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Agora que as inscrições do Enem 2014 fecharam novamente, e no espírito literário em que eu frequentemente me encontro, ao invés de pensar sobre coisas úteis (como por exemplo: será que só pode levar barrinha de cereal se ela for preta ou transparente?) obviamente meu cérebro divagou para coisas mais literariamente especificas, tais como:

As 7 Semelhanças entre o Enem e os Jogos Vorazes.
(Alguém, em algum momento, iria fazer esse post. Acabou que foi eu. )

1) É uma competição mental, mas também física.
Muito mais do que apenas compreender textos e matérias, não, Harry, o vestibular não se passa apenas na sua mente. Ele obriga você a ficar horas com sua bunda sentada em uma cadeira ruim, usando roupas desconfortáveis e forçando sua vista para ler. Seu acesso a comida, água, banheiro e materiais é limitado (LÁPIS. VOCÊ NÃO PODE USAR LÁPIS). É um ambiente hostil não apenas para o seu cérebro, mas também para o seu corpo. Você tem que se preparar para isso, além da própria prova.

2) Ele é feito pelo governo, e há toda essa propaganda de "Coisa Certa" a respeito dele, mesmo que todo mundo saiba que não é bem assim...
Sejamos sinceros agora: Você sabe que o Brasil é um país corrupto que rouba dinheiro público que deveria estar indo para a educação, criando mais universidades, pagando bem os professores e dando oportunidades de estudo para todo mundo.

Você sabe que isso não acontece, e eu sei, e o governo sabe, mas mesmo assim você vai ter que aguentar propaganda do governo da tevê com atores sorrindo pra tela e dizendo como o Enem mudou a vida deles e como o Governo é maravilhoso-por-dar-essa-oportunidade. (esquecendo de mencionar que você paga o maior imposto do mundo, e deveria ter acesso a uma boa educação simplesmente para servir ao seu país de forma produtiva sendo qualificado para o mercado de trabalho. Tipo, detalhes.)
O que nos leva a próxima semelhança;

3) Se você tem mais dinheiro, você tem geralmente mais chances de ir bem.
Não apenas o Enem, mas todo vestibular é meio elitista. Elitista porque você tem muito mais chances de ir bem nele se tiver tido uma boa educação e preparo, o que geralmente vem de cursinhos preparatórios e escolas particulares, e de pessoas que tem condições financeiras para estudar a maior parte do tempo. Sim, existem cotas, mas é incontestável que existe poucas coisas mais próximas de um carreirista do que alguém que faz cursinho pra medicina.

4) Você está competindo com pessoas. Quando alguém vai mal, é bom para você, e quando você vai mal é bom pra alguém.
Ninguém morre especificamente, mas sonhos e futuros morrem o tempo todo =(
E em vez de odiar o governo que não abre mais universidades, os alunos acabam odiando uns aos outros. Ou odiando colegas asiáticos que fazem o Poliedro. (eu não te odeio, Watanabe... Mas é só porque eu não to prestando exatas)

... e ela fez Intensivo. No Poliedro. NO POLIEDRO!!1
5) É algo que você meio que é obrigado a fazer...
Sim, você pode optar por não fazer vestibulares. Mas mais ou menos. Porque ao optar por não fazer parte do sistema, você acaba limitando seu acesso a educação e a empregos e a um futuro melhor. Mesmo que você não acredite nos vestibulares, para fazer parte do mercado de trabalho e ter uma vida acadêmica além do ensino médio você precisa aderir a ele e tentar jogar com as suas regras. É como o sistema de Tésseras: Você não é obrigado, mas meio que é.

...okay maybe they do.
6)... Mas eles não sabem bem o que estão fazendo?
Nos Jogos Vorazes, se você optar por comer amoras, vai desencadear um monte de decisões impulsivas da parte dos organizadores. Já no Enem, todo ano tem sempre aquelas pessoas que aparentemente tiraram nota máxima na redação escrevendo receita de bolo.

E você sabia que sua nota é melhor acertando questões fáceis do que questões difíceis? Porque se você erra as fáceis e acerta as difíceis, o vestibular considera que você chutou e diminui seus pontos. Porque pra ele, a forma extraordinária como seu cérebro funciona quando você erra coisas básicas e ainda sim tem talentos avançados não existe.

Expandindo nossa database de livros, já dá pra saber quais dos brilhantes detetives da ficção literária não passaria no Enem. Segue abaixo o trecho em que se explica a  A Teoria do Sótão-Cérebro do Sherlock Holmes.

"Que um ser humano civilizado não soubesse que a Terra se movia ao redor do Sol, era pra mim um fato tão extraordinário que mal podia compreendê-lo.

– Veja – explicou Sherlock  –, acho que o cérebro do homem é originalmente como um pequeno sótão vazio, que temos que abastecer com a mobília que escolhemos. Um tolo pega todo e qualquer traste velho que encontra no caminho, de modo que o conhecimento que poderia lhe ser útil fica de fora por falta de espaço ou, na melhor das hipóteses, acaba misturado com uma porção de outras coisas, o que dificulta o seu possível emprego. Mas o trabalhador de talento é muito cuidadoso a respeito do que coloca no seu sótão-cérebro. Só acolhe as ferramentas que podem ajudá-lo a realizar seu trabalho, mas dessas ferramentas ele tem uma enorme coleção, e tudo disposto na mais perfeita ordem. É um erro pensar que o pequeno quarto tem paredes elásticas e pode se distender em qualquer dimensão. Acredite, chega uma época em que para cada novo conhecimento é preciso esquecer alguma coisa que se conhecia antes. É da maior importância, portanto, não ter fatos inúteis empurrando para fora os úteis.

– Mas o sistema solar! – protestei.

– Que me importa?  – interrompeu impacientemente.  – Você diz que giramos ao redor do Sol. Se girássemos ao redor da Lua, não faria a menor diferença para mim ou para o meu trabalho."


Não faria diferença pra você resolver os maiores e mais misteriosos crimes do mundo, mas faria diferença pra você passar no Enem, Sherlock. 

E, para terminar:

7) Mesmo quando você ganha, há uma chance de que você tenha que fazer tudo de novo ano que vem.
Sim, você foi bem no Enem... em 2008! Você ai achando que ia poder usar sua nota pro resto da vida, mas o Enem tem validade e se você quiser qualquer coisa envolvendo ele, nem que seja um programa de bolsa de estudos, você vai ter que refazer. E ir bem de novo. Ha.



E como eu termino esse post? Não há outra forma de terminar, se não desejando um...


Feliz Enem. E e que a relação candidato vaga esteja sempre a seu favor!

Atenção, marujos! Icem as velas e preparem-se para qualquer coisa! Os mares de Athelgard são belos, é claro, mas também podem ser traiçoeiros. Rezem para seu Herói e torçam para que piratas não apareçam por aqui, caso contrário estaremos perdidos. Não se esqueçam do saltimbanco! Aquele maldito consegue emocionar com suas canções. Sabem usar armas e magias? Nunca sabemos quando será necessário. Preparados? Vamos, então! Embarquemos nessa história cheia de aventuras! Vamos rumo a Ilha dos Ossos!

fonte // eles são gatinhos né? 
O segundo livro da saga iniciada com o O Castelo das Águias tem como protagonista o mago Kieran de Scyllix, atual marido de Anna de Bryke. Tudo começa quando Anna recebe um convite para um evento da Confraria do Ganso, um prestigiado grupo de nobres bardos do Norte de Athelgard que ficou interessado na jovem Mestra de Sagas. Decidida a aceitar a rara proposta, Anna embarca para sua nova aventura. Porém, tudo vira do avesso e Kieran é obrigado a embarcar nas águas de Athelgard, entrando em aventuras memoráveis, encontrando aliados improváveis e segredos tão antigos quanto as histórias contadas pelo vento.

Kieran chama a atenção do leitor desde a primeira frase. Sua personalidade é completamente diferente da de Anna de Bryke: enquanto a Mestra de Sagas é otimista e sonhadora, Kieran de Scyllix é sombrio e fechado. Sua vivência no mundo deu a ele uma visão realista das coisas (além de um pouco macabra). Desde o começo, o protagonista refere a si mesmo como alguém capaz de cometer maldades, mas isso não o torna um vilão. No primeiro livro, Anna o descreve de forma totalmente apaixonada - enquanto agora, ele é frio em relação a si mesmo: aponta suas próprias falhas, não para julgar-se, mas para mostrar que não é perfeito.

Ana Lúcia Merege mostrou maestria ao deixar "pingos" do passado do mago durante a sua narrativa em primeira pessoa. Kieran casualmente diz coisas como "fui capaz disso" e "já fiz aquilo", mas como algo passageiro, que não é do interesse geral: o foco deve estar na história que ele conta. Isso apenas apetece o leitor, que fica cada vez mais curioso para conhecer o personagem. Somos feitos dos olhos do mago, e isso é uma experiência encantadora, assustadora, um pouco triste, mas intensa ao extremo.




Kieran ao longo da história vai passando por diversos cenários e encontra vários outros figuras que servem como seus companheiros. Os personagens que aparecem são capazes de sustentar suas próprias histórias, deixando A Ilha dos Ossos mais realista. Somos, por exemplo, em determinado ponto do livro, apresentados a Ilya e seu filho Yegor, dois barqueiros que acompanham Kieran por um tempo. Eu simplesmente me apaixonei pelos dois - tão profundos que eram! E não apenas esses, o livro possui uma dezena de outros personagens completamente bem estruturados: como a figura de Stávro, o saltimbanco que derrete o coração do leitor, ou o Insaciável, que congela a alma. E, tendo um protagonista tão bom, não poderíamos esperar menos do antagonista, que me cativou completamente.

Os diálogos são naturais  e complementam ainda mais os personagens apresentados. Pelas falas e expressões descritas, temos cenas de comédia em ambientes completamente inesperados e situações improváveis acontecem a todo instante.

A história é cheia de reviravoltas que tiram o fôlego do leitor a cada instante - o ritmo é ótimo, quase como o de um filme de ação. O roteiro dá curvas que nos deixam completamente pirados. Além disso, todo o arco de acontecimentos presentes em A Ilha dos Ossos está detalhadamente relacionado ao que rolou no ótimo O Castelo das Águias. Ana Lúcia Merege é mestra em criar desfechos impressionantes, e quem já soube disso pelo primeiro livro da saga, vai apenas assinar abaixo da minha afirmação.

É impossível falar de A Ilha dos Ossos sem falar de O Castelo das Águias. Tanto no primeiro, quanto no segundo volume, o leitor poderá ter vários tipos de interpretações da história: pois elas aguentam vários níveis de leitura. "Superficialmente", ambos os livros nos darão ótimas histórias que nos divertirão e emocionarão ao extremo. Porém, podemos nos aprofundar ainda mais: em O Castelo tivemos uma mensagem de espiritualidade e até mesmo meio ambiente; o livro também de certa forma mostrava a parte boazinha de Athelgard. Em A Ilha dos Ossos, somos alertados para os perigos que existem no mundo - e aqui entra a parte que nos fala que ninguém pode ser taxado de cara como bom ou mau, mas que devemos ter consciência de que ambas as qualidades existem - e que, às vezes, é bom desconfiar de algumas coisas.

A Ilha dos Ossos cumpriu seu papel: nos mostrou que Athelgard é maior do que pensávamos, e não tão bonzinho e colorido não. Personagens complexos e bem montados aliados à uma história coerente colocados em um ritmo cheio de aventuras sem fim, essa é a receita para a qualidade aqui apresentada. Somos pegos de surpresa, e temos a impressão de que passamos todo o tempo de leitura em mar aberto, sem saber o que pode acontecer.

O livro é ótimo, não apenas em qualidade de texto e história (que são arrebatadores), mas também em sua qualidade. A capa é muito bem desenhada, e ele é impresso em um papel resistente e bonito, além da ótima diagramação.

Essa é, assim como Castelo, uma leitura que ninguém se arrependerá. Athelgard se funda sob os pilares da literatura nacional, e se edifica cada vez mais nas mentes dos leitores ávidos, que, animados, descobrem que tudo é possível, e navegam na imaginação através dessas páginas de emoção e aventura.





Neste dia 6 de junho, o site Netflix estréia a segunda temporada de Orange Is The New Black, uma viciante série sobre as experiências de Piper Kerman em uma penitenciária feminina. E para nós, brasileiros, a notícia boa não termina por aí: A editora Intrínseca está lançando este mês também o livro que originou o programa, para que todo mundo possa ficar por dentro desta hilária e emocionante obra!

A história de Orange Is The New Black passeia entre a comédia de humor negro e um intenso drama auto-biográfico. A autora Piper Kerman relata em seu livro todos os acontecimentos após ter sido presa por tráfico de drogas (fato que aconteceu após namorar uma traficante de drogas internacional), sendo condenada a passar quinze meses em detenção. 

A personagem do livro (interpretada no seriado pela atriz Taylor Schilling) apresenta casos curiosos, perturbadores, comoventes e divertidos do dia a dia no presídio. Cercada de criminosas, logo percebe que aquelas mulheres são muito mais complexas do que ela imaginava. Ao mesmo tempo que aprende a conviver com regras arbitrárias e um rigoroso código de conduta, Piper revela as alegrias e angústias das presidiárias e analisa a crueldade com que o sistema carcerário as desumaniza e faz com que sejam invisíveis ao mundo exterior.

A capa nacional do livro.

Os fãs da série já podem aproveitar a partir de hoje os novos episódios disponibilizados na plataforma Netflix. E para quem ainda não teve nenhum contato com a série, o livro está chegando no Brasil tanto em cópias físicas como digital, para que ninguém deixe de ficar viciado neste audacioso fenômeno da cultura pop. 
Fonte: Espirais do Tempo 
          Imagino que nem Gaston Leroux, autor de "O Fantasma da Ópera", tinha a exata ideia do sucesso que sua obra iria alcançar, já que os críticos de sua época possivelmente viam o livro como uma reportagem com ares de romance. O próprio Gaston Leroux deixa claro no prólogo e epílogo de sua obra, que o fantasma, Christine e Raoul realmente existiram... Vidas entrelaçadas e repletas de mistérios que inspiraram esse imortal escrito. "O Fantasma da Ópera" não era exatamente um fantasma, um espírito... Mas sim um "fantasma social", um gênio da música, rejeitado pela sociedade desde seu nascimento devido a sua deformidade física, e que assim, afastado de todos, busca refúgio no subsolo da Ópera de Paris.

          Até que um dia encontra Christine Daaé, talentosa cantora, porém ainda desconhecida do grande público, recém chegada a Paris e tentando se destacar no glamouroso mundo do "bel canto" (belo canto, ópera). No entanto esta chegada não é fácil para Christine, com insistência ela consegue papéis secundários na ópera, mas com a ajuda do fantasma, que continua sem revelar sua identidade, ela vai aperfeiçoando cada vez mais o seu canto, de maneira que começa a despertar a inveja de sua rival, a então Prima Donna da ópera, Carlotta, esta, visivelmente inferior à Christine.
     
          A partir daí, a história vai se desenrolando... Christine ama Raoul de Chagny, mas guarda profunda gratidão por seu mestre oculto, porém este a ama, aliás, um amor idealizado, pois tendo passado tanto tempo distante do mundo, ao receber a confiança e amizade de outro ser humano, não quer perder este sentimento. O desfecho desta estória... É segredo, eu não conto! Gaston não me perdoaria, rsrsrs... 

Fonte: Wikipédia
          "O Fantasma da Ópera" fascina a todos desde que foi escrito! Sua mais famosa adaptação foi a de Andrew Lloyd Webber para a Broadway, que está em cartaz desde 1986 e já foi vista por mais de 100 milhões de pessoas. O livro é maravilhoso, incrivelmente rico em detalhes... Uma perfeição que inspira! Até podemos sentir o cheiro do teatro da ópera e... Depois de concluída a leitura da última página, ainda demoramos muito a voltar à realidade!
     
          Na minha opinião esta é uma obra de mistério, não de terror, pois é importante lembrar, que o fantasma, sim, fazia suas exigências, até mesmo luxuosas, obtendo inclusive dos responsáveis pela Ópera, a exclusividade do camarote número cinco, pois adorava assistir aos espetáculos, e para proteger sua amiga Christine, chegou a exagerar na dose, sendo capaz de agredir quem tentasse prejudicá-la ou humilhá-la. Atitudes de alguém que sempre sofreu ao extremo e não desejava ver quem admirava sofrer também. Porém não era uma espécie de monstro que passava a vida somente pensando em aterrorizar a todos.
     
          Um livro inesquecível como a mais exuberante das árias e como tal é para ser sentido, acolhido pela alma! Uma obra que nos cativa com a intensidade de cada sentimento vivenciado por seus dramáticos e arrebatadores personagens!

Fonte: pactressia

Acredite, é melhor do que parece.
Bem, quanto livros que inspiraram filmes nós temos por aí? Muitos, correto? E normalmente, o livro é melhor que filme. Abraham Liconln, Caçador de Vampiros, apesar do título super confiável (só que não) é um raro exemplo de um livro que não é melhor que sua adaptação, é apenas diferente...
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Ok, é melhor.

Para aqueles que passaram a noite no caixão do vampiro sentindo a presa no pescoço (ui), Seth Grahame-Smith é um louco que já escreveu umas coisas interessantes e que pouca gente conhece como The Big Book of Porn e How to Survive a Horror Movie. Livros que não vão mudar sua vida de forma nenhuma mas são engraçados. Escreveu pra Marvel uma vez, uma história bem mais ou menos com zumbis. E também escreveu uma mistureba com aquele livro de mulherzinha da Jane Austen, o Orgulho e Preconceito, com zumbis. Eu não li, mas o Trinta me disse que é divertido. Quando eu estiver entediado, eu leio.

Considerando as doideras que esse sujeito já escreveu, ninguém melhor pra colocar o décimo sexto presidente americano pra lutar contra vampiros, correto?

Olha, se você está esperando um livro pipocão igual o filme, sinto te decepcionar, mas farofa é a última coisa que você vai encontrar neste volume. A história é, na verdade, um "livroception". É um livro que está contando a história dele mesmo. Não entendeu? O tio explica: no livro, o autor (o Seth) trabalha numa lojinha e recebe a visita de um vampiro (ele ainda não sabe disso) que pede pra ele escrever uma biografia do presidente Abe Lincoln, baseado em diários secretos onde o homem escreveu sua vida como caçador. Obviamente, o autor acha que o cara é maluco e que vampiro não existe, mas o chupa-cabra prova o contrário pra ele e o cara fica obcecado pelo cartoludo e começa a escrever a biografia.

Face cartola.

Pronto, é aí que o livro e o filme se distanciam drasticamente. Enquanto no filme temos elementos "massavéio" a sair pelo ladrão, no livro temos uma descrição incrivelmente verossímil (é sério) dos acontecimentos da vida de Abe, como seria em uma biografia de verdade.

O autor foi competente ao criar um Abraham Lincoln que REALMENTE vive no século 19. Ele pensa como um homem de sua época. E não ache que vai encontrar um texto altamente republicano de forma gratuita. Ele conseguiu fazer com que tudo que foi escrito tivesse um propósito dentro do contexto da história. E que história.

Lincoln é um cara "católico", atormentado pela morte da mãe e com ódio mortal de vampiros. Ele está longe de ser o herói ideal, que só pensa coisas boas e só faz o bem. Apesar dele receber o apoio de outros vampiros, como Henry, do qual se torna bem próximo, dentro de sua mente ele generaliza a raça como algo que deva desaparecer da face da Terra. Aceitar o auxílio da raça rival, depois de algum tempo, se torna algo mais prático do que movido pelo companheirismo.

Durante sua jornada, Lincoln descobre como os Estados Unidos sempre estiveram nas mãos dos vampiros, por formarem um país relativamente jovem e com governo um tanto quanto caótico e medroso. Não quero contar detalhes da história que podem matar a experiência, mas obviamente temas como escravidão e banquetes sinistros marcam presença no decorrer do livro.

E por falar em banquetes esquisitos, uma das poucas coisas que me incomodaram durante a leitura foram os vampiros e a forma como eles lidam com suas próprias necessidades. O sugadores de sangue dessa obra possuem uma das melhores "explicações de vida" que já vi em algum livro do gênero. A descrição da vida de um vampiro dada por Henry numa conversa com Abe é curta, mas é incrível. Porém, os vampiros que aparecem no decorrer da história meio que frustram suas expectativas. Eles são ruins de verdade. Não são só egoístas e agem por instinto. Eles são seres vis, que saboreiam o sofrimento, não só o sangue. Isso me incomodou um pouco, pareceu forçado, mas é esquecível.

Banquetão!

Voltando a falar na forma como o livro é escrito, ele é uma "biografia". O texto é dividido de acordo com as fases da vida de Abe, desde criança, quando ele descobre a existência dos vampiros, até sua morte, quando ainda era presidente (isso não é um spoiler, até eu sei como ele morreu). Esses mega-capítulos são então divididos em mini partes, coisa que vocês já devem ter notado que eu A-DO-RO (amo checkpoints).

No decorrer das páginas o autor insere os supostos trechos, dos supostos diários do suposto caçador de vampiros para explicar como ele chegou a conclusão dos acontecimentos da época. E não só de trechos vive o livro, mas de imagens, supostamente produzidas durante esse período, retratando momentos históricos e particulares de Lincoln. Existem algumas ilustrações que podem realmente ser reais, mas a fotos não são por completo. Aí que mora mais um problema.

Provavelmente, algumas ou todas as fotografias usadas no livro são reais. Mas todas sofreram alterações no Photoshop. E o "sofreram" aí está sendo usado da forma ruim, porque as montagens são péssimas. Trabalho com Photoshop há muitos anos, e uma artéria minha entope quando vejo essas atrocidades (drama). Mas tudo bem, mesmo isso não estraga a fantasia. Se você fechar os olhos pros defeitos (ou se você for feliz e não perceber), a experiência continua fascinante.

E o final, o que dizer sobre ele? Todo o livro é tão bem escrito e montado seguindo fielmente a premissa que você não imaginaria que o final pudesse ser ruim. Pois vou logo avisando que o final não faz justiça a obra. Arrisco afirmar que ele meio que trai o próprio conceito. Além disso, a ÚLTIMA página do livro é a página que joga um balde de água fria no que poderia ser um livro incrível do início ao fim. Sério, foi meio lamentável a saída do autor pra terminar a obra.

Apesar do final "meh", o livro é uma das experiências mais divertidas e convincentes que já tive lendo um livro. Você se apega ao personagem e, mesmo com sua visão dura do mundo, você torce pra que ele se dê bem o tempo todo. Nenhum dos problemas citados estragam a leitura e, se você abrir a mente, pelo menos por um breve instante, você pode acreditar que o que você está lendo é real.

Mas só por um breve instante.

Brinquedinho.


O BOM:
  • O texto é fluído e crível.
  • Abraham Lincoln é um personagem tão convincente que você pode aceitá-lo como real.
  • A forma como a proposta do livro é apresentada no primeiro capítulo é bobinha, mas sensacional.
O RUIM:
  • A proposta se trai de forma meio bisonha quando vai chegando perto do fim.
  • As montagens usadas para ilustrar os momentos históricos são péssimas.
  • O final foi o mais "bunda" possível (parece que o cara se esforçou pra isso).
Concorda? Discorda? Dê-nos a sua opinião nos comentários.



Conto inédito hoje no EL! A autora Laísa Couto nos apresenta hoje ao conto "O Lenhador, a Bruxa e a Lua Cheia", um spin-off da série Lagoena. "Mas quem realmente é a nova moradora do vilarejo?"

O Lenhador, a Bruxa e a Lua Cheia
por Laísa Couto 

Era noite de festa num distante vilarejo. A Lua brilhava em Lagoena, num tempo em que as criaturas da Terra Secreta não tinham pesadelos ou medo do amanhecer. Os homens, descontraídos, bebiam ao calor de uma grande fogueira, as mulheres se revezavam com bandejas nas mãos, enquanto as crianças corriam, trançando entre as pernas dos mais velhos.

Comida e bebida foram servidas durante toda noite. Os mais sensatos moderaram as doses, partindo para seus lares logo cedo, os mais gulosos, se fartaram à vontade até o último leitão assado e os que se diziam lúcidos encheram suas canecas até o dia clarear.

Quando rompeu a aurora, o vilarejo se enchia novamente de vida, um viúvo lenhador despertava. Atordoado com a tênue claridade, viu o mundo girar ao seu redor, fazendo sua cabeça zunir. Lembrou-se da noite anterior e das grandes canecas de bebida fermentada que consumira no festejo. Tomando fôlego, se levantou meio trôpego e se deparou com uma bela moça adormecida ao seu lado. Chocado, percebeu quem era: a nova moradora do vilarejo, assunto das últimas semanas, principalmente das rodas masculinas, que elogiavam sua beleza. O lenhador vestiu-se com pressa e partiu, deixando a jovem em seu sono.


Arrependido, o lenhador não se lembrava de como cortejara aquela moça ao ponto de seduzi-la. Desde que sua esposa falecera, deixando a única filha, nunca se permitiu se unir a mais ninguém. Aconteceu que naquele mesmo dia se espalhou a notícia de que o viúvo lenhador teria pedido a moça em casamento. Jovens solteiras invejaram a sorte da moça, que teria uma família para cuidar. Velhas fofoqueiras não pouparam especulações sobre a origem da agora noiva, que aparecera repentinamente no vilarejo.

O lenhador, desesperado, tratou de procurar a jovem para desfazer o noivado, pois quando fizera o pedido não estava sóbrio, além disso, não era o que seu coração desejava. E ela, quando viu seu casamento desfeito, encheu-se de ódio e gritou para todos ouvirem:

— Ouça bem, lenhador! Quando a noite cair e a grande Lua amarela subir, seu coração sangrará de dor! Levarei embora aquela que sempre teve ao seu lado!

O homem não deu confiança à moça, afinal, estava transtornada com o fim do casório. Assim voltou para casa, com o peso da culpa nos ombros, mas logo que viu a sua filhinha, todo aquele mal entendido dissolveu de sua mente e o restante do dia transcorreu tranquilo. Rápido, chegou a noite, com ela a Lua cheia e todos foram dormir.

Quando, enfim, amanheceu o lenhador percebeu com horror que sua pequena filha havia desaparecido, então, lembrou-se da ameaça da moça no dia anterior. Correu até sua casa no fim do vilarejo, arrombou a porta e não encontrou ninguém. Os moradores, compadecidos, em grupos se espalharam pelas redondezas. A procura foi em vão, não encontraram nenhuma pista da filha do lenhador e de sua ex-noiva, uma bruxa.

Passaram-se dias, semanas e o homem saía todos os dias à procura de sua filhinha, até, quando, na noite da primeira Lua cheia após seu sumiço, escutou um choro infantil ao longe dentro da floresta. Procurou até a noite entrar na madrugada, a Lua amarela se esconder no horizonte e a noite cessar. Procurou durante os dias e as noites seguintes, até escutar novamente o choro de sua filhinha na floresta em outra noite de Lua Cheia.


Acontece que a bruxa enfeitiçou um poço e trancou a filha do lenhador lá dentro e para enlouquecê-lo de tanto a procurar, escutaria seu choro em noites de Lua cheia sem que pudesse alcançá-lo e tirar a menininha de lá. 


Assim, anos se foram e mais velho o lenhador ficou, porém ainda continuava sua procura, na esperança de encontrar sua querida filha, seja numa noite de Lua cheia ou em outra qualquer.




Todo mundo diz que feriadão sem viagem não tá com nada. Não há nada como pegar o carro, chamar os amigos e partir para alguma cidadezinha do interior em busca de uma experiência única; um tempo que nunca mais se repetirá. Eu até poderia dizer que Dias Perfeitos, o segundo livro do jovem autor brasileiro Raphael Montes, é um livro sobre este tipo de viagem. Porém, isto seria esconder o ouro. Esta é uma história de amor, sequestro e obsessão.

Téo é um jovem estudante de medicina de poucos amigos, ambições e sonhos. Não dá para dizer que sua vida é feita de grandes emoções: Ele cuida de Patrícia, sua mãe paraplégica, se dedica aos estudos de anatomia na faculdade com o amor de um aluno dedicado e vai todos os finais de semana para a igreja, como um bom filho de beata. Até que um dia, Patrícia o arrasta para uma festa e Téo conhece uma garota diferente; Clarice, que nunca leu Lispector. A pouca conversa que tiveram já esboçava grandes diferenças entre os dois: Téo, metódico; Clarice, desapegada. Téo só escutava música brasileira; Clarice curtia internacionais. Mas mesmo que não fosse uma das meninas mais bonitas, o rapaz enxergou ali, pela primeira vez, o que significava se apaixonar. A partir daí, Téo começa a tentar se aproximar de Clarice à todo custo, em uma mistura de obsessão e amor incondicional.

Fonte: O Globo

Sim, acho que já deu para ficar bem claro que Téo não aceita um não como resposta e acaba, consequentemente, sequestrando a garota para em nome do amor. E a partir daí, minha gente, segure a respiração porque a cada página que se passa o livro desce um degrau no nível de loucura. Téo leva a garota dentro de uma mala para Teresópolis e mantém Clarice como refém em uma pousadinha chamada Lago dos Anões. Tudo isso como se aquela fosse ~as férias de um casal de namorados~. A mente do protagonista, por mais lógica e racional que possa ser na sequência de eventos, é completamente perturbadora. Como um fâ de Dexter (sim, apesar do final ruim, a série ainda tem um espaço no meu coração), senti-me em casa com a narrativa desenfreada do autor, que apesar de não ser muito detalhista (algo compreensível para um romance policial), enlaça os capítulos com uma habilidade de veterano (e olha que é apenas o segundo livro de Raphael!).

Ao chegar em casa, Téo se sentia zonzo. Correu ao celular na cabeceira da cama e aproveitou para mandar uma mensagem à mãe. Acessou as chamadas perdidas, saboreando os dígitos da última ligação recebida. Ficou muito tempo deitado no sofá . Encarava o teto, revivia imagens. Algo havia explodido dentro dele. Algo que ele não conseguia nem explicar. Ainda que não soubesse o sobrenome de Clarice, onde ela morava ou em que universidade cursava história da arte, ele tinha o número de celular dela e isso o tornava íntimos. (MONTES, Raphael. Dias Perfeitos. p.21)


Um fator que me chamou atenção é o quanto o lado corrupto do Brasil ajudou a enriquecer a obra. Não vou especificar os momentos, mas o livro aborda o caráter questionável que caracteriza o nosso povo com frequência (infelizmente), deixando o sequestro de Clarice ainda mais revoltante.  É engraçado porque se pegarmos os livros e filmes americanos do gênero, dificilmente vemos a corrupção da polícia ou das pessoas aparecer com tanta visibilidade (no máximo a polícia sempre chegando no final depois que o vilão já morreu, mas isso é mais uma questão de burrice do que maldade, HAHA). Talvez faça até sentido para o público estadunidense, mas para a nossa cultura, é quase utópico. Por isso, Dias Perfeitos definitivamente é um romance policial palpável para nós e eu imaginei facilmente como uma dessas histórias loucas e sensacionalistas que aparecem de vez em quando nos jornais do país (o caso Eloá, por exemplo).

No mais, se há uma palavra que descreva esta leitura é... Sufocante. Fiquei sinceramente abalado com o decorrer da história e, quando o final vai chegando, fiquei desesperado pelo caminho que Dias Perfeitos estav tomando. Vou logo deixar bem claro; tenha um estômago forte, Raphael Montes sabe causar um impacto. Eu mesmo já estou pensando em comprar o seu primeiro livro, Suicidas, que pela sinopse já estou vendo que vou me corroer de aflição. Mas acho que é para isso que romance policial existe, não é? Fato mais que comprovado. 

E olha só este booktrailer. E sim, aquele é o autor. E ele só tem 24 anos. E sim, ele já foi indicado para pelo menos uns três prêmios da literatura nacional. E eu aqui, escrevendo de pijamas enquanto baixo Grey's Anatomy.