladrão de Raios, onde somos apresentados a Percy Jackson por ele mesmo. Percy é um garoto como qualquer outro em Nova York - com problemas de socialização, familiares e todos os dramas que cabem aos olhos de um menino de 12 anos. Ele leva um choque no dia que, do nada, as coisas viram de cabeça para baixo. Percy descobre que é um semi-deus, seu melhor amigo é meio bode (um sátiro em New York, isso poderia virar musical, sério!) e ele tem que fugir de um minotauro! Tudo termina com o menino acordando em um acampamento no meio de Long Island - um acampamento para semi-deuses(o Acampamento Meio-Sangue). Em meio a esse turbilhão de informações, Percy se vê como um ser lendário - um semi-Deus, filho de um Deus com um humano. 

O garoto descobre que os Deuses gregos estão vivos e são de carne e osso! Eles andam de jeans e camiseta, como qualquer um de nós, vivendo as suas vidas imortais em meio ao caos dos tempos contemporâneos. Por mais que a fé se modificasse, os Deuses se adaptaram aos Séculos e inclusive mudaram a sua moradia sagrada (que antes era o Monto Olimpo, na Grécia). 

Percy vê ainda que uma batalha entre os Deuses está se formando - e que ele, por algum motivo, está metido nisso tudo! Zeus, o Rei dos Deuses, teve a sua arma mais poderosa, o seu raio, roubado; e todos acreditam que o culpado do roubo é o próprio Percy! É dado um prazo de 10 dias para que o raio seja devolvido - então, junto de Grover (o sátiro) e Annabeth (ela é muito legal), o garoto sai em uma aventura pelos Estados Unidos a fim de resolver isso e procurar uma solução para o caso.

Já em O Mar de Monstros, o Acampamento Meio-Sangue sofre grande perigo e uma missão em busca de um artefato sagrado é feita, onde um navio com uma equipe tem que ir para o Mar de Monstros - mar encontrado no Triângulo das Bermudas (aham, lá mesmo) onde várias das localizações mitológicas se encontram. Percy e seus amigos saem em busca do Velocino também, mas ilegalmente, além de que, eles tem seus próprios motivos para irem até o Mar de Monstros. Mais uma vez, a aventura se desenrola em meio às ondas e desafios de enfrentar toda uma mitologia de uma vez, tentando sobreviver e alcançar seus objetivos. 

Mas, Julio, o que você acha de Percy Jackson? Honestamente, gafanhotos? Eu classifico os livros que eu leio assim:
  1. Aqueles que mudam a minha vida.
  2. Aqueles que ficam em minha memória.
  3. Aqueles que não acrescentam nada além de um número na estante do skoob. < Aqui está P.J.
Eu li Percy Jackson por puro gosto pela mitologia. Isso acabou me frustrando um pouco: por que alguns aspectos da mitologia estão, realmente, bem (BEM!) errados. Isso é ruim? Não. Vivemos em uma sociedade onde a mitologia é tratada de forma fictícia e errônea (é só assistir "Imortais" pra entender do que estou falando) em todas as mídias - ninguém mais vê que Apolo era o Deus que representava o Sol, ou que Cronos era o próprio Tempo. Mas, o fato é que, quando algumas pessoas que não tem instrução sobre as histórias antigas leem Percy Jackson, eles tem uma introdução da mitologia - assim, caso desejem, começam a pesquisar a fundo (vários historiadores podem surgir apenas por ler Percy Jackson).

De fato, a história é boa, bem montada e tem que ter certa inteligência para adaptar toda uma mitologia em tempos modernos e, pior, cenários modernos. Mais inteligência ainda pra tornar Deuses mitológicos em personagens completamente humanos - eu, quando li, não vi alguma centelha que desse aos personagens alguma característica divina, além de sua Imortalidade e seus poderes.

O livro tem a característica de que as suas descrições são simples e concisas, nada cansativo - de fato, a falta de detalhes pode tanto ser algo positivo, quanto negativo. Realmente acho que faltaram explicações mitológicas e, principalmente, trabalhar na visão do personagem Percy com toda essa mudança que ele sofre. Gente, você começar a conviver com antigas divindades de um dia pra outro não mudaria a sua concepção de fé, religião? A minha seria completamente abalada. - Claro, essa falta de detalhes mais preciso faz jus ao fato de ser um livro destinado para um público mais jovem.

Mas, claro, são opiniões minhas. Ainda recomendo o livro, e pretendo sim continuar lendo a saga, só não é algo que vai ficar na minha memória, ou que vai mudar o meu conceito de literatura.



O sucesso de A Culpa É Das Estrelas em 2012 é inexplicável. Talvez eu seja um tanto tendencioso quanto a isso, mas se olharmos para toda a repercussão positiva que esta obra ganhou desde então podemos ter uma certa noção do quanto John Green realmente não perdeu (ou melhor, nunca perdeu) a mão. Por isso, o Escolhendo Livros, sabendo que nerdfighter é o que não falta nesse mundo, decidiu trazer para vocês uma entrevista exclusiva que o autor fez para o site e rede social Goodreads, um bate-bola divertido, intenso e muito pessoal. Dividiremos esta tradução em três partes para sua melhor comodidade e honestamente? Não há como não se divertir com o jeitinho único de Green.
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Um ônibus da turnê. Fãs escandalosos. 150 mil autógrafos pré-vendidos. Talvez isso soe como o lançamento de um álbum da música pop, mas este foi o frenesi que acompanhou a publicação do último lançamento do autor de literatura young adult John Green,  responsável por "A Culpa é das Estrelas". Um pouco desta empolgação antecipada veio da leal base de seguidores onlines de Green, conhecida como Nerdfighters (apesar deles estarem mais para amantes nerds), que se ligam semanalmente no hilário e frenético vlog do autor e de seu irmão. Há também os leitores que levaram seus livros anteriores ao sucesso, incluindo Quem é Você, Alaska? (2005), An Abundance of Katherines (2006) e Paper Town (2008), assim como o trabalho colaborativo feito em Will Grayson, Will Grayson (2010) junto com David Levithan.  

A Culpa é das Estrelas, obra a qual permaneceu por 44 semanas na lista de best-sellers do The New York Times, é tanto mais forte quanto mais romântica do que qualquer outra coisa que Green já escreveu. Essa história de amor sobre dois adolescentes com câncer não se intimida na hora de falar de morte - como um antigo estudante de Estudos Religiosos, Green concebeu a ideia mais de uma década atrás enquanto servia como capelão em um hospital de crianças. Aqui, ele conversa com Jade Chang sobre complexos de herói, ler Infinite Jest como uma escritura sagrada e pixie dream girls* super loucas.

Goodreads: As pessoas normalmente querem ser visitadas por um capelão?

John Green: Variava muito. Eu acho que as pessoas religiosas tendem mais a querer um por perto, mas é uma questão bem secular. Você está ministrando para várias pessoas não-religiosas. Eu não acho que que ministrar requer um contexto religioso por trás. A coisa número um é que todos os pais estão extremamente preocupados com suas crianças. É claro, quando um capelão aparece, isso pode mais aumentar esta preocupação do que acalmá-la.

GR: Quase uma década depois você conheceu Esther Earl, uma adolescente a qual inspirou várias pessoas com seus vídeos no youtube e blogs antes de morrer de câncer na tireóide. Como vocês se conheceram?

John Green: Nós nos conhecemos em uma conferência de Harry Potter em 2009. Meu irmão canta músicas de Harry Potter, e elas são bem populares - ele vai para várias dessas conferências e eu fui em uma dessas em Boston. Então eu fui para esse show na conferência; E tinha muita dança acontecendo por ali. Eu não danço e ela também não, então acabamos conversando no final da sala e ficamos amigos.

GR: Você tinha falado sobre ela ser uma inspiração para A Culpa É Das Estrelas

John Green: Eu nunca poderia ter escrito isso se eu não tivesse conhecido Esther. Ela me apresentou para várias ideias presentes no livro, especialmente a esperança em um mundo que é indiferente para os indivíduos e a compaixão. Ela reprocessou o sentido de morrer jovem para mim.

Quando sai dos hospitais em 2000, eu sabia que queria escrever uma história sobre crianças doentes, mas eu estava tão zangado, tão furioso com um mundo em que essas coisas podem acontecer, e elas não eram nem raras ou incomuns, que eu acho que, no final, durante esses dez anos e tal eu nunca poderia ter o escrito porque eu estava realmente muito irritado e não estava capacitado para compreender a complexidade do mundo. Eu queria que o livro fosse engraçado, Eu queria que o livro fosse sem sentimentalismo. Depois que conheci Esther, eu me senti muito diferente quanto a perspectiva de uma vida curta ser uma vida rica.

GR: Você achava que não poderia ser? 

John Green: Eu acho que eu nunca realmente imaginei isso dessa forma antes de conhecer Esther. Ela viveu uma vida bem completa, rica e boa apesar de morrer aos 16. Não reconhecer a o lado bom e rico dessa vida seria um desserviço para ela.

GR: Parte do desafio de escrever sobre uma criança com câncer, especialmente quando o livro é inspirado por uma criança real com uma doença real, é não transformar a criança em um herói só por estar doente. Isso é claramente algo que você lutou e os seus personagens lutaram contra, mas no final Hazel e Augustus são especiais, Esther Earl parece especial - o que os torna assim?

John Green: Bem, toda boa literatura americana é sempre interessada em pessoas que são ambiguamente heroicas, como Gatsby. Há sempre uma quantidade de incerteza na jornada do herói. Até em Huckleberry Finn há uma ambiguidade quanto ao heroísmo da jornada do protagonista, e eu certamente não queria dizer que Hazel e Augustus não são heróis, porque eu queria que eles fossem heróis. Eu queria que eles fossem heróis não porque eles eram doentes mas porque eles optaram por escolhas árduas. Gus especialmente é obcecado com qual é a jornada de um herói, mas eu não queria que ele tivesse o tipo de jornada de herói que ele queria porque a vasta maioria de nós não tem.

GR: Isso é algo que você é obcecado?

John Green: Eu nunca fui. Provavelmente pensava nisso bastante quando era mais jovem, e então eu perdi o interesse porque eu tinha que pagar a hipoteca e cuidar da minha criança, mas me interessa como escritor - Como nós imaginamos que nossos heróis afetam nossa estrutura social.

GR: Como nós idealizaríamos os nossos heróis? 

John Green: Vamos imaginar um mundo onde nós não celebraríamos Snooki e as Kardashians. Há um amplo número de pessoas legais e nerds no mundo. Se nós reestruturássemos as coisas para vermos que uma jornada de herói é uma graduação em astrofísica ao invés de uma jornada para o estrelato em um reality show, isso seria um mundo melhor. Um dos trabalhos do escritor é adicionar nuances e ambiguidade na linha reta que as pessoas normalmente desenham para formas específicas de heroísmo. A maioria de nós não conseguimos ser Snookis. Para a maioria de nós o heroísmo tem que estar no dia-a-dia da vida.

GR: Mas você não acha que heróis nerds são bem celebrados nos dias de hoje?

John Green: Vamos ser honestos com o motivo disso estar assim: O crescimento da Internet e a "nicheficação" da Internet. Nós não zoamos pessoas que celebram esse tipo de coisa, por isso é possível ter heróis nerds. Eles existiram no passado, como o Mr.Wizard, mas eles tendiam a ser desumanizados e emasculados, eles tendiam a ter sua humanidade removida.

Se nós realmente reestruturássemos nossos ideais de heroísmo, nós teríamos um mundo onde o conhecimento é amplamente procurado não para conseguir uma graduação em física mas como parte de ser um ser humano completo.

GR: Ter um filho afetou a forma que você teve para escrever esse livro? Uma parte bem significante dele era sobre os pais e a forma como eles se relacionavam com o universo da criança, em uma forma que não acontecia em seus outros livros. 

John Green: Virar um pai me fez ficar muito mais interessado nos personagens dos pais em meus romances. Eu nunca me interessei muito pelos pais. Eu acho que quando você tem 16 anos, se você tem bons pais, eles geralmente desaparecem para dentro de um plano de fundo. Eu tive ótimos pais, e porque eles eram legais, eu pensava muito pouco neles em meu ensino médio.

A natureza do amor entre um pai e um filho realmente é literalmente mais forte que a morte. Enquanto as duas pessoas na relação estiverem vivas, esse relacionamento ainda está vivo.

GR: De certa forma, parece que um dos primeiros problemas que um escritor YA precisa resolver é como encontrar alguma liberdade para seus personagens. Na maioria das vezes, as pessoas o fazem se livrando dos parentes de alguma forma, mas nesse caso os pais são tão presentes mas ao mesmo tempo tão permissivos. Isso é algo que você observou muito em pais de crianças doentes? 

John Green: Eu sabia desde o começo que Hazel e Gus estavam em uma posição atípica, e que assim eles seriam mais dependentes de um adulto. Mas eles também fazem decisões bem maturas, e seus pais dão poderes para eles porque eles estão um pouco menos preocupados com a longevidade. Eles querem que seus filhos tenham a maior vida que eles podem ter.
                                                                                    
                                                                                                   ______________

Em breve, traremos a parte 2 da entrevista com muito mais insights sobre as origens e influências dessa obra-prima chamada A Culpa É Das Estrelas!






       
    ("Entrevista com John Green (Parte 1 de 3)" é uma tradução exclusiva do Escolhendo Livros deste artigo do  Goodreads.)


Existe uma discussão antiga - e muito batida - sobre a existência de um poder inexplicável chamado magia. Seja pela chegada da idade adulta ou pela natureza cética humana, acreditar em coisas como princesas aprisionadas, monstros imbatíveis e encantamentos místicos sempre foi considerado uma arte para pessoas "mais para lá do que para cá" no assunto sanidade. Eu não sei quanto a vocês, mas isso me abalou muito depois da pré-adolescência - Então quanto mais o tempo passa, mais limitados e racionais devemos ficar? Ter esperança é ser imaturo? Por isso, eu olho para este post e penso: Não, a gente não pode deixar isso acontecer. E é abrindo as portas do universo fantástico dos contos de Laísa Couto que o Escolhendo Livros decidiu clamar alta e claramente: Existe a magia e ela está diante dos seus olhos. Sim, aqui é o lugar para isso.

Olha só! Parece que alguém decidiu acreditar.

Devo admitir - Estou surpreso. Mas como tudo que é bom nos surpreende... Parabéns, querido leitor, você fez a escolha certa. Aqui, apresentaremos um conto exclusivo da nossa querida Laísa Couto, uma obra ficcional para todos que querem entrar no mundo da imaginação e esquecer o caminho de volta. E opa, não fique triste quando acabar! É só a primeira parte. Então segure as rédeas do cavalo que a porta de entrada está logo ali além da curva.




O Choro da Donzela 
                                                                                                                                         por Laísa Couto

No alto de uma torre solitária, morava uma jovem donzela. Ali, a jovem sempre vivera sozinha, na sua própria companhia. Desde menina, a parede circular do seu quarto fora sua casa e a janela era a única porta para o mundo afora.

Todas as noites escuras e sombrias, a donzela acendia uma vela para afastar seus medos e pesadelos. No negrume do céu a Lua aparecia de quando em quando palidamente tornando a noite menos hostil. A donzela observava a noite pelo arco da janela e pensou se a Lua poderia se sentir triste e só como ela. Então a bela jovem confessou-lhe seu segredo mais íntimo para a grande Lua de prata.

Contou-lhe que todos os dias seu coração batia pesadamente na espera do seu grande amor que a levaria embora daquela torre solitária e sairiam voando pela noite num cavalo alado. A Lua, assim que segredou sua confissão, sumira na linha do horizonte, onde o céu tocava a terra. E a donzela fora navegar, nos mais profundos e belos sonhos. Um leve sorriso esboçou-se nos seus delicados lábios enquanto seu coração palpitava diante das doces ilusões sonhadoras.

No dia seguinte a donzela esperou ansiosamente por sua nova confidente. Depois do crepúsculo, lá estava ela, a Lua prateada. A jovem contou-lhe como seu coração esperava ansiosamente pelo dia que conheceria seu amado. Sua voz ecoava delicada e única pela noite escura, enquanto a Lua a escutava lá do alto, sentada no trono celestial. Quando a jovem finalmente confidenciou todo seu segredo à rainha da noite, sentiu-se como se tivesse repartido um bem que antes só tinha para si. Um bálsamo de tranquilidade tocou sua alma com seus dedos suaves e lá do alto da torre escutou o murmúrio abafado da floresta noturna, sinistra e misteriosa.

A bela moça da torre se despediu da Lua para ir desfrutar de mais uma noite no acalanto dos seus sonhos. Porém, logo desistiu de fazê-lo ao ver uma forma desconhecida desenhando-se no céu, a Lua parecia ser uma grande auréola protegendo aquela nebulosa forma. A figura fora se tornando mais nítida, e o coração da donzela disparou em surpresa, pois o ser que viajava solitário no céu era um ser alado. Tinha grandes asas e as balançava no ar como uma grande águia.

A jovem, muito contente, foi até o espelho e arrumou seus longos cabelos “Ele veio me buscar” repetia ela, com um grande sorriso nos lábios. Então, voltou para a janela e a sua felicidade sumira como o último suspiro antes da morte ou como se uma tempestade assolasse um dia ensolarado de primavera.

Continua...



Boa noite, gente bonita, alegre e sensual!

Como vão vocês? Bem, né? Espero. Ou melhor do que eu, também espero, porque agora há pouco passei uma raiva de um tamanho que, olha, não cabe no poema. Mas tudo passa, tudo passará, já dizia a música.

Hoje venho trazer mais uma tradução exclusiva do Escolhendo Livros pra vocês, e essa tradução particularmente me agradou porque diz que todo mundo é doente e viado HAHAHA ok, não necessariamente, mas vamos logo ao que interessa e vocês vão ver do que eu tô falando.




Pulei a introdução do artigo e fui logo ao que interessa, mas o link original em Inglês está no final do post, a quem possa interessar, e alguns intertextos que há no artigo também vão estar linkados (em Inglês). Vamos lá!

Nick Carraway é gay




O acima mencionado Greg Olear nos convenceu em dois pontos - primeiro, o modo como Carraway descreve personagens femininos como opostos aos masculinos (estes com muito mais paixão e atenção aos detalhes físicos do que aqueles), e, segundo, aquela cena com Mr. McKee, a qual, agora que lemos isto, só pode ser um encontro. O que é interessante para sabermos sobre essa revelação é isto: se o Gatsby que conhecemos tem sido analisado o tempo todo por alguém que está perdidamente apaixonado por ele, precisamos voltar e reavaliar. 

Todo mundo em Ursinho Pooh é um clássico exemplo de algum distúrbio mental



Em 2000, o Canadian Medical Association Journal publicou um artigo diagnosticando os habitantes da Bosque dos Cem Acres com distúrbios mentais. "Na superfície, é um mundo inocente", o artigo começa, "mas, quando examinado com mais proximidade pelo nosso grupos de experts, nós encontramos uma floresta onde problemas neurodesenvolvimentais e psicossociais passam despercebidos e sem tratamento". Aqui está o que você quer saber: supõe-se que Pooh tenha distúrbio de déficit de atenção, Leitão sofra de uma ansiedade generalizada, Bisonho, de distimia crônica (depressão); Corujão é disléxico, o tigre exibe hiperatividade e impuslvidade, e Christopher Robin (ou melhor, as ilustrações dele) mostra sinais de "futuros problemas de identidade de gênero".

Holden Caufield é gay, também



Ouvimos essa teoria aparecer muitas vezes durante os anos, apoiada por fãs que citam a atenção de Holden para os detalhes físicos de seus amigos homens, sua confusão ou ainda repulsa ao pensamento de fazer sexo com uma mulher, a ambiguidade de sua interação com Mr. Antolini. Então, novamente, ele poderia ser igualmente tão confuso em relação a sexo quanto um adolescente heterossexual de dezesseis anos.

A jornada de Odisseia demora tanto tempo porque Ulisses não queria voltar pra casa



Por que Ulisses demora dez anos pra voltar de Ítaca depois do fim da Guerra de Tróia? Uma teoria é que ele não queria voltar para a sua antiga e entediante vida, e toda aquela perda de tempo com deusas-bruxas e ciclopes eram apenas nosso herói arrastando os pés. Esta interpretação não é nenhuma novidade, porém: Lord Alfred Tennyson gostou tanto da ideia que escreveu um poema sobre isso. 

Hogwarts estava apenas na imaginação de Harry Potter



Nós tropeçamos com essa na Cracked, onde Karl Smallwood desenrola a teoria. A saber, Harry era uma criança explorada que lidou com isso fugindo para um mundo de fantasia, e tornando todas as suas feridas da vida real em feridas mágicas (Harry é enviado para a enfermaria seis vezes durante a série). Isso também, Smallwood percebe, ajuda a sustentar todos os buracos no roteiro inerentes ao mundo de Rowling - é tudo a mente explorada, mas em crescimento, de Harry tentando encaixar tudo.

Dorothy é uma bruxa



Há muita controvérsia a respeito de se "O Mágico de Oz" de L. Frank Baum era pra ser tido como sátira política de um tipo de outro, mas nós gostamos desta teoria que vimos no TVTropes: "é geralmente considerado que em 'O Mágico de Oz' de L. Frank. Baum, Boq e Glinda a Bondosa estão enganados quando inicialmente assumem que Dorothy Gale é uma bruxa, mas Dorothy evoca o vórtice que a trouxe para Oz em primeiro lugar, ela dá vida, ou o semblante dela, para um espantalho e um conjunto de armadura, ela conversa com e dá vida a animais selvagens, e ela toma controle de macacos voadores, antes de finalmente usar os poderes dos sapatos prateados para se transportar de volta para o Kansas. 

Sherlock Holmes e Dr. Watson são apaixonados



A original dupla ambiguamente gay, a especulação sobre esses dois nunca termina, especialmente por mais e mais adaptações estrelando belos atores surgirem (e aqueles belos atores continuam fazendo coisas do tipo descrever a série Sherlock da BBC como sendo "a história mais gay da história da televisão"). Tem havido extensa pesquisa sobre o assunto, e as teorias divergem (um deles é uma mulher! Um deles é um transexual! Holmes está constantemente molestando Watson!), mas temos certeza de que Arthur Conan Doyle jamais admitiria nada. Mesmo que ele fosse parar depois de "Um estudo em vermelho", mas ele decidiu seguir adiante depois de um encontro com Oscar Wilde em um hotel. Só comentando. 

O leão marinho e o carpinteiro são Buda e Jesus



Pelo menos se você escutar Loki. Houve muitos, incluindo o ensaísta britânico J. B. Priestley, que discutiram que as figuras no poema de Lewis Caroll eram figuras políticas, embora isso pareça ter sido redondamente refutado. 

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Então é isso, gente bonita. Em breve eu venho aqui com post original, ou um vídeo, ou alguma coisa útil. Minha vida está meio de cabeça pra baixo, por isso ando um pouco sumido, mas logo tudo se ajeita etc. Enquanto isso, a gente se vê quando/como/se der. Um beijo em todos vocês, fiquem com Deus quem acredita Nele e com Karl Marx quem não acredita. Até mais!


"Teorias da conspiração sobre personagens clássicos da Literatura" é uma tradução exclusiva do Escolhendo Livros deste artigo do Flavorwire.