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Oi, gente!

Como vão vocês? Espero que esteja tudo bem e que todo mundo tenha sobrevivido às manifestações do final de semana e que ninguém tenha nos feito passar vergonha. Enfim. Hoje, o colunista que vos fala vem com uma novidade, uma seção, ideia original do patrão, roteiro adaptado por mim, participações especiais à parte. Vem comigo que eu já conto o que é e cês vão entender tudo.

Como é de conhecimento de todos (?), eu escrevo pro Wattpad (vai lá me ler), uma plataforma online para publicação independente de textos literários (entre aspas, em alguns casos), onde tem escritos pra todos os gostos: contos, romances, poemas, fanfic de One Direction, meninas de treze anos que já se acham Cecília Meirelles e por aí vai. Daí, partiu a ideia de ~euzinho~ entrevistar algumas pessoas que eu conheço e participam do Wattpad. Portanto, sem mais delongas, apresento-lhes...


Se Fátima Bernardes tem um Encontro, eu também posso ter um, e só Deus pode me julgar. Encontro com Natinho vai trazer (quinzenalmente? mensalmente? anualmente? raramente?) entrevistas com escritores do Wattpad feitas por mim. Essa é uma forma de vocês ficarem por dentro do que tem rolado na ~cena underground (nem tão underground assim)~ da literatura independente. E podem ficar tranquilos, que no Wattpad tem muita tranqueira, mas eu vou trazer só o crème de la crème pra vocês!

Pra estrear nosso cantinho de entrevistas, selecionei uma autora que, segundo ela mesma, é nova na literatura. Paulista, solteira, 22 anos, membro do Wattpad há apenas cinco meses, Ana Cecília Brun já conquistou mais de 1,400 seguidores e mais de 950 mil acessos com seu romance de estreia, “Laços de um Sequestro”. Na entrevista de hoje, Ana fala sobre os planos para o futuro, sucesso, fama e talento (me formei na Escola Marília Gabriela® de entrevistas, gente, beijão). Ah, mantive o texto conforme a Ana me mandou, ok? Sem alterações.

(este é o avatar da Ana no Wattpad)
Natan: Oi, Ana.
Ana: Oi, oi, todo mundo!

N: “Laços de um Sequestro”. Conta pra gente sobre o que é essa história.
A: Huum... Bom, Laços de um Sequestro foi uma história que me surgiu na cabeça meio que de lampejo, da noite para o dia mesmo. Eu estava em casa querendo escrever alguma coisa e de repente me veio: “Por que não escrevo sobre uma mulher que é sequestrada e se apaixona pelo sequestrador”? E é isso, basicamente. Síndrome de Estocolmo, rs.

N: Uma coisa meio Caso Eloá?
A: HAHAHAHA! Não! De forma alguma, nada de tragédia, por favor.

N: Certo; então a protagonista, Alice, se apaixona pelo sequestrador.
A: Ah, sim. Ela se apaixona pelo sequestrador... E é isso o que eu posso dizer sem dar spoilers, haha!

N: Ok. Eu estava dando uma olhada agora, sua história está, até o momento, com mais de 950 mil visualizações. Esse número é muito expressivo pra histórias escritas no Wattpad. A que você atribui esse sucesso?
A: Essa é uma pergunta difícil. Eu realmente não sei de onde vieram todas essas leituras. Comecei a escrever a história sem muitas pretensões e, quando vi, a coisa foi crescendo e crescendo e se tornou isso tudo!

N: E como você se sente dando esse ibope todo?
A: Olha, francamente? Para mim não muda absolutamente nada. Por dois motivos: primeiro, porque 950 mil leituras significa que umas 15 mil e poucas pessoas leram o livro todo. O número não é assim tão assustador. Além disso, fossem 10.000 pessoas ou 100, eu escreveria com a mesma dedicação e o mesmo carinho, até porque ninguém que escreve no Wattpad está ganhando um centavo, então acho quantidade de leituras meio irrelevante. Prefiro ter a consciência de que fiz um bom trabalho a me deixar levar pelo que os números possam dizer.

N: Podemos então dizer que ser “famoso” no Wattpad é o mesmo que ser rico no Banco Imobiliário?
A: HAHAHA Sim!

N: Obrigado e um beijão pros meus haters que estiverem lendo isto aqui. Agora me diga uma coisa: “LDS” (vou abreviar por preguiça, sim?) é seu primeiro romance, né?
A: Isso!

N: E antes disso? Como é sua vida literária pré-Wattpad, ou pré-LDS?
A: Sempre gostei de escrever, mas nunca me aventurei por um romance. Escrevia umas crônicas pessoais, uns minicontos meio estapafúrdios, diários, mas o romance mesmo foi uma empreitada, que ainda não sei avaliar bem se foi bem sucedida ou não.

N: Os números não falam por si?
A: Não, não, de forma alguma, até porque tem MUITA coisa boa com pouca leitura no Wattpad e MUITA coisa ruim com milhares de leituras.

N: Te entendo muito bem (beijo enorme pros Reis do Wattpad™). Mas por que diz que seus outros escritos são estapafúrdios?
A: Não sei se essa seria a palavra mais adequada, mas é que eu sou uma escritora meio “traiçoeira”, por assim dizer.

N: Elabore.
A: Ah, é que eu não leio muito coisas do gênero de “LDS”, apropriando-me da sua sigla.

N: Você não lê romances “hot”?
A: Você considera “LDS” um romance hot? Haha

N: Você não?!
A: De jeito nenhum! Não quero nem de longe desmerecer o trabalho das escritoras que mexem com esse estilo de escrita, mas eu não me interesso nem um pouco. Acho que essas histórias tendem a atrair o público por um meio muito fácil, muito dado, que é o sexo “rasgado”. Algumas das poucas histórias que eu já li eram até bem escritas, mas usavam o sexo de uma forma TÃO vazia! Eu sou das antigas, sou romântica dessas bem bobas, acredito em fazer amor, em papai-mamãe, essas coisas caretas. Tanto é que em “LDS” só há duas cenas e meia de sexo, e as palavras mais “graves” que aparecem são “pênis” e “vagina”.

N: Hum... Interessante. Que tipo de conteúdo você costuma ler ou escrever?
A: Eu sou meio doida, haha. Gosto de coisa fora do convencional, coisa polêmica, marginal.

N: Tipo...?
A: Tipo histórias que envolvem traição, violência, incesto, diferenças grandes de idade, narrativa fantástica, romances lésbicos, gays, essas coisas.

N: Eu escrevo romances gays, cê não quer me ler, não?¹
A: HAHAHA, ué, por que não?

N: Você se inspirou em alguém da vida real pra escrever Alice e Martin?
A: Tem uma frase do Oscar Wilde que eu gosto muito! Quando ele foi julgado (agora não me lembro por que ele foi julgado), questionaram ele sobre os personagens do Retrato de Dorian Gray, e ele disse algo como: “Basil é como eu [Oscar] acho que sou; Henry é como a sociedade acha que eu sou e Dorian é como eu gostaria de ser”. Foi uma coisa mais ou menos assim. A Alice é como eu gostaria de ser: meio louca, engraçada, independente e tal. O Martin é como o homem dos meus sonhos deveria ser: um gentleman na medida certa. Mas não encontrei essas pessoas na vida real, infelizmente.

N: Por falar em Alice e independência: lendo seu livro, percebi que ela é uma personagem um tanto quanto destoante das personagens dos romances românticos modernos (aka new adult wattpadiano). Ela trabalha, ela tem sua estabilidade financeira, é dona de si, de suas atitudes, faz o que dá na telha, arca com as consequências e por aí vai. Essa criação foi espontânea ou você “desenhou” a personagem pra ser um “role model” mesmo?, algo que diferisse das Anastasia Steele e Bella Swan da vida?
A: Hum... Boa pergunta. Na verdade as pessoas têm uma visão da Alice um pouco diferente da sua. O que tem de gente que comenta a história dizendo a Alice é burra não tá escrito! Eu nem me dou o trabalho de tentar defendê-la porque, de certa forma, até entendo os leitores. Mas não fiz muito de caso pensado, não. A única coisa que eu pensei é que eu não queria criar uma personagem idiota, submissa a um homem, que fica louca, desesperada de paixão e joga tudo pro ar por causa disso. Alice é uma mulher, um ser humano, que não está acima de ninguém, que tem suas qualidades e defeitos, suas virtudes e fraquezas, e se envolve em situações que a fazem agir de determinadas maneiras. Para o leitor, é muito fácil julgar como ela deveria agir ou ter agido, provavelmente nenhum deles foi sequestrado tampouco se apaixonou pelo sequestrador! Por isso acabo relevando as coisas que leio nesse sentido, porque sei que o leitor se coloca na história com olhos de leitor, não com olhos de personagem.

N: Por falar em leitores: você tem muitas caprichetes (um beijo, Vinicius, por ter colocado esse termo na minha vida). O que você acha disso?
A: HAHAHAHAHA! Caprichetes seriam as leitoras da Capricho?

N: Exato.
A: HAHAHA! Adorei! Não, não, minhas leitoras são ótimas. No Wattpad eu deixei minha história com censura 13 anos e pais fortemente advertidos, até porque as cenas de sexo são até sutis, mas às vezes fico meio admirada com a quantidade de leitoras adolescentes que existe! Mas procuro tratar todo mundo muito bem; sempre respondo as perguntas, os comentários mais elaborados, essas coisas. É muito gostoso receber esse carinho das leitoras!

N: Momento TV Fama: projetos para 2015?
A: Haha! Muita gente me pediu uma continuação para LDS, mas não tenho planejado nada nesse sentido, não, até porque nem sei como eu continuaria de onde parei... Mas em breve eu devo lançar o livro físico de LDS de forma independente pelo Clube de Autores, para quem quiser colecionar, e, um dia, disponibilizar na Amazon também. Enquanto isso, talvez eu dê o ar da graça de vez em quando com algum texto menor. Preciso de férias!

N: Onde a gente pode te encontrar?
A: Meu user no Wattpad é AnaCBrun e o pessoal também pode curtir minha página no Facebook, facebook.com/anacbrunoficial.

¹ Eu falei pra Ana que excluiria essa parte da entrevista; ela pediu que eu mantivesse.
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Dei uma ligeira editada na entrevista porque, quando falei com a Ana, o livro ainda estava sem data definida pra sair do Wattpad. Mas, quem quiser ler, pode encontrar o livro online até o dia 1º de abril deste ano. Deem uma olhada na página dela, caso vocês se interessem pela história e queiram adquirir na Amazon, se ela puser à venda lá.

E é isso. Escolhi a Ana pra começar esta seção porque queria começar com alguém de peso. Das histórias que eu vi no Wattpad com as autoras mais populares, fiquei meio receoso de entrar em contato, até porque não conheço nenhuma delas (assim como não conheço a Ana muito bem), por isso fica aquele receio de levar uma bela duma patada ou de um não, ou então dar uma de Jonas BBB e cobrar R$3000 por uma entrevista. Mas a Ana foi super acessível comigo e topou participar da entrevista na hora (vou até dar o anjo pra ela), por isso vão lá ler a história dela. Não vou fazer uma resenha aqui porque não é esse o objetivo hoje, mas eu diria que “Laços de um Sequestro” é um clássico das bancas de jornal no melhor sentido possível, porque vocês sabem que eu adoro um livro de banca de jornal. Falei isso pra Ana e ela deu risada, portanto acho que é tudo bem eu publicar essa nota aqui.

Já tenho alguns autores e autoras interessantes na lista pra futuras entrevistas. Fiquem ligadinhos aí que daqui a um tempo eu volto com mais bate-papo literário. Um beijo pra todo mundo e fiquem com Deus. Até breve!

O Fim do Mundo. Nada assusta e encanta mais que isso: a finitude, o prazo que é dado ao nosso planeta. Em todas as culturas e religiões existem mitos e histórias que determinam como e quando vamos acabar. O mistério reside no fato de sabermos se iremos ou não participar da "lenda verdadeira", se iremos vivenciar o Fim. Mas a História, e principalmente a literatura, nos mostram que mesmo em meio ao absoluto caos o amor pode brotar.

Meu Amor é um Sobrevivente é a coletânea da Editora Draco que faz parte da coleção Amores Proibidos - que retrata o amor dentro do universo fantasioso, coisa que cresce cada vez mais dentro do universo literário. Neste livro, organizado por Ana Lúcia Merege e Janaina Chervezan, somos introduzidos ao Apocalipse da forma mais doce e amorosa (ou atormentadora e aterrorizante) que as nove escritoras selecionadas podem nos mostrar.


fonte
A Cidade do Eterno Verão, por Mariana Bortoletti.  Aqui somos apresentados a um mundo tomado por areia e calor - tudo o que foi se tornou uma imensidão de paisagens desérticas. Existem, nesses vastos desertos, as chamadas Nações - que são como fortalezas, impenetráveis e que mal fazem contato com o mundo ao redor; além das Cidades Soltas, pequenas vilas formadas no deserto. A protagonista, chamada de "guerreira", pertence a uma caravana, sem lugar certo onde viver, que apenas anda de um lado para o outro vivendo do comércio. A Guerreira encontra um rapaz desmaiado no deserto, e, após insistir ao chefe da carava para resgatá-lo, fica com a função de vigiar ele. Quando o chamado de "O Sobrevivente" acorda, ela descobre que ele tem o sonho de conhecer a Cidade do Eterno Verão, um lugar utópico onde, nas palavras da escritora "prometia sombra constante, água abundante e pessoas gentis e educadas". Claro que tal lugar é considerado uma lenda. O conto é escrito em terceira pessoa e a narrativa é alternada entre A Guerreira e O Sobrevivente.

As coisas viram de cabeça para baixo no momento que a Caravana é atacada por outra e os dois personagens fogem quando a batalha começa a ser perdida - dependendo inteiramente um do outro, apesar de terem uma relação um pouco conturbada devido a ideias contrários.

Eu gosto da forma com que a autora descreve as cenas - ela realmente é boa nisso, e mergulhei facilmente dentro do universo apresentado. Porém, tive problemas com o fato de que os personagens não tem nomes - sendo referidos sempre como "a guerreira" e "o sobrevivente". Esse tipo de apresentação tornou a leitura cansativa e limitada, na minha opinião, e o excesso de artigos utilizados tornou a leitura difícil, além de que acho que poderiam ser usados sinônimos em alguns momentos para não soar repetitivo. Outra coisa que não me agradou foi o ritmo. O começo corre bem lentamente, mas então há uma quebra na velocidade de acontecimentos que impede o leitor de se aproximar dos personagens, e tornou a experiência rasa e sem emoção - concluindo isso com um final nada empolgante e rápido demais.


Chocolate, por Karen Alvares. Luciana é uma menina de 16 anos e vive em São Paulo. Nada demais, né? Devem existir muitas Lucianas de 16 anos em São Paulo - mas esta Luciana em especial está no meio de um apocalipse zumbi. As coisas estão caóticas, e sua história de amor acontece, como diz a própria personagem, "no lugar mais sem graça do mundo: um supermercado. Pior, nos fundos dele, no estoque."

Na narrativa em primeira pessoa, conhecemos os personagens de Fabrício, um garoto quieto e com pinta de "revoltado", e seu avô, o Seu Antônio - dono do supermercado. Uma das coisas mais incríveis do conto é que ele se passa no supermercado o tempo todo, e isso não limita em nada a história que nos é contada. O mercado pode ser pequeno, mas, nas palavras de Karen Alvares, cabem um mundo em seus corredores. Outra coisa que me chamou atenção foi a maestria da personagem - ela é uma adolescente, antes de ser uma sobrevivente de um apocalipse louco, e isso é demonstrado na escrita. Temos gírias e assuntos bem modernos que não tiram o drama da situação e nem servem para alívio cômico: é apenas o jeito que os adolescente falam e pensam.

De fato, os personagens são muito bem desenvolvidos, e, mesmo para um conto pequeno, eles possuem uma história bem desenrolada e palpável - tornando-os tão protagonistas quanto a menina que narra os acontecimentos.

O ritmo do conto também é maravilhoso: rápido, sem quebras ou perda de tempo. Isso pode ser ruim apenas pelo fato de que a gente fica querendo saber mais e mais a todo instante. É um dos meus favoritos de toda a antologia, principalmente pelo roteiro bem elaborado. O final é demais, sério, de arrepiar.


Dias de Sombra, por Bruna Louzada. A família de Aisha possui uma tradição militar. Sua irmã mais velha, Marjorie, foi a primeira de três filhos a seguir a carreira. Ela e seu irmão Ivan, porém, não tiveram tempo para decidir o que iam fazer de sua vida, pois o mundo estava virando de cabeça para baixo. Na época da formatura de Marjorie, as coisas já estavam mudando - a família tendo que se mudar para bases fortificadas e, como criança, a protagonista não tinha sequer a curiosidade de perguntar. Foi apenas um ano depois que as coisas ficaram mais feias e ela se descobriu no meio de uma infestação de zumbis.

Agora Aisha vive em um shopping que também serve como forte, e passa seus dias preocupada com a sobrevivência. Mas como esse livro nos prova: o amor pode surgir mesmo no mais improvável local.

O conto de Bruna Louzada é um dos meus favoritos pela forma crua de escrita e domínio dos personagens, além da ambientação perfeita. É escrito em primeira pessoa, sob a perspectiva de Aisha - agora crescida. A forma com que o conto emerge o leitor dentro da vida dos personagens - sem deixar sombra de dúvidas e estranhamentos; o jeito que o roteiro segue sem nenhuma quebra ou furo, os diálogos muito bem escritos; tudo isso se junta e cria uma bela história.

Sem contar que as cenas de ação são muito bem escritas, mesmo. É um daqueles contos que eu realmente queria que virasse livro, só pra ler mais.

Fundo do Abismo, por Carol Chiovatto. Alice acorda em meio ao caos - soterrada em entulhos, marcas de uma destruição sem sentido. Ao longo dos primeiros parágrafos já somos apresentados aos fatos: uma guerra nuclear entre a China e os Estados Unidos foi a responsável pela destruição global. Tudo o que sobrou de São Paulo (e do mundo) é destruição e radiação. A personagem é salva por dois homens: Edgar e Corvo, que na realidade pertence a uma espécie que habitava o subterrâneo e vive até quatro mil anos!

O conto, em primeira pessoa, se passa em uma casa no interior do Mato Grosso do Sul - um refúgio onde os poucos sobreviventes são tratados e tentam reconstruir suas vidas. Não é um conto com muita ação (até por que não existem perigos como monstros rondando os personagens, tudo o que eles precisam temer é a chuva radioativa, venenosa); mas isso é compensado pelos diálogos brilhantes e personagens bem escritos. Dentro dos poucos acontecimentos do conto somos levados às experiências de reflexão que os personagem passam - questões como: "ok, sobrevivemos ao fim do mundo. E agora?".

Por ser um conto tão instigante, ele se torna um dos mais brilhantes da antologia. O que não me agradou muito foi a forma como a história de amor se desenvolveu. O ritmo estava bom no começo, mas no fim senti que as coisas deram uma acelerada; me pareceu que no começo o sentimento de pena e compaixão que a protagonista sentia pelo seu amor se tornou algo forte demais muito rápido. A conclusão, nesse aspecto, me deixou um pouco a desejar, mas em todos os outros o conto é perfeito.

Futuro do Pretérito, Patrícia Loupee. Esse é, na minha opinião, o melhor conto desse livro. E um dos contos que certamente eu sempre vou lembrar como um dos melhores ever, sério. Futuro do Pretérito é dividido por duas linhas temporais. O Pretérito é narrado pelo ponto de vista de Angela, e o Futuro é narrado por Marcus. É um mundo dominado por zumbis, e, como um conto de tal gênero: cheio de ação.

No Pretérito somos levados ao ponto de encontro dos dois protagonistas. Conhecemos as suas vidas, motivações, e o desejo comum de ambos na torre de igreja que se encontraram. Não há zumbis aqui - apenas a humanidade, os desejos e sentimentos profundos que nos cercam diante de uma situação trágica como a agora encontrada. É aqui que nasce o amor. Já no futuro, somos levados para um ambiente apertado, cheio de corredores escuros e barulhos de tipos e passos. O casal está fugindo de grupos de zumbis que os perseguem cada vez mais - e estão em seu limite.

O conto passa alternando entre esses pontos de vistas e cada mudança temporal complementa cada vez mais a história, dando densidade e tornando-a real. Os personagens são muito bem caracterizados, e descobrimos um pouco mais deles a cada linha lida. O ritmo não apresenta quebra, e seu clímax se dá no final inesperado e chocante, mas, ao mesmo tempo, perfeito. Não poderia imaginar uma forma mais triunfante de terminar um conto do tipo. É, realmente, um conto para se recordar.

Para Você, com Amor; por Allana Dilene.  O conto se passa em um mundo dividido em dois lados: os Azuis, soldados que lutam para o Governo e a Rebelião, um grupo de cidadãos descontentes. A guerra é a realidade. Conhecemos Ed, soldado dos Azuis que é capturado pela Rebelião e, ao longo do conto, começa a mudar de lado - com a ajuda de Kei, uma mulher dura e ao mesmo tempo apaixonante. A história gira sobre o fato de que ambos tem consciência de que irão, eventualmente, trair um ao outro.

Os personagens chamam atenção: principalmente Kei, que, na minha opinião, é a mais bem construída e marcante. Apesar de eu achar os diálogos um pouco superficiais, ela em especial tem algumas frases bem marcantes que couberam à sua personalidade. Em terceira pessoa, o conto tem um ritmo um pouco quebrado, na minha opinião: com diálogos um pouco expositivos e repetição de termos que me deram um cansaço ao ler, como se eu estivesse lendo cenas iguais (como a repetição de que a vida de Ed como prisioneiro é tediosa).

Mas a história é muito boa, o roteiro é muito bem feito, e a narrativa evolui de forma incrível - principalmente no seu final, com um desfecho surpreendente.

Sandarach, por Christiane Salles. A história desse conto é uma das mais originais em toda a antologia: a evolução de uma bactéria fez com que ela começasse a sintetizar e criar gás arsênio, que não demorou muito para cobrir toda a terra. Os animais evoluíram e viraram mutações capazes de sobreviver - mas os humanos, não. Assim que o gás começou a se espalhar, cidades foram envoltas em cúpulas gigantescas que permitia a vida sem o uso de máscaras - mas para viver nesses lugares, um alto valor é necessário.

Acompanhamos a história de Ninny e Devon, que vivem em bunkers trabalhando para o mercenário Mandelbrot. Os dois conspiram com Sabba para fugirem para uma dessas cúpulas. O conto é narrado em primeira pessoa, e sua linha de acontecimentos é bem estruturada, além de possuir personagens bem caracterizados, diálogos inteligentes e uma descrição primorosa do mundo caótico que se encontra.

Sandarach dá ao leitor tudo que ele pode quer: ação, romance, mistério e não deixa furos em sua história, não terminamos ela perguntando "e se...?". O jeito que a história de amor se desenrola é magistral, assim como o desfecho do conto - que tira o ar.

Uma Cidade Chamada Anomia, por Lidia Zuin. Lidia Zuin escreve bem, e isso é demonstrado forma como o conto escrito em primeira pessoa não perde o ritmo e o tom belo das palavras bem escolhidas.Conhecemos Trevor, que mora em uma metrópole como qualquer outra. Filho de de um Historiador, ele pode ser caracterizado como um "vândalo", que, após ler teorias escritas pelo seu pai em vida, passa a criar mensagens simbólicas pela cidade: desenhos criticando a política e a sociedade. Ele encontra seu antagonista na figura de Victor, concorrente a prefeito da cidade. Não demora muito para a polícia perseguir Trevor e ele encontrar Sophia, a oficial filha de Victor.

O que me incomodou um pouco em Uma Cidade Chamada Anomia foi a superficialidade em alguns aspectos do personagem principal: só vemos Trevor como um justiceiro das ruas, ele só fala da sociedade composta de pessoas vazias, da política suja, da falta de humanidade nos tempos atuais, enfim, só critica as coisas. Isso é tão repetitivo que em certos momentos o próprio personagem parece ser apenas um desses fantoches - ao invés de ser um anti-herói, que é a sua proposta, ele soa mais como alguém do contra, que tende a reclamar de tudo para se destacar.

Também senti falta de um roteiro mais focado no amor em si, e acredito que a relação entre os dois personagens que rodeiam o conto poderia ser melhor. Na realidade, senti falta de uma presença maior de Sophia no conto - ela parece apenas uma personagem que serve para Trevor ter algum objetivo durante a história; assim como senti falta de um desafio maior dentro da história, pois Victor, o "vilão", basicamente não aparece no conto inteiro.

Vitória, por Roberta Grassi. Esse conto é lindo, tá? Tá. em primeira pessoa, o protagonista (sem nome) nos insere a um mundo limitado por bunkers. O exterior é totalmente venenoso, pois a radiação cobre tudo e o Sol mata a todos. A vida nos bunkers é tranquila, mas padronizada: cada um tem seu exercício, e o nosso personagem principal é responsável por ir até locais de coleta de energia solar (devidamente protegido com roupas especiais, é claro) e levar os tubos carregados para sua base novamente. Nada muito especial. Quando Vitória chega, ele simplesmente se apaixona. É uma coisa de filme, mesmo. O personagem não tem jeito com as palavras, se enrola todo e quase nunca sabe o que fazer quando perto dela. Chega a ser cômico.

Claro que problemas exteriores surgem e dão um tom mais apocalíptico para o conto a cada página lida, e isso somente complementa a história bem escrita, com roteiro desenvolvido, personagens profundos e diálogos inteligentes e reais que se apresenta ao leitor. A história é cheia de altos e baixos que deixam o leitor cada vez mais ansioso por mais, e seu desfecho é surpreendente.

Não podia existir maneira melhor de terminar aquele conto. Nem o livro.


Em um aspecto geral, o livro é muito bom. A capa é muito bonita, assim como toda a diagramação do exemplar: os contos são equilibrados e diversos, e agradam a todos os tipos de leitor, pois apesar de tratarem o amor, eles tem muita originalidade e cenários que variam do terror até algo mais mimimi. Bem distribuídas, as histórias não se parecem em nenhum momento com as outras, surpreendendo o leitor.

Realmente, um ótimo livro, e eu sinceramente recomendo a todos.


Boa noite, pessoas!

Feliz ano novo! E aí? Como passaram do ano velho pra este? Todos bem? Com saúde e dinheiro no bolso apesar do IPVA? Então tá bom. Nem precisa dizer que estou atrasado nas postagens porque isso já é de lei, mas cá estamos, e olha só: 2015 está só começando, mas, pelo visto, o ano vai ser um prato cheio para os fãs da literatura nas telonas! No post de hoje, apresentamos 12 histórias que ganharão os cinemas nesse ano. Curioso para saber quais são? Venha conferir!

Você provavelmente está trabalhando nas suas promessas de ano novo neste momento, certo? Bem, faça planos de gastar mais tempo com sua cara enfiada em um livro, porque você vai ter um monte de coisas para ler. Não só há uma tonelada de livros que você vai querer ter em mãos em 2015, mas muitas das suas leituras favoritas também vão ganhar adaptações neste ano. E, é claro, é sempre divertido ser aquela pessoa que vai ao cinema tendo já lido o livro — e você pode dizer com confiança: “Sim, o livro é muitomelhor.” (Oh, aquela carinha de satisfação fica tão bem em você!)

2014 foi um ano estelar para os filmes — particularmente adaptações de livros — e 2015 vem com tudo com uma lista excelente, também. Tem primeiras partes, sequências e capítulos finais. Tem histórias verdadeiras, interpretações livres e histórias fictícias ridiculamente brilhantes. E vai ter dois, provavelmente três filmes estrelando Jennifer Lawrence, então temos isso para esperar, também. Sinto traseiros sendo chutados e muita viagem no tapete vermelho em nossos futuros, amigos.

Aqui vão 12 livros que você deveria ler antes de as adaptações atingirem as telonas em 2015. Prepare sua pilha de livros a serem lidos:

Still Alice, de Lisa Genova

Esta é a história de uma mulher bem-sucedida que aos poucos começa a experimentar os primeiros sintomas da doença de Alzheimer. Conforme ela navega pela perda de memória e por momentos de confusão, ela aprende a como aproveitar o melhor do seu tempo enquanto pode. Estrelando a sempre incrível Julianne Moore, o filme chega aos cinemas dia 16 de janeiro.


Don't Point that Thing at Me, parte da The Mortdecai Trilogy, de Kyril Bonfiglioli

Este é o primeiro livro em uma trilogia sobre o negociante de arte Charlie Mortdecai e sua linha tênue entre o que é certo e errado, são e insano, bem e mal. O filme estrela Johnny Depp como Charlie Mortdecai, ao lado de Olivia Munn, Gwyneth Paltrow, e Ewan McGregor. Nos cinemas em 23 de janeiro.


Fifty Shades of Grey, de E. L. James

Oh, yeah. Esse já está praticamente aí. Nem precisa julgar por qualquer fator além de seu nível de sensualidade. Estrelando Jamie Dornan e Dakota Johnson. Nos cinemas em 14 de fevereiro.


In the Heart of the Sea, de Nathaniel Philbrick

O incrível romance sobre o trágico naufrágio do Essex, e o encontro destrutivo do navio com um chacalote furioso que leva ao seu fim. O filme estrela Chris Hemsworth e Cillian Murphy. Nos cinemas em 13 de março.


Insurgent, de Veronica Roth

Livro dois da eletrizante trilogia que segue Tris Prior e sua inabalável bravura em sua tentativa de trazer abaixo um governo inteiro para restaurar a paz. Estrelando Shailene Woodley e Theo James, nos cinemas em 20 de março.

Serena, de Ron Rash

Bem quando você pensou que Jennifer Lawrence não poderia se tornar mais legal, ela pega o papel principal em Serena, uma história sobre um casal recém-casado que planeja construir um império da madeira nas florestas da Carolina do Norte. Serena é fervorosamente devotada ao marido e suas asas nunca ruflam, mesmo quando ela precisa salvar a vida dele na selva ou caçar cascavéis. Jennifer Lawrence e Bradley Cooper estão gloriosamente reunidos para essa aventura de tirar o fôlego. Nos cinemas em 26 de março.

The Longest Ride, de Nicholas Sparks

Bem, ninguém escreve amor como Nicholas Sparks, estou certo? Esta é uma história de amor caubói com a intersecção de um conto sobre um veterano de guerra de 91 anos que está lidando com a profunda dor de perder sua amada esposa nove anos antes. O filme estrela Scott Eastwood, Britt Robertson e Alan Alda. Nos cinemas em 10 de abril.

Far From the Madding Crowd, de Thomas Hardy

Um livro escrito nos anos 1800 que tem um apelo fascinante, atemporal? Sim, por favor. Trata-se de uma patroa chamada Bathsheba, que acaba tendo três homens apaixonados por ela e os segredos que são revelados quando ela escolhe um deles. Estrelando Cary Mulligan, Michael Sheen e Tom Sturridge. Nos cinemas em 1º de março.

Paper Towns, de John Green

Oh, você conhece esta história. Garoto encontra garota. Garoto se apaixona pela garota. Garota se veste como uma ninja e contrata garoto para ajudá-la em um elaborado esquema de vingança. Então a garota desaparece uma manhã e deixa várias pistas para o garoto encontrá-la. A velha história? John Green é simplesmente um gênio literário no que diz respeito a histórias de amor que são igualmente peculiares e adoráveis. Estrelando Cara Delevingne e Nat Wolff, nos cinemas em 5 de junho.


Maze Runner: The Scorch Trials, de James Dashner

A próxima parte da trilogia Maze Runner nos leva para fora do labirinto e dentro de um novo set de obstáculos para os Gladiadores. Os perigos continuam altos, talvez ainda mais altas, e todas as apostas estão canceladas. As coisas estão prestes a se tornar LOUCAS. Estrelando Dylan O'Brien, Thomas Brodie-Sangster e Kaya Scodelario. Nos cinemas em 18 de setembro.

Mockingjay, de Suzanne Collins

Nós deixamos nossa Mockingjay em um momento muito assustador e turbulento de sua vida. Petta acabou de atacá-la, e a luta contra a capital ainda está longe de acabar. Ainda há tanto a contar! Mesmo que você tenha lido antes (mesmo que 100 vezes), refresque sua memória antes que essa incrível franquia de filmes chegue ao fim. Estrelando Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth e Woody Harrelson. Nos cinemas em 20 de novembro.

The Martian, de Andy Wier

O homem finalmente aterrissou em Marte. Mas as coisas não estão indo tão bem e Mark Watney pode também se tornar o primeiro homem a morrer em Marte após uma tempestade de poeira forçar sua equipe a evacuar e abandoná-lo por lá. Esta é uma incrível história sobre sobrevivência e o filme parece que vai ser tão incrível quanto. Estrelando Matt Damon, Kate Mara, Kristen Wiig e Jessica Chastain. Nos cinemas em 25 de novembro.

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E aí? Já leu algum desses? Todos eles? Quais são seus favoritos? Quais são as expectativas? Qual outro livro deveria ganhar as telonas? Não deixe de comentar!

Um abraço e até a próxima,


2015: um grande ano para as adaptações! é uma tradução exclusiva do Escolhendo Livros deste artigo do Bustle.
Um livro de Patrícia de Luna.

Há alguns posts atrás, tive a deliciosa experiência de entrevistar a Patrícia de Luna, autora do romance histórico Saga de Bravos. Com a vivacidade na fala de quem tem muita história para contar, ela delineou para a gente a sua trajetória ao construir essa obra, uma épica aventura repleta de misticismo, romance e viagens (físicas e temporais!).  E como já era esperado, o Trinta aqui não pode deixar de trazer uma resenha quentinha para quem tá curioso em saber como foi a nossa passagem pelos 32 caminhos e 50 portas de Saga de Bravos. Pode deixar que eu não me perdi nesse labirinto!

Como de costume, vamos ao básico da trama: Ariadne é uma cantora de Trance Opera (uma mistura de música eletrônica e canto lírico) que conhece em uma festa um misterioso e belo rapaz chamado Simão. Apesar das investidas avassaladoras de Simão a assustar, Ariadne também sente uma atração poderosa por ele. Por isso, ela acaba se deixando levar em uma viagem repentina e impulsiva deixada as mãos daquele estranho, que a apresenta a lugares inimagináveis em países distintos. Porém, Ariadne logo descobre que ela e Simão tem uma história muita maior do que ela imagina; um amor que consegue superar as inexplicáveis linhas do tempo. E é nas páginas de um antigo livro que Simão entrega a Ariadne que ela poderá entender porque esse sentimento forte existe entre os dois... Esse livro, queridos, se chama Saga de Bravos.

Patrícia de Luna, a autora.
À primeira vista parece uma sinopse simples, mas vocês não tem noção do quanto foi difícil resumir toda a história do livro em um parágrafo. Digo isso porque a obra, na verdade, tem uma narrativa que se passa em diferentes épocas, narradas por diferentes personagens (em suma, Simão e Ariadne) para ilustrar todos os acontecimentos que fizeram com que Simão perseguisse o amor de sua vida desde os tempos de Jesus Cristo até o presente. Não quero caminhar muito por essa linha da narrativa pela possibilidade de isso ser um spoiler, mas digamos que sim, Ariadne e Simão já haviam se encontrado antes, e para isso, a autora consegue reconstruir com um detalhamento louvável os diversos momentos históricos em que Simão conseguiu reencontrar sua amada. O cuidado da autora em evocar uma determinada época histórica em cada um dos capítulos de flashback é ótimo, suscitando desde os trajes usados na época até os conflitos entre nações (em destaque as guerras em Jerusalém e toda a construção cultural em torno do ano de Cristo). Para quem possui uma curiosidade aguçada quando o assunto é história e lendas mundiais, Saga de Bravos com certeza tem os seus floreios.

No entanto, o mesmo aspecto descritivo da trama acabou reforçando um dos pontos que mais me incomodou na obra: o excesso de informação. Muitas vezes, senti que a linha principal da história perdia o foco devido as inúmeras inserções da autora em relação ao contexto histórico, deixando a narrativa arrastada e, às vezes, até difícil de entender. Era a importância histórica de um monumento específico que ficava em uma praça ou a forma como véu de determinada personagem secundária refletia na forma como os outros a tratavam... Enfim, descrições bonitas às vezes, mas que, infelizmente, deixavam os parágrafos obtusos e  com pouca coerência. As mudanças de narradores nos capítulos e até a passagem de tempo na trama também complicaram esse problema; não era incomum você se perder na linha do tempo no passar dos capítulos e eu, muitas vezes, tive que voltar para um determinado capítulo porque eu não lembrava o que estava acontecendo antes do "capítulo em flashback" que acabara de ler.

Capa do Livro.

Por outro lado, mesmo com seus pontos negativos, Saga de Bravos guarda algumas surpresas (surpresas essas que me pegaram, honestamente, despreparado em minha leitura). Para começar, o livro consegue tratar de temáticas muito delicadas (como a história de Jesus Cristo, por exemplo) e ainda assim, ter a ousadia de humanizar seus personagens, dando-o motivações e desejos bem mais fortes do que eu esperaria de um livro com esse assunto. Gostei muito da representação da infância de Jesus na história e, mesmo com toda a adoração que as pessoas já tinham por ele, o personagem em si esbanjava um carisma humano, inteligente e palpável. (Spoiler: A reencarnação de Ariadne como Morgana também teve o seu brilho, sendo uma interpretação interessante da lendária personagem. )

Uma surpresa bônus que tive também se refere ao próprio relacionamento dos personagens principais: As cenas de sexo de Saga de Bravos conseguem "quebrar a mesmice" e, mesmo que tenham uma forçação de barra aqui e ali, fazem você sentir a paixão existente no triângulo amoroso Simão x Ariadne x Hebrom. Você acredita no desejo dos personagens e isso, para começo de conversa, é muuuuita coisa! Claro que, de longe, o sentimento de Simão por Ariadne é o mais bem explicado no livro, mas isso não impede de nos conectarmos também com o personagem Hebrom. Cuddles to that!

Talvez Saga de Bravos não seja um livro para todos, mas eu acredito que ele possui sim o seu potencial. Recomendaria essa leitura especificamente para aqueles que possuem uma inclinação esotérica ou para aqueles que tem um apreço por ficção histórica. Para esses, eu também indico o livro Veronica Decide Morrer, que eu também resenhei aqui no Escolhendo Livros (e adorei, por sinal). No fundo, no fundo, é tudo uma questão de dar uma chance: Se nunca provou o prato, pelo menos dê uma colherada.
                                                                                                                 


Bom dia, ou boa tarde/noite, pessoal!

Como vão? Tudo bem, né? Assim espero. Desta vez acho que posso dizer que demorei muito a voltar, porque é verdade. Mas vocês sabem: vida acadêmica, vida profissional, vida de escritorzão, vida de final de período... Tudo uma complicação só! Ainda assim, mais hora, menos hora, acabo voltando, e desta vez não foi diferente.

Hoje, acho que vim dar encerramento a uma trilogia involuntária de posts que criei neste site de família, porque, adivinhem: eu encontrei a solução para um dos maiores mistérios da história da literatura contemporânea!


Antes de dar início à nossa maravilhosa postagem, acho que preciso fazer alguns esclarecimentos. Mas, ainda antes disso, gostaria de dedicar este post a todos os meus amigos do curso de Letras, aos professores que talvez estejam me lendo, e a todos os amantes da literatura e da Literatura, porque, acreditem, hoje vocês vão rir ou chorar junto comigo. Em seguida, quero deixar linkados estes dois posts (este e este), nos quais eu exploro o mesmo tema que abordarei aqui hoje, embora, hoje, parece, eu tenha encontrado a solução, hehe. É recomendável a leitura dos artigos citados para melhor compreensão do que eu vou falar aqui, tudo bem? Mas, se estiver com preguiça de ler, não precisa; dá pra entender do mesmo jeito. Ou então leia depois de ler este, acho que surte o mesmo efeito. Enfim.

No primeiro artigo citado, eu discuto a valoração das obras literárias hoje em dia: o que é considerado boa literatura e o que é considerado má literatura. Continuo sustentando os mesmos pontos de vista. No segundo artigo, falo sobre a irresistibilidade dos Big Mac literários, aqueles livros ruins que a gente lê porque, por mais que a história seja ruim, a curiosidade grita mais alto. Mantenho, também, os mesmos pontos de vista tidos lá. O que eu quero compartilhar com vocês agora é fruto de uma discussão bastante... hm... como eu diria? “Inusitada”, pra mantermos a polidez, que aconteceu anteontem em um grupo do Facebook do qual eu participo.

Resumidamente, esse grupo é um espaço pequeno reservado a escritores de histórias com temática LGBT que publicam na plataforma Wattpad, site do qual eu também já falei aqui e pelo qual eu também publiquei meu mais recente romance (ah, sim! Acabei de escrever!), que você pode ler clicando aqui. Graças a esse site e a esse grupo, acabo tomando conhecimento de muitos romances homoafetivos, que é o que eu escrevo, também, majoritariamente. Assim sendo, é comum encontrar histórias de todos os tipos: histórias boas, histórias ruins, histórias medíocres, histórias mirabolantes... É o mesmo que acontece com qualquer outro tipo de romance: tem pra todos os gostos, e nesse grupo a gente tem contato com vários tipos de narrativa. Um fato curioso, porém, que me chamou atenção foi: na maioria esmagadora desses romances, o personagem ativo da relação (aquele que penetra) sempre tem um pênis “enorme” — e a palavra usada para se referir ao membro é sempre essa: enorme. Por motivos de preferência pessoal e de verossimilhança com a nossa realidade (onde, convenhamos, não é muito comum encontrar órgãos sexuais com mais de 19cm, que é o que, pra mim, configura um “pênis enorme”, a menos que você esteja em certas regiões da África), fui até o grupo em questão e levantei esse debate. Por que isso é assim? Por que os autores/leitores parecem ter essa preferência por órgãos de tamanho extra-largo haja vista que, na vida real, as estruturas do corpo humano não se adaptam a um corpo estranho dessa magnitude com a mesma facilidade com que os personagens das narrativas o fazem ao serem penetrados.

As respostas variaram em diversas direções, mas poucas acertaram o alvo da pergunta e quase nenhuma suscitou o debate que eu queria atingir. Cerca de sete ou oito pessoas, no total, responderam à minha indagação, sendo que, dessas, apenas uma ou duas também se mostravam ligeiramente incomodadas com esse exagero ou com a noção de que, na vida real, as coisas não são tão fáceis quanto na literatura. Porém, em virtude da mais aguda incapacidade de interpretação de texto, um ou outro cidadão que participava da discussão começou a distorcer o que eu ia dizendo, de forma a fazer parecer que eu sou contra cenas de sexo em romances (isso porque eu disse que não gosto de cenas de sexo “gratuito”, entendendo-se por “gratuito”: “não tinha nada mais interessante para escrever, coloquei uma cena de sexo porque o público gosta”; e acrescentei a esse detalhe a minha opinião de que usar esse recurso para prender o leitor é falta de competência).  

Essa foi a primeira parte da complicação. Como fruto dessa conversa infrutífera, em que eu tentava por B + C explicar que o que eu havia dito era A e não D, ficou parcialmente claro pra mim que esses autores usam cenas de sexo porque isso agrada o leitor. Guardem essa informação.

Passadas algumas horas, quando eu já havia até suposto que o assunto estava encerrado, chegaram outras pessoas à discussão. Uma delas, um rapaz escritor (ou “escritor”; não li o que ele escreve ainda), se posicionou contra o que eu disse e afirmou que, por experiência própria, ele gosta sim das cenas de sexo e que, quando quer ler, não quer ler nada literário, quer ler algo que o distraia e que seja de leitura fácil. Quem nunca, não é mesmo? Até aí, nenhum problema. Depois, foram chegando mais pessoas; três ou quatro, se não me engano (apaguei o post por motivos que explicarei adiante), começaram a defender a ideia levantada pelo rapaz que apoia as cenas de coito e todos passaram a gritar em coro: “Não gosta [das cenas de sexo ou dos membros avantajados], não lê!”. Bem prático, não?, como se eu tivesse deixado bem claro o tempo todo que sexo em romance é proibido!

A cereja do bolo, porém, veio mais tarde, e daí a canoa virou de vez. Um outro cara (esse eu já li e o livro—“livro” não: “folhetim”, vai, porque não tem história nenhuma: só uma sequência de cliffhangers que são postos no texto como ligação entre uma cena de sexo e outra) apareceu e apenas concordou; depois ficou quieto. Daí veio outro. Ninguém parecia concordar comigo, e logo o assunto mudou de “proporções do falo em histórias homoeróticas” para “qualidade estética dos textos homoeróticos”, sendo que não fui eu o precursor desta ideia. O ato final da ópera se deu quando um autor (esse eu também já li e ele é famosinho; as histórias que ele publica têm um número razoável de leituras, levando-se em conta a temática) apareceu e logo seus adoradores começaram a louvá-lo e fazer coro a tudo que ele dizia no tom de uma ironia bem pobre. Nesse momento, o manifesto literário que pautava a discussão era este:

Nós não queremos escrever nada literário; nós queremos escrever o que agrada o público; se agrada o público, continue: você está seguindo pelo caminho certo! Não queremos escrever o que uma ‘elite’ julga ser bom; não quero que ninguém leia meus livros na escola por obrigação! Queremos nos realizar como escritores!

(imagem: here&Now)

e assim por diante. Eu, é claro, minoria esmagada na discussão, fiquei parecendo o pseudo-cult transtornado, mas eu vou dar uns segundinhos pra vocês relerem os gritos de guerra do parágrafo anterior e chegarem à mesma conclusão que eu: 

A culpa é dos autores!

É claro! Como não pensei nisso antes?! A culpa não é de quem lê porcaria, é de quem produz porcaria! — e não estou falando que todos os que escrevem nesse grupo são porcaria, não! pelo contrário: tem uns três que salvam — inclusive, o mais popularzinho deles (que, aliás, por ironia do destino, procurou, dias antes, um grupo de crítica literária que eu administro e pediu uma review do texto dele e parece não ter gostado muito do que eu tinha a dizer (será que guardou rancor por causa disso?)) e o “namorado” dele (namorado entre aspas porque os dois têm perfis falsos e eu tenho a séria suspeita de que ambos são a mesma pessoa na verdade, mas isso não vem ao caso) escreve(m) até direitinho. — E, conforme a conversa progredia e as heresias eram despejadas uma após a outra, foi ficando cada vez mais claro pra mim que o emburrecimento literário das pessoas não é só culpa delas: é também de quem as alimenta!

Faça as contas. Quem escreve, quer ser lido. Hoje em dia, quem quer ser lido rapidamente e sem muito critério escreve o quê? Sexo! É óbvio! É lógico que agrada! Está na moda! Quem não gosta de sexo?! É tão fácil quanto somar dois mais dois: pegue dois personagens lindos, coloque todas as possíveis características perfeitas neles e recheie as páginas do livro com cenas e mais cenas de sexo! É claro que vai vender! É claro que vai dar ibope! É claro que vai ter leituras! E sabe o que é incrível acima de tudo isso? que é claro, pra essas pessoas, que a quantidade de leituras que elas recebem é reflexo simétrico da qualidade da escrita delas! GENTE!? Não é pra se jogar da ponte de tanto desespero?!


Em dado momento da conversa, já estava tão difícil levar essas pessoas que ousam se chamar de escritores a sério que eu, debochadamente, falei que era pra eles continuarem fazendo esse sucesso todo no Wattpad, que logo logo Dostoievski estaria os chamando de “mestres” de dentro da tumba. Eles riram! “Nós não queremos ser nenhum Dostoievski, nós queremos escrever o que agrada o público”...

Eu poderia partir daqui e começar toda uma discussão sobre literatura comercial, mas não vai ser possível. Sabe por quê? Porque essa categoria emergente de sub-escritores publica de graça no Wattpad. Um ou outro até tira o livro da plataforma e coloca na Amazon, mas, geralmente, os que conseguem ter suas histórias publicadas fisicamente são os que têm dinheiro pra pagar uma editora pra fazer isso (pagando bem, que mal tem?). Claro: já li coisas do Wattpad que saíram até da Amazon pra ir pras livrarias porque a editora bancou a publicação, mas aí tínhamos outra diferença: quem conseguiu esse feito sabe escrever, o que parece não ser moda entre parte significativa dos que publicam no site. Sim, porque, veja bem, já que os próprios autores reconhecem que não escrevem nada literário e reforçam a ideia de que seu objetivo é agradar o público, preceitos básicos da literatura, como a noção artística ou de trabalho com as palavras, são abandonados sumariamente. E, quando digo isso, não me refiro à utilização de figuras de linguagem, a descrições bem feitas, a cenários detalhados, não: me refiro a autores que sequer sabem pontuar o texto ou concordar sujeito com verbo — e isso me parece ser algo grave, porque é bastante recorrente. Em virtude das vantagens da autopublicação e do desespero existencial de ser lido custe o que custar, esses autores escrevem como se suas vidas dependessem disso, porque os leitores ávidos estão esperando pelo próximo capítulo! Resultado? Lixo. Lixo irreciclável. 

Mas, tudo bem, ainda que estivéssemos falando de literatura comercial e fôssemos entrar naquela velha discussão de que “tudo que vende não é bom”. Vamos fazer um paralelo com o mundo da música, que funciona mais ou menos do mesmo jeito que o mundo editorial? Vamos! Peguem aí qualquer farofa que toque nas rádios só pra vender e entreter e tocar nas baladinhas. Pegou? Agora pegue Adele. Sia. Lorde. Florence and the Machine. Ou, ainda, os que já não tocam nas rádios atualmente, como Pink Floyd, Radiohead, ou, um exemplo ainda mais magnífico: Michael Jackson. Todos esses artistas venderam pra caralho. Deixaram de ser bons? Deixaram de ser cult ou de ter valor artístico simplesmente porque foram sucesso de vendas? Na minha humilde opinião, não. A diferença: eles são/eram populares, mas também são/eram bons no que fazem/faziam, ao contrário de bastante coisa que tenho visto por aí ultimamente.

Olha, sei que aquela conversa me esgotou intelectualmente. Me senti entristecer profundamente ao ver gente exercendo o ofício da escrita visando apenas agradar o público com cenas medíocres de pornografia-barata-escrita e enredos rasos só pra entreter e ser lido. Disseram, aliás, que quem escreve pelo ato de escrever, sem visar lucros ou um futuro financeiro a partir da escrita, é hipócrita. Querido leitor que lê isto neste momento: prazer, apresento-lhes um hipócrita: eu.

Por fim, o post no grupo virou um espetáculo de dissimulação, senso comum, mediocridade, puxa-saquismo, deboche e sarcasmo tão insuportável que eu decidi apagar e poupar meus nervos, que já estavam bem gastos tentando mostrar um pouco de profundidade a essas mentes rasteiras — aquela história de que o pior cego é o que não quer ver, sabe? O problema é que eu insisto em tentar mostrar... Ai ai. Das várias tristes conclusões que se tiram desse retrato da realidade, ficam, para mim, duas: 1) precisamos dar um nome a essa nova classe de sub-escritores. Pensei em “Escritobos da Corte”, mistura de escritor com bobo da corte, mas não achei muito eufônico. E 2) Lu Schievano, eu te entendo, amiga; eu te entendo.


Lu me representando em poucas sentenças.

Beijo, gente! Até a próxima! Para me despedir, fiquem com o som de Adele, com Rolando no Profundo! — e parem de botar a culpa na E. L. James: ela só queria agradar. Fui!







Half Bad é um livro que simplesmente ESTOUROU lá fora. Na feira de Frankfurt de 2013 foi um dos destaques, e a Fox 2000 comprou os direitos para a adaptação cinematográfica do mesmo. O livro foi comparado com sucessos tipo Jogos Vorazes(!). 

Half Bad é o primeiro livro da autora britânica Sally Green. Ele conta a história de Nathan, um bruxo que vive em um mundo dividido entre os Bruxos da Luz e os Bruxos das Sombras. O problema reside no fato que o jovem é filho de uma Bruxa da Luz com o maior Bruxo das Sombras que existiu. Sendo um bruxo meio-sangue, Nathan passa a sua infância em meio a testes e restrições impostas pelo Conselho, um órgão que comanda a vida dos bruxos.

O livro começa interessante, com uma narrativa surpreendente na segunda pessoa, fazendo com que o leitor adentre na história de forma profunda. Os primeiros momentos do personagem são realmente bem escritos, e mesmo com o ritmo rápido, iniciam com maestria a jornada do protagonista para o leitor. A forma como o leitor é apresentado ao mundo é abrupta, como se já soubéssemos de tudo o que acontece ao redor; mas a autora soube lidar com a situação de forma delicada, introduzindo aos poucos informações simples e sem muitos rodeios. Além disso: história desperta interesse. Existe uma boa camada de aspectos sociais e humanos escondidos sob esse manto fantástico.

À medida que as páginas passam, porém, a autora muda para a narrativa em primeira pessoa, o que não é ruim, mas causa um estranhamento - quase como se dividisse a experiência ("você passou por aquilo" vs. "eu passei por isso"), deixando a leitura rasa em alguns momentos. É como se, no princípio, o protagonista lhe lembrasse uma história que aconteceu com você, mas então, do nada, interrompesse a começasse a falar de si mesmo.

Nathan possui uma personalidade plural e complexa, sendo o melhor personagem do livro. Porém essa personalidade às vezes parece mal trabalhada, ou mesmo esquecida. Existem cenas contraditórias: em certas partes do livro (quase todo ele, na verdade), Nathan repete que não quer matar ninguém, não quer ser mau, mas logo após aparece cometendo atos de crueldade, ele demonstra um prazer imenso que no mínimo me fez pensar que ele era bipolar. A escrita rápida aí pode se tornar um problema, pois faz as cenas que poderiam ser usadas para um aprofundamento do mesmo se tornarem simples pontes para a próxima cena, quase que imemoráveis.

Tal pressa da autora se mostra em momentos que deixam a leitura a desejar, criando falhas e buracos na história - coisas como personagens que não tiram o ar de "figurantes", palavras repetidas na escrita e, em casos particulares, palavras estrangeiras que surgem sem nenhuma explicação de seu significado para o leitor. Sem contar que existe muito o uso de repetições ao longo da história, coisas que o personagem diz sobre si mesmo, sentimentos iguais, o que soa forçado - a autora não soube mostrar ao leitor essas características de forma sutil; ela simplesmente jogou tudo na minha cara, esfregou mesmo.

O que mais estranhei, porém, foi o fato de que o livro começa com o protagonista sendo uma criança de nove anos de idade e progride até ele completar dezessete. A narrativa rápida (e alternada) faz com que ele praticamente não mostre nenhuma evolução. Nathan cresce fisicamente, e mostra isso (várias vezes, por sinal) para o leitor, mas sua mentalidade praticamente não muda. Além disso, existem cenas que surgem no livro sem razão nenhuma, ou então, de forma tão abrupta que deixa um buraco enorme na história - algo que poderia ser melhorado significamente.

A história segue sem rumo, e aí está o maior erro da autora: o livro não possui um arco fechado. Tive a sensação de que lemos Half Bad pela metade, ou então que perdemos o objetivo do personagem em meio ao ritmo exageradamente apressado. Quando achei que Nathan estava seguindo um rumo, o roteiro simplesmente deu uma virada ABSURDA sem razão nenhuma e tirou totalmente a trilha do livro.

O clímax do livro ficou muito água-com-açúcar, ao meu ver. Repetitivo e sem objetivo, simplesmente um amontoado de cenas sem sentido e que me fizeram pensar "wtf" várias vezes. O final não me deixou com muitas expectativas a respeito do segundo livro, que está sendo escrito.

Como diz o título, achei o livro "meio ruim". Confesso que o trailerbook me animou mais: