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Querido leitor, 

O dia está lindo lá fora, com aquele solzinho fraco feito para quem não deveria estar fora da cama, e mesmo assim, cá estou eu preso no trabalho com vontade de escrever. Quando eu postar isto, provavelmente já será bem mais tarde e o tempo já terá mudado, assim como o vazio que anda no meu peito e todas as frivolidades instáveis típicas do dia-a-dia; Seja os ônibus que passam quando espero na parada para finalmente poder voltar para casa, as bananas carameladas que a Antônia faz de sobremesa porque sabe que eu adoro doces ou até a felicidade que me bate quando ligo o som e ainda está pausada na música que eu já queria ouvir de novo. Wouldn't it Be Nice, dos Beach Boys. Você não, simplesmente, ama essa música? Pois eu sim. E é com este feeling que eu sinto que estou preparado para falar de um livro íntimo - Uma pequena terapia chamada As Vantagens de Ser Invisível.  

Se você não é um Charlie em si, então ao menos deve conhecer um. Ele é aquele garoto calado e introspectivo que você provavelmente esquece que existe quando está por perto - Ou se abre com uma facilidade abusiva graças a sua ~habilidade~ de ouvir. É, é exatamente isto: Charlie é um espectador. Ele vive das coisas que vê, escuta e absorve, e por mais que ele não abra muito a boca para opiniar, Charlie guarda uma voz realmente sábia dentro de si, uma voz que temos o prazer de conhecer graças a está série de cartas que  resolve mandar para um "amigo" ouvinte - E apenas ouvinte. Nestas cartas, o personagem conta a sua rotina no colégio, seus desejos de ter um amigo, suas novas experiências, confidências e todas aquelas coisinhas adolescentes que nós já conhecemos.A grande surpresa é que não a nada a esconder aqui. Não a uma adolescência fantasiosa em que tudo é escrito em uma versão censurada para passar na tv aberta. Há sexo, palavrões, mentiras, defeitos e decepções. Em suma, 90% do que este período de vida costuma conter.

É engraçado como eu vejo por aí um bando de gente falando que As Vantagens de Ser Invisível é um livro melancólico e "cinza", quando o relacionamento que criei com ele foi tão... Quente. Eu devo estar soando como uma professora de artes plásticas, mas é a melhor definição que consigo encontrar. Sabe quando você está passando por alguma coisa chata na vida, o término de um relacionamento ou uma briga com seus pais e decide fazer alguma coisa para poder... Esquecer disto? Eu criei esse vínculo com Charlie (chamarei assim o livro porque para mim, ele é uma pessoa. A pessoa. Não um objeto ou uma história; sim, uma personalidade.). Tanto é que eu não o li desenfreadamente como os outros livros, mas o guardava para momentos especiais. Eu sempre o parava, e não porque não estava gostando, mas porque eu achava que precisava estar no momento certo para isso, logo, fiz um sistema: Lia Senhor dos Anéis até eu me sentir "Charlie", aí voltava para Vantagens. Como eu havia dito, é uma terapia. Uma bem específica (e sem horários fixos).  

Perks of Being A Wallflower pode nos dar a impressão de que é um livro infantil no seu comecinho - como o próprio personagem diz, ele "escreve como fala", então não espere nenhum discurso freudiano - porém depois de alguns capítulos, dá para perceber que a ideia é nos aproximar de Charlie, como se fossemos o próprio "amigo" de suas cartas. O mais legal é que o autor não sai da plataforma do que nos conhecemos. Todas as coisas que você irá ouvir de Charlie nesse livro são bastante próximas ao nosso universo, como, por exemplo, a dor da perda de um membro da família, a dificuldade de se aproximar das pessoas, a inconstância do  primeiro amor, o prazer de conhecer a literatura, a música, de tudo um pouquinho. 

Mas eu encontrei no livro um segredo. Pelo menos eu acho que é um - Ele é infinito. Quando digo isso, quero dizer que ele se prende aos momentos. Você não vai exatamente se lembrar da cronologia certinha da história, do que aconteceu ou das atitudes de cada personagem, nah. As lembranças que eu guardei foram de fotos, flashes, aqueles momentos que parece que não podem - e devem - terminar. Como as interpretações de Patrick em Rocky Horror Picture Show, o livro preferido de Mary Elizabeth, as impressões que o professor Bill tinha sobre O Sol é para Todos ou a  ideia de simplesmente levantar o capô do carro, se levantar e sentir o vento batendo contra a pele.  São momentos que você não pode ser passivo e apenas viver...Mas participar (Não há coisa mais discutida nesse livro do que isso). Com um sorriso no rosto.


Imagem: lovingperfectly




Com amor,
 


                                                                 
                                                                                          foto: Getty Images (editada)
Bom dia, seus lindos!

Estou dando bom dia porque estou escrevendo isto de dia, mas leia-se boa tarde, boa noite ou boa madrugada, ou então compreendam “dia” como período de 24 horas, não só apenas como manhãe tudo fica certo. Como vocês estão? Bem, né? Certeza.

Conforme prometido, voltei. Voltei e vim falar de um assunto, ou melhor, de uma coisa que eu acho que, atualmente, por causa da modernidade e sei lá por quais outros motivos, caiu em desuso, ou, se não caiu, perdeu bastante popularidade: o diário.

Na verdade eu nunca tive um diário, até porque isso sempre foi considerado coisa de menina e eu, quando em época de ter diário, fugia de coisas de menina porque sou tão hipster, mas tão hipster que sofria bullying por ser viadinho mesmo antes de as pessoas saberem o que é bullying. Não é o máximo?! Não, né. Mas pois é, eu fugia das coisas de menina e diário era uma delas, embora desde pequeno eu gostasse de escrever. Comecei a escrever mais a sério depois de adolescente, mas um caderninho não podia faltar. E esse hábito começou, mais precisamente, no final de 2004/começo de 2005 em razão de um evento muito importante na minha vida: minhas primeiras crises de identidade sexual. A quem se encaixa no contexto, uma crise de identidade sexual é aquele momento em que você tragicamente pergunta a si mesmo: será que eu sou?...

Demorou um bocado até que eu me respondesse “sim, eu sou”. Eu era novinho, devia ter uns 12 anos [sic]. Até os 15, quando eu finalmente saí do armário, minha sexualidade era tabu até pra mim mesmo, então eu não tinha ninguém com quem conversar a respeito, ninguém com quem eu me sentisse confortável pra compartilhar minhas dúvidas, meus medos e tudo. Então o que eu fiz? Peguei uma agendinha e comecei a escrever. E nessa época eu já era tão lindo que escrevia na minha agendinha em Inglês pra nenhum curioso entender, se viesse bisbilhotar.

Desde então eu não parei de escrever. E de uns tempos pra cá a escrita tem me sido uma aliada extraordinária, e foi essa reflexão que me fez pensar o quão fantástico, incrível, sei lá, até medicinal é o poder da escrita. E, ao mesmo tempo, fico um pouco impressionado ao perceber quão pouco as pessoas escrevem. E não estou falando de abrir um documento no Word e começar a digitar, não (isso também tem sua valia): estou falando de papel, caneta, folha, caderno. Não sei se as pessoas reparam nisso, e imagino que não, mas existe um abismo separando “digitar” de “escrever”. Enquanto você digita, provavelmente está com todas as suas redes sociais e mais inúmeros outros sites abertos, conversando com pelo menos duas pessoas e ouvindo música. Ao escrever, estão apenas você e o caderno. É um processo indizivelmente mais íntimo e, por isso, arrisco dizer, mais efetivo.

Pense num problema, um problema que te aflige muito (vale ressaltar que estamos falando de problemas emocionais, sentimentais, comportamentais. Se você estiver com problemas financeiros, vá trabalhar). Sabe aquele problema, ou aquela situação que te vem à cabeça quando você deita a cabeça no travesseiro?, aquela angústia? Então. Conversar sobre ela com seus amigos nem sempre é uma boa opção, porque as pessoas geralmente são preconceituosas e nunca sentem o que você sente. Por mais que você descreva o que está se passando, a sua dor é só sua, ninguém vai conseguir medi-la através das suas palavras, não é? Pois é. Considero psicoterapia uma alternativa eficaz, também, mas eu, pelo menos, não tenho dinheiro pra pagar nem uma sessão, quanto mais várias, além de que encontrar um psicólogo que agrade também não é tarefa fácil. Viu? Já te dei dois bons obstáculos que te incentivam a guardar seu problema bem aí contigo, e é nesse tipo de situação que eu aconselho: escreva.

Não existe melhor ouvinte e entendedor do que uma folha de papel. Não-existe. A folha te ouve calada, entende e aceita tudo o que você diz sem te questionar ou recriminar, não tem um pingo de preconceito, é extremamente confiável e sigilosa e te conforta de uma maneira muito peculiar. Ela te exorciza. Sim. Imagine seu problema como um demônio que se apossa do seu corpo e que, de vez em quando, aparece e te atormenta. Ao escrever, você literalmente tira esse demônio de dentro de você. Se não tirar, através das suas próprias palavras, relendo, refletindo, você vai encontrar uma forma de exorcizá-lo, e isso vai tirar um fardo das suas costas.

“Como assim ‘encontrar uma forma de exorcizá-lo?’”

É simples: enquanto você digita ou escreve, você não lê pra si mesmo o que está sendo digitado ou escrito? É automático. Não prestamos tanta atenção a esse detalhe porque hoje em dia fazemos as coisas meio mecanicamente, mas acontece. Tudo que se passa pelos dedos é lido, a diferença é a atenção que prestamos ou não. Se um dia você for escrever sobre o que te aflige, é óbvio que a atenção prestada vai ser muito maior do que aquela que você presta enquanto conta como foi seu dia a um amigo. Por isso, você se torna seu próprio analista. Através da leitura das suas próprias palavras, você consegue se afastar da sua história e enxergá-la com outros olhos. Não é muito doido isso? Muitas das minhas ideias pra histórias, ou ainda quando me dá aquele bloqueio e eu chego numa parte em que penso: “e agora? Que rumo eu tomo a partir daqui?”, eu pego o que chamo de Diário de Bordo e começo a colocar meu pensamento no papel, e digo colocar exatamente como ele se passa, por exemplo: “puts, parei numa parte em que não sei mais o que fazer... Pensei em colocar Fulano fazendo isso e Ciclana, aquilo, mas isso lá na frente... PERA, JÁ SEI!”. Fluxo de consciência. Afastar-se, nem que à distância de um papel e uma caneta, sempre te ajuda a examinar melhor as situações, encontrar meios, soluções, alívio, aceitação... Parece pífio, mas funciona. Pergunte a Anne Frank quando encontrá-la lá do outro lado. É batata.

E eu vou ficando por aqui. Já falei demais, haha. Então fica aí a minha dica de vida pra você, querido(a) leitor(a). Quando estiver naquele momento em que ninguém parece te entender, ou que ninguém parece <insira aqui qualquer adjetivo> o suficiente pra saber do que se passa aí dentro, procure os papel e caneta mais próximos: eles hão de te ajudar bastante. Um beijo grande pra todo mundo e a gente se vê por aí. 

Até logo!




Dando continuidade à série Jogos dignos de um livro, hoje eu trago aqui pra vocês um thriller meio survival horror (eu, particularmente, não vi muito horror na história, foi mais suspense, mas né, as pessoas consideram) com uma história muito, eu disse muito bizarra, recheada de mistérios, confusão, crueldade e muita polêmica. Um jogo não tão conhecido, altamente censurado e massacrado pela crítica chamado Rule of Rose.



Rule of Rose, “a regra da rosa” em inglês, se passa na Inglaterra de 1930 e conta a história de Jennifer, uma garota de 19 anos que busca se recordar de seu passado e que, para isso, volta ao orfanato Rose Garden  a fim de encontrar respostas. O jogo se inicia com Jennifer viajando em um trem, até que um garoto com o rosto escondido entrega a ela um livro chamado “A Pequena Princesa” e pede que ela o leia. Ao abrir o livro, Jennifer percebe que ele está praticamente em branco. O garoto se afasta, o trem para, ele desce e Jennifer o segue. No meio do caminho, Jennifer encontra (num celeiro) uma coleira de cachorro (Brown, personagem importante durante a história). Jennifer, seguindo o garoto misterioso, acaba chegando ao orfanato Rose Garden e é lá que toda a merda acontece. A instituição é governada pela Aristocracia do Giz Vermelho, uma entidade formada por cinco garotas, cada uma ocupando um cargo de nobreza.


Conforme a busca de Jennifer por respostas prossegue, as princesas, como são denominadas as aristocratas, meio que escravizam Jennifer e passam a tratá-la de forma extremamente cruel e humilhante (vale lembrar que estamos falando de um orfanato, logo são meninas, crianças, tendo a mais velha não mais do que, sei lá, 16 anos). Jennifer, que é uma COMPLETA imbecil, songa monga, submissa, inútil, se vê totalmente subordinada a essa Aristocracia, tendo que, todo mês, oferecer um presente a esta, o que também faz a história desenrolar. Jennifer conta com a ajuda do cachorro Brown para cumprir seus objetivos e o game apresenta dois finais: um “bom” e um ruim.

A história é bastante obscura, então não dá pra explicar muito bem sem dar spoilers. O jogo em si já é um tanto literário, porque quase todos os eventos que são explicados aparecem escritos na tela como se fossem excertos de um livro. Se transformássemos isso tudo em um livro, teríamos um thriller bastante polêmico e que, provavelmente, sofreria censura por abordar temas muito delicados (violência contra animais, perversidade, assassinato, abuso sexual, comportamento sociopata, homossexualidade [sic], bullying e por aí vai) sendo protagonizados por crianças. Stephen King ou Edgar Allan Poe provavelmente seriam meus indicados pra transformar Rule of Rose num must read da literatura de terror, se é que eles se arriscariam a se envolver numa trama polêmica assim

.Deixo abaixo a introdução do game, que, provavelmente, não vai fazer nenhum sentido pra vocês, mas que permite sentir o clima tenso que o jogo carrega consigo.


E eu vou ficando por aqui, seus lindos. Volto ainda esse mês, prometo. Pra quem se interessar, Rule of Rose está disponível apenas para PlayStation 2 e, embora o trailer esteja em japonês, existe também uma versão totalmente traduzida para o inglês. Sugiro que joguem de madrugada, de preferência sozinhos e com volume razoável. Boa sorte.
                                                                                         Beijo procês e até breve!


Desculpinha.
Uma rosinha pra você... Oops!



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Nós do Escolhendo Livros estamos sorteando um exemplar do livro juntamente com uma surpresinha feita especialmente para você. Para participar, tudo que você precisa fazer é:
  • E comente que quer participar aqui embaixo no post da promoção. Os comentários devem ser feitos logado no facebook, para sabermos quem é você e entrarmos em contato caso você seja sorteado

Os participantes serão coletados e o sorteio será feito por meio de um aplicativo confiável de sorteio. (Não estaremos mais utilizando o giveaway do facebook, pois ele deixou algumas pessoas na mão e não funciona para todos.)

A promoção irá até o dia dez de outubro. Aproveite sua chance de conhecer este clássico da literatura jovem que terá sua adaptação pros cinemas no dia 10 de novembro (No Brasil).Estrelado por Logan Lerman, Emma Watson e Ezra Miller, o filme já se estabeleceu como uma das produções mais aguardadas do ano. Conheça o maravilhoso livro por trás desse projeto e participe da promoção!






Imagem: Getty Images- Ron Levine

Theatlantic.com postou um artigo bem grandinho em resposta a enquete da NPR Books dos 100 Melhores Livros Adolescentes composta, em sua maioria, por escritoras. 63% dos livros da lista, incluindo Harry Potter e Jogos Vorazes, foram escritos por mulheres.


O artigo atesta que mesmo as editoras favorecendo os livros escritos por homens, a maioria dos títulos da literatura young adult (No Brasil, young adult - YA - seria, teoricamente, o gênero literário voltado especialmente para o público jovem) são criados por escritoras e tem um público predominantemente feminino.
Se os resultados da enquete do NPR são um reflexo da concentração de leitores atual, o mundo YA é um lugar relativamente harmônico comparado com a batalha dos sexos lançada no campo da ficção adulta. Depois que as disseminadoras da literatura chicklit Jennifer Weiner e Jodi Picoult aumentaram a discussão sobre a disparidade entre livros escritos por homens e livros escritos por mulheres que são criticados pelo The New York Times Book Review, Ruth Franklin do The New Republic fez sua própria análise sobre o teto de vidro literário. Os  resultados foram desanimadores: Depois de revisar catálogos de treze grandes e pequenas editoras (e também de eliminar os títulos que muito provavelmente não seriam criticados), ela descobriu que apenas uma das empresas chegava perto de ter uma igualdade entre gêneros, enquanto a maioria tinha 25% ou menos de obras escritas por mulheres. 
Ao mesmo tempo, para a preocupação de alguns homens do campo, o gênero young adult tende a favorecer escritoras e o seu público feminino. E quando se fala na perspectiva comercial, a ficção adolescente está atingindo quase todos as outras audiências. Três das maiores sagas de livros levadas para o cinema da última década (Harry Potter, Crepúsculo e Jogos Vorazes) são da séries YA voltadas para mulheres. De acordo com a lista anual da Association of American Publishers, os livros para jovens e os para o público infantil foram listados como as categorias que mais vendem no mercado de livros em 2011. E mesmo que os livros teen talvez nunca alcancem o alto nível de adulação crítica dado para a última obra lançada do Jonathan Franzen, a sua fantástica popularidade os fazem ser quase impossíveis de serem reduzidos no universo da literatura.
Você pode ler o artigo completo aqui.
Eu não diria necessariamente que livros como Harry Potter e Jogos Vorazes são voltados mais para o público feminino, assim como não diria que livros como a série Alex Rider são mais para garotos. Meus dois primeiros livros tinham meninos como protagonistas, e ainda que eu não tivesse exatamente os leitores masculinos em mente enquanto os escrevia, eu com certeza não adaptei a história de forma alguma para chamar mais atenção das leitoras. Ainda assim, a maioria dos comentários e críticas que recebi eram de garotas, na verdade, a maioria da comunidade online do blogger parece ser de garotas.

As garotas leem mais? Eu coloquei a pergunta no Twitter.

Leitoras no twitter afirmam que há um maior interesse mesmo das editoras com o público feminino
O bibliotecário Rudi Wicomb acredita que as garotas criam sentimentos de apego mais profundos do que os garotos. 

"Eu não sou nenhuma autoridade neste campo, mas baseado em algumas experiências que tive com frequentadoras de biblioteca dessa onda de jovens leitores e a partir de algumas pesquisas que fiz para uma apresentação profissional para colegas, eu consegui focalizar este interesse em duas principais razões: Emoções e Química. Garotas se relacionam emocionalmente com as coisas, essencialmente "sentindo" mais e assim, conseguem criar uma empatia mais facilmente.  Livros YA são uma ressonância natural para esse tipo de empatia."
Ele afirma que a questão da química acontece durante a intensa fase da adolescência. "Além de hormônios, há desenvolvimentos internos no cérebro ainda acontecendo, os quais causam mudanças de atitudes, emoções e até em funções cognitivas."
Basicamente, o que o Rudi está dizendo, tirando a parte científica da coisa, é que se uma menina gosta de um livro, ela o recomendará para suas amigas, fará uma resenha em seu blog e colocará fotos do livro e imagens que a lembram dele no board do seu Pinterest.  Eu posso até me identificar um pouco com essa "culpa" também - quando criança, eu criei a minha própria livraria de referências de Harry Potter, e o apego emocional que tenho com a saga ainda existe.
Talvez possa até ser dito que garotos também leem, mas eles são menos empolgados quanto aos seus favoritos em comparação com as garotas.
Rudo acredita que os meninos raramente formam o mesmo sentimento de apego com livros que as meninas. Garotos sentem diferente. O paradigma do apego emocional ao ponto de chegar a uma fixação ainda existe, mas a diferença é que os garotos se viciam em um nível bem limitado de estímulo e experiência. Na escola primária, as primeiras fixações emocionais são a família, o esporte e talvez um XBox. Quando eles vão envelhecendo. as fixações vão se transferindo de um(a) estímulo/experiência para outro(a). Eles vão da família para, quem sabe, uma garota e isso é mantido até que se fecha para uma garota em particular. Se livros e o ato de leitura não são uma das primeiras conexões/fixações ainda do nível da escola primária, e se essa conexão não é mantida pela família ou amigos (o bibliotecário local), isso é diminuído até o ponto da perda desse sentimento, até que o desenvolvimento cognitivo atinge a adolescência, e agora, a ponto de ir para a idade adulta (ou talvez o cérebro se alinhe - o que quer que venha primeiro), ele realiza que precisa realmente começar a ler alguma coisa, senão se dará mal nas provas.  
Puku.co.za postou um artigo online chamado "Ganhando de volta os garotos adolescentes".
O mundo literário perdeu os garotos adolescentes. Quando as aulas começam no outono e eu pergunto quem leu alguma coisa neste verão, apenas algumas mãos masculinas se levantam para cima. Eu fico realmente chateado porque teve uma tarefa de leitura para as férias de verão, mas bem no fundo, , eu de alguma forma entendo. 
O autor argumenta que os garotos conseguem gratificação instantânea o suficiente dos esportes, filmes e videogames, e acabam não vendo propósito em ler. Na verdade,eles não leem de forma alguma.


O motivo pelo qual garotos adolescentes pararam de ler é evidente. É a forma de conseguí-los de volta que instaura um aparente impossível desafio para pais, professores, autores e editores. Mas há uma solução e é encontrada em uma bíblia dos garotos adolescentes, um livro que, seja lá qual for a idade, sobreviveu nesta transição para a cultura HD.
O Apanhador no Campo de Centeio de J.D Salinger  não atingiu o status de cult entre os garotos porque Holden xinga em, tipo, todas as páginas. E, acredite se quiser, não é popular porque uma prostituta entra em cena lá pro capítulo 13. É o fato da prostituta deixar Holden sozinho em um solitário quarto de hotel, com seus serviços gratuitamente, que fazem O Apanhador no Campo de Centeio o ápice da literatura adolescente masculina. 
Leia o artigo completo aqui.

Talvez como escritores (sejam mulheres ou homens), devamos tomar o desafio de criar livros que quebrem as convenções de gêneros, livros que atraem tanto garotos quanto garotas, e talvez até para leitores mais velhos também. Mas aí o único desafio que falta é descobrir o que os garotos pensam também.


Quais são as suas ideias?



                      (Uma tradução exclusiva do Escolhendo Livros deste artigo do SA Partridge)


Porta número um: Um homem que você conhece com a palma da sua mão. Trabalhador, inteligente, carismático; talvez um pouco pedante, mas que consegue traduzir seus pensamentos com um simples olhar. Conversa sobre todos os assuntos, sempre tem uma opinião e, como se já não fosse o suficiente, te incentiva até o último segundo a dar o seu melhor para realizar os seus sonhos. Porta número dois: A carta debaixo da manga. O mistério de alguém novo, extremamente atraente e com um magnetismo que ultrapassa a camada do racional. Ele é famoso, cheio da grana, e sabe muito bem como se divertir, em todos os sentidos. Seus conhecimentos? Escassos. Sua vida? Nada estável. Mas quando ele está ali, ele está ali. Irina McGovern tem dois caminhos, duas vidas alternativas que mudariam completamente a sua própria pessoa e destino. Se ninguém é perfeito... Nenhuma escolha é também. Você já se perguntou... "E se"?

Lawrence estava em casa e os dois eram felizes. No entanto, sem saber ao certo quando nem por que, Irina havia guardado a ideia de que a felicidade, quase por definição, era um estado de que não se tinha consciência na hora. (...)Convencionalmente, tem-se consciência da felicidade no exato momento em que ela começa a escapar. (...) Ela só fora alertada para sua felicidade por ter roçado de perto num futuro alternativo em que essa felicidade seria aniquilada. 

Eu já tinha expectativas altíssimas com O Mundo Pós-Aniversário desde que o nome Lionel Shriver ganhou um valor especial para mim em 2011. Para quem não sabe, ela é a autora do impecável (Só uma linha de rasgação de seda, prometo!), pertubador, mindfucking, assustador e reflexivo Precisamos Falar Sobre Kevin, um grande best-seller americano que ganhou (ainda mais) fama com a produção de sua adaptação pros cinemas ano passado. Dessa vez, Lionel saiu um pouco do campo da maternidade e partiu para um terreno que havia, à primeira vista, me decepcionado um pouco pela previsibilidade: Traição. Subestimando o livro pela temática mais do que batida, eu posso até ter cometido um erro aceitável, se eu não tivesse esquecido a premissa óbvia que Shriver não é uma escritora ordinária. Então essa(s) história(s) é(são) longe de ser(em) ordinária(s). 

Se está se perguntando porque a abertura para o plural ali em cima, deixa eu explicar melhor. Esse livro começa com um primeiro capítulo/prelúdio apresentando a tímida ilustradora de livros infantis Irina McGovern, uma mulher contida e inteligente que mora há quase dez anos com seu parceiro, Lawrence Trainer, um homem (Não, eles não são casados, algo que sempre incomodou um pouco Irina) atencioso, trabalhador e fiel. Com uma relação pacífica, vida sexual ativa e uma ainda existente intimidade que é motivo de inveja até para os amigos do casal, Irina acredita ter tirado a nota preta na vida. Até que um dia, Lawrence precisa viajar à trabalho no dia em que um antigo amigo do casal, um famoso jogador profissional de sinuca Ramsey Acton, faz aniversário. Irina e Lawrence sempre saiam para jantar com Ramsey e sua histérica ex-mulher Jude uma vez por ano justamente para comemorar a data, e agora com Lawrence viajando e Jude fora da jogada, Irina decide sair com o colega em um jantar só para "fazer a social" (Antes que perguntem, o próprio Lawrence empurrou a mulher para a enrascada). Entretanto, Irina começa a sentir algo que nunca em todos esses nove anos de amor pleno pelo "marido" teve vontade de fazer. Uma paixão instantânea, uma vontade louca, insana, passional de beijar Ramsey. E é neste momento que a história para.

A partir daí, a trama ganha duas versões "paralelas" do destino de Irina. Na primeira, Irina beija Ramsey; na segunda, se mantém fiel a seu marido. O livro organiza isso em uma divisão de capítulos feita por  revezamento, - dois capítulos "2", "3", "4" - em dois relatos dos fatos que aconteceriam em cada uma dessas possibilidades da vida da protagonista. No começo pode parece difícil de acompanhar o passo, mas a estratégia é excepcionalmente concisa. Ao mesmo tempo que você ganha a oportunidade de ter não apenas um, mas dois livros da Lionel, você é presenteado com histórias peculiarmente independentes e,  ainda assim, interligadas uma com a outra. Essa construção possibilita uma das sacadas mais interessantes do livro; com um pouco de atenção, você facilmente perceberá que várias falas dos personagens são repetidas de uma história para outra - só que ditas por personagens diferentes (um trabalho que, deus do céu, merece ao menos um brinde!).

Falar sobre o que exatamente acontece em cada um dos dois egos da história talvez seja considerada uma traição para o conceito do livro, então para não soltar a língua demais, decidi por me focar no perfil dos três principais personagens aqui. Algo maravilhoso deste livro para mim - e que já está se tornando um padrão pelas minhas experiências com a Shriver - é a extrema credibilidade de suas protagonistas. Enquanto Eva de PFSK é excêntrica, classuda e categórica, Irina é o seu perfeito oposto. Com os valores morais da família enraizados em sua pele, Irina é uma mulher das antigas; o que não quer dizer que não tenha uma natureza passional. A forma como ela brinca dentro da linha tênue da razão e sensibilidade (Jane Austen much?) é visceral - e pessimista, porque isso obviamente nunca faltaria se tratando no estilo da autora - e carrega a narrativa com um poder analítico acirrado. Lawrence e Ramsey, os dois caminhos, se mostram como mais do que pessoas, mas virtudes diferentes. Lawrence representa a espécie de segurança que todos nós queremos um dia, esboçando o sonho perfeito de qualquer pessoa que tem, como maior medo, o velho "Eu não quero morrer sozinho". Ramsey, por outro lado, aborda o prazer carnal, a paixão, o sexo com todas as letras, que nós, por mais superficial que soe, queremos.

Não se engane - não existe caminho errado nesse livro. Não pense que a narrativa irá empurrar você a pensar "Nossa, se ferrou" em uma das versões e "Viu? muito melhor assim" na outra. Ambos os futuros possuem tristeza e felicidade. "O Mundo Pós-Aniversário" é bem claro quanto a sua maior reflexão. O momento é tudo. E antes de pensar em atos e consequências, nós pensamos no agora. Naquele presente atemporal, bobo, frívolo e decisivo no qual você precisará responder a si mesmo, com a maior concentração de coragem que conseguir juntar - Sim, é isso que eu quero.

Mas engraçado como aquilo que nos atrai numa pessoa é o mesmo que passamos a desprezar nela. 


Fala, gente bonita!

Cês 'tão bem, né? Eu também estou. Semana meio corrida, com algumas novidades meio boas aqui, faculdade em greve, acordando duas da tarde, curtindo o seguro desemprego e jogando muito Resident Evil 5. E vocês? O que me contam?

Hoje o post vai ser sobre um tema polêmico: mamilos. Brincadeira, haha. Vai ser sobre respeito. Mas quem vai ditar as palavras do post não sou eu, não; é uma articulista (adoro essa palavra) do Ezine Articles chamada Elaine Sihera, que tem algumas considerações interessantes sobre esse sentimento meio indefinível que é o respeito. Confira nesta tradução exclusiva do Escolhendo Livros!

(imagem: Getty Images

O respeito é demonstrado pelas nossas ações, não pelas nossas palavras. E quando essas ações são ausentes, especialmente em um nível trivial ou simples, há também uma distinta falta de respeito. Em todo relacionamento, o respeito caminha de mãos dadas com o amor e o compromisso. Você não pode amar alguém que você não respeita ou com quem você não está preparado para assumir um compromisso, mesmo que por um período curto de tempo.

Caso contrário, você vai se ressentir do tempo que passou com esse alguém, ou que gastou fazendo coisas em nome dele(a), quando você poderia estar fazendo outra coisa ou estar com outra pessoa. Da mesma forma, você não pode amar alguém em quem você não confia. Uma vez que a confiança se perde, os sentimentos se tornam superficiais e o relacionamento muda tanto em termos de emoção quanto em termos de força. Você passaria a não mais respeitar aquela pessoa, tendendo a suspeitar das ações dela em vez de celebrar e aproveitar sua presença.

As seis dimensões do respeito

Frequentemente a falta de respeito vem pela má interpretação da palavra. Nós lançamos a palavra “respeito” muito superficialmente, como uma panaceia para os nossos sentimentos. Mas respeito não é só um simples termo. Ele carrega seis outras grandes dimensões dentro de si:

1. curiosidade
2. atenção
3. diálogo
4. sensibilidade
5. fortalecimento
6. cura

Se nós não estamos de fato demonstrando esses seis conceitos de várias formas, com cuidado em relação a quem dizemos respeitar, não estamos mostrando a eles muito respeito.

Curiosidade
O respeito começa com curiosidade. Nós temos interesse naquela pessoa. Queremos saber o quanto pudermos sobre ela, ou no mínimo algumas coisas-chave para começarmos. No processo de namoro, nós manejamos todos os tipos de oportunidade para satisfazer essa curiosidade e nos sentimentos mortificados quando não obtemos respostas ao nosso interesse, porque somos incapazes de preencher nossa curiosidade em qualquer aspecto e de dar nossa atenção. Nos sentimentos frustrados, rejeitados e insignificantes.

Atenção
Se a curiosidade for satisfeita, nos movemos para dar àquela pessoa nossa total atenção. De fato, nossa curiosidade também aumenta, porque essa pessoa começa a assumir valor em nossos olhos. A quantidade de valor vai depender da forma que ela satisfaz nossa curiosidade e atenção. Se a informação que conseguirmos for fraca, pouco interessante ou não-fortalecedora, nós perdemos o interesse rapidamente, nossa atenção declina e nós partimos para a próxima. Entretanto, se percebemos que o novo interesse se alinha conosco e se encaixa conosco de formas maiores, tanto a excitação quanto o interesse despertam. Então esbanjamos ainda mais atenção para aquela pessoa, nos movendo para atrair a atenção e o interesse dela.

Diálogo
Muita atenção inevitavelmente leva ao diálogo, porque esse é o único jeito de aprendermos sobre o nosso novo interesse. Comunicamos-nos verbalmente o quanto possível porque respeitamos aquela pessoa o bastante para querer ouvir o que ela tem a dizer. Também temos o maior prazer em conversar sobre ela. Por isso muito dinheiro vai ser gasto em encontros e conversas telefônicas, particularmente. Quando há pouco respeito, não nos interessamos nem um pouco naquela pessoa e não vamos nem conversar com ela. Se também há desrespeito, por exemplo, vamos fazer suposições sobre ela baseadas em seu gênero, cor, sexualidade, etc.; faremos de tudo pra tratá-la negativamente. Talvez tenhamos um diálogo às vezes, mas ele vai expressar nossas ansiedades, preconceitos ou raiva, não nosso respeito.

Sensibilidade
Isso está no âmago do respeito. Aceitar a pessoa como ela é sem querer moldá-las a nós; saber inteiramente de seus valores, cultura, identidade e quem ela quer ser; valorizar suas contribuições, opiniões e comentários e genuinamente escutá-la e compartilhar suas preocupações. Esses são elementos essenciais de como mostrar sensibilidade à pessoa que ela é e quer ser. Quando colocamos nós mesmos e nossas necessidades primeiro, e enxergamos apenas nossos valores, cultura e opiniões, estamos negligenciando muita sensibilidade àqueles com quem nos importamos e, na verdade, negando respeito a eles, não importa o que digamos para justificar.

Fortalecimento
Ser curioso em relação a alguém, dar a nossa atenção, ter um diálogo com ele ou ela, e ser sensível em relação às necessidades dessa pessoa representam a maior forma de fortalecimento que podemos conceder a outro ser humano. Isso mostra que nós valorizamos a pessoa imensamente se temos a intenção de dar a ela nossa atenção e tempo, e também mostra que nos importamos com o que ela valoriza. Qualquer outra coisa é falta de respeito. Por exemplo, se alguém está tentando conversar com você, mas você está ocupado jogando em seu computador, ou conversando com outra pessoa no telefone, isso mostra pouca reciprocidade pelo respeito que estão lhe dando, ou sensibilidade quanto à presença ou necessidades dessa pessoa.

Cura
O respeito tem a capacidade de curar, especialmente quando tivemos experiências passadas que foram dolorosas ou traumáticas, então esta última dimensão é importante. Quando temos um momento ruim, é muito afirmativo ser respeitado e valorizado pela nova pessoa a quem estamos atraídos, ou pelas pessoas com quem interagimos, e isso é efetivo para o processo de cura.
   
Respeito e confiança nunca podem passar despercebidos. Estes são atributos que precisam ser provados. Eles também são diretamente recíprocos ao comportamento dos outros. Por exemplo, quando sentimos que não temos tido respeito por outra pessoa com quem nos importamos, é provável que tenhamos dado a ela muito pouco respeito. A maioria de nós é sensível a quando não estamos sendo tratados com respeito e é, por isso, incapaz de dar respeito quando ele nos falta.

Se você se sente desrespeitado, o que você está fazendo no processo? Sempre há uma conexão. Ou você está aceitando comportamento abaixo do padrão para ganhar aprovação, permitindo-se ser tratado como um capacho, ou não está tratando os outros bem o bastante. Uma vez que você descobrir a raiz do mal, o respeito e a confiança são, geralmente, mutuamente garantidos.

Combinadas, essas seis dimensões contribuem para o conceito de respeito. Quando mostramos a outro ser humano esse respeito, nós adicionamos uma experiência ainda melhor para a vida e para as perspectivas  dele enquanto nós também somos fortalecidos por esse efeito.


(Uma tradução exclusiva do Escolhendo Livros deste artigo do Ezine Articles)