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Boa noite, gente bonita e sensual,

Finalmente, depois de um longo e longo tempo, eu voltei, sim, eu voltei. Daqui não saio, daqui ninguém me tira. Pois bem, hoje venho trazer mais um vídeo lindo lindo lindo pra vocês.


É um pouco de tudo: um pouco vlog, um pouco Frankenstein, um pouco resenha, um pouco nada e um pouco de gelatina. Oferece-se por educação, recusa-se por educação. E tem uma blusa também. E o novo eu que vos fala. Dá um play bem gostoso aí e vem com o Nate. Até a próxima!

   


 

Ah, o amor. Existe algo mais inexplicável do que isso? Eu, por exemplo, sempre gostei de imaginá-lo como um sentimento capaz de transformar duas pessoas completamente diferentes - seja pela cor, classe social ou signo do zodíaco - em um verdadeiro par perfeito (ou mais do que isso, afinal, a série da HBO Big Love e o filme Vicky Cristina Barcelona já nos mostrou que a poligamia é bem-vinda para todos). E é com essa bela ideia de um amor sem perfil padrão que nós devemos encarar a história de Alex e Niki. Ele, um publicitário endinheirado em seus quase 38 anos. Ela, uma bela e espevitada colegial em seus plenos 17. Pela primeira vez aqui no Escolhendo Livros, apresento-lhes Federico Moccia, um encantador autor que sabe exatamente como mostrar o delicioso charme italiano.
         
                    
Sim, esse livro também já tem filme! E olha que faz jus a obra, hein... 

Amor é perceber que talvez amar seja outra coisa. É sentir-se leve e livre. É saber que o coração dos outros não lhe é devido, não lhe pertence, não lhe cabe por contrato. 
A cada dia você deve merecê-lo.

 

Niki é a imagem perfeita da juventude a flor da pele. Faz o último ano do colégio, sai sempre com suas melhores amigas (as auto-intituladas e super engraçadas Ondas!), conta umas mentirinhas aqui e ali pros seus pais... Enfim, é uma garota que não mede esforços para ser exatamente aquilo que ela quer ser. Já Alex, ao contrário, expurga maturidade; é dedicado ao seu trabalho em uma agência publicitária, tem a cabeça presa em seus próprios valores morais e, mais recentemente, acabou de levar um senhor pé na bunda de sua noiva Elena. Apesar de estarem em momentos diferentes, Alex e Niki acabam se batendo no meio de um acidente de trânsito... E é através dessas duas vidas recém-entrelaçadas que Federico Moccia explica o feitiço do amor; aquela leveza, brisa e suave desapego vinda de uma paixão acima de qualquer barreira. 

Olhando assim de fora, Scusa Ma Ti Chiamo Amore tem tudo para ser um dramalhão russo ao melhor estilo Lo.li.ta. Afinal, para as mentes mais fechadas, este livro abrange uma relação amorosa a cinco passos da pedofilia (Cof, cof, Federico Moccia, seu safadinho...). Mas não, a Niki não "desce a ponta da língua em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra o dente." Nah! O autor foge desta discussão presa ao shock value da "diferença de idade" e parte para uma aura bem mais leve e efervescente. A paixão de Alex e Niki mostra que nem todos os relacionamentos precisam de etiqueta prévia ou plano de vida. O passado, o presente, o futuro... Para que pensar tanto nisso? Você é jovem agora e conhece alguém que está em outro momento de seu ciclo da vida, mas que ainda assim completa a sua simetria. A conexão entre duas pessoas não tem idade. E é a partir disso que Federico absorve o leitor dentro da rotina deste um amor puro e quente, capaz de inebriar até a alma mais gelada. 

Um elogio que deve ser feito é ao estilo literário do autor. Sua escrita é brincalhona, inteligente e muito, muito romântica, esta a qual torna o romance tão natural que nos convence logo nas primeiras páginas. Só para vocês terem uma ideia, as descrições de Federico são repletas de poesia, sim, no sentido literal da palavra, algo que eu honestamente não vejo mais com tanta facilidade hoje em dia. Deixa eu dar um exemplo básico: 
Eu amo o amor. A beleza do amor. A liberdade do amor. Amo a ideia de que nada é devido, que o amor dos outros, o tempo deles, a atenção deles são presentes a serem merecidos e não exigidos. Mesmo quando somos um casal. Fica-se juntos por escolha e não por dever.
Mais mágico do que isso é a atenção que o autor dá para o contexto da história. Não há um ponto da trama, um personagem, um evento que não tenha sua devida atenção. Praticamente todos os personagens secundários tem suas características peculiares, seja as Ondas (a safada Olly, a sonhadora Diletta e a cuidadosa Erica), os amigos de Alex (os sempre cômicos Pietro, Flávio e Enrico) e até os personagens da história paralela do livro, Paola e Mauro. Isso pode até torná-lo um pouco cansativo, - Apesar de ter "apenas" 413 páginas, Desculpa Se Te Chamo de Amor tem uma fonte pequena que acaba deixando o livro realmente longo - mas é compreensível uma vez que há personagem nele para dar e vender. Acredito que por mais bagunçado que o livro seja com suas incontáveis plotssidestories, todas acabam se provando necessárias e gostosas de se ler.

Agora, livro à parte, faço apenas mais uma recomendaçãozinha: Vejam o filme depois! Lançado em 2008 na Itália e estrelado pela fofa Michela Quattrociocche no papel de Niki e o deus grego talentosíssimo Raoul Bova como Alex, a adaptação pros cinemas deu uma versão realmente linda do livro para as telas. Não vou nem entrar no mérito das mudanças que houve nesse processo por que isso, hoje em dia, já é óbvio que acontece, mas ainda assim respeito muito a forma como mantiveram a essência da obra quase impecável. Aqui no Brasil você vai encontrar o filme com a péssima tradução de "Uma Lição de Amor" (meu deus, esse povo não poderia AO MENOS ter pesquisado que o filme já tinha o livro lançado aqui no Brasil com o nome CERTO de "Desculpa Se Te Chamo de Amor"?), mas a gente releva. Ah, uma surpresinha super legal A trilha sonora é completamente baseada nas músicas citadas no livro!

I was her. She was me. We were one. We were free. 
 And if there's somebody... Calling me on... She's the One.


Fonte: ebook3000. PS: que capa linda. 

Queridos Escolhedores de Livros, vamos partir para a aventura! Não faça muitas perguntas, apenas se apresse! Pegue uma mochila, arrume suas provisões, sele os cavalos (ou pôneis, dependendo da sua estatura) e se aprume para uma longa viagem. Ah, e não se esqueça de levar uma harpa, pois as canções e os perigos serão as nossas únicas companhias! O que?! Você não está preparado? Isso não é desculpa! Temos um objetivo e precisamos de sua companhia (mesmo sem saber o motivo de tal necessidade!), apenas se arrume e vamos, vamos! O caminho é longo!

Como você se sentiria caso um grupo simplesmente chegasse na sua casa, partilhasse de suas refeições e praticamente o obrigasse a partir em uma aventura para um longínquo lugar cheio de perigos e temores? Claro, haverá uma recompensa, mas você não se sente preparado para encarar tal coisa... O que você faria? Vamos conhecer a história do hobbit Bilbo Bolseiro. 



"Num buraco no chão vivia um Hobbit".
Fonte // A Colina, ilustração de J.R.R. Tolkien.
Não é um lugar agradável?
Escrito para seus filhos e lançado em 1937, O Hobbit nos apresenta a história de Bilbo Bolseiro, um Hobbit da Colina, terra de paz e fartura na Terra Média. Vamos esclarecer uma coisa: o que é um hobbit? Imagine um ser pequeno, barrigudo, e com pés e pernas tão peludos quanto os cabelos. Esse é o Hobbit, uma raça pacífica e sem muita participação no vasto terreno da Terra Média, o mundo criado pelo fiólogo e escritor J.R.R. Tolkien. Mas, isso não é tão importante agora: vamos nos focar na história de Bilbo. Bilbo é um hobbit muito calmo, que vive em sua rotina sossegada e sem problemas. Como a maioria dos da sua raça, ele gosta de aproveitar as coisas simples da vida: várias refeições por dia, assistir o pôr do sol e o cheiro de um bom chá. Um dia, porém, ele recebe a visita inesperada de Gandalf, o Cinzento, um amigo muito seu amigo. Depois de uma conversa curta, ambos seguem seus caminhos. O que Bilbo não esperava era a visita de treze anões em seu domicílio no dia seguinte. A partir desse ponto é que podemos dizer que a história realmente começa. 

Os anões iriam partir em uma aventura para além do Ermo (essas terras são conhecidas por serem extremamente perigosas), mais precisamente, cruzando as Montanhas Sombrias (lar de orcs) e, depois de mais viagem ainda, chegar até a Montanha Solitária, o seu objetivo. Lá, outrora fora o lar dos anões, que forjavam as suas riquezas e viviam em paz com os homens do Vale. Porém, como nada é certo nessa vida (acredite, nem mesmo na Terra Média), um dia Smaug foi atraído pelo enorme tesouro dos anões (essas criaturas são atraídas por coisa do tipo) e destruiu tudo, conquistando a Montanha e matando milhares, fazendo os sobreviventes se refugiarem em diversos cantos.

Os visitantes de Bilbo, junto com o mago, querem recuperar o seu tesouro (muito precioso para os anões), e, é claro, se vingarem pelo seu povo. Bilbo é incluído na história como um ladrão - e Gandalf profetiza que os anões irão muito apreciar os seus dons, mesmo que o próprio hobbit o desconheça.
E assim começa a aventura, onde, em um ano, o grupo conhece elfos, orcs, humanos e outras criaturas. Fazem amigos e (muitos) inimigos. As canções são parte crucial da história, assim como as surpresas no caminho. Quando chegam ao final da sua jornada, mudanças enormes acontecem na trama, deixando o leitor cada vez mais ávido e surpreso, mostrando a genialidade do autor.

Fonte// Smaug sobre o tesouro dos anões,
ilustração de J.R.R. Tolkien.
Tolkien surpreende com uma narrativa original e criativa, da qual eu gosto de chamar de narrativa vento: aquela da qual não têm o ponto de vista de um personagem, mas sim do cenário, do vento, do mundo. Ele brinca com isso, contando histórias do passado, dando indiretas sobre o futuro e sobre outras aventuras (como O Senhor dos Anéis, que tem muita ligação com O Hobbit). A história agrada por que não há nada que indique ficção nela. Somos levados a acreditar que a Terra Média é real, e nada é surpreendente ou surreal na narrativa. O livro é mesmo infantil, mas a sua história pode ter a quantidade certa de drama e ação para prender a atenção de todos os públicos.

Tolkien mostra que é mesmo o Rei da fantasia, o progenitor desse gênero que tanto cresceu e apaixona milhões de pessoas no mundo todo. Li e tornei-me fã, e, honestamente, convido todos a fazerem suas provisões e conhecerem a magnífica história do Hobbit.


Eu realmente não sabia o que falar nesse vídeo, então, por dica do Natan(se pronuncia Natân, só por via das dúvidas, admito meu erro), peguei uma pilha de 7 livros. Alguns eu li, outros não li, e resolvi começar a falar sobre eles. Têm aí as minhas expectativas, futuras resenhas e pontos específicos dos livros que mais me agradam, além de uma resenha surpresa. Aproveitem!

Segue a lista de livros abordados no vídeo:

  • J.R.R. Tolkien - O Hobbit
  • Dan Brown - Ponto de Impacto
  • A.S. Franchini & Carmen Seganfredo - As Cem Melhores Histórias da Mitologia
  • J.K Rowling - Morte Súbita
  • C.S. Lewis - As Crônicas de Nárnia (versão única)
  • Eduardo Sporh - A Batalha do Apocalipse
  • Dan Brown - O Código da Vinci



Vocês não vão acreditar no motivo que eu tive pra ler este livro. Muitos me considerarão bobo e inculto. Outros provavelmente me olharão com uma cara de "Você não tem mais nada para fazer da vida?". Eu, no entanto,  espero que exista um terceiro grupo que apenas solte umas risadas e replique um "Ok, acho que eu já fiz algo parecido". Bom, por onde começar? Alguém aqui já viu O Clube de Leitura de Jane Austen? Eu sei, eu sei, não exatamente o começo mais esperado para essa história...

Bem, existe uma personagem nesse filme chamada Jocelyn que é o que eu chamaria de uma Emma da atualidade. Após a separação de sua melhor amiga com o marido, a doce casamenteira tenta reencontrar um amor para sua velha parceira...  Amor o qual, ela acredita estar no charme de Grigg, um jovem nerd um pouco fora dos padrões. Assim, Jocelyn o convida para participar de um clube de leitura só de livros da Jane Austen para, quem sabe, juntar o casalzinho indiretamente. Só que Grigg, na verdade, se interessa por Jocelyn e tenta constantemente interessá-la em seus ~livros estranhos~ de ficção científica. E entre esses livros estava, nada mais nada menos que A Mão Esquerda da Escuridão da Ursula K Le Guin. (Sim. Foi um personagem fictício que me fez ler esse livro, me apedrejem!)


Isn't he like... adorkable?

Ok, ok, deixando o Grigg de lado, foi através dessa viagem que conheci esse clássico da Le Guin, uma obra de 1969 que revolucionou o universo sci-fi ao incorporar política e feminismo dentro de  uma narrativa fantástica. Em A Mão Esquerda da Escuridão, Ursula nos apresenta para o emissário Genly Ai, um alienígena que vive a dois anos no planeta Inverno para tentar convencer seus habitantes a se unirem ao Conselho Ecumênico, uma organização composta por vários planetas (incluindo a Terra) para construir um meio de comunicação entre as espécies. Entretanto, Genly Ai logo descobre que sua tentativa de abordagem pacífica ao planeta - afinal, ele foi o único enviado do conselho para realizar a missão - se mostra  uma estratégia pouco convincente para cair nas graças do Rei Argaven de Karhide e mesmo com a ajuda um tanto questionável do primeiro ministro Estraven, sua jornada em busca da união entre povos levará muito mais tempo do que imaginava.

Fonte: site da Ursula Le Guin
"Conselho Ecumênico é um organismo místico, não um organismo político. Eles consideram todo começo muito importante. Começos e meios. Sua doutrina é justamente o oposto daquele em que os fins justificam os meios. Sendo assim, agem de modo sutil e vagaroso, ao mesmo tempo estranho e arriscado, do mesmo modo que a evolução, que, em certo sentido, é seu modelo..." (pág 208)

Genly Ai, por ser um estranho nesta região de Gethen, passa a vivenciar de perto toda a organização social, política e cultural dos povos de Inverno, mais especialmente das terras inimigas de Karhide - uma monarquia abrupta e cheia de reviravoltas - e Orgaryen - uma burocracia parlamentar onde as decisões são tomadas quando você menos espera. Aos poucos, vamos conhecendo esse território fantástico e ganhando uma nova visão não apenas desse vasto universo criado por Ursula mas até de nós, seres humanos, ao compararmos nossa raça aos gethenianos. Há um ponto crucial para entendermos a série de questionamentos levantados durante a obra - Os habitantes de Inverno são ambissexuais, ou seja, possuem dentro de si tanto o sexo masculino quanto feminino. É como um mundo em que nenhuma dicotomia entre os sexos é feita e o yin e yan é realmente visto como um só.  

"Vida e morte são como amantes na unidade do êxtase - dois em um - como mãos postas, uma contra a outra, são o princípio e o fim."(pág. 188)
 Além de me surpreender com os rumos que a história tomava a cada capítulo (O livro é dividido entre as narrações de Genly Ai e Estraven, o que nos presenteia tanta com a visão alienígena dos fatos quanto a perspectiva de um habitante local), A Mão Esquerda da Escuridão é rápido e abrupto, uma leitura muito mais leve do que eu aparenta. Os poucos momentos que diminui o passo foram por puro deleite da escrita de Ursula, que nos dão belíssimos quotes como esse:

"Um estranho é uma curiosidade, dois são uma invasão." (pág. 166)
Sem grandes floreios, Ursula nos coloca para refletir em cada uma de suas passagens, lançando perguntas estupidamente óbvias  referentes a questões como a natureza da guerra e a supremacia que a história sempre deu ao sexo masculino (Uma crítica fielmente encaixada com o contexto histórico e social da autora). Em diversos trechos, tive que soltar um "uau" baixinho  pela sagacidade da mulher. Simplesmente fantástico. Um trabalho feito para ser lido, discutido e repassado para todos que ainda procuram por alguma fé na humanidade.
Fonte: tudo sobre livros e mais.
Fonte: tudo sobre livros e mais.

Gente, definitivamente não há nada no mundo que eu ame mais que História - que, inclusive, é o curso que escolhi pra faculdade. E, dentro de História, nada me fascina mais do que a Mitologia Grega. As histórias dos heróis, monstros e Deuses que caminham pela terra simplesmente me deixam de boca aberta, ainda mais quando penso que essas histórias eram consideradas realidade e todas tinham cunho religioso (inclusive, para algumas pessoas, como eu, essas histórias têm cunho religioso até hoje). Baseado em toda essa paixão pela mitologia, eu li então os livros de Rick Riordan, O Ladrão de Raios e O Mar de Monstros, que fazem parte da saga Percy Jackson e os Olimpianos. Imagine o seguinte: você é uma pessoa normal vivendo a sua vida. Então, um belo dia, descobre que os Antigos Deuses da Grécia estão vivos, e caminham entre nós - batalhando e governando o Universo. Assim, do nada! O que isso iria mudar na sua vida? Qual seria a sua nova concepção da Criação? A sua fé mudaria? Pior que isso: você descobre que é filho de um dos Deuses mais famosos e poderosos de toda a Mitologia e que necessita de um treinamento especial. O que você faria? 

Fonte:crazyingicons
Começamos pelo Ladrão de Raios, onde somos apresentados a Percy Jackson por ele mesmo. Percy é um garoto como qualquer outro em Nova York - com problemas de socialização, familiares e todos os dramas que cabem aos olhos de um menino de 12 anos. Ele leva um choque no dia que, do nada, as coisas viram de cabeça para baixo. Percy descobre que é um semi-deus, seu melhor amigo é meio bode (um sátiro em New York, isso poderia virar musical, sério!) e ele tem que fugir de um minotauro! Tudo termina com o menino acordando em um acampamento no meio de Long Island - um acampamento para semi-deuses(o Acampamento Meio-Sangue). Em meio a esse turbilhão de informações, Percy se vê como um ser lendário - um semi-Deus, filho de um Deus com um humano. 

O garoto descobre que os Deuses gregos estão vivos e são de carne e osso! Eles andam de jeans e camiseta, como qualquer um de nós, vivendo as suas vidas imortais em meio ao caos dos tempos contemporâneos. Por mais que a fé se modificasse, os Deuses se adaptaram aos Séculos e inclusive mudaram a sua moradia sagrada (que antes era o Monto Olimpo, na Grécia). 

Percy vê ainda que uma batalha entre os Deuses está se formando - e que ele, por algum motivo, está metido nisso tudo! Zeus, o Rei dos Deuses, teve a sua arma mais poderosa, o seu raio, roubado; e todos acreditam que o culpado do roubo é o próprio Percy! É dado um prazo de 10 dias para que o raio seja devolvido - então, junto de Grover (o sátiro) e Annabeth (ela é muito legal), o garoto sai em uma aventura pelos Estados Unidos a fim de resolver isso e procurar uma solução para o caso.

Já em O Mar de Monstros, o Acampamento Meio-Sangue sofre grande perigo e uma missão em busca de um artefato sagrado é feita, onde um navio com uma equipe tem que ir para o Mar de Monstros - mar encontrado no Triângulo das Bermudas (aham, lá mesmo) onde várias das localizações mitológicas se encontram. Percy e seus amigos saem em busca do Velocino também, mas ilegalmente, além de que, eles tem seus próprios motivos para irem até o Mar de Monstros. Mais uma vez, a aventura se desenrola em meio às ondas e desafios de enfrentar toda uma mitologia de uma vez, tentando sobreviver e alcançar seus objetivos. 

Mas, Julio, o que você acha de Percy Jackson? Honestamente, gafanhotos? Eu classifico os livros que eu leio assim:
  1. Aqueles que mudam a minha vida.
  2. Aqueles que ficam em minha memória.
  3. Aqueles que não acrescentam nada além de um número na estante do skoob. < Aqui está P.J.
Eu li Percy Jackson por puro gosto pela mitologia. Isso acabou me frustrando um pouco: por que alguns aspectos da mitologia estão, realmente, bem (BEM!) errados. Isso é ruim? Não. Vivemos em uma sociedade onde a mitologia é tratada de forma fictícia e errônea (é só assistir "Imortais" pra entender do que estou falando) em todas as mídias - ninguém mais vê que Apolo era o Deus que representava o Sol, ou que Cronos era o próprio Tempo. Mas, o fato é que, quando algumas pessoas que não tem instrução sobre as histórias antigas leem Percy Jackson, eles tem uma introdução da mitologia - assim, caso desejem, começam a pesquisar a fundo (vários historiadores podem surgir apenas por ler Percy Jackson).

De fato, a história é boa, bem montada e tem que ter certa inteligência para adaptar toda uma mitologia em tempos modernos e, pior, cenários modernos. Mais inteligência ainda pra tornar Deuses mitológicos em personagens completamente humanos - eu, quando li, não vi alguma centelha que desse aos personagens alguma característica divina, além de sua Imortalidade e seus poderes.

O livro tem a característica de que as suas descrições são simples e concisas, nada cansativo - de fato, a falta de detalhes pode tanto ser algo positivo, quanto negativo. Realmente acho que faltaram explicações mitológicas e, principalmente, trabalhar na visão do personagem Percy com toda essa mudança que ele sofre. Gente, você começar a conviver com antigas divindades de um dia pra outro não mudaria a sua concepção de fé, religião? A minha seria completamente abalada. - Claro, essa falta de detalhes mais preciso faz jus ao fato de ser um livro destinado para um público mais jovem.

Mas, claro, são opiniões minhas. Ainda recomendo o livro, e pretendo sim continuar lendo a saga, só não é algo que vai ficar na minha memória, ou que vai mudar o meu conceito de literatura.



O sucesso de A Culpa É Das Estrelas em 2012 é inexplicável. Talvez eu seja um tanto tendencioso quanto a isso, mas se olharmos para toda a repercussão positiva que esta obra ganhou desde então podemos ter uma certa noção do quanto John Green realmente não perdeu (ou melhor, nunca perdeu) a mão. Por isso, o Escolhendo Livros, sabendo que nerdfighter é o que não falta nesse mundo, decidiu trazer para vocês uma entrevista exclusiva que o autor fez para o site e rede social Goodreads, um bate-bola divertido, intenso e muito pessoal. Dividiremos esta tradução em três partes para sua melhor comodidade e honestamente? Não há como não se divertir com o jeitinho único de Green.
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Um ônibus da turnê. Fãs escandalosos. 150 mil autógrafos pré-vendidos. Talvez isso soe como o lançamento de um álbum da música pop, mas este foi o frenesi que acompanhou a publicação do último lançamento do autor de literatura young adult John Green,  responsável por "A Culpa é das Estrelas". Um pouco desta empolgação antecipada veio da leal base de seguidores onlines de Green, conhecida como Nerdfighters (apesar deles estarem mais para amantes nerds), que se ligam semanalmente no hilário e frenético vlog do autor e de seu irmão. Há também os leitores que levaram seus livros anteriores ao sucesso, incluindo Quem é Você, Alaska? (2005), An Abundance of Katherines (2006) e Paper Town (2008), assim como o trabalho colaborativo feito em Will Grayson, Will Grayson (2010) junto com David Levithan.  

A Culpa é das Estrelas, obra a qual permaneceu por 44 semanas na lista de best-sellers do The New York Times, é tanto mais forte quanto mais romântica do que qualquer outra coisa que Green já escreveu. Essa história de amor sobre dois adolescentes com câncer não se intimida na hora de falar de morte - como um antigo estudante de Estudos Religiosos, Green concebeu a ideia mais de uma década atrás enquanto servia como capelão em um hospital de crianças. Aqui, ele conversa com Jade Chang sobre complexos de herói, ler Infinite Jest como uma escritura sagrada e pixie dream girls* super loucas.

Goodreads: As pessoas normalmente querem ser visitadas por um capelão?

John Green: Variava muito. Eu acho que as pessoas religiosas tendem mais a querer um por perto, mas é uma questão bem secular. Você está ministrando para várias pessoas não-religiosas. Eu não acho que que ministrar requer um contexto religioso por trás. A coisa número um é que todos os pais estão extremamente preocupados com suas crianças. É claro, quando um capelão aparece, isso pode mais aumentar esta preocupação do que acalmá-la.

GR: Quase uma década depois você conheceu Esther Earl, uma adolescente a qual inspirou várias pessoas com seus vídeos no youtube e blogs antes de morrer de câncer na tireóide. Como vocês se conheceram?

John Green: Nós nos conhecemos em uma conferência de Harry Potter em 2009. Meu irmão canta músicas de Harry Potter, e elas são bem populares - ele vai para várias dessas conferências e eu fui em uma dessas em Boston. Então eu fui para esse show na conferência; E tinha muita dança acontecendo por ali. Eu não danço e ela também não, então acabamos conversando no final da sala e ficamos amigos.

GR: Você tinha falado sobre ela ser uma inspiração para A Culpa É Das Estrelas

John Green: Eu nunca poderia ter escrito isso se eu não tivesse conhecido Esther. Ela me apresentou para várias ideias presentes no livro, especialmente a esperança em um mundo que é indiferente para os indivíduos e a compaixão. Ela reprocessou o sentido de morrer jovem para mim.

Quando sai dos hospitais em 2000, eu sabia que queria escrever uma história sobre crianças doentes, mas eu estava tão zangado, tão furioso com um mundo em que essas coisas podem acontecer, e elas não eram nem raras ou incomuns, que eu acho que, no final, durante esses dez anos e tal eu nunca poderia ter o escrito porque eu estava realmente muito irritado e não estava capacitado para compreender a complexidade do mundo. Eu queria que o livro fosse engraçado, Eu queria que o livro fosse sem sentimentalismo. Depois que conheci Esther, eu me senti muito diferente quanto a perspectiva de uma vida curta ser uma vida rica.

GR: Você achava que não poderia ser? 

John Green: Eu acho que eu nunca realmente imaginei isso dessa forma antes de conhecer Esther. Ela viveu uma vida bem completa, rica e boa apesar de morrer aos 16. Não reconhecer a o lado bom e rico dessa vida seria um desserviço para ela.

GR: Parte do desafio de escrever sobre uma criança com câncer, especialmente quando o livro é inspirado por uma criança real com uma doença real, é não transformar a criança em um herói só por estar doente. Isso é claramente algo que você lutou e os seus personagens lutaram contra, mas no final Hazel e Augustus são especiais, Esther Earl parece especial - o que os torna assim?

John Green: Bem, toda boa literatura americana é sempre interessada em pessoas que são ambiguamente heroicas, como Gatsby. Há sempre uma quantidade de incerteza na jornada do herói. Até em Huckleberry Finn há uma ambiguidade quanto ao heroísmo da jornada do protagonista, e eu certamente não queria dizer que Hazel e Augustus não são heróis, porque eu queria que eles fossem heróis. Eu queria que eles fossem heróis não porque eles eram doentes mas porque eles optaram por escolhas árduas. Gus especialmente é obcecado com qual é a jornada de um herói, mas eu não queria que ele tivesse o tipo de jornada de herói que ele queria porque a vasta maioria de nós não tem.

GR: Isso é algo que você é obcecado?

John Green: Eu nunca fui. Provavelmente pensava nisso bastante quando era mais jovem, e então eu perdi o interesse porque eu tinha que pagar a hipoteca e cuidar da minha criança, mas me interessa como escritor - Como nós imaginamos que nossos heróis afetam nossa estrutura social.

GR: Como nós idealizaríamos os nossos heróis? 

John Green: Vamos imaginar um mundo onde nós não celebraríamos Snooki e as Kardashians. Há um amplo número de pessoas legais e nerds no mundo. Se nós reestruturássemos as coisas para vermos que uma jornada de herói é uma graduação em astrofísica ao invés de uma jornada para o estrelato em um reality show, isso seria um mundo melhor. Um dos trabalhos do escritor é adicionar nuances e ambiguidade na linha reta que as pessoas normalmente desenham para formas específicas de heroísmo. A maioria de nós não conseguimos ser Snookis. Para a maioria de nós o heroísmo tem que estar no dia-a-dia da vida.

GR: Mas você não acha que heróis nerds são bem celebrados nos dias de hoje?

John Green: Vamos ser honestos com o motivo disso estar assim: O crescimento da Internet e a "nicheficação" da Internet. Nós não zoamos pessoas que celebram esse tipo de coisa, por isso é possível ter heróis nerds. Eles existiram no passado, como o Mr.Wizard, mas eles tendiam a ser desumanizados e emasculados, eles tendiam a ter sua humanidade removida.

Se nós realmente reestruturássemos nossos ideais de heroísmo, nós teríamos um mundo onde o conhecimento é amplamente procurado não para conseguir uma graduação em física mas como parte de ser um ser humano completo.

GR: Ter um filho afetou a forma que você teve para escrever esse livro? Uma parte bem significante dele era sobre os pais e a forma como eles se relacionavam com o universo da criança, em uma forma que não acontecia em seus outros livros. 

John Green: Virar um pai me fez ficar muito mais interessado nos personagens dos pais em meus romances. Eu nunca me interessei muito pelos pais. Eu acho que quando você tem 16 anos, se você tem bons pais, eles geralmente desaparecem para dentro de um plano de fundo. Eu tive ótimos pais, e porque eles eram legais, eu pensava muito pouco neles em meu ensino médio.

A natureza do amor entre um pai e um filho realmente é literalmente mais forte que a morte. Enquanto as duas pessoas na relação estiverem vivas, esse relacionamento ainda está vivo.

GR: De certa forma, parece que um dos primeiros problemas que um escritor YA precisa resolver é como encontrar alguma liberdade para seus personagens. Na maioria das vezes, as pessoas o fazem se livrando dos parentes de alguma forma, mas nesse caso os pais são tão presentes mas ao mesmo tempo tão permissivos. Isso é algo que você observou muito em pais de crianças doentes? 

John Green: Eu sabia desde o começo que Hazel e Gus estavam em uma posição atípica, e que assim eles seriam mais dependentes de um adulto. Mas eles também fazem decisões bem maturas, e seus pais dão poderes para eles porque eles estão um pouco menos preocupados com a longevidade. Eles querem que seus filhos tenham a maior vida que eles podem ter.
                                                                                    
                                                                                                   ______________

Em breve, traremos a parte 2 da entrevista com muito mais insights sobre as origens e influências dessa obra-prima chamada A Culpa É Das Estrelas!






       
    ("Entrevista com John Green (Parte 1 de 3)" é uma tradução exclusiva do Escolhendo Livros deste artigo do  Goodreads.)