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Deus sabe o quanto eu sou apaixonado por livrarias. Sou do tipo que posso perder horas bagunçando estantes, lendo sinopses e pensando em como arrumar direito as prateleiras das livrarias por gêneros. Quer dizer, talvez isso seja coisa minha (muito provavelmente) , mas eu já senti uma vontade cachorra de abrir o curso "Aprenda em 3 Módulos como organizar os livros na sua Livraria" tamanha a insatisfação que tenho com alguns erros absurdos que vejo por aí. Porém, entretanto, todavia... Depois do calor do momento, eu percebo que a culpa não é das pobres atendentes. Parece que os livros estão cada vez mais se apresentando errado, fazendo com que uma possível boa história caia no esquecimento por causa de uma capa mal-feita ou uma formatação infeliz. Estes não são equívocos de uma editora, mas sim de toda a indústria literária brasileira e, se duvidar, mundial. A maioria destes erros pode jogar sua culpa para o demônio chamado Capitalismo, mas o que é mais engraçado, é o quanto todas as idéias marketeiras a seguir não vendem. Não, não vendem.


Capa-pô$ter de filme

Eu costumava dizer "Ah gente, que frescura, deixa ter livro com capa do pôster! Tem umas capas de livro tão sem gracinhas, acha que não custa nada ao menos deixar a opção pra pessoa escolher." E é verdade. Sinceramente, muita gente tem um preconceito gigantesco com isto, mas eu não gosto da capa original de Um Dia por exemplo. Não via nada demais de ser produzida as duas, afinal, mais livro, né?   Tava tudo muito bom, tava tudo muito bem... Até que as editoras terem a PÉSSIMA ideia de lançar os livros no Brasil DIRETAMENTE com a capa-pôster. Dane-se a capa original, vamos logo aproveitar o marketing do livro e mandar os ilustradores para a rua! Rí-di-cu-lo. Agora a gente é obrigado a sempre andar com estes produtos - Sinceramente, isto nem mais parece um livro - obrigados pela vontade de o ler sem nem ter a chance de o ver apenas por aquilo que ele reamente é: Páginas e tinta. Tirar esta opção é um desrespeito com os leitores brasileiros.

As tristes e equivocadas recomendações "meh"

É melhor deixar bem claro que eu não me importo com quem fez a sugestão. O problema não é sobre quem estão utilizando para fazer as quotes, mas sim sobre O QUE estão falando. Seja Edgar Allan Poe, Frank Sinatra, Jesus Cristo ou a Tati Bernardi, apenas... Leia esta sugestão. Você se sentiria estimulado a comprar um livro que tenha estampado na capa que uma pessoa "passou muito tempo pensando na história depois de acabar o livro?" Será que eu vou ter mesmo que entrar no campo de o quanto isto soa como um trecho extraído de uma redação de quinta série sobre "o livro que você não leu nas férias"? Coloco aqui também coisas como "O novo Harry Potter" ou "Tão audacioso quanto O Caçador de Pipas", porque isto tem 100% de chances de ou denegrir a imagem do livro ou do pobrezinho que foi usado de referência. 



Sinopses Criativamente Preguiçosas

Sinopses atrás do livro? Que coisa mais demodé! O novo lance é colocar uma fotão do autor bem glam e escrever em letrinhas miúdas "Leia a página 78 para entrar neste mundo." Quando eu vi isto pela primeira vez, eu até achei "alternativinho", mas depois eu percebi que as editoras quase sempre fazem isto exclusivamente quando o livro é de alguma celebridade. Não demorou muito para eu notar o quanto isto esvazia a imagem do livro, deixando-o aparentemente supérfluo e superficial, como se só o que importasse é que a princesinha do pop o escreveu. Sem contar que a pseudo-sinopse "de página" nunca vai ter aquela apresentação editorial que muitas vezes nos chamam mais atenção do que um trecho aleatório que talvez não nos conquiste de primeira.

"Fica dito: Não se pode traduzir sem ter uma filosofia a respeito do assunto. Não se pode traduzir sem ter o mais absoluto respeito pelo original e, paradoxalmente, sem o atrevimento ocasional de desrespeitar a letra do original exatamente para lhe captar melhor o espírito."
 Conceituado tradutor Millôr Fernandes, em uma entrevista para Senhor - 1962.

Traduções mal feitas

Recentemente foi divulgado as traduções escolhidas para os nomes das facções do livro Divergent. Abnegation, Erudite, Dauntless, Amity e Candor se transformaram respectivamente em Abnegação, Erudição, Audácia, Amizade e Franqueza. Não vou aqui criticar todos os nomes - Acredito que Abnegação, Erudição e até Audácia foram muito bem escolhidos! - Mas... Amizade? A Patrícia mesmo comentou comigo o quanto Amity poderia ser traduzida para Amistosos ou Amorosos, apesar de serem adjetivos e não substantivos. Acredito que poderiam  ter quebrado a cabeça um pouquinho mais com as traduções oficiais, e isto não se encaixa apenas neste livro. Muitas editoras se esquecem que a tradução deve praticamente "reescrever" um livro novo, ao invés de procurar saídas mais práticas.


"Por Isso A Gente Acabou" trata, com a comicidade típica do autor, de uma situação difícil pela qual todos um dia irão passar: o fim de uma relação amorosa e toda a angústia, tristeza e incerteza que essa vivência pode gerar. Min Green e Ed Slarteron estudam na mesma escola e, depois de apenas algumas semanas de convívio intenso e apaixonado, acabam o namoro. Depois de sofrer muito, Min resolve, como marco da ruptura definitiva, entregar ao garoto uma caixa repleta de objetos significativos para o casal junto com uma carta falando sobre cada um desses objetos e do episódio que ele representou, sempre acrescentando, ao final, uma nova razão para o rompimento. Essa carta é o texto de Por isso a gente acabou, que é, assim, carregado de um tom informal e tragicômico – características da personagem – e traduz com um misto de simplicidade e profundidade a história de uma separação. Imerso neste universo adolescente, o leitor conhecerá a divertida personalidade de Min, uma garota apaixonada por filmes cujo sonho é ser diretora de cinema, e as idas e vindas deste romance, desde o dia em que os dois conversaram pela primeira vez até o instante em que tudo acabou. A artista Maira Kalman, autora de diversas capas da revista The New Yorker, ilustrou cada um dos objetos da narrativa, trazendo cor e descontração a esta história dolorida. 


                                                              Público-alvo duvidoso


Eu adoro o Daniel Handler. Ele tem essa coisa especial de conseguir ser infantil e maturo ao mesmo tempo, como uma criança de cinco anos que sabe que os pais vão se separar antes mesmo dos próprios descobrirem isto. Porém, talvez por ele ter esse estilo bem, bem específico - Os livros dele tem até ilustrações! - Muitas pessoas não entendem que as suas obras NÃO são infantis. "Por Isso que A Gente Acabou", por exemplo, fala sobre sexo, término de relacionamentos, álcool e até contém palavrões. Quando eu fui comprar o meu, o encontrei junto com livros como o Diário de Um Banana e títulos infantis e pensei "Nossa, será que só porque é do autor de Desventuras Em Série eles resolveram colocar este livro aqui"? Não acho que se deva tirar as ilustrações ou perder a "cor" do livro, nada disso. Porém é inegável que algumas coisas poderiam ser modificadas, seja com um aviso ou em uma reestruturação do livro (Talvez com uma nota avisando que é um romance pro público jovem ou coisa do tipo). Errar o público-alvo é mais do que perder possíveis leitores, mas também enganá-los com um produto que não era exatamente o que eles queriam.


Mais do que escrever um livro existe FAZER um livro. Criar um conceito, construir uma ideia, desenhar uma história sobre linhas muito mais do que literárias, mas imagéticas e conceituais. A literatura não pode repousar apenas na segurança de que um leitor vai confiar cegamente no que um livro promete, simplesmente porque "Não se deve julgar um livro pela capa". Bobo, bobo é aquele que acredita que o ser humano é uma pessoa tão consciente para ter tamanha sapiência. O meu sentimento neste post não é de revolta. Não. É de amor. Porque eu acredito que, por mais que todos os erros aí em cima sejam questionáveis, eu entendo que tudo que as editoras procuram é chamar a atenção das pessoas e falar "Hey, livros também podem ser legais e modernos". Eu também quero que as pessoas descubram isto. Todos nós, leitores, queremos este futuro para a literatura. E esperamos muito que com esta crítica construtiva, o mundo da literatura possa um dia ser o dobro do que hoje ela já é: Sublime


Nós Acreditamos
Que a covardia é a culpa das injustiças do mundo.

Nós Acreditamos
que a paz merece ser conquistada e, às vezes, é necessário lutar por ela. Mais do que isto...

Nós Acreditamos
que a justiça é mais importante que a paz.
(Trecho traduzido e retirado do "Dauntless: The Brave Faction Manifesto)

Eu acredito que Divergent dá a palavra extasiante um novo sentido.


 (Livro resenhado através da leitura da versão original em inglês.)
                                              

   Obcecado, louco, absorvido e estimulado são adjetivos que não chegam nem perto do que eu sentia todas as vezes que via promos e comentários deste bebê. Para você ter uma idéia, o título O Melhor Livro de 2011 já encheu várias bocas importantes da literatura mundial e isso não é nem metade de todo o buzz que Divergent tem espalhado. Se você não ouviu falar nem da sombra deste livro, deixa eu responder logo todas as perguntas que eu sei que se formaram na sua cabeça após um control c control v desesperado sobre ele lá no Google. 1) Sim, é um romance sci-fi distópico com foco em adolescentes (e não um livro adolescente). 2) Não, não tem nada haver com Jogos Vorazes. É como falar que Crepúsculo é cópia de True Blood e vice-versa; Ambos falam relativamente do mesmo tema, mas de formas completamente diferente.  3) É muito fácil subestimar um gênero porque ele está com muita exposição no momento. Não esqueça que ser contra modismos  o torna tão limitado quanto aqueles que se prendem a eles. Divergent é um livro sobre a diferença entre ser e querer ser em mundo em que a sua escolha é a coisa mais importante a ser feita. E se você tomar a decisão de dar uma chance para ele em setembro - A Rocco já confirmou o livro para daqui há dois meses! - Tenha certeza de uma coisa: Ele vai mudar você.

Imagine um mundo em que as pessoas não são mais diferenciadas pelo gênero, poder econômico, cor, etnia ou opção sexual. Preto, rico, homossexual, judeu; todos os esteriótipos do nosso presente não tem mais validade neste futuro indeterminado. Nesta nova organização, a sociedade é dividida em cinco facções principais, nas quais a sua personalidade e forma de pensar caracterizam a sua tendência para pertencer a cada uma delas. Cada facção tem uma função na divisão da sociedade: Candor (Os honestos) forma todo o centro jurídico devido a sua sinceridade impecável;  Amity (os pacíficos) é responsável por hospitais cuidadosos e aconchegantes, além de todo o centro artístico e criativo;  Dauntless (Os corajosos)  toma conta da segurança da cidade, já que sua característica bravura lhe dá a força necessária para o cargo; Erudite (os sábios) se preocupam com todo o centro de pesquisa, tecnologia e educação, com uma sede de conhecimento inesgotável e  a Abnegation (Os altruístas), com toda a sua humildade e capacidade de pensar sempre nos outros a cima de tudo, toma conta do governo central (já que o cargo deve ser prenchido por aqueles que pensam primeiro público antes de privado).

(Um pequeno mapa para você se situar. Fonte: nyczebra)


E é na plana e cinzenta facção Abnegation que está a inconformada protagonista Beatrice Prior, uma garota que não se sente altruísta o suficiente para pertencer a toda essa história de "primeiro Tadeu, depois eu". Vestida nas roupas diformes típicas dos Stiffs (apelido sarcástico para os membros da Abnegation, que pode ser lido como "Rígidos", por sua postura excessivamente firme) e proibida de ter qualquer tipo de vaidade (Eles não podem nem se olhar no espelho!), Beatrice tem medo de decepcionar sua atenciosa família por não se encaixar em sua facção.  E é por isso que, com a aproximação da Choosing Ceremony (A Cerimônia de Escolha) que todo adolescente tem que fazer ao completar 16 anos, Beatrice percebe que talvez essa seja a hora de fazer uma escolha. E se ela mudasse a vida dela completamente?

Honestamente, eu não sei nem por onde começar. A narrativa, os cenários, os personagens, os diálogos, as descrições? Divergent tem uma sincronia ótima entre tudo, em uma passada que lembra o estilo Suzanne Collins de escrever - ágil, incisivo - somado a um detalhamento intimista habilmente usado por Veronica Roth. Afinal, é um livro sobre o que este novo governo traçou como seu perfil, e Beatrice, como uma garota de uma personalidade eclética (característica fundamental para um ponto chave da trama) chama atenção com a sua narrativa às vezes passiva e recatada, como a de um membro da Abnegation, e às vezes rebelde e ferrenha. como de um legítimo Dauntless. Estas variações formam uma crítica social,  no mínimo, curiosa do livro: O quão unidimensional a sociedade espera que sejamos?

A atmosfera 
carrega uma espécie de superfície etérea, com prédios feitos quase que unicamente de vidro para passar uma sensação de transparência. Porém, caracterizar a sociedade como um todo é impossível neste livro. Há uma AMPLÍSSIMA - um dos pontos mais fascinantes da história -  divergência entre as áreas de cada facção na cidade. Para se ter uma idéia, a Abnegation tem suas vizinhanças padronizadas, como um campo de concentração judeu,  nas quais para as pessoas trafegarem pela rua, elas devem seguir as faixas das calçadas em duas linhas paralelas - uma para o sul e outra para o norte - como se fossem carros. O livro explora bastante estes pequenos detalhes, até porque, é um livro de apresentação do mundo - O primeiro da trilogia.


Eu realmente não quero entrar nos detalhes do que acontece com a Beatrice - É o tipo de livro bom de se ler com a menor quantidade de informação possível sobre ele - mas aqui ficam as minhas impressões gerais do que espero, e quero,  nos próximos livros. Primeiro, quero descobrir mais sobre as outras facções além das três mais focadas neste livro - Abnegation, Dauntless e Erudite. Segundo que o final do livro te deixa com uma sensação atordoante de 'E agora?", do tipo que você não faz a mínima idéia do que vem pela frente. Sério, eu não sei nem o que esperar. Muita coisa que eu esperava que só aconteceria mais tarde aconteceu neste livro. Segundo, mais Christina e Candor! Já sou fascinado por essa facção. (Na versão americana veio até um testezinho no final do livro para você descobrir a sua. Quando eu descobri que a minha favorita era a minha, quase dei um pulo da cama! Truth is inextrucable!). Terceiro: Adoro este número: 64! E por último, eu tenho expectativa muito grande de que terão muito mais personagens, porque neste livro, bem.... Vamos dizer assim, a coisa tá preta. Deus, como eu odeio ter que ser geral demais! Mas chega, antes que eu saia vomitando uns spoilers aqui. Setembro já está bem aí.

Ah, Só mais um presentinho! A Veronica Roth, linda e digna, adicionou no Bonus Material do livro uma playlist especial para a leitura! Viu, eu disse que não era só eu que tinha essas birutices! HÁ! Saca só:



1. "Starts with One." - Shiny Toy Guns
2."Chasm" - Flyleaf
3."Come Alive"- Foo Fighters 
4."Again" - Flyleaf
5."Help I'm Alive" - Metric.
6."We Die Young" - The Showndown
7."Canvas"- Imogen Heap. 
8."Running Up That Hill"- Placebo
9."Sweet Sacrifice" - Evanescence 
10."Arise" - Flyleaf.




O nome dele é Arthur Dent... e alguém está tentando demolir a sua casa para construir um desvio rotatório no lugar dela.

- Senhor Dent, não faz sentido o senhor estar deitado no chão em frente a casa. Não há como o senhor impedir o progresso.
- O progresso é superestimado!
- Mas o senhor sabe que não pode deitar em frente aos tratores eternamente, certo? Eu receio que o senhor terá de aceitar. Este desvio tem de ser construído, e será construíd...
- Por que tem que ser construído?
- Como assim?
- Por que tem que ser construído?

 - ... é um desvio! Nós temos que construir desvios. O senhor teve tempo o suficiente ao seu dispor para fazer quaisquer sugestões ou reclamações na hora apropriada...
- Hora apropriada? A primeira vez que eu ouvi sobre isso foi quando os seus operários apareceram na porta da minha casa ontem, eu perguntei se eles vieram para limpar  as janelas... e eles disseram que vieram demolir a minha casa! Eles não me disseram de cara, é claro... primeiro eles limparam todas as janelas e me cobraram 5 libras, depois eles me disseram!
- Senhor Dent, os planos estiveram disponíveis para consulta pelos últimos 9 meses...
- É, e eu só os encontrei ontem à tarde. Vocês não fizeram muito esforço pra informar sobre eles, certo? Quero dizer, como por exemplo contar pra alguém que eles existem, certo?
- Eles estavam em exposição...
- Qual é a pessoa que tem o hábito de casualmente aparecer no escritório de planejamento numa tarde qualquer? Não é realmente um ponto de encontro social, certo? E mesmo que você o fizesse, depois que alguém tenta demolir a sua casa, os planos não estavam exatamente visíveis, não é?
- Isso depende de onde você estava olhando...
- Teve uma hora que eu tive quer ir a um porão!
- Este é o departamento de exibições!
- Com uma tocha!
- Bom, estávamos provavelmente sem luz...
- E sem escadas.
- Bom, você ENCONTROU os planos, não encontrou?
- Sim. Estavam muito claramente dispostos na parte debaixo de um armário trancado em um banheirinho sem uso com uma placa na porta dizendo "Cuidado com os leopardos". Você já pensou em trabalhar com publicidade?

Trecho traduzido superficialmente de um dos episódios de rádio do O guia do mochileiro das galáxias, da BBC.

Não entre em pânico!

O guia do mochileiro das galáxias está entre os mais famosos, queridos e indispensáveis livros de ficção científica do mundo. Ele foi escrito pelo britânico Douglas Adams, e teve seu primeiro formato como um programa de rádio da BBC, até que seus capítulos foram compilados em um livro.

A história começa com Arthur Dent (em algo que se assemelha ao trecho acima) discutindo avidamente porque querem demolir a sua casa para construir um desvio.
O que na verdade acaba por não ser um problema tão grande quanto parece, já que em poucos minutos criaturas de outros planetas extremamente mais evoluídos irão demolir a Terra (também para construir um desvio).

Acontece que Arthur não estava ciente até então que um de seus amigos mais próximos, Ford Prefect, era um et viajante cuja função era editar o melhor guia de viagens interplanetárias: O guia do mochileiro das galáxias.
Ford, que estava preso aqui por um tempo considerável (morrendo de tédio, vale a pena mencionar) o ajuda a pegar uma carona numa nave e escapar de morrer no fim do mundo.

Quando o livro é obviamente importante demais em sua existência, relativamente conhecido e com um humor tão ímpar sobre a humanidade (acreditem quando eu digo) eu não vejo sentido em escrever sobre ele a partir do zero, então eu só gostaria de deixar claro que há muitas coisas extremamente importantes para descobrir lendo esse livro, tais como:

  • Quando o mundo estiver acabando, será relevante colocar um saco de pão na cabeça?

  • Onde fica o melhor restaurante no fim do universo?

  • Qual a probabilidade de um míssel virar um vaso de petúnias? Qual a probabilidade de isso acontecer várias vezes?

  • Há todo um capítulo de celebração à existência do melhor e mais útil artefato já criado: a toalha. E você deveria saber o porquê.

  • Como entender qualquer idioma dito por qualquer criatura espacial usando um peixe.

  • Você pensa que você é depressivo? Você irá conhecer o Marvin, um robô com uma cabeça extremanente avantajada que foi criado para ser tão inteligente e se assemelhar tanto com os humanos que tudo que ele faz durante o dia é odiar a sí mesmo e planejar formas de cometer suicídio,

e por último, mas não menos importante:

  • O sentido da vida, do universo e tudo mais. (pode ser útil, nunca se sabe)

O guia do mochileiro das galáxias foi durante muitos anos meu livro preferido. Desde que eu decidi que não ia ter apenas um livro preferido, mas sim meia dúzia, ele está expremido em um podium de primeiro lugar  junto com vários outros livros importantes.

E quando eu digo importante eu quero dizer que se o mundo de fato acabar um dia, o fim vai ser um pouco menos horrível simplesmente porque O guia me ensinou a não entrar em pânico (bom, mais ou menos).




Boa noite, lindos.

Como estão? Bem? Espero que melhor que eu. Não ando muito bem, não. Tive uma semana cheia, meio estressante, preocupante, angustiante e entristecedora, pra não usar “-ante” de novo. Mas vamos falar de coisa boa, né? Tenho certeza de que tudo está bem com vocês e que, se não estiver, logo vai ficar.

Hoje quero falar quatro coisinhas rápidas com vocês. Na verdade são quatro coisinhas que, juntas, não formam nem uma, mas vou uni-las pra criar este post aqui. 


 
Primeiro: criei um blog. Um blog pessoal, no caso, onde vou escrever coisas “menores”. Sempre tive vontade de escrever coisas menos grandiosas e menores do que um romance ou um conto, mas nunca tentei, daí resolvi tentar e acho que consegui e vamos ver no que dá. O blog se chama ; all this commotion (com ponto e vírgula e letras minúsculas mesmo porque eu sou fresco) e, pra visitar, é só dar um click bem gostoso aí no link. Não tenho uma frequência determinada pra postar nele; é quando dá vontade mesmo.

Segundo: eu vou escrever um romance. Começo-o pra valer dia 01 de agosto e o prólogo é este, que acabei de colocar no meu blog pra facilitar a leitura. Por enquanto não vou dar muitos detalhes, mas é um romance futurista ambientado num lugar em que você pode ser o que quiser: loiro, olhos azuis, corpo sarado, tudo, até você encontrar um verdadeiro amor e precisar encarar a realidade. Ui! Haha. A história é baseada em acontecimentos reais e eu, muito provavelmente, vou tentar publicar o livro. O título provisório (mas, provavelmente, definitivo) é A Cápsulae durante a história vocês entendem o motivo.


Terceiro: semana passada eu descobri o que é uma crônica. Sim, Brasil, julgue-me. Estudante de letras, escritore não sabia o que é uma crônica. Pra você que, assim como eu, não sabia o que é uma crônica, eu te explico: é um texto curto, conciso, de caráter (essencialmente) jornalístico e, geralmente, cômico, contendo, na maioria das vezes, algum tipo de crítica social. Existem inúmeras subdivisões de crônica (narrativa, poética, lírica etc.) e às vezes ela pode se assemelhar ao conto. Mas por que estou falando isso? R: porque eu sou cronista e não sabia, aí isso fez muito bem pro meu ego e eu vim compartilhar com vocês.

Quarto: eu vou escrever uma crônica essa semana e postar aqui (eeeeeeba!). Eu comecei hoje, mas não vou conseguir terminar porque minha cabeça tá muito cheia e eu não to muito bem, mas fiquem ligadinhos aí. O assunto é: promessas. Já vão sacando as opiniões de vocês porque eu quero ouvi-las depois.

Um beijo no rosto de todo mundo e desculpem a pressa. Fiquem com Deus, pra quem acredita Nele, e fiquem na paz quem não acredita. Até logo!



      

Briga de marido e mulher, só Shakespeare para meter a colher. Por que ele, sinceramente? Enfia, remexe, mói, descasca, regurgita, bate e rebate tudo sobre os relacionamentos humanos com a simplicidade que nem Sigmund Freud teve para conseguir conquistar tanto as altas quanto as baixas camadas sociais. Escritor de peças conhecidíssimas na literatura como "Hamlet", "Romeu e Julieta" e "Sonhos de Uma Noite de Verão", William Shakespeare, apelidado carinhosamente pela minha pessoa para Tio Will, sempre foi um autor que tive muito receio de ler. E olha... Eu tentei desde pequeno. Lembro até hoje de pegar Hamlet - Sim, riam, HAMLET!  - nos meus ingênuos nove anos e, consequentemente, de ficar traumatizado por não passar do começo (Leiam começo como segunda página). Porém, como a minha velha amiga e parceira Pat diz... "Alguns livros vem com o tempo" e agora, nos meus vinte anos, não apenas digeri  "A Megera Domada" em  apenas um dia como também tenho o orgulho de dizer para vocês: Receios, receios, arrivederci!


A comédia de Shakespeare conta a história de Lucêncio, um rapaz que visita a cidade de Pádua com seu criado, Trânio, para buscar os conhecimentos que só a universidade poderia lhe dar. Mal chega na região e o destino o faz encontrar Batista, um nobre senhor, junto com suas duas filhas Bianca e Catarina. A primeira, delicada e rodeada por pretendentes (Ilustrados pelas figuras de Grêmio, um velho safado e Hortênsio, um charlatão de primeira), logo lhe chama atenção e o faz cair de amores. Porém, Lucêncio  descobre que, além de ela já ter mil homens aos seus pés, conquistar Bianca requer transpassar um obstáculo muito maior. Este é sua irmã mais velha Catarina, uma mulher ranzinza e tempestuosa, motivo de dor de cabeça para o pai. Devido a personalidade "única" da filha, Batista decide que só quando Catarina estiver muito bem casada Bianca poderá namorar e enlaçar o seu próprio noivado. E é a partir desse cenário que Lucêncio - e todos os outros capachos de Bianca - procura um jeito de casar Catarina. O jeito? Um sujeito que começa com "P" e termina com "etrúcio".

Pegando um pouco do que o tradutor Millôr Fernandes quis dizer no glossário do livro, A Megera Domada é um livro tão rápido, tão rápido que transforma casamentos em um evento digno de serem feitos "no domingo que vem". Com esta crítica clara a instabilidade e futilidade da sociedade da época, The Taming of the Shrew pode até soar caricato demais para alguns, mas a verdade é que ele é uma comédia contextualizada com o seu povo; Você duvida mesmo que os duques, condes, ferreiros e passadeiras não se acabavam de rir com esta história? Todos os fatos do livro são narrados de um forma bem ágil, de uma fácil compreensão para qualquer público, e isto é explicado com o grande forté da história - os ÓTIMOS e CÔMICOS bate-bocas entre Petrúcio e Catarina. 

Farpa para lá e alfinetada para cá, a invenção daquela velha química do "se odeiam mas se amam" nasceu neste livro, e eu, como um fiel seguidor da filosofia Sem briga não tem amor, digo que a Megera Domada é aquela obra que todo mundo se divertiria e até encontraria algumas verdades escondidas no meio de tanto barraco discussão. Acredito que as pessoas possam ver a imagem de Katharine/Catarina como a de um início de feminismo, e isso é até bonito, na teoria. Mas eu não a compartilho. Esta leitura da personagem é muito mais condizente com as adaptações feitas da megera em outros veículos (Como os que mostrarei no final do post) do que da verdadeira e original Catarina de Shakespeare. Esta, meu amigo, é honestamente uma chata de galochas - Sim, esta expressão bizarra mesmo tem que ser usada aqui. O seu discursinho final funciona pelo humor, mas só mostra o quanto ela não funciona MESMO num discurso de pré-feminismo. Tanto é que a "moral da história" da Megera Domada contradiz TOTALMENTE esta idéia e funciona muito mais para o séculos XVI do que para o novo milênio. Mas Shakespeare não poderia prever isto, e o seu mérito, aqui, deve ficar para suas ótimas noções de comédia e sátira.  





Atire a primeira pedra quem nunca tentou desvendar um whodunit. Para quem não sabe, este bom e velho quebra-cabeça mental típico dos romances policiais se constitui, basicamente, da clássica pergunta "Quem matou Fulano?", artifício criativo que já rendeu muitos pocket books da Agatha Christie e, por aqui no Brasil, uma safra interminável de novelas das oito - Afinal, Quem matou Odete Roitman? ("Vale Tudo", 1988. SIM, não é  "A Próxima Vítima", como muitos erram!). Com tanto assassinato "sem solução" na boca do povo, acho que você vai concordar comigo quando digo que escrever este tipo de livro é tão inovador quanto criar uma nova série procedural de médico para a TV a cabo ("E.R", "House", "Grey's Anatomy" que se expliquem... ). Mas como toda temática desgastada, sempre há aquele escritor que sabe com que clichê está lidando e, desta vez, convoco Harlan Coben para mostrar-los que ainda há formas divertidas de trabalhar este gênero. 

Somos apresentados a um tal de Myron Bolitar - Sim, nome tão zombável que o próprio personagem se auto-sacaneia - um agente esportivo bonitão e "cheio da manha" responsável por uma das maiores promessas do futebol americano do momento. Esta se chama Christian Steele, o aclamado menino de ouro da mídia, exceto pela sua vida pessoal nada bonita no papel: Há pouco mais de um ano, sua noiva Kathy Culver foi dada como desaparecida e a única prova material do que pode ter acontecido foi encontrada em uma lixeira de sua universidade, na forma de uma calcinha ensaguentada. Prestes a fechar o maior negócio de sua carreira, Christian vê o seu passado voltar para persegui-lo quando uma revista pornô aparece em sua caixa de correio... Com, nada mais nada menos, do que uma foto de Kathy nua em um dos anúncios de disque sexo. Agora, Myron terá que proteger a todo custo o nome de seu cliente e, para isto, terá que utilizar de todas as suas habilidades investigativas e contatos da indústria do dirty talk

Harlan é esperto. Todos sabem que o grande problema deste gênero se chama "caso meh, personagens esquecíveis". A primeira coisa que Coben fez? Criou o seu próprio "Poirot" na figura carismática do protagonista Myron Bolitar. Charmosão para as mulheres e um filho da mãe troller para os homem, Myron é um personagem capaz de agradar a todos ao reunir as qualidades e defeitos certos para este tipo de literatura; Mulherengo, sarcástico, boa pinta e, principalmente, dotado de uma inteligência mais puxada para a "malandrisse" do que para um QI de Harvard. Você não vai ver neste mistério jogos de lógicas avassaladores, do tipo que só um androíde entúpido de memória RAM resolveria. Todas as pistas e conexões você seria capaz de fazer brincando e apenas deixou passar (Ou não, se você for um bom malandro) por falta de atenção e gaiatisse. 

Ao mesmo tempo, o "Sr.Watson" de Quebra de Confiança, ironicamente presta o papel de Sherlock Holmes da história. Este é Win, o melhor amigo e ajudante de Myron, uma espécie de nerd multimilionário faz-tudo que se responsabiliza pelas sacadas mais geniais na resolução do caso. A química absurda entre os dois personagens, honestamente, fazem o livro. Você pode até não curtir o mistério de Kathy (Apesar de eu achá-lo, honestamente, bem bolado!), mas você vai querer continuar a ler graças a comicidade destes dois. (Close no encontro com o mafioso Herman Acher. Em outras palavras, LOL.)

Com os ingredientes certos, este primeiro conto da série Myron Bolitar traz uma leitura bem agradável, com pitadas adequadas de romance (Afinal, a irmã de Kathy Culver se revela como um amor do passado de Myron!) e um suspense ponderado. Talvez a maior decepção do livro seja o final, que não foi tão forte quanto poderia ter sido (Acho que tive este problema por ter sempre pensado que a culpa fosse deste personagem) - O twist, definitivamente, não conseguiu me twistar. Mesmo assim, não acho que seja um livro que se limite a resolução do caso em si. Na verdade, a obra de Coben merece nota 10 no quesito "desenvolvimento"; aquele desenrolar da história que nos deixa compenetrado em cada instante, fato que por si só, vale por todos os minutos gastos matutando o mistério mais erótico da carreira de Bolitar. 

P.S: Ah, claro, não vou culpá-los se preferir o Winn ao ler o livro - Ele é realmente aquele personagem DIGNO de ser favoritado. 


P.S.II: Muita gente tem preconceito com isto, mas  a forma como Harlan usa palavrões sem fazer o livro soar forçado demais para o público masculino ou sujo demais para os mais comedidos me impressionou. Ele sempre mantém a linha, mantendo o livro realista e plausível, o que torna o ritmo da história apropriado tanto para o público adulto quanto para os mais novos.



Boa noite, gente linda e sensual do Escolhendo Livros.

Como vão vocês? Bão ou nem? Eu to bem, obrigado. Muito bem, na verdade, e espero que vocês estejam tão bem quanto eu, haha. Como foi a semana? A minha foi correndo atrás de Seguro Desemprego e, olha, eu ainda estou por entender por que esse negócio é tão burocrático de se conseguir. Mas né, não tem jeito: tem que fazer se não quiser ficar pobre, e eu não quero.

Mas vamos falar de Cogumelo do Sol coisa boa? Hoje eu vim aqui compartilhar com vocês algo que meu digníssimo namorado me mostrou há algum tempo e eu fiquei de mostrar pra vocês, mas outros assuntos impediram. Trata-se de um projeto realizado por uma rede de postos de combustíveis. Sim. Nada a ver, né? É.




O Livro para Voar é um projeto realizado pela rede Ale de combustíveis e se trata de algo que é conhecido no exterior como bookcrossing(“travessia de livros”, em tradução livre) e consiste basicamente em deixar um livro num local público pra que outra pessoa o pegue, leia, deixe em outro lugar público pra que outra pessoa pegue, leia e continue o ciclo ad infinitum. Existem pontos de libertação para os livros e etiquetas que facilitam a identificação. É bem fácil participar e o site explica tudo muito bem explicadinho (e não preciso nem falar que o serviço é gratuito, né?). Parece-me que esta ideia não é muito difundida aqui no Brasil (ou estou enganado?). Pelo menos aqui na minha cidade, eu nunca vi nenhum livro dando sopa por aí em pontos de ônibus ou mesas de bar. Vocês já?

Não vou nem explicar demais porque no site do projeto existe uma seção que explica como funciona e como proceder com a libertação dos livros (bem como o que fazer para identificá-los e repassá-los e informações mais detalhadas sobre a ideia e tal), e o site é tão bem feito e caprichado que vale a pena conferir. Achei a iniciativa muito válida e o projeto, digno de compartilhamento, especialmente porque, sabemos, no Brasil não se cultiva muito o hábito de ler.

Então fica a dica do Natan: próxima vez que parar pra abastecer, dê uma olhadinha básica pra saber se não tem nenhum livro dando sopa pelo posto de gasolina. Sempre bom voltar pra casa com um pouco mais de cultura em mãos, né? Ou, melhor, no banco do passageiro. Isto é, se você estiver dirigindo sozinho. Ou, ainda, dentro do porta-luvas... Ah, sei lá.

Boa noite, pessoal! Até a próxima!