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Porta número um: Um homem que você conhece com a palma da sua mão. Trabalhador, inteligente, carismático; talvez um pouco pedante, mas que consegue traduzir seus pensamentos com um simples olhar. Conversa sobre todos os assuntos, sempre tem uma opinião e, como se já não fosse o suficiente, te incentiva até o último segundo a dar o seu melhor para realizar os seus sonhos. Porta número dois: A carta debaixo da manga. O mistério de alguém novo, extremamente atraente e com um magnetismo que ultrapassa a camada do racional. Ele é famoso, cheio da grana, e sabe muito bem como se divertir, em todos os sentidos. Seus conhecimentos? Escassos. Sua vida? Nada estável. Mas quando ele está ali, ele está ali. Irina McGovern tem dois caminhos, duas vidas alternativas que mudariam completamente a sua própria pessoa e destino. Se ninguém é perfeito... Nenhuma escolha é também. Você já se perguntou... "E se"?

Lawrence estava em casa e os dois eram felizes. No entanto, sem saber ao certo quando nem por que, Irina havia guardado a ideia de que a felicidade, quase por definição, era um estado de que não se tinha consciência na hora. (...)Convencionalmente, tem-se consciência da felicidade no exato momento em que ela começa a escapar. (...) Ela só fora alertada para sua felicidade por ter roçado de perto num futuro alternativo em que essa felicidade seria aniquilada. 

Eu já tinha expectativas altíssimas com O Mundo Pós-Aniversário desde que o nome Lionel Shriver ganhou um valor especial para mim em 2011. Para quem não sabe, ela é a autora do impecável (Só uma linha de rasgação de seda, prometo!), pertubador, mindfucking, assustador e reflexivo Precisamos Falar Sobre Kevin, um grande best-seller americano que ganhou (ainda mais) fama com a produção de sua adaptação pros cinemas ano passado. Dessa vez, Lionel saiu um pouco do campo da maternidade e partiu para um terreno que havia, à primeira vista, me decepcionado um pouco pela previsibilidade: Traição. Subestimando o livro pela temática mais do que batida, eu posso até ter cometido um erro aceitável, se eu não tivesse esquecido a premissa óbvia que Shriver não é uma escritora ordinária. Então essa(s) história(s) é(são) longe de ser(em) ordinária(s). 

Se está se perguntando porque a abertura para o plural ali em cima, deixa eu explicar melhor. Esse livro começa com um primeiro capítulo/prelúdio apresentando a tímida ilustradora de livros infantis Irina McGovern, uma mulher contida e inteligente que mora há quase dez anos com seu parceiro, Lawrence Trainer, um homem (Não, eles não são casados, algo que sempre incomodou um pouco Irina) atencioso, trabalhador e fiel. Com uma relação pacífica, vida sexual ativa e uma ainda existente intimidade que é motivo de inveja até para os amigos do casal, Irina acredita ter tirado a nota preta na vida. Até que um dia, Lawrence precisa viajar à trabalho no dia em que um antigo amigo do casal, um famoso jogador profissional de sinuca Ramsey Acton, faz aniversário. Irina e Lawrence sempre saiam para jantar com Ramsey e sua histérica ex-mulher Jude uma vez por ano justamente para comemorar a data, e agora com Lawrence viajando e Jude fora da jogada, Irina decide sair com o colega em um jantar só para "fazer a social" (Antes que perguntem, o próprio Lawrence empurrou a mulher para a enrascada). Entretanto, Irina começa a sentir algo que nunca em todos esses nove anos de amor pleno pelo "marido" teve vontade de fazer. Uma paixão instantânea, uma vontade louca, insana, passional de beijar Ramsey. E é neste momento que a história para.

A partir daí, a trama ganha duas versões "paralelas" do destino de Irina. Na primeira, Irina beija Ramsey; na segunda, se mantém fiel a seu marido. O livro organiza isso em uma divisão de capítulos feita por  revezamento, - dois capítulos "2", "3", "4" - em dois relatos dos fatos que aconteceriam em cada uma dessas possibilidades da vida da protagonista. No começo pode parece difícil de acompanhar o passo, mas a estratégia é excepcionalmente concisa. Ao mesmo tempo que você ganha a oportunidade de ter não apenas um, mas dois livros da Lionel, você é presenteado com histórias peculiarmente independentes e,  ainda assim, interligadas uma com a outra. Essa construção possibilita uma das sacadas mais interessantes do livro; com um pouco de atenção, você facilmente perceberá que várias falas dos personagens são repetidas de uma história para outra - só que ditas por personagens diferentes (um trabalho que, deus do céu, merece ao menos um brinde!).

Falar sobre o que exatamente acontece em cada um dos dois egos da história talvez seja considerada uma traição para o conceito do livro, então para não soltar a língua demais, decidi por me focar no perfil dos três principais personagens aqui. Algo maravilhoso deste livro para mim - e que já está se tornando um padrão pelas minhas experiências com a Shriver - é a extrema credibilidade de suas protagonistas. Enquanto Eva de PFSK é excêntrica, classuda e categórica, Irina é o seu perfeito oposto. Com os valores morais da família enraizados em sua pele, Irina é uma mulher das antigas; o que não quer dizer que não tenha uma natureza passional. A forma como ela brinca dentro da linha tênue da razão e sensibilidade (Jane Austen much?) é visceral - e pessimista, porque isso obviamente nunca faltaria se tratando no estilo da autora - e carrega a narrativa com um poder analítico acirrado. Lawrence e Ramsey, os dois caminhos, se mostram como mais do que pessoas, mas virtudes diferentes. Lawrence representa a espécie de segurança que todos nós queremos um dia, esboçando o sonho perfeito de qualquer pessoa que tem, como maior medo, o velho "Eu não quero morrer sozinho". Ramsey, por outro lado, aborda o prazer carnal, a paixão, o sexo com todas as letras, que nós, por mais superficial que soe, queremos.

Não se engane - não existe caminho errado nesse livro. Não pense que a narrativa irá empurrar você a pensar "Nossa, se ferrou" em uma das versões e "Viu? muito melhor assim" na outra. Ambos os futuros possuem tristeza e felicidade. "O Mundo Pós-Aniversário" é bem claro quanto a sua maior reflexão. O momento é tudo. E antes de pensar em atos e consequências, nós pensamos no agora. Naquele presente atemporal, bobo, frívolo e decisivo no qual você precisará responder a si mesmo, com a maior concentração de coragem que conseguir juntar - Sim, é isso que eu quero.

Mas engraçado como aquilo que nos atrai numa pessoa é o mesmo que passamos a desprezar nela. 


Fala, gente bonita!

Cês 'tão bem, né? Eu também estou. Semana meio corrida, com algumas novidades meio boas aqui, faculdade em greve, acordando duas da tarde, curtindo o seguro desemprego e jogando muito Resident Evil 5. E vocês? O que me contam?

Hoje o post vai ser sobre um tema polêmico: mamilos. Brincadeira, haha. Vai ser sobre respeito. Mas quem vai ditar as palavras do post não sou eu, não; é uma articulista (adoro essa palavra) do Ezine Articles chamada Elaine Sihera, que tem algumas considerações interessantes sobre esse sentimento meio indefinível que é o respeito. Confira nesta tradução exclusiva do Escolhendo Livros!

(imagem: Getty Images

O respeito é demonstrado pelas nossas ações, não pelas nossas palavras. E quando essas ações são ausentes, especialmente em um nível trivial ou simples, há também uma distinta falta de respeito. Em todo relacionamento, o respeito caminha de mãos dadas com o amor e o compromisso. Você não pode amar alguém que você não respeita ou com quem você não está preparado para assumir um compromisso, mesmo que por um período curto de tempo.

Caso contrário, você vai se ressentir do tempo que passou com esse alguém, ou que gastou fazendo coisas em nome dele(a), quando você poderia estar fazendo outra coisa ou estar com outra pessoa. Da mesma forma, você não pode amar alguém em quem você não confia. Uma vez que a confiança se perde, os sentimentos se tornam superficiais e o relacionamento muda tanto em termos de emoção quanto em termos de força. Você passaria a não mais respeitar aquela pessoa, tendendo a suspeitar das ações dela em vez de celebrar e aproveitar sua presença.

As seis dimensões do respeito

Frequentemente a falta de respeito vem pela má interpretação da palavra. Nós lançamos a palavra “respeito” muito superficialmente, como uma panaceia para os nossos sentimentos. Mas respeito não é só um simples termo. Ele carrega seis outras grandes dimensões dentro de si:

1. curiosidade
2. atenção
3. diálogo
4. sensibilidade
5. fortalecimento
6. cura

Se nós não estamos de fato demonstrando esses seis conceitos de várias formas, com cuidado em relação a quem dizemos respeitar, não estamos mostrando a eles muito respeito.

Curiosidade
O respeito começa com curiosidade. Nós temos interesse naquela pessoa. Queremos saber o quanto pudermos sobre ela, ou no mínimo algumas coisas-chave para começarmos. No processo de namoro, nós manejamos todos os tipos de oportunidade para satisfazer essa curiosidade e nos sentimentos mortificados quando não obtemos respostas ao nosso interesse, porque somos incapazes de preencher nossa curiosidade em qualquer aspecto e de dar nossa atenção. Nos sentimentos frustrados, rejeitados e insignificantes.

Atenção
Se a curiosidade for satisfeita, nos movemos para dar àquela pessoa nossa total atenção. De fato, nossa curiosidade também aumenta, porque essa pessoa começa a assumir valor em nossos olhos. A quantidade de valor vai depender da forma que ela satisfaz nossa curiosidade e atenção. Se a informação que conseguirmos for fraca, pouco interessante ou não-fortalecedora, nós perdemos o interesse rapidamente, nossa atenção declina e nós partimos para a próxima. Entretanto, se percebemos que o novo interesse se alinha conosco e se encaixa conosco de formas maiores, tanto a excitação quanto o interesse despertam. Então esbanjamos ainda mais atenção para aquela pessoa, nos movendo para atrair a atenção e o interesse dela.

Diálogo
Muita atenção inevitavelmente leva ao diálogo, porque esse é o único jeito de aprendermos sobre o nosso novo interesse. Comunicamos-nos verbalmente o quanto possível porque respeitamos aquela pessoa o bastante para querer ouvir o que ela tem a dizer. Também temos o maior prazer em conversar sobre ela. Por isso muito dinheiro vai ser gasto em encontros e conversas telefônicas, particularmente. Quando há pouco respeito, não nos interessamos nem um pouco naquela pessoa e não vamos nem conversar com ela. Se também há desrespeito, por exemplo, vamos fazer suposições sobre ela baseadas em seu gênero, cor, sexualidade, etc.; faremos de tudo pra tratá-la negativamente. Talvez tenhamos um diálogo às vezes, mas ele vai expressar nossas ansiedades, preconceitos ou raiva, não nosso respeito.

Sensibilidade
Isso está no âmago do respeito. Aceitar a pessoa como ela é sem querer moldá-las a nós; saber inteiramente de seus valores, cultura, identidade e quem ela quer ser; valorizar suas contribuições, opiniões e comentários e genuinamente escutá-la e compartilhar suas preocupações. Esses são elementos essenciais de como mostrar sensibilidade à pessoa que ela é e quer ser. Quando colocamos nós mesmos e nossas necessidades primeiro, e enxergamos apenas nossos valores, cultura e opiniões, estamos negligenciando muita sensibilidade àqueles com quem nos importamos e, na verdade, negando respeito a eles, não importa o que digamos para justificar.

Fortalecimento
Ser curioso em relação a alguém, dar a nossa atenção, ter um diálogo com ele ou ela, e ser sensível em relação às necessidades dessa pessoa representam a maior forma de fortalecimento que podemos conceder a outro ser humano. Isso mostra que nós valorizamos a pessoa imensamente se temos a intenção de dar a ela nossa atenção e tempo, e também mostra que nos importamos com o que ela valoriza. Qualquer outra coisa é falta de respeito. Por exemplo, se alguém está tentando conversar com você, mas você está ocupado jogando em seu computador, ou conversando com outra pessoa no telefone, isso mostra pouca reciprocidade pelo respeito que estão lhe dando, ou sensibilidade quanto à presença ou necessidades dessa pessoa.

Cura
O respeito tem a capacidade de curar, especialmente quando tivemos experiências passadas que foram dolorosas ou traumáticas, então esta última dimensão é importante. Quando temos um momento ruim, é muito afirmativo ser respeitado e valorizado pela nova pessoa a quem estamos atraídos, ou pelas pessoas com quem interagimos, e isso é efetivo para o processo de cura.
   
Respeito e confiança nunca podem passar despercebidos. Estes são atributos que precisam ser provados. Eles também são diretamente recíprocos ao comportamento dos outros. Por exemplo, quando sentimos que não temos tido respeito por outra pessoa com quem nos importamos, é provável que tenhamos dado a ela muito pouco respeito. A maioria de nós é sensível a quando não estamos sendo tratados com respeito e é, por isso, incapaz de dar respeito quando ele nos falta.

Se você se sente desrespeitado, o que você está fazendo no processo? Sempre há uma conexão. Ou você está aceitando comportamento abaixo do padrão para ganhar aprovação, permitindo-se ser tratado como um capacho, ou não está tratando os outros bem o bastante. Uma vez que você descobrir a raiz do mal, o respeito e a confiança são, geralmente, mutuamente garantidos.

Combinadas, essas seis dimensões contribuem para o conceito de respeito. Quando mostramos a outro ser humano esse respeito, nós adicionamos uma experiência ainda melhor para a vida e para as perspectivas  dele enquanto nós também somos fortalecidos por esse efeito.


(Uma tradução exclusiva do Escolhendo Livros deste artigo do Ezine Articles)


ImagemFlickr emilyhopkins
As livrarias do mundo estão entrando em colapso. E nós sabemos o por quê.


Entretanto, elas ainda estão longe de saírem de vez das nossas vidas, e a icônica livraria Kepler de São Francisco tem tentado de tudo para garantir que esse dia nunca chegue encorajando um grupo de especialistas a repensar o conceito de uma livraria moderna. Ron Charles do Washington Post resumiu os três dias de discussão deles com uma série de posts em seu blog.

No final das contas, o grupo organizou oito princípios fundamentais para uma Kepler revigorada. Esta suposta nova loja deveria:

1. Ser financialmente sustentável.
2. Ter um objetivo claro e definido.
3. Ser dedicada a alcançar toda a comunidade.
4. Servir de local de encontro para eventos sociais e criativos.
5. Estimular aprendizados para toda a vida e apoiar uma educação literária. 
6.Vender livros de todas as formas possíveis e em qualquer plataforma.
7. Manter uma identidade virtual, com tecnologia completamente integrada a loja. 
8.  Providenciar uma seleção cuidadosamente organizada de livros.



Livrarias são experiências física que a tecnologia digital não pode atingir. As pessoas gostam da ideia que elas existem, mas precisam de um motivo irresistível para não salvarem seu dinheirinho ao comprar livros de distribuidoras online que não tem os preços exorbitantes de livrarias do mundo real.

Então as livrarias apenas sobreviverão se elas fizerem o melhor com os seus atributos que as fazem não ser o Amazon.
Aqui está uma lista de ideias inspiradas em livrarias de todos os lados do globo, que podem ajudar uma livraria modesta a sobreviver por várias gerações:

Espere carregar, clique dentro da janelinha e use as setas do teclado para passar as dicas!
(Pedimos desculpas pelas palavras as quais o widget não reconhece os acentos)
   
(Uma tradução exclusiva do Escolhendo Livros deste artigo do Huffington Post)


"Existem muitas maneiras de cometer suicídio. Os que tentam matar o corpo ofendem a Lei de Deus. Os que tentam matar a alma também ofendem a Lei de Deus, embora esta falta seja menos visível aos olhos do homem"
  Paulo Coelho


O quão chata a vida pode ser? Chata o suficiente para dormir o dia todo? Entediante a ponta de se jogar em passatempos omissos e masoquistas só para quebrar a rotina? Tão Opaca e fosca que você pensaria em simplesmente... Tirar a sua vida? Olhe na minha cara e me diga, com todas as papas na língua: "Eu nunca pensei em suicídio". Tudo bem, eu finjo que acredito. Talvez você seja feliz mesmo. Um "goody-goody", como diria a expressão americana. Uma Pollyanna. Bem, sinto-lhes informar - Eu não sou. E hoje eu decidi apresentar para você um livro que já diz tudo no título. Veronika Decide Morrer. Mesmo.  

Veronika é aquela garota linda que você já deve ter visto por aí. Ela provavelmente já teve muitos namorados, uma série de notas medianas e aquele histórico de festas invejável, de deixar qualquer alpinista social com uma veia estourada nos nervos. Mas ainda assim, ela está ali, com uma decisão afogada em sua garganta que quebra todo o conservadorismo de sua história: Veronika opta pelo suicídio. Por que? Não é da minha conta dizer. Mas quando acorda em um sanatório e descobre ter sobrevivido, toda a sua visão de vida muda e, junto com isso, seu conceito de loucura ganha um significado completamente diferente. Qual o problema em ser louco? Ironicamente, talvez seja tarde demais para uma descoberta existencial - Ela não sobreviveu exatamente; seu suicídio lhe deixou sequelas o suficiente para uma sobrevida curta, de apenas alguns dias.  
Veronika Decide Morrer só conseguiu me convencer, integramente, em suas últimas páginas. Sim, como se fosse um mochilão para Europa mal planejado, daqueles que você passa a viagem toda com medo de algo dar completamente errado e só consegue sentir a satisfação de que valeu a pena... No último dia. Apesar de todo o preconceito (Compreensível, mas exagerado) que jogavam em cima de mim em relação ao Paulo Coelho, vou ter que defender o cara: Sua criatividade e sensibilidade espiritual conseguem fazer da obra uma experiência peculiar, que compensa qualquer limitação que ele possa ter na habilidade de escrita. Quero dizer, para um cara que nunca teve uma formação, como você pode discriminá-lo por chegar até aonde chegou? Ele é um dos poucos escritores brasileiros reconhecidos mundialmente. Tem Universidades na França que utilizam "O Alquimista" como material obrigatório de Mestrado em Literatura. Vamos ao menos dar uns créditos por isso? É um apelo que eu queria deixar aqui, saindo um pouco do campo do livro.

De qualquer forma, Veronika passa por uma "chacoalhada" de espírito arrebatadora, um empurrão que todo mundo um dia talvez precise (Afinal, quem nunca pensou, pelo menos em um momento, que a vida pode ser extremamente tediosa?). Se você não curtir essa parada zen que Paulo Coelho normalmente aborda em seus livros, aqui vai um conselho - Leia como metáforas. Esqueça a religião e os paradigmas. O livro só precisa ser sobre isso se você quiser. Há uma mensagem de coragem dentro dele que nada tem haver com qualquer parafernália espiritual. Há uma mensagem... De ter força de vontade o suficiente para esperar pelas surpresas.  

Estréia da Série "Jogos dignos de um livro"

Livros estão em toda a parte. No fundo do seu armário da escola, na pilha bagunçada de uma biblioteca, esquecido no porão empoeirado da casa da sua avó.... Enfim, em qualquer esconderijo que você possa imaginar. Esta personalidade viajante da família papirus livrae - composta por uma série de primos mochileiros viciados em Foursquare - permitiu que hoje, um livro não precise mais se limitar ao universo das páginas materiais. E não, não estou falando apenas dos ebook. Me refiro aos filmes, séries, peças, danças, fotos, pinturas e video games que tem uma essência tão dinâmica e complexa que poderiam se transformar em bons, algumas vezes ótimos, livros. Então eu pensei comigo mesmo: "Ok, Trinta. Falar de livros adaptados por filmes já tá muito mil novecentos e sempre. Que tal mostrar um pouco os potenciais livros escondidos em jogos de video games?" Cheque mate! Este post é uma ideia minha - como um player amador, mas com uma paixão sincera por este universo (Eu jogo desde pequeno, mas não sou nenhum gamer super duper incrível) - para mostrar que video game nunca foi apenas para passar de fase.




Imagine um mundo dominado por um fungo misterioso, capaz de matar pessoas e reanimar seus cadáveres. Estes são chamados de Infectados, o que, cá entre nós, não deixa de ser uma espécie de zumbi. Com as cidades sendo abandonadas, a natureza toma aquilo que sempre foi seu, transformando ruas e prédios em uma grande floresta urbanizada. A unidade militar evacuou a população para zonas de quarentena, na qual os sobreviventes são constantemente examinados para detectar qualquer sinal do fungo; uma vez encontrado, a vítima é obrigada a declarar eutanásia. Joel trabalha no mercado negro dentro de uma dessas zonas de quarentena, vendendo armas e drogas. Um evento desconhecido o faz prometer a um antigo amigo  a tomar conta da pequena Ellie, a qual ele vira um guardião e amigo. Por algum motivo ainda não revelado, os militares passam a persegui-los... E Joel e Ellie precisam se aventurar pelas cidades abandonadas para sobreviver de todas as maneiras possíveis.

Esta grande promessa para o Playstation 3 com o lançamento programado para 2013 tem gerado inúmeros comentários por toda a internet, principalmente depois de sua primeira exibição mundial na E3 2012 (Electronic Entertainment Expo), o maior festival de videogame do planeta. Além dos gráficos incríveis que nem parecem da geração atual de consoles, o jogo foi muito elogiado pela química entre os dois protagonistas, com diálogos críveis e muito bem trabalhados. Aparentemente, o clima realístico e pesado das decisões que Joel e Ellie tem que fazer no seu dia-a-dia como sobreviventes de um Estados Unidos solitário é tão intenso e envolvente que o próprio enredo do jogo parece ter saído de um roteiro de Hollywood - Ou porque não, de um livro distópico.

P.S: Notou alguma coisa sobre o físico de Ellie? Sim, ela foi desenhada e construída a partir da atriz americana Ellen Paige!



A história de Heavy Rain é construída como um verdadeiro thriller dramático estilo film noir, centrado em quatro protagonistas envolvidos com o mistério do assassino do Origami, um serial killer que usa longos períodos de chuva para afogar suas vítimas. O jogador interage com o jogo realizando ações destacadas na tela relacionadas aos movimentos no controle. As decisões do jogador e ações durante o jogo irão afetar a trama, os personagens principais podem ser mortos, e certas ações podem levar a diferentes finais. 

A mágica de Heavy Rain é a sua capacidade de te inserir dentro do jogo,como um verdadeiro livro interativo. Todas as escolhas  que você faça, seja controlando Ethan Mars - um arquiteto que descobre que o seu filho pode ter sido sequestrado pelo Origami - Madison Paige - uma jornalista solitária envolvida no caso por pura e espontânea curiosidade profissional - Norman Jayden - um agente do FBI viciado em drogas - ou Scott Shelby, - um policial aposentado e asmático que também faz as suas próprias investigações sobre o caso - podem modificar completamente a história do jogo, desde matar ou não uma pessoa até abrir a cortina da janela de seu quarto. A realidade ampliada de Heavy Rain o fez ganhar o título de um dos melhores jogos exclusivos de Playstation 3 em 2009, com avaliações fantásticas de sites como o IGN, Metacritic e Gamervision. Mas eu, particularmente, dou minhas próprias palmas para esse novo conceito de video game, tratando-o como algo muito mais profundo do que puro entretenimento. Heavy Rain é uma obra de arte. 



Em um futuro não muito distante, conhecemos Seto, um garoto tímido e melancólico que sempre morou em um observatório repleto de livros. Quando o misterioso velho que o criava morre, Seto percebe que ele não poderia ficar ali sozinho para sempre e decide viajar pelo mundo a procura de alguém para lhe fazer companhia. Assim que sai pela primeira vez para este vazio e destruído lugar que nunca havia visto na vida, o jovem protagonista encontra uma garota de cabelos prateados olhando para a lua, com um brilho que não consegue explicar. Ele tenta falar com ela, a Garota de Cabelos Prateados foge, deixando-o desnorteado e sem reação. Por ser a única chance de ter alguém por perto, Seto se joga em uma busca apreensiva em que as únicas pessoas que vagam nas ruas são lembranças dos mortos de um planeta abandonado. 

Este é meu jogo favorito. Ele é triste, singelo, nostálgico e solitário (nada expressa melhor a essência de Fragile Dreams do que solidão), com uma história que pode ser caracterizada como uma mistura de As Vantagens de Ser Invisível com Eu sou a Lenda. Só para você ter uma ideia, você sai por este mundo completamente destruído - mas com cenários lindíssimos, como um parque de diversões à noite e uma estação de trem iluminada por um céu púrpura - e encontra objetos que, um dia, já pertenceram a pessoas que não existem mais. Toda vez que você os encontra, o fragmento de uma lembrança aparece para você, como uma página de um livro, contando o resquício de uma vida que você nunca irá conhecer. Lançado em 2009 para o Nintendo Wii, Fragile Dreams: Farewell Ruins of the Moon é um dos jogos mais choráveis que eu já vi na vida, e talvez exatamente por ser um jogo muito mais "história" do que "jogabilidade" (uma crítica ruim que muitos gamers teceram para ele), FR tem um conceito que merecia ter o seu próprio romance. 


Hoje trouxe três títulos dos consoles PS3 e Wii, para poder agradar todos os tipos e gêneros. Sempre que puder tentarei trazer jogos diferentes, talvez até uns bens antigos, porque uma boa história nunca significou necessariamente tecnologia de ponta e gráficos perfeitos. Espero que tenham gostado e até o próximo JDL!

Fontes: IGN, Wikipedia, Animespirit, Revista Playstation Oficial Brasil, Experiência Própria.


 Eu coleciono algumas coisas que ninguém nunca vai conseguir explicar - como embalagens de doces e adesivos de frutas (sério, aqueles que vêm grudados nas frutas. Pois é.)
Mas no meu computador eu tenho uma pasta lotada com imagens de capas de livros, e recentemente me passou pela cabeça que isso pode ser uma coleção mais fácil de compreender. Afinal, quem não gosta de capas de livros? Até gente que não gosta de ler provavelmente gosta de algumas...
 
 Em alguns países elas podem ser capas mais grossas, com papéis brilhantes (Alô, Estados Unidos!). Em outros elas são encadernados clássicos e com folhas cor creme, como livros de bibliotecas antigas, daquelas britânicas. Algumas das melhores editoras do mundo todo também produzem paralelamente capas finas e mais baratas em livros formato pocket - na minha opinião, um dos melhores formatos para um livro, já que não o transforma em um objeto de luxo e o torna muito mais acessível a todos os bolsos - eu poderia fazer agora toda uma Ode aos livros pocket aqui, mas não é por isso que eu devo.)

As capas que eu coleciono não são capas de livros que eu necessariamente li (muitos eu li e adoro, mas alguns eu sequer pretendo ler), porque eu ainda acredito que para ler um livro você deve se interessar pela história e não só pela capa (pelo menos comigo... alguém ai já comprou um livro pela capa e foi bem sucedido? se foi, conte sua história de sucesso nos comentários. prosseguindo). Mas há algo sobre capas que, esteticamente, resume toda a paixão por livros que existe no mundo: quando você pensa no mundo da leitura e em como você ama livrarias e bibliotecas, lá estão elas, juntamente com os livros empilhados até o teto: Mágicas e lindas (cá entre nós, algumas nem tanto) e muito mais importantes do que muitos dão crédito (vide algumas capas depressivas que existem, mas vamos ao assunto)

(Algumas das) Capas de Livros Preferidas da Patrícia:
(Devido ao grande número de imagens talvez algumas não carreguem de primeira, caso isso aconteça aí, aperte F5)




















Se este post fizer você pensar sobre as SUAS capas preferidas e você quiser compartilhar elas com a gente nos comentários, nós vamos adorar.

E aproveitando que o assunto é capa, essa semana a rede social de livros brasileira, o Skoob, resolveu promover o Book no Facebook: um evento onde você troca a sua foto do facebook pela capa de um dos seus livros preferidos.
Mas vale lembrar que nesse caso a capa que você escolhe é realmente por causa da história ;)



"Então... Você está me falando que existe um livro sobre um zumbi apaixonado por uma garota?"

"É."

"E que este tal zumbi comeu o cérebro do namorado da guria e começou a, tipo, do nada, ser racional?"

"Bem isso..."

"..."

"Que foi?"

"É que tem tantas maneiras de te zoar neste exato momento que eu não consigo me decidir por uma. Quero dizer, você gostou disso?"

"Bem, tem Frank Sinatra, carnificina, uma garota chegada em um baseado e uma reflexão existencialista sobre o fim do mundo. Então... Por que não?"

Vamos cortar o barato e ir direto ao assunto: Este livro é absurdo. Mas não no sentido pejorativo, calma. Ele é apenas algo que você veria jogado no fundo de uma livraria, olharia para a sinopse, levantaria a sobrancelha, leria de novo e pensaria "Isso é sério?". E sim, Warm Bodies não apenas tem 252 páginas de  existência na face da terra como também se leva a sério, o que é o grande fator surpresa da história. Aposto como você estava esperando que eu falasse "Ah, ele é bom porque ele é uma paródia de si mesmo", algo que está ficando comum pra caramba hoje em dia... Mas não. Isaac Marion narra a história de R, um zumbi colecionador de discos de vinil com toda a seriedade que a história poderia ter. Isso é algo bom? Ainda vou chegar lá.

O mundo acabou. Ou pelo menos está caminhando para isto, já que há alguns anos os zumbis começaram a dominar o planeta, colocando em risco a existência da raça humana. Todos os últimos sobreviventes vivem escondidos em estádios de futebol enquanto a grande maioria dos zumbis se reúne nas Colméias, em outra palavra, em aeroportos. R é um desses zumbis, e se você quer saber porque o nome dele é uma letra, bem, é porque ele não se lembra do nome completo mesmo. Quando alguém se transforma em um Morto, a vida passada vira um grande borrão e, a não ser por alguns poucos relances de nostalgia sem qualquer sentido lógico, R praticamente renasceu neste limbo frio e vazio. Sua rotina gira em torno de suas saídas para comer  cérebros com seu amigo M, o casamento com uma outra zumbi (!), o zelo com seus dois filhos adotados (!!) e a constante sensação de que é o único Morto que ainda tem capacidade de pensar. 

Até que um dia R sai para uma caçada com o seu grupo de zumbis e encontra um grupo de adolescentes muitíssimo apetitosos. Não demora muito para R colocar suas mãos em um bom cérebro para comer (depois de muita luta, gritos, sangue e, bá, você sabe, zumbizisses), já que é a sua parte favorita. Só que logo na primeira mordida, uma série de lembranças e flashs começa a aparecer dentro de sua cabeça, como um livro de histórias prestes a ser revelado; um livro em que o principal capítulo é uma bela loira de olhos claros... Julie. O cérebro pertence ao namorado de Julie e, ao que tudo indica, R aprendeu uma das maiores contradições de sua existência: Sentir.



Não me olhe assim. O único problema de Sangue Quente é a época em que ele foi lançado. Hoje, as pessoas estão tão saturadas de "romances sobrenaturais" que acreditam que qualquer obra com um amor interracial entre, err, espécies (?) cai dentro da mesma laranjada. Mas existe sim aqueles que ainda conseguem tirar frutos da galinha de ouro pós-Twilight, principalmente quando a perspectiva adotada pelo autor é a de um excêntrico zumbi, escapando da mesmice narrativa típica da "garota normal". E é essa carta na manga que faz Isaac Marion transformar a história em algo cruamente envolvente; o livro é quase todo descritivo, - já que para um zumbi conseguir falar mais de três palavras sem pausas é preciso ter muita força de vontade - esboçando os destroços de um Estados Unidos pós-apocalíptico com a nostalgia de um ancião e a curiosidade de um recém-nascido. Tem uma parte em especial que eu gostaria de mostrar a vocês, só para tentar tirar a carapuça preconcetuosa de que Warm Bodies é estúpido:


"Levanto-me devagar e vou até o toca-discos. Pego um dos meus LPs preferidos, uma obscura compilação de músicas do Sinatra de vários álbuns. Não sei porquê gosto tanto deste disco. Uma vez, passei três dias inteiros completamente parado, diante dele, vendo apenas o disco girar. Conheço melhor os sulcos daquele vinil do que as linhas das minhas mãos. As pessoas costumavam dizer que a música era a grande comunicadora; fico imaginando se isto ainda é verdade nesta era póstuma pós-humana. Coloco o disco e começo a mexer na agulha quando ele toca, pulando padrões e músicas, dançando através das espirais para encontrar as palavras que que quero que preencham o ar. Palavras que são vistosas, atemporais, pontuadas por grandes arranhões que parecem rasgar a pele, mas o som é impecável. O barítono amanteigado de Frank fala o que quero dizer melhor do que minhas palavras quebradas poderiam, mesmo se eu tivesse a voz de um Kennedy. Fico em pé na frente do disco, escolhendo e colocando as frases que possuem algum significado especial para mim, recortando e colando as coisas que estão em meu coração em um grande álbum imaginário no ar."
Warm Bodies, pág. 69

Tem algo tão doce nisso. É como se eu pudesse sentir as tentativas de R em aprender o que significa ser emotivo, justamente porque o autor escreve como um cara emotivo. Sabe aquele ditadinho popular famoso que fala "Um livro só pode ter uma alma se o seu escritor tiver vivido"? Eu estava lendo a orelha do livro e olha isso: "Isaac Marion trabalhou como instalador de dutos de aquecimento, segurança de estações de energia e em empregos estranhos, como entregador de leitos de mortes para pacientes em hospícios e supervisor de visitas de pais em orfanatos." Se você analizar bem, o fator "Isso é sério?" do livro parece muito com o fator "Isso é sério?" dos trabalhos de Isaac, e talvez seja por isso que, por mais que o livro pareça ser bobo, há uma experiência secreta em suas páginas reservada para quem consegue segurar a língua e apenas... Ler.

O romance entre R e Julie - uma daquelas garotas encrenca cheias de atitude que você acaba aprendendo a amar - não é a única coisa que o livro aborda. Há uma crítica a degradação da humanidade, a qual a pergunta principal "Sobreviver é o suficiente?" estimula uma série de reflexões sobre a forma como enxergamos o mundo a nossa volta. A guerra entre os humanos e os Mortos é muito mais do que um bando de cenas com carnificina, principalmente se levar em conta que dentro dos Mortos há duas facções, os Ossudos e os Carnudos, que tem seus contornos ideológicos levemente baseados (no meu ponto de vista) na divisão entre bolcheviques e mencheviques na Revolução Russa - os radicais enraizados e os levemente tolerantes. R é visto como um rebelde pelos próprios mortos e você sabe tudo sempre sobra para o primeiro a dizer "não". 

Aí você se pergunta... Será que esse livro é realmente tão inteligente quanto este tal de Trinta diz? Eu não sei, para mim fez o requisito, mas eu concordo que todos tem o direito de ter suas reservas. Se você  não curte coisas melosas, Sangue Quente vai parecer banal. Se não tiver cabeça aberta para um pouco de fantasia idealista, então... Passe bem longe.  Eu? Bem, eu fico no time dos que acreditam em dar chances. E quer saber? Olhando agora... Talvez o amor entre um zumbi e uma garota não soe mais tão mongol assim.