Latest Posts

capa // fonte


Sejam bem-vindos a Athelgard, Escolhedores! Feche os olhos e sinta a brisa suave que corre além dos horizontes das Terras Férteis. Seja um elfo ou um homem, seja um mago ou uma Mestra de Sagas nessa terra de oportunidades e mistérios. Não esqueça de dar a mão e entregar-se a seu Herói, pois, às vezes, a fé pode salvá-lo de muitas emboscadas. Se você não souber se defender, é melhor começar a aprender: pois nunca se sabe os perigos que cada passo oferecem. Vamos partir para nossa jornada no Castelo das Águias!

O mapa de Athelgard. // Fonte
A História de O Castelo das Águias se passa no mundo fictício de Athelgard, uma terra que muito se parece com uma ponta de flecha, ou, ao meu ver, uma impressão digital ou mesmo a cabeça do zé-gotinha.
Lá conhecemos Anna, da cidade de Bryke, mais precisamente da Floresta dos Teixos. Tudo começa com a chegada de Anna em Vrindavahn, onde ela irá ser Mestra de Sagas (algo parecido com professora de literatura but with magic) na escola mágica do Castelo das Águias.
O Castelo das Águias é cheio de belezas e mistérios, dentre estes, existem as Águias que deram nome à escola. Elas são mágicas. Isso, cheias de pó de pirlimpimpim. A trama principal do livro envolve elas: pois as águias correm perigo. Anna e os outros professores tem de lutar contra o mal iminente que ameaça as águias. Aí vemos uma boa mensagem ecológica escondida na narrativa.
Essa seria a sua reação ao ver uma das águias.
Não tente negar.
Não, não negue.
Não negue, meu amor. (8)
Ignore.
Anna de Bryke conhece os professores, e entre eles, se destaca Kieran, o Mestre de Magia da Forma e do Pensamento. A jovem Anna se apaixona por aquele que descobre ter sido um antigo Mestre das Águias, da cidade de Scyllix (vocês só vão descobrir esses termos se lerem o livro, não vou falar, humpf!).

O Castelo das Águias se revela um livro incomum e maravilhoso à medida que avançamos na leitura: ele não se prende apenas na história das águias, ou da paixão de Anna por Kieran. Não, existem mensagens e histórias menores dentro - existe um mundo muito maior que Vrindavahn e o Castelo. Ana Lúcia Merege utilizou de sua espetacular maneira de narração para transformar o leitor em seu convidado. 

Nos deparamos com Athelgard de forma precisa, real. Quando a autora descreve as águias, ouvimos seu bater de asas e seu esplendor nos céus da Floresta das Águias. Quando a narração se desbrava com cenas de ação, arrepios envolvem nossa pele e quase desviamos dos golpes dos personagens, e somos envolvidos pelas descrições belas da cidade e cenários diversos. O livro nos absorve e somos engolidos pelo clima, sem nem perceber a mudança.

Ana Lúcia Merege apresenta-nos temas recorrentes à sociedade contemporânea de forma sutil no livro: a diferença entre as sociedades, as relações políticas, a supressão religiosa e até mesmo machismo/feminismo e estupro!

A questão das religiões é minha favorita: em Athelgard, louvam-se o Deus Único e os Heróis (como Deuses Menores, representações do Uno). Anna de Bryke, é, porém, uma índia: suas crenças são diferentes, muito parecidas com as das tribo norte-americanas. Ela é adepta da crença no Grande Espírito, e seguidora do Espírito do Lobo - que é o seu clã, a sua Casa. Se fosse louvar um Herói, porém, ela se sentiria mais à vontade rezando para Loki - que é chamado de "O Esquerdo" (parecido com Satã, o Inimigo). Isso não muito bem-visto: e aqui revela-se mais uma questão social.

É a Estranha no Mundo Novo, que sofre preconceito por ser humana em um lugar onde elfos dominam as profissões de Mestres, por ser mulher, em uma sociedade machista, e por ter suas crenças diferentes. Como isso influencia na história? Anna de Bryke se impõe. Ela não sai queimando sutiãs. Mas se revolta, busca soluções e usa de sua maior artimanha - contar histórias - para suas intrigas.

O Castelo das Águias é genial pela sua dualidade. Algumas pessoas vão ler e ver a história infanto-juvenil encantadora de Anna, Kieran, e das Águias. Outras verão a mesma história - mas também com outras diversas possibilidades e rumos que os personagens e enredos paralelos podem tomar. Athelgard é magnífico, e convido todos a fazerem parte desse lugar.




Cá estamos nós com mais um Escolhendo Livros do Jeito Que Você Não Deve, dessa vez, apresentando um batalha de ideias super amigável (e bizarra) entre os escolhedores Natan e Trinta. Como já deu para perceber, ainda estamos criando a identidade visual da coluna - Sabe como é que é, o Escolhendo Livros vai se construindo a passos de tartaruga perneta - mas pode ter certeza que uma hora a gente chega lá. Preparados para essa terceira edição da coluna? Façam suas apostas!


Relembrando...

Escolhendo Livros do Jeito Que Você Não Deve funciona assim: Cada um dos dois (Dessa vez, a dupla Trinta e Natan) escolhe um livro que leu, mas sabe que o outro não leu (e nem faz ideia do que se trata). Trocamos as capas dos livros e, só com ela, tentamos adivinhar a sinopse. Depois de um monte de achismos cômicos (porque é claro que vai ser assim), cada um escreve sobre o real conteúdo do livro que escolheu.
Livro que a Trinta escolheu pro Natan adivinhar:
                                                 

Pela capa, o Natan acha que a sinopse do livro é...
Luiza é a aluna mais aplicada do mais popular colégio de sua cidade. Quando o diretor Afonso, sabido da capacidade intelectual da garota, a convida para participar do Congresso Mundial de Química, Luiza sente que esta seria a oportunidade perfeita para colocar em prática o seu mais novo experimento, fruto de uma vida inteira de pesquisa e dedicação: o derretimento dos sólidos. O que Luiza não esperava é que Marina, sua rival, adicionasse um elemento misterioso à fórmula de Luiza que fazia com que os sentimentos sólidos também se derretessem. No momento em que Luiza percebe que o sólido amor de seu namorado por ela começava a derreter e desaparecer, uma emocionante história de amor, superação e luta contra o tempo começa a tomar lugar, e Luiza precisa se decidir entre reconquistar seu grande amor ou garantir seu sucesso como jovem cientista.
Trinta falando sobre o que realmente é o livro:
Awwwwwwwwn! Gente, essa sinopse ficou a coisa mais lindinha da face da terra! E olha que transformar química em uma coisa adorável não é a coisa mais fácil não, viu. Sem contar que eu senti um discurso feminista escondido nessa sinopse que poderia muito bem dar margem para aquela velha discussão das mulheres divididas entre a vida pessoal e a profissional. Mas sinto-lhe dizer, meu amigo Natanneke, que a sua viagem literária nem tocou na real trama concebida por Rafael Gomes. Na verdade, Tudo que é Sólido Pode Derreter conta as peripécias de Thereza e seus amigos no terreno impreciso que é a adolescência, se utilizando de uma narrativa  no estilo crônica juvenil para dar um pouco mais de intimidade ao assunto.
Porém, contudo, todavia, a história não é apenas mais uma continho teen. O autor mistura clássicos da literatura com os dramas rotineiros da personagem principal, dando uma nova coloração para aquelas velhas histórias que todos nós já ouvimos na aula de Literatura. Tudo Que é Sólido Pode Derreter busca dar um tom realista para o universo de ficção clássico, o que pode ajudar muitos estudantes de ensino médio a se atrairem um pouco mais pela matéria. Para quem ficar interessado, o livro foi desenvolvido a partir de um seriado de 2009 feito pela TV Cultura em parceria com a Ioiô Filmes, estrelando Mayara Constantino como Thereza.  

Livro que o Natan escolheu para o Trinta adivinhar:

Pela capa, a Laísa acha que a sinopse do livro é...
Dizem que o dinheiro é o maior inimigo das relações humanas, destruindo famílias, amizades e, às vezes, até o amor. Baseado nessa crença, um pequeno aglomerado de vilarejos no interior de Minas Gerais decidiu se separar do Estado Federativo Brasileiro para formar Communis, um condado escondido dentro das escavações abandonadas do séc. XVII. Para que os vilarejos internos de Ursa Maior, Coroa Boreal e Andrómeda possam realizar o escambo de suprimentos, os representantes das linhas ferroviárias de cada cidade se reúnem toda 15h15 da tarde na estação principal de Coroa Boreal com o intuito de formalizar os melhores acordos para a sobrevivência da comunidade.

No décimo aniversário da criação de Communis, o maquinista oficial de Coroa Boreal Carlos Maxiano é solicitado para uma missão fora de rotina. A ardilosa maquinista da Ursa Maior Joana Loquéria fugiu com o trem da cidade e ninguém sabe de seu paradeiro. Carlos deve sair em busca da ladra, viajando pelos trilhos inexplorados das escavações até que ambos os destinos entrem em uma interseção. A autora Cristine Baptista revoluciona o universo da ficção sócio-política com uma obra transcendental que mistura sociologia, suspense e um punhado cuidadoso de fantasia. Afinal, o que há nas profundezas das cavernas?
Natan falando sobre o que realmente é o livro:
"Aglomerado de vilarejos no interior de Minas Gerais" - parei de ler aí. Brinks, não parei, mas também não tem nada a ver com o parangolé esse negócio de vila e estação principal e Communis e esses tóxicos pesados todos. À Procura do Encontro é um livro que eu li na oitava série e devo ter relido umas seis vezes, sem exagero - tanto pelo fato de que o livro é curtinho quanto porque foi muito significativo pra mim, na época. O livro conta a história de um garoto, adolescente, que está começando a descobrir sua sexualidade. Ele se encontra naqueles dilemas tradicionais de quem passa por essa experiência, como a preferência por gostar de bonecas e não de carrinhos, por querer estar mais próximo das meninas do que dos meninos, por não se interessar tanto por futebol e por aí vai. E o encontro a que se refere o título da obra é o encontro consigo mesmo; a autoidentificação. Apenas; sem nenhum suspense, nenhuma fantasia e nenhuma caverna profunda.

Você compraria um livro com as nossas sinopses? Pode ser sincero, nós não mordemos! Senão, como seriam as suas sinopses? Um beijo pros fãs e até a próxima!

Como uma criança fascinada por poções polissuco e pedras do sol, muito me assustava o constante desinteresse que sentia quando o assunto era fantasia nos últimos anos. Abdiquei quase que completamente da literatura fantástica, e se pudesse contar o número de livros do gênero que li de 2010 para cá, talvez não chegue nem a todos os dedos de uma mão. Antes que me repreenda com um "E Game of Thrones?", vou logo levantando um escudo - Ainda não estou na vibe (ok, eu vi as duas temporadas da série da HBO e não, não me empolgou a pegar nos livros). Mas felizmente, como o meu interesse por terror sempre foi acima do normal, dei uma pesquisadinha e encontrei um subgênero que me apeteceu logo de cara: Dark Fantasy. E é com Necrópolis, um universo sobrenatural repleto de misticismo, que o paulista Douglas MCT conseguiu renascer uma esperança dentro de mim.

O amor fraterno é algo imensurável. Isso ficou claro para Verne Vipero quando o primeiro instinto que sentiu ao perder o seu irmão mais novo, Victor, foi o de encontrar alguma forma de trazê-lo de volta a vida. Apesar do seu ceticismo, Verne descobre que há uma forma de burlar o ciclo natural da existência, e para isso, terá que partir em uma jornada para Necrópolis, um dos dois mundos que integra Moabite, o sétmo entre os oito Círculos do Universo. Entretanto, mal ele sabe que a sua viagem desencadeará uma sequência de fatos irreversíveis que afetará tanto a vida na Terra quanto a sobrevida no Submundo Necropoliano. 

Como o primeiro livro de uma série, A Fronteira das Almas consegue em poucas páginas (o livro possui 293 páginas, contando com um extenso glossário, agradecimentos e um epílogo da sequência!) apresentar um universo que me deixou bobo. Falo isso porque o autor criou uma mitologia própria riquíssima, com todo o direito do superlativo, que engloba fantasmas, zumbis, lycans, vampiros, duendes, anões, fadas e milhares de outras criaturas mágicas que poderiam facilmente causar um samba de criolo doido, mas, choquem-se, funciona. Acho que o maior problema que vinha tendo com qualquer título de fantasia era a mistureba desconexa que todas pareciam ter; como um liquidificador de mitologias que apenas "grudava" as espécies em uma história qualquer. Em Necrópolis, raras foram  as vezes que eu não vi a química entre os personagens e só por isso, eu já abri um sorriso no rosto.

Além disso, acompanhar a trajetória de Verne não é nem um pouco enfadonho, graças ao incrível talento que o autor tem em tecer os pontos-chave da história, explicando a passagem de Verne para Necrópolis e seu encontro com Simas, Karolina, Ícaro e os vários outros personagens no trajeto de sua aventura sempre dando um ~gostinho de novidade~ para o leitor. Sério, foram tantos lugares, inimigos e acontecimentos novos que eu AINDA estou impressionado que o livro seja tão curto.  Praticamente a cada capítulo o protagonista está em um cenário diferente ou a narrativa muda para outro espaço temporal da história e isso ajuda bastante em nos deixar submersos na obra. Não vou dizer que isso não tenha tidos seus momentos perigosos, (sempre tem aqueles núcleos de personagem que você não se importa tanto quanto os outros - Cof cof capítulos centrados no Simas cof cof) mas, honestamente, achei um ponto positivo para a trama.

No entanto, como nem tudo é perfeito, achei alguns desfechos da narrativa muito "convenientes",  por assim dizer. Não sei se comprei todas as pessoas que apareceram no caminho de Verne tãããããão propensas a ajudá-lo em sua missão - Quase como se o personagem carregasse um nível de carisma a lá Miss Universo (e diga-se de passagem, ele não carrega.). Se levarmos em conta o perigo absurdo que esta viagem representava, achei até absurdo a devoção que alguns personagens colocavam no protagonista, principalmente por este ser, teoricamente, um completo estranho para eles. Para completar, achei Verne um personagem muito limitado, e eu odeio quando os personagens secundários parecem ter uma profundidade muito maior que o protagonista. Cito aqui o próprio Simas,  que apesar de não ser o meu favorito (Karolina <3), conseguiu me convencer muito mais em seus capítulos próprios do que Verne no livro inteiro.

Mas, honestamente, eu poderia até ser mais chato com estes detalhes, mas dessa vez, digo que dá pra deixar tudo isso passar. Necrópolis é redondo, uma experiência maravilhosa que até conseguiu me deixar com medo em alguns trechos (A própria introdução é um bom exemplo disso.) Deixo aqui para vocês o book trailer para conhecerem melhor essa obra que, sinceramente? Não deve nada para qualquer livro estrangeiro de fantasia.

P.S: Eu encontrei alguns errinhos de digitação, fica aí uma recomendação para a editora: Revisão, já!

P.S²: Eu quero ler o segundo livro! Nem acredito que tô falando isso, mas estou E-M-P-O-L-G-A-D-O! 

P.S³: Para quem acha que livro nacional de fantasia nunca é bonitinho, Necrópolis tem ATÉ mapinha ilustrado, tá, meu bem?
 
Havia comentado há algumas semanas atrás no post da Bienal do Livro que consegui o meu primeiro autógrafo ~estrangeiro~ com ninguém menos do que Emilly Giffin. Para quem não conhece, Emily é a autora dos bestsellers americanos Ame o Que é Seu e O Noivo da Minha Melhor Amiga, esse último adaptado para os cinemas em 2010. Como nunca havia pegado nenhum de seus romances, optei por comprar no evento o último lançado aqui no Brasil - Baby Proof, traduzido para Uma Prova de Amor (Sem comentários) - pois era a obra que Emily veio promover na visita. Me pergunto se essa foi a melhor forma de conhecê-la...

Em Uma Prova de Amor, somos apresentados a Claudia Parr, uma editora de livros nova-iorquina muito bem casada e sem filhos. Mas não, ela não "decidiu esperar". Claudia Parr NÃO quer ter filhos por livre e espontânea vontade. Quando conheceu Ben em um encontros às escuras, mal imaginava ela que encontraria o homem de sua vida. Ben era carinhoso, bonito, engraçado e, como se não fosse o suficiente, compartilhava da mesma filosofia no assunto "bebê" - Motivo que deu o empurrãozinho final para Cláudia decidir juntar os trapos sem nem pestanejar. No entanto, os anos passam e o inesperado acontece: Ben muda de ideia. E como em todo casamento perfeito, uma simples mudança pode colocar tudo a perder.

Exposta a sinopse, fica mais fácil explicar o que me desagradou nessa escolha. Uma Prova de Amor entrega, da sinopse até a introdução, passando pelo desenvolvimento dos personagens e chegando nas últimas páginas, uma ideia de fórmula pronta. Talvez eu esteja sendo duro demais com a autora, mas senti durante boa parte da leitura, uma sensação de que o livro tinha um prazo para entregar; como se o manuscrito precisasse ser finalizado o mais rápido possível e por isso, não houvesse tempo para emperequetar muito o fio narrativo. Era tanto lugar comum junto - personagens-padrão, expressões clichês, diálogos vazios, situações típicas - em um tema que por si próprio já é saturado ao extremo no mercado literário ("Ter filhos ou não?" ZZZZZZZZZ) que eu cheguei ao ponto de ler o livro no automático. E eu detesto quando isso acontece.

Ok, deixa eu explicitar melhor essa ideia. Ler no automático, na minha concepção, é aquele estado em que não estamos lendo um livro pelo prazer da história; seja por criar uma emoção ou por um beliscão de curiosidade no âmago do peito. É uma leitura sem cor, em que zapeamos pela linhas das páginas depressa, sem se se preocupar com as descrições ou com o alívio estético de cada capítulo. É um livro feito puramente para distrair, sem nem se importar em deixar uma marca no leitor. Como uma música pop entupida de filters e dubstep; um filme blockbuster de Hollywood de roteiro questionável; um comercial colorido e bonito de cerveja. Baby Proof não é mal-escrito nem nos faz de idiota; é apenas desnecessário. E talvez não haja coisa pior para um livro do que nos deixar... Indiferente.

Por isso, penso que essa obra não foi a melhor decisão que poderia tomar para conhecer a autora. O drama de Claudia é até palpável, cheio de reviravoltas e com o desenvolvimento bem elencadinho; mas o que importa uma boa técnica sem a desenvoltura de uma história saborosa? Provavelmente deveria ter partido para os seus maiores sucessos neste primeiro momento (a trilogia Something Borrowed) que, provavelmente, exigiram um pouco mais de Emily para agraciar sua base de fãs com um obra divertida e gostosa; como os chicklits devem ser. E não se enganem - Isso não é uma crítica ao gênero. Eu AMO comédias românticas, com todo o seu açúcar e utopia. Vejo nelas uma necessidade no mundo, que às vezes é realista demais e precisa da suavidade de um bom romcom. Mas até os romances precisam de seu carisma, e isso, infelizmente, dessa vez me passou despercebido.

Desculpe, Emily, não foi dessa vez. Mas talvez eu ainda leia O Noivo da Minha Melhor Amiga.


O hype diz tudo. Gillian Flynn conseguiu conquistar o mundo inteiro com o suspense arrebatador presente em Garota Exemplar. Atualmente, é quase impossível entrar em uma livraria e não encontrar ao menos uma pilha de seus livros na prateleira dos mais vendidos. Como adoramos ficar atentos ao que está acontecendo no mundo da literatura, a nossa equipe correu para encontrar uma boa entrevista com a autora americana pela web e, felizmente, conseguimos traduzir essa matéria super divertida feita pelo Entertainment Weekly. Dá para acreditar que por trás de tanto talento existe uma autora tão simpática?

(Nota: A matéria foi publicada originalmente no dia 26 de junho de 2012. Favor se atentar aos lapsos de tempo)
---
Com o seu último romance Garota Exemplar, Gillian Flynn  - uma antiga crítica de TV da EW e autora das obras Sharp Objects e Dark Places - escreveu o livro do verão. Ontem, Amazon nomeou Garota Exemplar o melhor livro de 2012 até então, e no mês passado, a EW preveu que esse seria o trabalho que a levaria ao estrelato. Flynn conversou comigo sobre o processo de ideias que rolou por trás de seu perturbador thriller psicológico. (Alerta de Spoiler: Nenhum grande segredo é revelado aqui, mas é melhor saber o menos possível sobre o Garota Exemplar antes de ter a chance de lê-lo). 

ENTERTAINMENT WEEKLY: Como você criou a premissa de Garota Exemplar?
GILLIAN FLYNN: Eu queria escrever sobre casamento. Nos meus dois primeiros livros, meu protagonistas eram solteiros quase ao ponto de não terem ligação com ninguém no mundo. Eu queria explorar o completo oposto disso - quando você se une a outra pessoa para sempre, e o que acontece quando tudo começa a dar errado. Durante o livro, eu brinco com a ideia de cortejar alguém como se fosse um jogo de trapaça. Você quer que a pessoa goste de você, logo você nunca irá mostrar para ela os seus piores defeitos antes de ser tarde demais. 

EW: O romance é uma mistura de gêneros: É parte drama doméstico, parte thriller policial.
GF: Você está certo. Não há nenhum cadáver ou mortes em abundância. O suspense vem a partir deste casal,  Nick e Amy, e de tentar descobrir quem é que está falando a verdade. É um cabo-de-guerra de "ele disse, ela disse".

EW: O livro também parece com um daqueles casos misteriosos que passam no Dateline. 
GF: Eu sou aficionada por crimes verídicos. Não é algo que eu particularmente me orgulhe, mas eu não consigo evitar. Você assiste um desses shows como qualquer outra pessoa. Uma esposa desaparece; você assume que o culpado é o marido. Para mim, essa era uma ideia realmente interessante.  

EW: Você se baseou em algum caso real para criar a história de Garota Exemplar?
GF: Eu definitivamente não queria fazer nada específico. Alguns podem fazer referência ao caso de Scott e Lacey Peterson - eles eram com certeza um casal bonito. Mas eles sempre são casais bonitos. Esse é o motivo deles acabarem passando na TV. Você não vê normalmente pessoas que são incrivelmente feias que desapareceram e que viraram uma sensação na mídia. Pode ser qualquer caso deste tipo, mas isso era o que chamava a minha atenção: a seleção e a montagem de uma tragédia. De certa forma, eu construí essa ideia ao contrário no livro: O que vai dar o ânimo para deixar a mídia mais interessada e o que vai deixar a história mais crível para que a imprensa desça o verbo sobre?

EW: Seus personagens são tão espertos! Eles sabem exatamente aonde a mídia irá se prender.
GF: Eles são espertos! Todos nós somos bem espertinhos. Esse é um outro tema que eu estava interessada em brincar no livro: a ideia de que é difícil para qualquer pessoa afirmar que não sabe como essas coisas funcionam (a mídia), porque nós estamos tão imersos nesse mundo, na internet, na TV e nos filmes. Não há mais novas histórias. Eu sinto como se nós estivéssemos caminhando para um lugar onde tudo ricocheteia de outra coisa, despertando uma memória, uma referência ou um pensamento já visto. Isso acabaria chegando ao ponto de eu ter conversas com amigos que dizem "Essa não é uma história que alguém me contou, ou um livro que eu já li ou talvez algo que vi em um programa de TV?" e aí você perderia 10 minutos tentando entender porque vocês dois tem essa mesma sensação, até se lembrar que isso veio de um velho episódio de Cheers ou algo louco do tipo; e isso fica gravado na sua cabeça.

EW: Parte da diversão encontrada em Garota Exemplar está na hora de escolher um lado. Team Amy ou Team Nick?
 GF: Exatamente! A todo momento, a perspectiva de quem eu estava escrevendo era o lado o qual eu estava apoiando. Claro que eu fazia isso sem entregar muito da trama - Afinal, nenhum deles fazia a coisa certa o tempo todo. *risos* Ao mesmo tempo, os dois começaram de um ponto em que pensavam ter encontrado a alma gêmea de suas vidas. Eu não consigo imaginar nada mais devastador do que descobrir, lentamente, ao passar do tempo, o quão errado você estava sobre alguém.

EW: Como você tem visto as reações dos seus leitores e leitoras quanto ao casamento de Nick e Amy?
GF: Vários dos meus amigos homens se identificam com o sentimento de "não importa o que você faça, não será bom o suficiente" - a ideia de ser sempre visto como o palerma da relação matrimonial. Isso parece ser um ponto que os atingem. Já para as mulheres, o sentimento de sempre ter de estar no controle de tudo é algo que as incomodam. Alguns homens acham que Amy é a melhor e pensam que ela está completamente no seu direito de fazer o que quiser, e eles até o teriam feito também. É engraçado descobrir aquilo que chama a atenção das pessoas.

EW: O que o seu marido achou do livro?
GF: Primeiro ele me comprou flores. "Está tudo bem, querida?" *risos* Não, não, ele estava empolgado com tudo, não quis que eu mudasse nada por sua causa.

EW: Nunca foi estranho se aprofundar na vida de um casal tão dark e depois ter que voltar para a sua própria na hora do jantar?
GF: Eu costumava escrever algumas cenas no meu escritório no porão enquanto escutava meu marido no andar de cima. Aí eu falava para mim mesma "Deixa disso, Flynn. Mantenha a loucura no andar de baixo." Eu deveria fazer uma camiseta com isso.

EW: Você costumava escrever sobre cultura pop. Quais filmes você estava pensando enquanto escrevia o romance?
GF: É uma peça que virou um filme, mas com certeza "Quem tem Medo de Virginia Woolf?". Os diálogos são tão bons. Além desse, também tem "A Guerra das Rosas", que é uma das melhores comédias de humor negro de todas. Eu fui ver de novo e fiquei muito feliz por ainda continuar tão louca, triste e hilária quanto eu me lembro.

EW: Há alguma música que te inspirou para a história?
GF: Isto vai soar muito estranho, mas existe esta velha balada sobre assassinato que às vezes é chamada de "Rose Connelly" e às vezes de "Down in the Willow Garden" que eu sempre pensei que fosse o tema solitário que embala o livro. Ela é cantada por um homem que fala sobre matar a sua namorada grávida. É um belo, elegante e lúgubre tipo de música que eu conseguiria ver Amy dramatizando sobre, escutando enquanto escrevia em seu diário e se divertindo com a tragédia da coisa.

EW: Como você se sente quanto a Amy Adams interpretar a personagem Libby do seu último trabalho, Dark Places?
GF: Eu não conseguiria sonhar com alguém mais fantástico. Nós já temos um diretor oficial, Gilles Paquet-Brenner, e ele está realmente se dedicando no filme. Eu li o roteiro e está maravilhoso. Trabalhei na EW porque eu amo filmes, TV e livros, então para mim, ter um dos meus livros adaptado em um filme é uma das coisas mais legais.

EW: Eu conversei com a Patricia Cornwell uma vez sobre essa mudança do gênero criminal de algo puramente procedural para algo mais trabalhado no desenvolvimento do personagem, que é um  dos foco principais do seu trabalho. Você também percebe essa mudança? 
GF: Sim, eu não sei bem o porquê disto acontecer, mas eu acho que as pessoas são atraídas pelo desenvolvimento dos personagens se esses estão presos em um mistério. Acho que é uma boa forma de contar uma história e eu acho que cada vez mais os bons autores tem se interessado por esse tipo de narrativa. Para mim, tudo começou com Sobre Meninos e Lobos e Dennis Lehane. Eu lembro de ter o lido quando eu ainda trabalhava na EW e escrevia Sharp Objects. Li o livro em uma noite, tinha que ir trabalhar no dia seguinte e eu ainda estava completamente obcecado com ele, refletindo sobre sua trama e eu pensei: "É assim que eu tenho que contar esta história." Foi dessa maneira que decidi escrever Sharp Objects. Ele foi uma grande influência. Eu acho que escritores de mistério e de suspense - seja lá qual é o gênero que você queira chamar isso - estão pegando os maiores e mais interessantes tipos de problemas socioeconômicos e utilizando-os das formas mais interessantes e atraentes.
 
Entrevista com Gillian Flynn, a autora de Garota Exemplar é uma tradução exclusiva do Escolhendo Livros 












Boa noite, gente bonita!

Dessa vez eu não demorei a voltar, conforme prometido (não me lembro se prometi isso). A vida tá mais sossegada agora, mas neste momento estou caindo de sono pois estou trocando o dia pela noite e vice-versa, portanto meus horários estão alternados. Agora é hora de eu estar dormindo, por exemplo, mas estou aqui e é tudo bem. Enfim. Como vocês estão? Bem, eu espero. Eu também estou bem, obrigado e hoje o post é 2 em 1 e é polêmico, mais do que mamilos. Sigam-me os bons.


Primeiro, eu gostaria de fazer uma ressalva: esse pessoal que ganha a vida com o YouTube tem que ganhar dinheiro mesmo (embora aqui no Brasil existam poucas pessoas que fazem isso). O post de hoje é um mix de Vamos falar sobre Literatura + vlog, que eu comecei a gravar ontem por volta das 11h da manhã e fui concluir por volta das 18h da tarde/noite, isso sem contar nas horas extras que eu gastei tentando tirar a cor de terracota que o media player estava deixando a minha cara — até que descobri que o problema era o player, não o vídeo. E dá muito trabalho. Mesmo. Mas valeu a pena.

Hoje eu falo sobre um tema que muito me ~agrada~: Literatura gay. Na verdade eu não falo sobre Literatura gay abrangentemente, mas comento uns pontos que me fazem refletir. Isso se dá, inclusive, por esse assunto não ser tão comum na sociedade. Vê-se muita ficção, fantasia, romances-fantasia, romances-vampirescos-lobisomescos, romances água com açúcar, auto ajuda, romances de banca de jornal (♥♥♥♥) e por aí vai, mas muito pouco se fala sobre ou se veem romances homossexuais nas livrarias. Eu, particularmente, nunca vi. Aliás, minto: vi um, uma vez, PUTS! ESQUECI DE FALAR SOBRE ELE NO VÍDEO!!!!!!........ Mas tudo bem. É um romance gay, mas não se enquadra no perfil das histórias que eu analisei porque aborda um outro viés da questão. Bom. Existe, também, o fato de que muito pouco se escreve sobre esse assunto. Eu devo conhecer três ou quatro autores de romances gays, sendo que, destes, sei que escreveram só um ou outro romance; não foram autores de bibliografia extensa a esse respeito. Não sei se é porque não existem assim tantos autores gueis (mentira, existem sim) ou se é porque o Brasil ainda não está culturalmente preparado pra ter esse tipo de Literatura exposta nas vitrines das livrarias, ou se em países estrangeiros também é assim... Não sei o que se passa.


Por outro lado, percebo que existe muito homoerotismo enrustido ou referências homossexuais dentro de personagens em histórias mais famosas, como O Retrato de Dorian Gray, por exemplo. Ou O Grande Gatsby, ou Sonho de uma Noite de Verão (tem um personagem (não lembro o nome) que, puts, muito viadão). Mas é tudo muito velado... Não entendo. E também não sei por que estou levantando essas questões aqui, já que o post não é nem sobre isso, não é meishmo? Vamos ao vídeo então. Depois que assistirem, voltem aqui que tenho umas considerações finais. AH! Detalhes importantes: gravei o vídeo com a minha oebe cam, que é o único recurso de que eu disponho, e isso justifica a qualidade medíocre do vídeo (embora eu tenha jogado duas toneladas de efeitos pra ficar menos pior) e eu não estou 100% certo de que a minha cara cor-de-terracota foi consertada, mas eu tentei até a exaustão ontem. Se tiver dado certo, ótimo!, senão, tá justificado. Aperta o play! 




E é isso, gente. Se você não assistiu o vídeo pelo YouTube, aqui estão os links que eu citei:

Um Estranho Dentro de Mim (para comprar) - clique aqui

O Terceiro Travesseiro (para comprar) - clique aqui

Brokeback Mountain (texto original) - clique aqui para ler (Inglês)

O Segundo Travesseiro (texto online) - clique aqui

O Preço de Ser Diferente (livro que eu citei por último, mas não apareceu no vídeo) - clique aqui

North Bound (meu livro, para comprar) - clique aqui

Meu blog - clique aqui

Todos esses livros podem ser encontrados sem muita dificuldade na Internet, mas, ainda assim, acho justo divulgar o link pra venda, afinal os autores merecem ter seus trabalhos valorizados. Caso algum dos autores citados neste post venha a lê-lo e sentir que teve seus direitos autorais violados de alguma forma, por favor, entrem em contato conosco!

Tenham vocês uma linda noite e a gente se fala em breve. Beijinho




Os conservadores podem até me linchar por dizer uma coisa dessa, mas acho fenomenal a utilização da gíria piriguete hoje em dia. Depois de anos sendo uma denominação estritamente popular - mais visível nas músicas de forró e no boca-a-boca da periferia - hoje, ser uma mulher "saidinha" é carregar uma grande conflito social nas costas. Falo aqui desta "nova" briga entre os que acreditam que as piriguetes são um fruto da degradação feminina e aqueles que levantam a bandeira da libertação sexual (A Marcha das Vadias que o diga). Aí eu penso: Quantas mulheres da história não gostariam de dar um pitaco sobre o assunto agora? Princesa Diana, Joana D'Arc, Isabel do Brasil... E a Emma Bovary, minha gente, porque se enfiarmos literatura no meio, esta aí ia jogar muita lenha na fogueira.

O casamento (fail) de Charles e Emma Bovary. 
Quando Gustave Flaubert escreveu Madame Bovary em 1856, Paris virou de cabeça para baixo com tamanha audácia. O choque veio devido a natureza questionável da heroína, que fugia completamente do esteriótipo impecável que as mocinhas deveriam ter. Emma era uma mulher romântica que se acomodou com o primeiro rapaz que lhe fez corte; Charles Bovary, um médico bondoso, mas intelectualmente limitado e de gênio fraco. Com o passar dos anos, Emma se vê entediada com a rotina, uma insatisfação tão grande que facilmente se transforma em ódio e raiva. Para ela, Charles é o culpado por afastá-la da felicidade de encontrar o homem viril e galanteador que tanto sonhava. É só somar um mais um para entender aonde essa história vai parar e principalmente, o motivo de tanto burburinho na França do séc. XIX.

Flaubert foi tão criticado pela obra que chegou a ir a julgamento, acusado de ofender à moral e à religião. Surpreendentemente, foi declarado inocente de todas as acusações, soltando uma de suas frases mais famosas no meio do tribunal: "Madame Bovary c'est moi!" ("Madame Bovary sou eu!", em francês). Lendo o livro hoje, dá pra entender muito bem o quão corajoso o autor foi ao mandar uma obra dessas para a publicação. Madame Bovary é a primeira piriguete da literatura realista.

Sou bem sincero: Eu me acabei de rir com as desculpas dramáticas que Emma Bovary dava para minimizar os seus ~desejos internos de liberar geral~. Boa parte do livro, a heroína sofre entre a pressão de ser a esposa dedicada de um chato de galochas e a vontade de fugir com o seu amante da vez (Sim, da vez). O autor é severo em suas descrições, sabendo exatamente como desenhar cada personagem, desde as belas qualidades até os piores defeitos; fazendo jus ao cargo de precursor do realismo. Tiro por exemplo o personagem de Charles, que foi tão bem elaborado, que consegui imaginá-lo na minha cabeça como se fosse um parente de família (aquele chato que nunca fala nada nos encontros de domingo na casa da vovó). 

Muitos podem jogar a culpa toda pra cima de Emma, mas a berlinda do livro também pertence ao Senhor Bovary. Não dá para ignorar o quanto Emma foi obrigada a se casar sim, não tanto por uma força física e representativa, mas sim psicológica. A realidade da época estava incrustada na cabeça de todas as mulheres; Emma sabia desde menina o quanto uma mulher devia se casar cedo, sob risco de ter o seu nome correndo nas ruas. Não existia amor sincero ali, mas a obrigação de cumprir um objetivo de vida, tanto da parte de Emma - ser a parte submissa de uma família - quanto da de Charles - se apossar de uma esposa. Por mais que fique claro no livro que Charles realmente ama a mulher, esta paixão não é nutrida pela pessoa que Emma é, mas sim pelo que ela aparenta ser, ou melhor, o que ela representa para o status quo de Charles.

A obra é impecável ao construir uma crítica social madura sobre o papel social da mulher na sociedade e por mais que eu tenha ficado um pouco enojado com a Emma em algumas partes (Queridinha, você não é Jesus Cristo crucificado!), é compreensível entender os infortúnios de sua vida. Madame Bovary ainda consegue ser uma personagem atual, o retrato da piriguete incubada, que hoje teria a chance de deixar a sua insatisfação de lado e viver a vida intensamente. Mas não é que isso da corda para uma boa readaptação da obra?